31 janeiro 2009

FAROESTE CABOCLO - O LIVRO - CAPÍTULO 25

CAPÍTULO 25 - A MORTE DE SANTO CRISTO

João morreu sem ver quando Maria Lúcia o abraçou, soluçando, arrependida de tê-lo recusado. Não tinha mais sentido a sua vida sem João. João não viu quando Maria Lúcia pegou o seu revólver e deu um único tiro em seu coração, acabando com sua vida.

João morreu sem saber que Pablo assumiu novamente todo o poder que eles tinham. Sem Jeremias, Pablo, pouco a pouco, passou a trabalhar para o pessoal do Rio de Janeiro. E João também não soube que, o mesmo pessoal do Rio de Janeiro acabou matando Pablo, dois anos depois de sua morte.

João morreu sem saber que a cidade de Boa Vista, depois de tanto tempo, conseguiu eleger o primeiro prefeito da oposição. O doutor José Luiz conseguiu se formar médico e, depois de um trabalho bem feito, conseguiu derrotar toda a estrutura da posição.

João morreu sem ouvir os comentários das pessoas que estavam presentes, admirando as belas cenas dos artistas da televisão. Quem é aquele? Não conheço aquele ator. Aquele que morreu?

Outros chegavam mais perto, e verificaram que não era a minissérie.

- É sangue mesmo... Isso não foi gravação da televisão, é de verdade!

E outros:

- Vai passar na televisão?

A multidão só abriu espaço quando viram a veraneio vascaína virando a esquina, com quatro policiais, vindo ver o que havia se passado. Em pouco tempo, chegou toda a estrutura de policiais e bombeiros para darem assistência aos feridos.

Passou à noite na televisão. Alguns acreditaram, outros não, como sempre acontece. Usaram a história de João como exemplo político, como exemplo social, como mau exemplo. Mas não resolveram nada.

O que chocou, e repercutiu entre todos os que assistiram àquela cena, foi o final da transmissão, quando a câmera ia se aproximando do corpo de João de Santo Cristo, todo ensangüentado, virado para cima.

Na sua camiseta estava escrito: VIVER É FODA, MORRER É DIFÍCIL!

E em algum lugar o Brasil, alguém falou.

- Vamos fazer um filme?


FIM

29 janeiro 2009

ADVOGADOS

Um homem foi levado perante o juiz e acusado de necrofilia, por ter feito sexo com um cadáver feminino.
Disse-lhe o juiz:
- Em 20 anos de magistratura, nunca ouvi uma coisa tão imoral. Dê-me uma única razão para eu não pô-lo na cadeia e jogar fora a chave!

O homem respondeu:
- Vou lhe dar não uma, mas TRÊS boas razões:
- 1º, não é da sua conta.
- 2º, ela era minha esposa.
- 3º, eu NÃO SABIA que ela estava morta. Ela SEMPRE agia assim!

FOI ABSOLVIDO!

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Num julgamento o juiz pergunta para o réu:
- Como o senhor matou sua esposa?
- A chifradas, meritíssimo.
- Absolvido. Legítima defesa.

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Aluno de Direito ao fazer prova oral:
- O que é uma fraude?
- É o que o senhor, professor, está fazendo. - responde o aluno.
O professor fica indignado.
- Ora essa, explique-se.
Então diz o aluno:
- Segundo o Código Penal, 'comete fraude todo aquele que se aproveita da ignorância do outro para prejudicá-lo.'

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O avião estava com problemas nos motores e o piloto pediu às comissárias de bordo para prepararem os passageiros para uma aterrissagem forçada, depois, chama uma atendente para saber se tudo está bem na cabine e ela responde:
- Todos estão preparados, com cinto de segurança e na posição adequada menos um advogado, que está entregando o seu cartão aos passageiros!

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Certo dia estavam dois homens caminhando por um cemitério quando se depararam com uma sepultura recente. Na lápide lia-se:
'Aqui jaz um Homem honesto e um ADVOGADO competente'.
Ao terminar a leitura, um virou-se para o outro e disse:
- Desde quando estão enterrando duas pessoas na mesma cova?

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O advogado, no leito da morte, pede uma Bíblia e começa a lê-la avidamente.
Todos se surpreendem com a conversão daquele homem ateu, e uma pessoa pergunta o motivo.
O advogado doente responde:
- Estou procurando brechas na lei.

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Sabe qual a diferença entre Juizes de Primeira Instância e os de Segunda?
Os primeiros pensam que são Deus...
Os outros, têm certeza.

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POESIA: EU, UM MENINO

Sou menino
Nada sei.
Cismo em curvar nas retas
Teimo em beber taças de veneno
Mas continuo só,
Único,
E exclusivo...

Tenho alma transparente
Sou calmo
Tenho a tranqüilidade em minhas mãos.
Não tenho pressa em acreditar
Em Deuses,
Em Anjos,
Nos milagres.
Ando nas mãos cósmicas gigantes
Da maior divindade espiritual...

Escorrego,
Caio,
Mas sempre me levanto...

Cismo em errar.
Acerto por cismar...

Um menino
Que sempre errou
Mas agora vai fazer Direito...

Autor: Jorge Leite de Siqueira

27 janeiro 2009

A LÍNGUA DE CAETANO

Língua
Caetano Veloso

Gosto de sentir a minha língua roçar
A língua de Luís de Camões
Gosto de ser e de estar
E quero me dedicar
A criar confusões de prosódias
E uma profusão de paródias
Que encurtem dores
E furtem cores como camaleões
Gosto do Pessoa na pessoa
Da rosa no Rosa
E sei que a poesia está para a prosa
Assim como o amor está para a amizade
E quem há de negar que esta lhe é superior
E deixa os portugais morrerem à míngua
"Minha pátria é minha língua"
Fala mangueira!
Fala!
Flor do Lácio Sambódromo
Lusamérica latim em pó
O que quer
O que pode
Esta língua?
Vamos atentar para a sintaxe dos paulistas
E o falso inglês relax dos surfistas
Sejamos imperialistas
Vamos na velô da dicção choo choo de
Carmen Miranda
E que o Chico Buarque de Holanda nos resgate
E - xeque-mate - explique-nos Luanda
Ouçamos com atenção os deles e os delas da
TV Globo
Sejamos o lobo do lobo do homen
Adoro nomes
Nomes em Ã
De coisas como Rã e Imã
Nomes de nomes
Como Scarlet Moon Chevalier
Glauco Matoso e Arrigo Barnabé e maria da
Fé e Arrigo barnabé
Flor do Lácio Sambódromo
Lusamérica latim em pó
O que quer
O que pode
Esta língua?
Incrível
É melhor fazer um canção
Está provado que só é possível
Filosofar em alemão
Se você tem uma idéia incrível
É melhor fazer um canção
Está provado que só é possível
Filosofar em alemão
Blitz quer dizer corísco
Hollyood quer dizer Azevedo
E o Recôncavo, e o Recôncavo, e o
Recôncavo
Meu medo!
A língua é minha pátria
E eu não tenho pátria: tenho mátria
E quero frátria
Poesia concreta e prosa caótica
Ótica futura
Samba -rap, chic-left com banana
Será que ela está no Pão de Açúcar?
Tá craude brô você e tu lhe amo
Qué queu te faço, nego?
Bote ligeiro
Nós canto-falamos como que inveja negros
Que sofrem horrores no gueto do Harlem
Lívros, discos, vídeos à mancheia
E deixe que digam, que pensem e que falem

CHICO BUARQUE

ATRÁS DA PORTA

Quando olhaste bem nos olhos meus
E o teu olhar era de adeus
Juro não acreditei
Eu te estranhei me debrucei,
sobre o teu corpo e duvidei
E me arrastei e te arranhei
E me agarrei nos teus cabelos
Nos teus pêlos, no teu pijama
Nos teus pés, ao pé da cama.
Sem carinho sem coberta
No tapete atrás da porta
Reclamei baixinho
Dei pra maldizer o nosso lar
Para sujar teu nome te humilhar
E me vingar a qualquer preço
Te adorando pelo avesso
Pra mostrar que ainda sou tua
Só para mostrar que ainda sou tua...


26 janeiro 2009

FAROESTE CABOCLO - O LIVRO - CAPÍTULO 24

CAPÍTULO 24 - O DUELO

Natinho percebeu o que havia ocorrido assim que viu João saindo da casa de Maria Lúcia. Não quis conversar com João, porque sabia que o que ele falasse não ajudaria. Agora, só o tempo consertaria o seu coração.

- Natinho, quem inventou o amor?

Natinho sabia que era uma pergunta sem resposta.

- Vamos embora, João, tudo agora é coisa do passado.

Foram para a Rodoviária, e pegaram o ônibus para Brasília. Tudo estava acabado. João sabia que tinha que começar uma vida diferente de tudo o que tinha. Não tinha mais o comércio, nem os amigos, e muito menos dinheiro e condições de reconstruir tudo. Só restava a João voltar a vender drogas, ou trabalhar.

Trabalhar, ele não conseguiria, mesmo porque continuava viciado. Vender drogas seria a solução.

Quando chegaram em Brasília, João procurou uma forma de fazer o seu próprio ponto de venda de maconha. Era um quartinho que não tinha nem camas. Tinha um colchão velho em cima de caixas de tomate, onde ele dormia, e ali mesmo ele passava a droga. Mas, cada vez estava ficando mais difícil, porque ele usava mais do que vendia.

João, naquela tarde teve uma surpresa muito desagradável.

Jeremias foi visitá-lo.

- João, eu sei o que você está passando, e quero lhe oferecer um emprego. Você será chefe em um ponto de drogas. Que tal?

- Jeremias, você deve ser muito burro em vir me oferecer uma coisa dessas? Você acabou com a minha vida e agora quer que eu me humilhe para você? Saia daqui, seu idiota!

Os dois capangas de Jeremias quiseram segurar João, mas Jeremias não deixou.

- Idiota é você... Você não vê que está acabado? Eu tomei tudo o que você tinha! Até a sua mulher... Ou você acha que eu amava Maria Lúcia?

- Você acabou com a vida daquela mulher. - João estava vermelho de ódio. - A única mulher que eu amei de verdade. Uma pessoa boa, que não merecia nunca o que você fez com ela.

- É isso mesmo, João. Você viu que filho lindo. É a minha cara! Fiquei sabendo que nem isso você conseguiu...

João agora era só ódio e não conseguia se controlar.

- Jeremias, vamos ver se você é homem. Amanhã eu quero te enfrentar em um duelo. Só eu e você. Quem for melhor, vence. O que você acha?

Jeremias olhou para João naquela colchão, naquele quarto todo sujo, aquele idiota. João não tinha nem arma, com certeza.

- Está aceito, João, um duelo ao modo antigo? Que legal, vai parecer um filme!

- E escolha suas armas, seu porco traidor. Eu acabo mesmo com você de qualquer jeito.

- Amanhã eu lhe espero, João.

João não sabia o que estava fazendo, mas sabia que sua vida estava acabada, mesmo. Tinha fumado maconha, naquele dia, mas precisava de cocaína. Tinha um papelote. Esparramou sobre a cadeira e cheirou. Pegou o litro de conhaque, no canto da parede, e o bebia, quando olhou a sua televisão. Era um modelo bem pequeno, devia valer muito pouco, mas resolveu trocá-la por heroína.

Ligou-a pela última vez. Já estava escurecendo, e ele viu o anúncio:

"Amanhã, haverá o grande duelo. O faroeste caboclo ao vivo na praça Sete de Setembro, às duas da tarde."

Como os repórteres sabiam do duelo? Isso era coisa do Jeremias.

João pegou a televisão e assim que a levantou, encontrou, embaixo dela, um papelote de cocaína. Resolveu cheirar mais uma vez. Nem percebeu o efeito que aquele papelote fez. Era muita droga e bebida num dia só, e ele caiu em seu colchão, desacordado.

Só se levantou às dez e meia da manhã. João afobado, procurou Pablo.

- Pablo, eu preciso de um revólver.

- O que você aprontou, João?

- Nada, não. Mas, confia em mim, pela última vez. Me arruma um revólver, preciso enfrentar um cara. Só Deus sabe se eu vou usar esse revólver, mas eu preciso.

Pablo também estava maus. A vantagem que estava tendo em relação a João era que não usava drogas. Conseguiu se libertar do vício antes que o mesmo dominasse sua vida. Haviam vendido todos os bens e perderam todas os pontos de droga para Jeremias.

Pablo estava penando em conseguir algum dinheiro para sobreviver, mas estava pensando em viajar para a Bolívia, tentar alguns contatos e recomeçar a sua vida.

Tinha uma arma, a sua última. Resolveu emprestá-la a João.

- João, eu só tenho essa arma. Você promete que me traz de volta?

- Claro, Pablo, claro.

Pegou a arma e saiu. Precisava chegar na praça antes de Jeremias.

Só que João não sabia que nesta mesma praça, uma rede de televisão estava filmando uma minissérie chamada Faroeste Caboclo, misturando o passado dos faroestes dos índios, e o presente, do faroeste dos bandidos, das drogas. Foi este anúncio que ele viu na televisão e imaginou que fosse a divulgação de seu duelo.

E João não sabia que Maria Lúcia havia se arrependido de tudo o que fez com João, e que tinha vindo à Brasília, à procura dele, para voltarem a viver juntos.

E chegou a hora da disputa. João apareceu mais cedo. Jeremias apareceu um pouco mais tarde, acompanhado de diversos capangas. João sabia que de qualquer forma iria morrer.

Não sabia como lidar com a situação. A televisão filmava a minissérie. Ele estava do lado oposto da praça onde estava Jeremias.

Jeremias já havia visto João, mas estava esperando as coisas acalmarem. Tinha muita gente na praça.

João se aproximou.

- Jeremias, seu safado, vamos começar nosso duelo - e sacou sua arma.

Jeremias viu que a hora havia chegado. Pegou a sua arma, também.

As pessoas que estavam perto acharam que era parte da minissérie. Um câmera desavisado começou a gravar o que se passava. O câmera filmou quando João virou as costas e Jeremias abriu um sorriso enorme. Apontou sua arma para João e disparou.

João caiu, atingido. Quando caiu, a sua arma voou longe. João sentiu que o tiro havia atingido um ponto mortal, mas ainda viu quando Natinho chegou acompanhado por Maria Lúcia.

- Me tire essa vergonha, meu Deus, me tire dessa vida - falou João, sentido a dor do tiro.

João não sabia se era o sol, mas ele via uma luz diferente em Natinho. Ele reconhecia que Natinho estava possuído por uma coisa muito boa. Ele conseguia sentir isso. Será que era o amor que Natinho tanto falou?

Maria Lúcia o abraçou e chorou.

- Eu queria que o tempo pudesse voltar dessa vez. Acho que só agora começo a perceber tudo o que você me disse. Está mais certo do que eu queria acreditar. Você gostava mesmo de mim.

Viu Jeremias sorrindo sem perceber que ela retirava a Winchester 22 de um pacote e a entregava a João.

- Toma, João. Use a última bala como você queria e mude uma vida. Mate este idiota!

João olhou pras bandeirinhas que tremulavam ao vento. Olhou para o povo aplaudindo a cena, muito bem ensaiada, não sabendo que era de verdade. O sorveteiro, também sem saber da realidade, vendia sorvetes calmamente, tentando aproveitar o movimento maior naquele dia. E as câmeras da televisão agora estavam todas filmando os dois, com transmissão ao vivo para todo o Brasil.

João sentia a morte se aproximando. Viu seu pai correndo daquele policial. Reencontrou com Zé Luiz na beira do rio. Viu suas aventuras amorosas, as janelas que pulava, o reformatório, a política. Reencontrou com Seu Fernando na rodoviária de Salvador. E estava ali, agora, com o sangue na garganta, já sentindo que o final estava chegando.

Não se sabe de onde, João tirou suas últimas forças, agarrou a arma que Maria Lúcia lhe trouxe, engatilhou.

- Jeremias, eu sou homem, coisa que você não é, e não atiro pelas costas, não. Vira para cá, filha da puta, sem vergonha, dá uma olhada no meu sangue e vem sentir o seu perdão.

João deu cinco tiros em Jeremias. Seus capangas não sabiam o que fazer e fugiram, deixando o seu chefe, morto, estirado no chão.

João de Santo Cristo caiu morto, com os braços abertos, como Jesus crucificado, com a Winchester 22 ao seu lado.

25 janeiro 2009

POESIA: MINHA ALMA ME INTRIGA

Ah! Minha alma me intriga!
É uma coisa estranha
Ela foge
Me abandona
Depois volta, aflita,
Querendo tudo ao mesmo tempo...

Ah! Minha alma...

Tenha paciência!
Deixe-me arrumar as coisas
Estou em transição
Não posso viver assim, ansioso...

Deixe-me pisar no chão
Não quero voar.
Pelo menos, agora não...

Autor: Jorge Leite de Siqueira

POBRES HUMANOS





MEU AMIGO DE SBO

Ter amigo importante é bom, né?

Pois meu amigo é um cara legal, de alma boa, tem uma boa voz, galã. É um cara prestativo, sabe lidar com multidões. Aliás, vive procurando multidões. Com um microfone nas mãos, arrepia os espectadores.

Calma! Não é o Chico! É o Ivaldo...

Um abraço, José Ivaldo, meu amigo de Santa Bárbara d´Oeste.

24 janeiro 2009

VINÍCIUS DE MORAES

Eu sei e você sabe
Já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe
Que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos
Me encaminham a você.
Assim como o Oceano, só é belo com o luar
Assim como a Canção, só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem, só acontece se chover
Assim como o poeta, só é bem grande se sofrer
Assim como viver sem ter amor, não é viver
Não há você sem mim
E eu não existo sem você!



CASA NOVA





O AMOR DE CAMÕES

AMOR É UM FOGO QUE ARDE SEM SE VER

Amor é um fogo que arde sem se ver,
É ferida que dói, e não se sente;
É um contentamento descontente,
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Autor: Luis Vaz de Camões

23 janeiro 2009

FAROESTE CABOCLO - O LIVRO - CAPÍTULO 23

CAPÍTULO 23 - SEGUNDA VEZ NO INFERNO - JEREMIAS E MARIA LÚCIA

João e Natinho foram para Goiás. Natinho resolveu acompanhar João, pois este não estava muito bem. Natinho sabia o que o esperava. Depois de mais de quatro anos tudo haveria de estar mudado. Seria quase um milagre se Maria Lúcia continuasse igual, principalmente porque João, quando entrou em contato com Maria Lúcia só atrapalhou ainda mais as coisas.

Desta vez, foram de ônibus. Desceram na rodoviária e tomaram um coletivo até o bairro onde João havia morado com Maria Lúcia. Em frente a casa, havia uma praça.

Nesta praça, Natinho se despediu de João, desejando-lhe toda a sorte do mundo. Ficaria ali o tempo necessário, até que os dois conversassem e se acertassem.

João se dirigiu à casa. Tocou a campainha e pouco depois Maria Lúcia apareceu na porta. Ela continuava linda, agora mais madura, mas João estava muito mais acabado do que quando havia vivido com ela.

- Oi, Maria Lúcia. - disse João. - Resolvi lhe procurar para conversarmos.

Maria Lúcia se assustou. Não esperava que João aparecesse mais na sua frente.

- Oi, João. Que surpresa! - disse Maria Lúcia, sem demonstrar alegria.

- Tudo bem? Vim lhe ver. Podemos conversar um pouco?

- Não sei se isto é bom. As coisas mudaram, João.

- Vamos conversar! O que perderemos com isso?

Maria Lúcia convidou João para a sua sala. Ainda morava na mesma casa, mas havia móveis diferentes.

- O que trouxe você aqui, João - falou Maria Lúcia, rispidamente.

- Maria Lúcia, eu aprendi muito com tudo o que aconteceu com a gente. Quando eu te deixei, era diferente. Eu pensava diferente e não sabia o que estava fazendo. Percebi que é só você a razão de minha alegria. Eu não sei viver sem você. Só não voltei antes porque não pude mesmo, a vida me deu umas porradas.

Maria Lúcia percebia um outro João. Era inseguro, maltratado pela vida, e aparentemente, não tinha abandonado os vícios.

- João, tudo mudou. Nada mais é como era no passado.

- Maria Lúcia, eu sinto a sua falta. Nunca mais eu fui o mesmo depois que eu fui embora. Eu sei que eu sou um idiota, mas deixa eu voltar para casa. Eu sinto falta do teu corpo junto ao meu...

- Você teve isso, João. E jogou tudo fora... Você lembra?

- Lembro, mas me arrependi de ter ido embora. Eu aprendi muita coisa depois que eu fui embora...

- Agora as coisas estão diferentes. Esse "eu te quero" já não me convence mais. Você só aparece quando convém aparecer.

- Maria Lúcia, eu lhe amo. Não sei viver sem você. A única coisa que tenho é uma pequena foto sua. Achei o três por quatro teu e não quis acreditar que tinha sido a tanto tempo atrás. Quando eu lhe vejo nesta pequena foto, é como se o meu coração criasse forças para enfrentar o mundo. É só você que me dá essa força...

- Você falou tudo, João. Já faz muito tempo. Eu não gosto de ser rejeitada. Você se lembra de quando me ligou. Falou que vinha e só alguns dias depois, voltou a telefonar dando as piores desculpas. Eu mudei, passei uma fase muito difícil na minha vida. Tudo o que sei é que você quis partir. Demorei para esquecer. Demorei para encontrar um lugar onde você não me machucasse mais. Descobri que o tempo é mercúrio-cromo.

- Eu sinto falta de você, Maria Lúcia - falou João. - Descobri que é só você que me entende do início ao fim. Eu não posso viver sem você. Eu nunca mais vou embora, nunca mais vou lhe abandonar...

- João, você se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar que tudo era para sempre?

- Eu lhe falei que me arrependi das bobagens que fiz no passado... Nunca mais consegui sair com mulher nenhuma. Quando penso em alguém, só penso em você. E os sonhos não acabam. Vamos ficar juntos para sempre, se você quiser...

- João, o que você acha que eu sou? Você me abandonou! Simplesmente pensando apenas em você, resolveu ir embora. Só você sabe o motivo. Você diz que tudo terminou, e agora, quer voltar? O que você quer que eu faça. Simplesmente o deixe entrar casa adentro, e ignore o sofrimento que me causou.

- Você disse que me amava...

- Eu amei você, João. E vou lhe falar uma coisa. Em nenhum momento eu deixei de lhe amar. O que eu procurei é me amar mais do que eu amava. Eu me preocupava com os outros e esquecia de mim. Acabou! Agora eu amo mais a mim...

João resolveu mudar de estratégia e tentou abraçar Maria Lúcia. Achava que a aproximação a faria sensibilizar-se.

- Eu te amo, e preciso de você, Maria Lúcia.

Maria Lúcia o empurrou.

- Não venha para cá, que eu não quero mais saber de você.

Maria Lúcia levantou e ficou do lado oposto de João, percebendo que ele tinha um pacote na mão, e não sabia o que poderia ter naquele pacote. Ficou com medo de rejeitar João e tornou-se mais cautelosa.

- João, eu sofri muito. O tempo passava e você não aparecia. Você não telefonou. Quatro anos, João! Já tem quatro anos que você se foi. João, enquanto a vida vai e vem, eu procurava alguém que me dissesse: "Quero ficar só com você."

João percebeu que tudo estava acabado, e resolveu jogar sua última cartada.

- Me disseram que você estava chorando, por isso resolvi voltar...

- Quem te disse isso, João. Deixa de ser mentiroso. Você nunca ligou para mim. É isso mesmo, você nunca ligou para mim, só ligou para você mesmo. O seu cinismo, essa sedução... Volta para o esgoto, baby, vê se alguém lhe quer.

Maria Lúcia estava muito zangada.

- Não me ofende. Eu posso ter meus problemas, mas estou melhorando. Pensei que você pudesse me ajudar, mas estou percebendo que estou perdendo tempo.

- É isso mesmo, João, você está perdendo seu tempo. Sai de mim que eu já não quero saber de você...

- Não tem jeito?

- Agora já não tem mais volta...

João voltou-se a sentar. Neste momento entra na sala um menino, de uns dois anos. Corre para os braços de Maria Lúcia.

- Acordou, filhinho. Viu só, nós assustamos o menino.

João percebeu que Maria Lúcia era mãe. Então ele realmente é que tinha problemas para ter um filho. Maria Lúcia tinha razão. Se ele tivesse feito os exames e fizesse tratamentos talvez hoje seria o pai daquela criança.

- Quem está ao seu lado, agora? - perguntou João.

Maria Lúcia estava linda abraçando aquele menino.

- É uma longa história. Acho que Deus me odeia. Jogou este homem na minha vida e ele vem e vai. O nome dele é Jeremias. É do Rio de Janeiro, mas está morando em Brasília.

Foi como se João tomasse um tiro. Doeu mais do que qualquer coisa que tinha acontecido em sua vida. Jeremias conseguiu destruir tudo em sua vida. Aquele maldito, além de derrubá-lo em seu comércio, ainda acabou com a sua única chance de paz.

Abriu o pacote, tinha a Winchester 22. João pegou aquilo nas mãos, olhou para Maria Lúcia com seu filho no colo. Maria Lúcia se encolheu no canto da parede. Sabia que João a mataria. Sabia que João estava louco de ciúme e faria aquela tragédia.

- Maria Lúcia, olhe para mim... - disse João.

Maria Lúcia olhou, devagar, para João.

- Maria Lúcia, eu estou derrotado. Vocês ganharam. Quero que receba isso, como uma lembrança minha. Foi a coisa mais valiosa que me foi dado com carinho por alguém que eu tenho certeza que gosta de mim, sem interesses. É a coisa mais importante na minha vida...

Maria Lúcia foi aos poucos se libertando daquele medo, e esticou devagarzinho a mão, até pegar na arma. Tomou-as em suas mãos. Era realmente, muito bonita. Nova, brilhando.

- Fique sossegada. Nunca foi usada. Esta está virgem. Eu prometi que só a usaria quando fosse capaz de mudar toda uma vida. Seria a última bala da minha vida. Mas, agora estou vendo que nunca a usarei. Quero que a guarde, e se lembre que você foi a pessoa mais importante na minha vida. Eu te amei, eu te amo e sempre te amarei...

Falou isso, virou as costas, saiu. Maria Lúcia viu que João estava chorando. Viu João se dirigir para a praça, encontrar com outro rapaz. Saíram em direção contrária à casa de Maria Lúcia.

Tudo estava acabado. Mas Maria Lúcia ainda amava João.

19 janeiro 2009

MÁRIO QUINTANA



QUEM SERÍAMOS

Veio um instante, partiu de novo,
Leve, sem nome...
Para que nomes? Era azul e voava...
No véu das horas punha o seu motivo.
Partiu. E nem
Ficou sabendo
Como eu acaso me chamava.


PIADAS

COMPANHEIRISMO

Um homem estava em coma há algum tempo.

Sua esposa ficava à cabeceira dele dia e noite. Até que um dia o homem acorda, faz um sinal para a mulher para se aproximar e sussurra-lhe:

- Durante todos estes anos você esteve ao meu lado. Quando me licenciei, você ficou comigo. Quando a minha empresa faliu, só você ficou lá e me apoiou. Quando perdemos a casa, você ficou perto de mim. E desde que fiquei com todos estes problemas de saúde, voccê nunca me abandonou. Sabe de uma coisa?

Os olhos da mulher encheram-se de lágrimas:

- Diz amor...

- Acho que você me dá azar!!!

..........

RACIOCÍNIO RÁPIDO DE UM CORNO INTELIGENTE

O indivíduo chega de surpresa e surpreende a mulher em sua cama com outro.

Tirou o revólver da cintura, tomando cuidado para não ser percebido pelos dois, armou o gatilho e já ia se preparando para meter bala neles quando parou para pensar.

Foi se lembrando de como a sua vida de casado havia melhorado nos últimos tempos.

A esposa já não pedia dinheiro pra comprar carne, aliás, nem para comprar vestidos, jóias e sapatos, apesar de todos os dias aparecer com um vestido novo, uma jóia nova ou uma sandalinha da moda.

Os meninos mudaram da escola pública do bairro para um cursinho super chique.

Sem contar que a mulher trocou de carro, apesar de ele estar a quatro anos sem aumento e ter cortado a mesada dela.

E as contas de luz, água, telefone, internet, celular e cartão de crédito, fazia tempo que ele nem ouvia falar delas.

O caso é que a mulher dele era mesmo um aviãozinho, baixinha, toda gostosinha, mesmo com três filhos o tempo não passava pra ela.

Coisa de louco....Guardou a arma na cintura, com muito cuidado para não ser percebido, e foi saindo devagar, para não atrapalhar os dois.

'Parou na porta da sala, refletiu um pouco e disse pra si mesmo:'

O cara paga o aluguel, o supermercado, a escola das crianças, as contas da casa, o carro, o shopping, todas as despesas e eu ainda vou pra cama com ela todos os dias ...

'E, fechando a porta atrás de si, concluiu sorrindo:

'Puta que o pariu... O CORNO É ELE!!!!'

.........

PROGRAMA DE RÁDIO

Locutor: - Quem fala?
Ouvinte: - É o Vicente.
Locutor: - De onde, Vicente?
Ouvinte: - Lapa!
Locutor: - Olha aí, Vicente da Lapa! Valendo o kit com camiseta e CD do Edson e Hudson.. Presta atenção! Qual é o país que tem duas sílabas e se pode comer uma delas? Prestou bem atenção? Há um país com 2 sílabas e 1 delas é muito boa para se comer. Dez segundos para responder.
Ouvinte: - CUBA!
Locutor: (mudo por alguns segundos e algumas risadas no fundo)
- Tá certo, senhor Vicente! Vai levar o prêmio pela criatividade. Mas aqui na minha ficha estava escrito JAPÃO.

FAROESTE CABOCLO - O LIVRO

18 janeiro 2009

FAROESTE CABOCLO - O LIVRO - CAPÍTULO 22

CAPÍTULO 22 - JOÃO SE ARREPENDE

Natinho visitava João todos os dias. No início João nem o recebia, tanto que sofria com a dependência da heroína. Mas, conseguiu, aos poucos, recuperar um pouco da sua personalidade.

João já tinha trinta e dois anos e não havia um bom futuro para ele. Ele começou a se preocupar com isso.

Natinho, sempre que o visitava, levava livros e cds que continham mensagens positivas, músicas de bom gosto, com boas letras, e fazia o possível para recuperar João. A princípio, João reagia rispidamente a esta tentativa de recuperação que João planejava.

Natinho, sempre procurava aproveitar todos os momentos de suas visitas para ajudar João a se encontrar. Ele sabia que, psicologicamente, João estava vulnerável. Era a chance que Natinho queria para realizar a mudança final na vida de João. Agora era tudo ou nada. Natinho sabia disso.

Andando pelos jardins da Clínica, João já completava vinte dias de tratamento e já estava mais calmo, mas ainda tinha recaídas, necessitando de drogas. Nesses momentos de recaída João mandava Natinho trazer alguma coisa para ele. Natinho, que há alguns anos também tinha passado por um tratamento parecido, se afastava, ficava alguns dias sem visitar João, e quando voltava, a crise já havia passado.

- João, você está bem melhor - disse Natinho. - Você percebe como está mudando.

João não respondeu.

- Você está bem, João?

- Natinho... Você vem aqui com esse papo de melhorar minha auto-estima, viver melhor... Você acha que é o quê? Não me olhe assim com esse semblante de bom samaritano.

Natinho percebeu que havia sinais de recaída. Foi devagar.

- João, você precisa ter mais fé. Ter fé em você, em primeiro lugar. Você precisa ter fé em Deus. Ter fé em que vai melhorar. Você precisa acreditar mais do que todos nós.

- Ninguém me entende...

Por coincidência, naquele horário, do lado de fora da Clínica, estavam saindo com uma procissão da igreja.

- Olha, João, o que é ter fé... Todos seguem um santo, uma santa, e jogam as suas esperanças nas mãos desse santo. Acreditam que seguindo em procissão, podem conversar e serem escutados pelo santo. Vamos ouvir o que eles estão cantando?

"Nossa Senhora do Serrado, protetora dos pedestres..."

- Você ouviu, João? - disse Natinho. - É uma Santa.

Natinho olhou para João que olhava atento as pessoas em fila, alguns levando cartazes, com dizeres estranhos: URBANA LEGIO OMNIA VINCIT.

João começou a chorar.

- Não me olhe assim.
- Calma, João, chorar é bom para a nossa alma, para o nosso espírito. Você já percebeu que quando chora fica mais leve. É como se tirasse um peso das costas.

E João chorou mais uma vez.

- João, você tem que entender que Deus é bom. Ele não quer nada mais que nos dar amor e que possamos dar esse amor para os outros.

- Natinho, você sabe que eu nunca acreditei em Deus.

- Nunca é tarde, João. Você lembra daquela passagem na bíblia que fala que devemos amar as pessoas como se não houvesse o amanhã?

- Ouvi alguma coisa parecida.

- Pois então, não precisa ir a igrejas, freqüentar cultos, basta você amar as pessoas.

- É muito difícil amar as pessoas, João.

- Eu sei que é, mas faça o possível.

- Eu sempre odiei, e agora, devo amar?

- Exatamente, João, nunca é tarde.

João parou um pouco para pensar. Lembrou do que sofreu em sua vida, sem ter família, sempre sendo rejeitado, sempre tendo problemas. Era muito difícil amar.

- Natinho, os meus sonhos estão acabando. Não acredito mais nos meus sonhos.

- Nunca deixem que lhe digam que não vale a pena acreditar nos sonhos que se tem.

- Mas, no meu caso, o sonho de poder, de riqueza, não será mais possível.

- Mas você teve tudo na sua mão. A diferença é que você não soube dar o valor na hora certa. E você tem que perceber que os sonhos mudam. Quando você teve dinheiro e poder você não se realizou. Quando foi que você foi mais feliz em toda a sua vida? - perguntou Natinho.

João não hesitou em responder.

- Quando eu estava com Maria Lúcia. Foram os melhores dias que vivi.

- E você era rico, nesta época? Você não abandonou tudo, para ser feliz?

- Foi, Natinho, só não soube segurar a minha felicidade.

- Mas pode preparar o seu futuro. Você precisa mudar daqui para frente, e quando tiver uma outra oportunidade, você deve perceber o que está acontecendo e segurar de todas as formas. Pense em amar, João.

João pensou. Era muito difícil. Sempre quando lembrava no amor, lembrava de Maria Lúcia.

- Natinho, como você consegue ser tão forte.

- Eu sou diferente de você, João. Sempre que eu me relaciono com alguém, eu penso em amar esta pessoa primeiro. Vê que a minha força é quase santa? Eu consigo atingir os meus objetivos sem disparar uma bala, sem dar um soco. Eu amo os meus amigos, eu amo as amigas. Amo quem conheço hoje, e quem conheci a dez anos. João, sem amor eu nada seria. Só o amor conhece o que é verdade.

- Obrigado, Natinho, hoje eu consegui perceber que posso modificar minha vida. Vou pensar no que você falou. Sabe por quê? Porque eu vou reconquistar Maria Lúcia. Eu quero essa mulher novamente ao meu lado.

- Falou bonito, João. Procure dentro de você onde está o amor, que você vai encontrar. Faça assim, todos os dias antes de dormir, converse com sua alma. Feche os olhos e converse com Deus. Faça perguntas, escute as suas respostas. Agradeça o que conseguiu e prometa alguma coisa para Deus. Você vai ver que vai se sentir bem melhor.

Já estava na hora de Natinho ir embora.

João achava que seria fácil fazer o que eles haviam conversado, mas não era. Havia os momentos de sossego, quando ele conversava com Deus, mas também havia os momentos que uma força maligna invadia os seus pensamentos e fazia João se lembrar do que ele já havia feito na vida. Os assassinatos, as brigas, as festas, vendas, uso de drogas. Lembrava do rosto de Alex, que foi morto brutalmente.

João buscava refúgio, nestes dias, nos livros e cds que Natinho e Pablo trazia.

Com dois meses, voltou para casa. Mas apenas dez dias depois já havia usado cocaína novamente. Bastava ter uma lembrança negativa do passado, que condenava o seu futuro. As drogas perseguiam-no. Passou um ano muito difícil, de altos e baixos. Voltou à Clínica algumas vezes, mas percebeu que não era tão fácil se afastar dos vícios.

Morava com Pablo, em uma casa que havia sobrado de todo o seu império. O seu prédio havia sido vendido para sanar as suas dívidas. Não tinham mais poder, tinham poucos pontos de venda de drogas. Haviam definhado, seriamente.

- Não existe beleza na miséria, Pablo.

Pablo estava no sofá, assistindo televisão. Era um domingo, e como em todos os domingos, não há nada para fazer.

- É, João, já percebi...

- Não temos mais nada...

- Não fala assim... Era para estarmos muito pior. Não se esqueça que somos criminosos e poderíamos estar presos. Então, devemos estar satisfeitos em termos a nossa liberdade.

- Não acho muita coisa. E mesmo se eu tiver a minha liberdade, não tenho tanto tempo assim.

- O que você quer dizer, João?

- Acho que vou tentar a reconciliação com Maria Lúcia.

- João, você precisa mudar algumas coisas para viver com ela.

- Eu sei. Às vezes faço planos. Às vezes quero ir... Voltar a ser feliz...

- Eu entendo, João.

- Quem diz que me entende, nunca quis saber de mim. É só fingimento.

- Você mesmo disse, João. Quando se aprende a amar o mundo passa a ser seu.

- Eu aprendi a amar, mas de uma forma diferente. Eu sei que Maria Lúcia ainda me ama. Ela era bem apaixonada por mim. Apesar de já estarmos separados a mais de quatro anos, ainda acho que ela me ama.

Natinho chega à casa de João. Mais tarde convida João para dar uma volta. Já era tarde do domingo. Eles moravam num bairro mais afastado, e numa hora daquelas todo mundo já estava dormindo.

- Sabe, Natinho, ontem eu tive um sonho. Sonhei com meu pai. Nem me lembro como ele era, mas ele apareceu no meu sonho. A gente estava na Bahia, e saí para caminhar com meu pai. A gente ficou andando pelas ruas de Boa Vista, a cidade que nasci, e conversamos sobre coisas da vida.

Natinho ficava em silêncio, apenas escutando.

- É curioso o sonho. É como se meu pai quisesse me avisar alguma coisa. Lembro que ele me falava sobre tentar ser forte a todo e a cada amanhecer.

- Eu entendo esse sonho, João. O que você está planejando?

- Estou pensando em voltar a ver Maria Lúcia.

Natinho balançou a cabeça.

- Você acha que está na hora certa. Já tem bastante tempo que vocês não se encontram.

- Eu sei que ela está me esperando.

- E se ela mudou? Você já ligou para ela?

- Tentei, mas mudou o número. Se ela se mudou, eu a encontro.

João sentou-se na guia da rua, e colocou as mãos na cabeça.

- Natinho, o que há de errado comigo? Eu não sei mais do que sou capaz...

- Você está confuso, João. Mas, cuidado para não tomar a decisão errada.

- Olhe, Natinho, para essas casas. Estou acordado e todos dormem. Estou conversando com você como se eu fosse um doente. Eu preciso fazer alguma coisa para ser feliz. Eu vou voltar para Maria Lúcia, voltar a trabalhar, e viveremos felizes.

João colocou a cabeça entre as pernas e chorou.

- João, não esconda sua tristeza de mim.

- Natinho eu vou tentar alguma coisa. E se eu tentasse recuperar os pontos?

- João, pense só um pouco. Não existe nada de novo. O que era para acontecer, já aconteceu. Você vive insatisfeito e não confia em ninguém. Não acredita em mais nada, e agora é só cansaço.

- Acho que entendi o que quis dizer, mas existem outras coisas.

- Que outras coisas? - perguntou Natinho. - Tínhamos um plano, você mudou de idéia. No auge de seu comércio você procurou o seu amor. Por quê não ficou com Maria Lúcia? Agora quer tentar recuperar o quê? Não vê que tudo está perdido?

João se levanta.

- Tudo está perdido, mas existem possibilidades...

- Quais são essas possibilidades?

João finalmente se entrega. Seu coração está apertado. Sabe que precisa aprender a viver como está, sem seu império, sem seu poder, e que nunca mais vai conseguir o poder novamente.

João chora, solta as emoções através das lágrimas. Natinho deixa João chorar, sabe que é o melhor no momento. Depois de alguns minutos, Natinho se aproxima de João.

- Já passou! Já passou! Acalme-se!

João se acalma aos poucos.

- Sou um animal sentimental... - fala João. - Já enfrentei tanta confusão, já matei gente, e estou aqui, chorando, que nem uma criança.

Natinho sabe que é melhor João desabafar.

- Sempre que tentaram a me obrigar a fazer o que eu não queria, eu reagia violentamente. Nunca fui dominado. Antes eu era duro, violento e forte. Hoje estou mudado, sou novo ainda e estou enfraquecendo.

- Não é isso, João. Você está percebendo que o caminho que você percorreu até hoje não te levou a lugar nenhum.

- Antes eu sonhava... - disse João. - Agora, já nem durmo!

O VENTO DE MÁRIO QUINTANA

O vento é um inveterado ledor de tabuletas. E, com toda aquela sua pressa, é exatamente o contrário do leitor apressado: não salta uma só que seja, não perde nenhuma delas, lê e passa - que o seu destino é passar -, mas guarda uma lembrança vertiginosa de todas, principalmente das verdes, das vermelhas, das de azul mais forte, sem esquecer ó Van Gogh, as tabuletas amarelas...

Sabes? Passa no vento a alma dos pintores mortos, procurando captar, levar (para onde?) as cores deste mundo.

Que este mundo pode ser que não preste, mas é tão bom de ver!

16 janeiro 2009

ZECA

POESIA: VOCÊ NÃO VÊ?

VOCÊ NÃO VÊ?

Está vendo?
Olha lá!
Lá no horizonte, bem longe, está vindo.
Parece nuvem, eu sei, mas não é.
É diferente, não é branco, é amarelo.
É azul, também...

Não acredita?
Olha lá no horizonte.
Está lá, de todo o tamanho, só você não vê.
É vermelho como sangue
E lilás como a flor...

Você não vê?
Que pena!
Eu vejo...

Tenta olhar além dos prédios
Tenta olhar além das montanhas
Tenta olhar além do horizonte
Tenta olhar além de seus pensamentos...

Mas, cuidado!
Você pode enlouquecer como eu.
A diferença é que eu vejo.
Você não...

Autor: Jorge Leite de Siqueira

POESIA: ESCOLHAS

Às vezes
Estamos preparados
E não sabemos...

Às vezes
Sabemos
Mas não estamos preparados...

Já me ocorreu
De ter uma planta nas mãos
E não ter água para regá-la
Ou adubo para alimentá-la...

Já me ocorreu de ter água e adubo
E não ter a planta...

Uma vez
Vinte taças me apontavam
Todas em minha direção
Mas somente de uma bebi
E era veneno...

Às vezes escolhemos tanto e ficamos sem nada...

Autor: Jorge Leite de Siqueira

MAIS MOMENTOS





VIDA





COPINHA SP - OITAVAS DE FINAL

Terceira fase - Oitavas-de-final

Sábado
17/01/2009 - 14:00 - Fluminense x América-MG - Nicolau Alaion
17/01/2009 - 16:00 - Santos x Cruzeiro - Benedito Teixeira
17/01/2009 - 16:00 - Atlético-PR x Fortaleza - C. P.N. Cancian
17/01/2009 - 18:30 - Corinthians x Ponte Preta Prof. L. A. de Oliveira

Domingo
18/01/2009 - 10:00 - Avaí x Goiás - Bruno Lazzarini
18/01/2009 - 14:00 - Figueirense x Internacional - Paulínia
18/01/2009 - 16:00 - Atlético Sorocaba x Paraná - Osasco
18/01/2009 - 18:30 - Barueri x São Paulo - Rio Claro

COPINHA - RESULTADOS

Terça-feira - 13/01
Cruzeiro 5 x 0 Juventude 14h Itu
Fluminense 1 x 0 Rio Claro 16h Guarulhos
Vasco 0 x 1 Avaí 18h30m Leme
Corinthians 2 x 1 Sertãozinho 20h30m São Carlos

Quarta-feira - 14/01
Ponte Preta (4) 2 x 2 (3) Portuguesa 14h Taboão da Serra
Santos 4 x 0 Guarani 16h São José do Rio Preto
Vila Nova (GO) (2) 1 x 1 (4) Figueirense 16h Paulínia
Barueri 3 x 0 São José (RS) 16h Barueri
Atlético Sorocaba 2 x 1 São Caetano 16h Indaiatuba
Goiás 2 x 1 Desportivo Brasil 16h Embu das Artes
América (MG) 6 x 0 América 16h São Paulo
Grêmio 1 x 2 Atlético-PR 18h30m Taubaté
Flamengo 4 x 5 Fortaleza 20h30m Hortolândia

Quinta-feira - 15/01

Palmeiras 2 x 3 Paraná 16h Araraquara
Internacional 4 x 0 Rio Branco 18h30m São José dos Campos
São Paulo 5 x 0 Juventus 20h30m Rio Claro

CLASSIFICADOS
PRÓXIMOS JOGOS


Cruzeiro x Santos
Fluminense x América - MG
Avaí x Goiás
Corínthians x Ponte Preta
Barueri x São Paulo
Atlético de Sorocaba x Paraná
Figueirense x Internacional
Fortaleza x Atlético - PR

CLARICE LISPECTOR

Gosto dos venenos os mais lentos!
As bebidas as mais fortes!
Dos cafes mais amargos!
E os delirios mais loucos.
Voce pode ate me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:
E daí
eu adoro voar!!!



15 janeiro 2009

FAROESTE CABOCLO - O LIVRO - CAPÍTULO 21

CAPÍTULO 21 - JOÃO E O TRAIDOR

No dia seguinte quase todos tiveram alta, da clínica. Apenas Mundo continuou internado, para acompanhamento, mas já estava bem melhor.

João marcou uma reunião com todos os seus vendedores, todos os que participavam da gangue, todos os funcionários dos andares de baixo, como ele falava.

No dia seguinte, às nove da noite, todos estava lá. Reuniram-se nos pavimentos subterrâneos, onde era controlada a droga.

João começou falando.

- Pessoal, eu estou bem, passei por uma tentativa de assassinato, mas está tudo bem. Alguns aqui estavam comigo, naquele dia. Foi um negócio muito sério, que me ensinou muito.

- Eu estava ferido, no meio de uma construção, num lugar sem segurança nenhuma, e via a morte se aproximando. Neste momento eu percebi o que é morrer. Eu nunca vivi pensando em morrer, pelo contrário, tomei algumas decisões pensando ser imortal.

- Mas, naquele momento, fiquei com medo. Percebi que estava levando alguns de vocês comigo, só por amizade, e outros, por poder, dinheiro, e sei lá o que vocês pensam. Cada um pensa uma coisa. Mas, naquele dia eu vi amigos e inimigos. E também, vi amigo que era inimigo. E fiquei com medo. Fiquei com medo de confiar em todo mundo. Eu tenho todos os defeitos que um homem pode ter, mas sempre confiei em quem está do meu lado.

- E quase morri por isso!.

João parou um instante de falar. Respirou. Tudo estava calmo quando começaram uns burburinhos no salão. Alguns entendiam o que João estava falando e outros estavam completamente perdidos.

- Primeiro, quero falar com vocês que estamos numa concorrência muito séria, contra um outro grupo que vocês conhecem. O Jeremias está crescendo demais. Eu quero falar para vocês que estamos reduzindo a nossa produção. Agora vamos trabalhar com menos produtos, devido a alguns probleminhas que tivemos.

- Devido a isso, dou todo o direito a vocês para decidirem o que querem fazer. Se vocês quiserem ficar comigo, eu ficarei muito feliz, mas não teremos mais o modo de trabalho que tínhamos. Teremos que ficar mais vigilantes, devemos andar armados, preparados para todo o tipo de surpresa que possa ocorrer.

- Quem quiser ir embora, não há problema. Eu só não quero que fiquem insatisfeitos. Se vocês estiverem aqui, devem se dedicar totalmente ao nosso negócio. Ao contrário, se pensam em dividir as atenções entre eu e Jeremias, queiram ir embora. Tem gente que está do meu lado, mas deveria estar do lado de lá. Eu não vou ficar chateado. Eu prefiro isso, a ter que tomar decisões mais sérias no futuro, se é que vocês me entendem.

- Não precisam ir agora. Amanhã, quem não vier trabalhar preferiu o outro lado, ok? É só isso!.

- Era o que tinha para falar nessa reunião - disse João.

Foi uma reunião rápida. Formaram alguns grupinhos que ficaram discutindo o que fariam. Cada um tinha a sua opinião. Alguns eram mais corajosos, outros nem tanto. Sabiam que o império estava desmoronando, mas tinham receio da decisão que tomariam.

Aos poucos foram indo embora. Inclusive Alex, que ficou meio escondido durante toda a reunião. Não foi como no passado, quando ficava sempre perto de João.

Alex já ia saindo, quando dois rapazes impediram a sua saída, falando que João queria conversar com ele. Ele voltou-se e viu João acenando, chamando-o. Os rapazes o acompanharam.

Foram para uma salinha, em separado. Nesta salinha estavam presentes Natinho, Pablo, João e três rapazes, que agora acompanhavam João em todos os momentos.

- Alex, quero te fazer umas perguntas - falou João.

- O que foi, João? - perguntou Alex, assustado.

- O que aconteceu naquela noite? Por quê você errou tantos tiros?

- Eu não errei não, João... Sei lá, se eu errei, eu estava nervoso... Não sei o que aconteceu...

- Eu sei o que aconteceu. Como você pôde me trair dessa forma?

- Trair? Eu nunca traí você, João.

- Eu mandei seguirem você, Alex, e sei tudo o que anda fazendo. Foi você que passou tudo o que iria acontecer naquela noite. Foi por isso que estava tão fácil no começo. Eu quase morri a menos de trinta e duas horas atrás e você é o culpado. Você queria que eu morresse...

- Eu não fiz nada disso, João.

- Alex, eu sei de tudo. Você me deu sua palavra de confiança, e agora apronta isso?

- Eu não fiz nada, João, pelo amor de Deus. Se dez batalhões viessem à minha rua, e vinte mil soldados batessem à minha porta à sua procura, eu não diria nada... Eu te dei a minha palavra!

- Seu interesse é só traição... E mentir é fácil demais!

João deu o primeiro murro, que acertou no estômago de Alex. Este caiu gemendo no chão.

- Quando eu penso no que você fez, eu tenho febre...

E chutou o rosto de Alex.

Alex tentou se levantar mas tomou alguns murros dos seguranças de João.

- Parem! Levantem-no!

Levantaram Alex, que não conseguia ficar em pé. Alex sangrava pela boca. João, sem dó puxou os cabelos de Alex, levantando sua cabeça.

- Veja bem quem eu sou, desgraçado! Você nunca mais vai trair ninguém!

- João... Eu juro... que... nunca mais... faço isso... Eu não sei... mais mentir...

Alex falava, e o sangue escorria de sua boca.

- Beba desse sangue imundo.

João levantou a cabeça de Alex, fazendo ele se engasgar com o próprio sangue.

Soltaram Alex, que caiu no chão, sem forças.

João puxou o seu revólver.

- Alex, você nunca mais vai trair nem mentir para ninguém.

E deu o tiro final. Alex estava morto.

João sentiu a morte de Alex. Tanto que confiou neste rapaz e ele fez isto com João. A partir deste dia João não conseguiu confiar em mais ninguém. Nem em Pablo, nem em Natinho, em ninguém.

João passou a beber com mais intensidade, enquanto usava drogas mais pesadas. Passou a ser viciado em heroína.

Enquanto isso, Jeremias tomava cada vez mais o poder. Metade dos funcionários de João pediram afastamento, principalmente quando souberam o que aconteceu com Alex.

João tinha muita rivalidade com Jeremias.

Certa vez conseguiu escapar de um atentado contra seu carro, por milagre. Quando parou num sinal, uma moto com duas pessoas parou ao lado e dispararam diversas vezes contra o carro de João. Neste atentado morreram dois seguranças de João, mas, milagrosamente João não foi atingido.

Em outras ocasiões aconteceram fatos semelhantes. E sempre quando João tentava eliminar Jeremias, percebia que não tinha poder para isso.

Dessa forma, João se trancou em casa. Bebia e usava drogas, e começou a se afastar da vida. Um dia estava tão mal, que não conseguia reconhecer nem Natinho, nem Pablo.

- João, você está bem? - disse Natinho.

- Oi... Estou... bem... Muito bem... Quem é você?

- Você não se lembra de mim, João?

- Esqueci seu sobrenome, mas me lembro de você...

- João, eu sou o Natinho...

- Escrevi seu telefone num pedaço de papel... Você conhece essa música?

No dia seguinte, João estava melhor. Natinho e Pablo ficaram com ele durante toda noite. Tiraram toda a droga do apartamento e forçaram João a não usar drogas, nem beber. Foi difícil, mas João estava tão debilitado que não reagiu.

João ainda tentou se recuperar, mas, quando viu uma pichação na parede do Morro, ficou desesperado. A pichação escrevia: "OS TAMBORES DA SELVA RUFARAM: A COCAÍNA NÃO VAI CHEGAR".

- Pablo, tudo o que vier agora, vai começar a ser o fim...

- É, João, eu não tenho esperanças de melhorar nada.

- Pablo, vou ficar uns dias numa clínica, para desintoxicar. Você me ajuda. Administra o que resta?

- Vai, João. Você está precisando. Não temos muita coisa, mas eu tomo conta.

E João foi para a clínica, com toda a ajuda de Natinho.

14 janeiro 2009

POESIA: TENTEI PARAR O TEMPO

TENTEI PARAR O TEMPO

Olhei o relógio
Que cisma em continuar marcando as horas
Em malditos ponteiros que não param
E o tempo se esvai
E acho que vou enlouquecer...

Perdi segundos preciosos olhando o relógio...

Podia estar na praia
Podia estar na montanha
Podia estar na cidade
Mas, não, estou aqui, na sala, olhando essa porcaria de relógio
Que não pára
E me deixa velho
E não me deixa fazer nada...

Quase não pára!
Joguei-o no chão
Separando peças
Despedaçando ponteiros
Quebrando molas e engrenagens...

Que barulho é esse?
Tic, tac, tic, tac...

Autor: Jorge Leite de Siqueira

POESIA: MUNDOS PARALELOS

MUNDOS PARALELOS

Na praia
As crianças jogam água para cima
Molhando-se, uns aos outros,
E aos gnomos
Que se aproveitam da situação
E brincam entre si...

A mulher
Morta há alguns anos
Conversa com o homem
Morto há algumas horas
Num estado de felicidade diferente
Livre de tudo...

E eu
Visito as dimensões
De homens, da fantasia,
E entendo
Um a um
Todos os seres...

Serei o único...?

Autor: Jorge Leite de Siqueira

PIADA: CAPACIDADE ADMINISTRATIVA

Uma mulher andava na beira de um rio quando viu um sapo preso em uns galhos pedindo socorro. Quando ela chegou perto, ele disse: Me salva que eu realizo 03 desejos, mas tudo que eu der a você, seu marido ganhará 10 vezes mais. Ela pensou um pouco, mas topou!

1º Desejo
Mulher : Quero ser mUUUito, mas mUUUito rica.
Sapo : Ok, mas lembre-se que seu marido será 10 vezes mais rico.
Mulher: Não tem importância, tudo que é meu é dele, e tudo que é dele é meu... E ela se tornou muito rica.

2º Desejo:
Mulher : Quero ser muUUUUito, mas muuuuito bonita.
Sapo : Ok, mas a mulherada vai cair em cima do seu marido porque ele vai ser 10 vezes mais bonito que você.
Mulher : Não tem problema. E ela se tornou rica e maravilhooooosa.
Ele também.

Enfim, o 3º desejo :
Mulher : Quero ter um enfartozinho bem pequenininho... Só um susto!...
Sapo : (mudo)

Nunca subestime a capacidade administrativa de uma mulher!!!

13 janeiro 2009

FERNANDO PESSOA

AUTOPSICOGRAFIA

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.



FAROESTE CABOCLO - O LIVRO - CAPÍTULO 20

CAPÍTULO 20 - JOÃO CONTRA JEREMIAS - A EMBOSCADA

João andava sempre em bando. Tinha um grupo de pessoas que andava sempre juntos. Sabia da necessidade da união, se quisessem permanecer vivos.

João passou a receber a visita da polícia mais vezes em seu prédio. E, nem sempre era avisado de que o pessoal viria. Quando ia conversar com os policiais que eram seus informantes, eles falavam que João não estava mais colaborando como antigamente, e que precisavam de dinheiro para poder trabalhar.

João sabia que não pagava tanto como antigamente, mas percebeu que o que ocorria era que Jeremias pagava mais do que João, e comprou a todos.

De vez em quando, João ia parar na prisão, mas no mesmo dia voltava para casa devido a um bom trabalho de seus advogados. Era uma briga de gato e rato. Mas Jeremias estava por cima e não passava por isso. Os mesmos informantes de João agora estavam com Jeremias.

João se aprofundava cada vez mais nas drogas. Havia usado heroína algumas vezes, mas conseguiu escapar do vício. Maconha e cocaína eram iguais a comida para João. Usava diversas vezes por dia. Bebia regularmente. Voltou a ter a vida que tinha no passado, antes de morar com Maria Lúcia.

Numa dessas noites, João teve a idéia de fazer um ataque surpresa a Jeremias. Iria invadir cinco pontos de drogas ao mesmo tempo, já que todos os cinco eram próximos.

Reuniu o pessoal, para combinarem.

Todos estavam presentes em sua casa, naquela noite. João, Pablo, Alex, China, Mundo, Rodrigo, e mais os rapazes que serviam de força de frente para João.

- Resolvemos fazer um ataque surpresa - disse João. - Vamos pegar Jeremias e sua turma de surpresa. Vai ser amanhã à noite. Nós vamos invadir cinco pontos ao mesmo tempo. Nós vamos mostrar para esse cara que ainda somos fortes.

Colocou no papel toda a sua estratégia. Todos deram opiniões, falando sobre o que podia acontecer, onde estava o perigo, e ao final, concordaram com uma estratégia em que corriam pouco risco de serem pegos.

Como iriam atacar perto, resolveram dividir o grupo. João, Alex, China, Mundo e Rodrigo iriam atacar dois lugares. Os outros rapazes atacariam outros dois pontos. Iriam se juntar em determinada rua que era comum aos dois pontos e iriam, todos juntos, atacar o último lugar, onde Jeremias costumava ficar, pois era perto de sua boate preferida. Pablo não participaria. Ficaria no Morro, comunicando-se com os dois grupos, prestando assistência, caso fosse necessário.

Tudo estava acertado para o dia seguinte.

No outro dia, passaram o dia preparando as armas, compraram munição e fizeram os últimos preparativos para tudo dar certo.

Quando a noite chegou, todos se reuniram no Morro. À meia noite em ponto foram atacar. Chegaram em determinado lugar e se dividiram. Dois carros para cada grupo.

O grupo de João chegou ao primeiro ponto que ia atacar e teve uma surpresa pela facilidade que encontrou. Encontraram apenas duas pessoas no ponto, que não ofereceram resistência. João os amarrou, saqueou o que havia no prédio, levando dois revólveres, alguma droga e todo o dinheiro que havia. O que João mais queria era desmoralizar Jeremias.

Saiu do primeiro ponto e foi para o segundo, que ficava a três quadras de distância. A facilidade foi a mesma. Ficou admirado como Jeremias não se preocupava com esse tipo de segurança.

Mas João estava enganado. Tudo não passava de uma grande tramóia. Quando João saía do ponto, em direção aos carros, sentiu que alguma coisa estava errada. Ainda dentro do ponto, viu que um dos seus parceiros estava tenso.

- Alex, o que foi? Não está passando bem?

Alex olhou para os lados.

- Não é nada, João, só estou com um mau pressentimento.

- Vamos embora - disse João.

Quando já estavam na rua, para entrarem no carro, João ouviu o barulho dos primeiros tiros. Alguém estava atirando.

João conseguiu se arrastar pela rua, mas quando já ia entrando no carro, percebeu que China, o seu motorista, havia sido morto, com a garganta cortada, sentado no banco do motorista. Neste mesmo momento aconteceu uma rajada de tiros no seu carro. Não o acertou por milagre.

- Vamos, para o matagal.

Pularam os quatro para o matagal. João, Alex, Rodrigo e Mundo. Todos bem armados, conseguiram desvencilhar das balas e cambalear até atingir uma casa em construção. Na casa, percebiam que estavam sendo cercados.

- O que aconteceu, João? - perguntou Rodrigo.

- Acho que caímos numa emboscada. Não sei direito. Alguém está ferido?

- Eu estou - respondeu Mundo.

Só aí João percebeu o risco que corria. Mundo havia sido acertado no ombro esquerdo e sangrava um pouco. Nenhum dos outros havia se machucado.

- Você tinha razão, Alex, havia alguma coisa errada.

Alex ficou calado. Ainda estava tenso e João percebeu isso. João viu muito mais do que estava acontecendo. Naquele momento João entendeu tudo, mas não podia se precipitar.

De repente veio a rajada de metralhadora, acompanhada por diversos tiros, de todos os lugares. João e seus amigos abaixaram-se. Os tiros pararam. João se levantou um pouco e viu alguém se mexendo. Com apenas um tiro João o acertou. Era um dos capangas de Jeremias, que caiu com um tiro na cabeça. João sabia atirar muito bem.

João pensou que seria um bom lugar para testar a Winchester como nos filmes de faroeste.

- João, eles são em quantos? - perguntou Rodrigo.

- Não deu para perceber, mas são quase em dez. Acertei um. Vamos reagir. Precisamos nos defender até que os outros rapazes sintam nossa falta e nos resgatem.

E assim fizeram.

Jeremias não contava com aquela casa em construção. Tinha escolhido o lugar exato para acabar com a vida de João, mas não contava com aquele esconderijo.

Jeremias já sabia de todo o plano de João. O seu informante o havia avisado. Tudo estava certo para acabar com João. Ele equipou os seus dez melhores homens, os colocou em pontos estratégicos, mas, mesmo assim, João conseguiu escapar do primeiro ataque. Mas eles iriam pegá-lo ainda, era só questão de tempo.

Jeremias deu o apoio ao pessoal e recuou. Não podia arriscar a sua vida. E tinha os melhores homens, os mais bem pagos. Era uma questão de tempo para tudo acabar bem para a sua turma.

Quando o grupo que foi atacar a outra turma fizesse o serviço, voltariam para onde estava João e acabariam com ele.

João, não sabendo de onde, tirou toda a calma do mundo e ficou esperando o ataque de Jeremias. Se a sua outra turma não chegava era porque eles haviam sido mortos. Já era quase quatro horas da madrugada e eles estavam ficando cansados.

João foi onde estava Mundo, o único ferido do grupo.

- Como você está?

- Estou só um pouco cansado, não sei se isto termina logo... Meu joelho dói...

João percebeu que, além do tiro no ombro, Mundo havia sido atingido na perna, de raspão.

- João, estamos perdidos. Não vamos conseguir escapar dessa... - disse Mundo. - Como eles nos descobriram?

- Eu não sei, Mundo, eu só sei que Jesus foi traído com um beijo.

Mundo entendeu o que João queria falar. Só não percebia que o traidor estava muito perto e escutava tudo o que João falava.

Ainda estavam conversando quando João percebeu que eles começaram a se movimentar mais do que o normal.

- Presta atenção - falou baixo. - Estão preparando alguma coisa.

Foi só falar que começaram a atirar. João percebeu que dois deles estavam tentando se aproximar pelas costas. Um tiro de João e outro de Rodrigo conseguiram derrubar os dois.

O tiroteio cessou.

- João, estou sangrando muito. Acho que estou morrendo. Tudo está perdido... - disse Mundo.

- Quando tudo está perdido sempre existe uma luz - disse João. - Resista, Mundo, eu preciso de você, aqui, do meu lado.

Aquilo foi um grande estímulo para Mundo. Recuperou suas forças depois das palavras de João.

- João, quem é o inimigo?

- Eu já estou em dúvida. Eu sei que o Jeremias está envolvido nisso, mas quem mais poderia estar contra a gente?

- Será que vamos conseguir vencer? - perguntou Rodrigo.

João não respondeu.

- Sabe o que estou pensando? - falou João. - Eu sempre gostei de faroeste. Lembra de quando os índios ficam cercando os mocinhos? Estou me sentindo assim.

- Isso não é hora de brincar, João.

- Mas o que eu mais gostava era que os mocinhos sempre ganhavam dos índios. No final todos os índios eram mortos.

Pela primeira vez em sua vida estava ficando com medo. Já estava quase amanhecendo e nada de ajuda. De vez em quando havia uma troca de tiros, mas nenhum dos dois grupos conseguia tirar alguma vantagem.

João lembrou-se da droga que haviam encontrado no ponto de Jeremias. Procurou o pacote. Não encontrava...

- Alguém de vocês tem cocaína? - perguntou.

Alex tirou um papelote do bolso e entregou a João, que o usou imediatamente, recuperando uma força que estava quase perdida.

Levantou-se, inesperadamente, gritando.

- Quem é você? Acabe logo com isso...

Nem bem acabou a frase, começou uma chuva de balas. João foi acertado no braço direito e na perna. Caiu imediatamente. Aos poucos os tiros foram parando.

- João, você está bem? - perguntou Rodrigo.

João apenas gemia, sentindo a dor do ferimento.

- Você teve sorte, João, foi só de raspão.

- Não sei mais se é só questão de sorte. Pode até ser. Mas eu estou pronto para outra...

João se arrastou e pegou sua arma. Mirou em algo que ninguém via, apenas ele. Atirou e viu alguém gritando.

No mesmo instante o restante do grupo voltou a atirar.

O dia ia amanhecendo, quando Alex resolveu assumir o grupo, já que João não estava bem.

- Vamos nos preparar para fugir.

- Eu não posso andar - disse Mundo. - Eu vou ser baleado se tentar me mover.

- A noite acabou. Talvez tenhamos que fugir sem você.

João escutou aquilo e reagiu.

- Alex, deixa de covardia. O que você quer? Que acabemos mortos?

- Mas, João, e se nada acontecer? Vamos ser alvo fácil daqui a pouco.

- Será que nada vai acontecer? - disse Rodrigo.

- Eu acho que vai acontecer algo muito bom - disse João. - Algo me diz que nós vamos sair vitoriosos.

- Isso é impossível, João, se continuarmos assim... Não temos chance! - falou Alex.

- Eu já disse: quando tudo está perdido sempre existe um caminho.

Neste momento eles viram uma movimentação do pessoal. De repente alguns tiros, e começou um grande tiroteio.

João e os rapazes viram alguns dos seus inimigos se aproximarem, assustados, olhando para frente e para trás, e a saída era atirar. E matar.

A cavalaria havia chegado.

Pablo foi o primeiro a se apresentar, acompanhado de Natinho.

- Vocês estão bem? - gritaram.

- Estamos feridos, venham aqui.

Pablo sentiu que as coisas não haviam corrido como o planejado, ligou para Natinho, que rapidamente recrutou cinco amigos de alguns pontos de João e foram socorrer os amigos. Foram ao ponto em que estava a outra turma. Dois dos rapazes foram mortos, outros três estavam feridos e apenas um saiu ileso.

Pablo chegou com o pessoal na hora que os rapazes já estavam quase ganhando a batalha, mas conseguiram ajudar no desfecho.

Rapidamente foram onde estava João, e aos poucos, sem os rapazes perceberem, se aproximaram, devagarzinho, até pegar todo mundo de surpresa.

- A gente não queria lutar. Agora veja quantos corpos no chão - disse Natinho.

Eles haviam assassinado todos os membros da gangue de Jeremias que participaram da emboscada.

João ficou muito feliz com a chegada de Pablo e realmente não esperava que o amigo, pessoalmente, fosse defendê-lo. Foram levados a uma clínica de um amigo de João, onde ele tinha certeza que estariam protegidos, tanto da polícia quanto da gangue de Jeremias.

Doutor Euclides, pessoalmente, os atendeu.

João estava com um ferimento de bala no braço e outro na perna. Mas, ambos eram superficiais. João não corria risco de vida.

Mundo estava ferido com mais gravidade. Os seus ferimentos eram mais sérios e foi conduzido para a CTI da clínica, para um acompanhamento mais sério.

Alex e Rodrigo não se feriram na emboscada.

China havia sido morto, ainda no carro.

Na outra turma, dois haviam morrido na hora do ataque. Três estavam feridos superficialmente e um saiu ileso.

Pablo, Natinho e os seus cinco amigos estavam bem.

João e seus amigos feridos ficaram alguns dias na clínica, até se recuperarem totalmente.

Pablo e Natinho visitavam João e seus amigos todos os dias. Ficavam horas conversando. Em uma dessas visitas João abriu os olhos de Pablo.

- Cadê o Alex, que ainda não veio nos visitar? - perguntou João.

- Apareceu lá hoje, de manhã. Apenas perguntou como vocês estavam. Parecia meio perdido. Será que ficou chocado com o que aconteceu?

- Fica de olho. Estou desconfiado de que ele está entregando nosso jogo para Jeremias. Manda alguém segui-lo. Enquanto eu estiver aqui, disfarçadamente, mande alguém ver o que ele anda fazendo.

- Deixa comigo, João. Vou fazer isso, hoje ainda. Como você desconfiou?

- Ele ficou muito estranho todo o tempo da emboscada, parecia perdido. Percebi que ele atirava a esmo. Não acertou ninguém. E, também, estava com o bolso cheio de cocaína. Ele tava querendo passar a perna na gente. Fica de olho.

E Jeremias ficou e descobriu que Alex teve um encontro em um dos pontos de droga de Jeremias. O seu comportamento estava muito estranho. Mesmo assim, Alex voltou ao Morro, hoje pela manhã.

No outro dia, Pablo e Natinho voltaram à clínica. Quando estavam chegando, viram uma gritaria.

- O que está acontecendo? - perguntaram para a enfermeira.

A enfermeira Simone, vinha sorrindo pelo corredor.

- Todos os doentes estão cantando.

Era típico do João Irreverência. Depois de tanto sufoco, tanta violência, e ele, rindo.

- Agora chegou a hora da injeção. Vamos lá? - Simone brincou com os dois.

Entraram na enfermaria. Todos cantavam e João mudou a letra da música, para homenagear a Pablo. Falava algo sobre o heroísmo de alguém que venceu uma guerra.

- Vamos acalmar, chegou a hora da injeção - disse Simone, pegando no braço de um dos rapazes. - Esse aqui é difícil, não tem mais lugar para as agulhas entrarem...

- Aplica na testa... Não é de graça? - brincou João. E todos ficaram rindo.

- Tanta doença e vocês ficam aí, rindo?

- E quem sabe não serão nossos últimos momentos divertidos? - falou João.

- Só por Deus! - falou Simone, balançando a cabeça.

Simone aplicou as injeções e saiu. Pablo conversou com João.

- Realmente, você tem razão sobre aquele assunto. É fria! Mas, ele está dos dois lados.

- Deixa comigo! Amanhã a gente vai ter alta e aí eu vou acertar com ele.

- Vamos pensar nisso, depois, não vamos falar para os outros ouvirem - disse Pablo.

E escutaram os outros conversando como foi o tiroteio.

- Legal foi quando o João se encheu de coragem e gritou no meio do tiroteio: "Quem está aí? Quem é você?" E aí choveu um monte de bala nele, falando quem eles eram.

E morriam de gargalhar.

- Foi a cocaína. Eu fiquei doidão.

- Eu só sei que não entendi nada. Vi você se levantando, gritou e de repente vi você cair. Achei que você iria morrer ali.

E ficaram conversando bobagens.

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