23 dezembro 2010

POESIAS

2027 – Um dia

Um dia me deste um dia.
Depois dois, três, dez.
Mas o primeiro dia foi o primeiro dia.
E tu me deste.
E eu que me esqueço de tudo
Esqueci também que um dia me deste um dia.
Um dia cheio de horas,
Um dia cheio de minutos,
Um dia cheio de amor.
Um dia.
Os outros dias?
Foram outros.
O primeiro foi o primeiro.
Nada se compara ao primeiro...

Um dia me deste um dia...

Para me vingar tomei-te a alma.
Brinquei com ela
Sorri com ela
Fiquei com ela.
Fiquei?
Achei que fiquei.
Um dia percebi que quem levou minha alma foi você...

Um dia me devolverás minha alma?
Trarás junto meu coração?
Um dia?


AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

POESIAS

2026 – As nossas fotos

E agora?
O que faço com as nossas fotos?
Com as suas?
Com as minhas?

E agora?
Tudo me faz lembrar de você...


AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

POESIAS

2019 – Atrevimento

Tornei-me atrevido
E te seduzi
Conquistei-a para meus braços
Para uso próprio
E te fiz mulher
E te fiz feliz
E fui feliz...

Amamo-nos
Um ao outro...

Nos esquecemos de nos amar
Cada um a si próprio
Pois quando viesse a solidão
Quando nos víssemos longes
Suportaríamos as dores...

Agüentaríamos em nós
Sabendo-nos o outro...

E os dias seriam portais do futuro
Mesmo que demorasse tanto
– como demora –
E aturaríamos tudo
Pois seríamos um
Em dois corpos...

Mas, meu atrevimento foi incompleto...


-----


2020 – Pensei em te ligar

Pensei em te ligar
Daí, pensei sobre o quê iríamos falar.
Não vi assunto...

Planos?
O que são planos?
Projetos?
Idéias?

Bem, descobri que olhamos para lados diferentes...


-----



2021 – Perguntas da alma

Perguntas-me:
Para onde vais?
De onde vens?
O que fizestes?
O que farás?

Perguntas-me a todo o instante...

Mas, descansas-te,
Não me preocupo com tuas perguntas.
As que me incomodam
As que me apavoram
São as que a alma me pergunta
Aquelas que sei que existem e não as ouço...

E muito pior é que não tenho as respostas...


-----


2022 – Brincar de viver

Corpo e alma
Completamente iguais
Perfeitamente idênticos
Esplendidamente análogos
A um enorme quebra-cabeças...

Desmontado, claro...

Quando tudo parece se encaixar
Tudo se desmancha
E volto ao início...

O contrário também acontece!
Incrível!
Tudo parece que vai cair no precipício
Que vai desabar
Que vai desmoronar
Mas, que nada,
Tudo se arruma...

Ah!
Que incrível é a vida!
E que gostoso é brincar de viver...


AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

POESIAS

2017 – Confesso: eu menti

Eu menti!
E nas minhas mentiras me perdi
E te levei comigo
Que acreditou em mim...

Eu não sou assim tão calmo
Eu não sou assim tão paciente
Eu não sou assim como pareço ser...

Não!
Eu menti!
Não sei como sou, mas não sou como digo que sou.
Não sou!
Se fosse assim tão especial
Não estaria sozinho...

Me perdi em minhas mentiras.
Achava-as verdades
Mas não são.
E tu te perdeste de mim...

Pois menti...



-----+-----



2018 – As doenças

Tenho a aids do Cazuza,
Tenho a tuberculose do Bandeira,
Tenho a cirrose do Pessoa.
Só não tenho suas musas
Que, injustamente, não me visitam...

Tenho a aids do Renato
Tenho a melancolia de Vinícius
Sou drogado como todos
E não consigo fazer um verso sequer...

Injusto...

Meu destino?
Morrer como todos eles morreram.
E talvez, assim, tornar-me conhecido...



AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

POESIAS

2012 – O tempo parado

Olhando o amanhã
Além do amanhã
Além dos planos
Feitos
Desfeitos
Por motivos tão banais...

Olhando os planos
De amanhã
E depois de amanhã
Sinto-me idiota
Com planos idiotas
Num mundo idiota...

E o que são planos?
Pensamentos
Influências...

E o que é o amanhã?
Tempo
Que nunca existe em minha vida...

O mundo parou.
O tempo parou.
Eu parei...

Mas o tempo sabe o que fazer...


-----:)


2013 – Entre mim e você

Entre mim e você
Um vão
Uma fenda
Um precipício
Profundo...

Entre mim e você
Um muro
Uma muralha
Construída para separar...

Entre mim e você,
Nada mais.
Nada mais...

Entre mim e você?
Um mundo.
Sem nós...


-----:)


2014 – Herói

Herói!
Queres-me forte
Imbatível...

Herói!
Queres-me invencível...

Mas, quem sou eu?
Ossos e carne
Um punhado de pele e gordura
Presos por pensamentos filosóficos inúteis...

Herói?
Não sou!
Não sou forte
Não sou musculoso
Não tenho corpo de herói...

Não tenho nem cérebro de herói...

Por isso adoeço.
E vou morrer.
Por não ser herói...


-----:)


2015 – Aprendi a mudar

Aprendi a mudar:
O quarto
A sala
As coisas de lugar...

Aprendi a mudar:
As mulheres
Os empregos
Os bens materiais...

Aprendi a mudar.
Não é difícil, creia.
Não é tão difícil...

O que me angustia
É que sempre sou o mesmo
Igual
Onde estiver
Com quem estiver
Sempre sou o mesmo
Com os mesmos hábitos
Os mesmos trejeitos
Os mesmos pensamentos...

Isso me angustia...

Aprendi a mudar tudo
Só não consigo mudar a mim...



-----:)


2016 – Ouço o silêncio

Ouça!
Ouça o pássaro que não canta na árvore;
Ouça o disco que não toca na vitrola;
Ouça o vizinho que não briga com a esposa;
Ouça o silêncio...

Ouça!
Eu consigo ouvir!
O copo que não cai no chão e não se estilhaça;
O carro que não passa na rua;
O bar vazio, fechado, sem fregueses arruaceiros;
Ouça o silêncio...

Ouça a televisão desligada!
Que maravilha!
Ouça a falta de gente nessa casa!
Que maravilha!
Ouça a minha solidão...

Ouça!
Você consegue me ouvir?
Eu não disse nada...

Você não ouve nem o meu silêncio?


AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

POESIAS

2006 – Travado

Doze cervejas
Dúzias de pingas
Centenas de conhaques...

Dias sem dormir
Meses sem andar
Anos sem falar...

Parei, deparei, reparei, separei...


----


2007 – Cores

Cores
Que vejo
E misturo
Nas peles
E olhos
Que olho
E me seduzem
E eu desejo
E me desejam...

Eu me dou
E me dôo
E as faço feliz
E sou feliz...

Cores
Que vibram
E vibram
E vibram...

Dentro
E fora
Da consciência
E minha inconsciência...

Cores
Que escolho
Nas peles negras
Nos olhos verdes
Nos cabelos castanhos...

Em tudo...


---


2008 – Anônimo

Milhares
Corpos que nunca vi
Seres que nunca gostei
Almas que não quero conhecer...

Acredite!
Tenha reciprocidade!
Eu não valho nada.
Evite-me...


---


2009 – Forte e calejado

Você me acha forte?
Que nada!
Sou fraco!
Mais fraco que um grilo apertado entre dedos...

Supero as dores?
Viro a mesa?
Recomeço?
Sim, disso sou capaz,
Nunca vou parar de tentar enquanto respirar...

Mas um dia vou parar de respirar...

Tenho lugares a explorar
Pessoas a conhecer
Mulheres a acompanhar.
É minha missão...

Mas, machuca-me, abre feridas...

São culturas a conhecer
Costumes a compreender
Manias a aceitar...

Delírios chegam e se vão como correnteza sem direção.
Roncos que preciso suportar.
Palavrões, brigas, carinho...

Sol! Sol! Sol!
Chuva, frio, tempestades!
E o corpo?
Diverte-se...

É a minha vida:
Um punhado de dias
Que se sucedem
Mas que nunca trazem o futuro...


---


2010 – Nada mais tão a sério

Não vou mais
Nunca mais
Levar tudo tão a sério
A ponto de me ferir
De me machucar
De me fazer sofrer...

Nada merece minha dor...

Sério!
A vida é bem divertida...


---


2011 – Círculo de idéias

Crio
Dentro de mim
Um círculo de idéias
Um circo de idéias
Um circo louco de idéias
Um circo louco...

Crio
Mas não administro
E tudo se embaralha
E se confunde
E me confunde
Quando se fundem
Em novas idéias
Em novos planos
Em novos círculos...

Ciclo!
Círculo!
Circo!
E sou o astro principal...


AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

POESIA




2024 – Sem sentido

Que estranho!
Agora
O que leio não faz mais sentido
As poesias não têm porquê
Nada tem nexo...

Que estranho!
Agora
Só as músicas tristes fazem sentido
Só as frases tristes têm razão
Só a tristeza tem nexo...

Agora!
Que você foi embora...


AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

POESIAS

2001 – Tudo passa

Na vida
Tudo passa muito rápido:
O tempo passa
A uva passa
Até a banana passa...

Tudo é passageiro...

Menos o cobrador
E o motorista...

Tudo é uma luta.
Há vencedores
Há perdedores
Às vezes há empates...

O mocinho quase sempre vence
Às vezes o bandido vence
O desodorante vence
O leite vence e estraga...

Até as duplicatas vencem...

Nada de desânimo!
Levante a cabeça
Estufe o peito
E siga em frente...

Quer dizer
Se estiver em frente a um precipício, volte,
Dê um passo atrás...

Nessas horas você percebe:
Até um tropeção te leva pra frente...

Lembre-se:
Até um relógio quebrado
Duas vezes ao dia
Também estará certo...

Suas chances de sucesso
São maiores do que a do relógio...

Pelo menos eu espero que sejam
Porque, se não forem
Há tantos precipícios
Tantas pontes altas
Tantos prédios...

Chame seu melhor amigo
Peça ajuda
Peça um empurrãozinho nas costas...

Afinal, para que servem os amigos?


-----X-----



2002 – Masoquistas

Você me chama!
Grita meu nome!
Sabe que estou longe
Que não irei
Que nem te escutarei...

Você me chama porque gosta de sofrer...

Eu imploro por sua presença!
Ofereço a alma
O céu e a terra
Toda a riqueza do mundo
E nada de você me obedecer...

Masoquistas!
Gritam-nos a consciência.
Masoquistas!
Por que gostam tanto de sofrer?
Masoquistas!
Tantas mulheres existem por aí
Tantos homens disponíveis
E vocês querendo sofrer...

Masoquistas...


-----X-----



2003 – Louco de alegre

Dentro do banco
Lotado
Filas enormes
Eu me lembro dela
De algo que ela me disse
E começo a sorrir...

Gargalho!
Choro de tanto sorrir...

Olham-me!
Acham que sou louco...

Sou!
Louco de feliz!
Uma mulher me fez assim...

-----X-----


2004 – Estrelas

Todos somos astros
Com brilho próprio
Com características pessoais...

Alguns ficam cadentes
Vivem caindo
Cometem falhas...

Outros brilham para dentro
Tentam chamar a atenção para si...

Alguns não se acham estrelas
Parecem não ter brilho
Vivem tentando roubar o brilho dos outros...

Ou tentando apagá-los...

Uns nunca brilham o suficiente
Têm luz fraca
Não irradiam
São facilmente ofuscados pelos outros...

Outros brilham como o Sol!
São o centro das atenções...

Alguns parecem cometas.
Vagam
Até se chocarem
E virarem pedaços, restos...

E você?
Que tipo de estrela você é?
Escolha com sabedoria...


-----X-----



2005 - Resquícios

Resquícios da raiva:
O punho fechado
Parado no ar
- como um beija-flor –
Não desfere o golpe
Não fere o pecado...

Resquícios do amor:
Não cria a vida,
Não gera a morte.
Causa a alegria,
Inventa a dor...

Resquícios da dor:
Um beijo aéreo
Reconciliação
Culmina em sexo
Dá vida
E mortes...

Resquícios da morte:
A dúvida
Da cruz
Pro céu
Ou inferno...

Resquícios da vida?
Deus, big bang, Adão e Eva...


AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

POESIAS

1991 – Vem vindo o meu amor

Ouço o caminhão!
Vem puxado por caranguejos
Empurrado por cearenses utópicos
Esperado por paulistas caóticos
Ouço o caminhão...

Ouço o carro de boi!
Vem puxado por galinhas de angola
Empurrado pelos Chicos Buarques
Esperado pelos Montes negros
Ouço o carro de boi!

Ouço o carrinho de rolimã!
Escoltado pela polícia
Empurrado pela polícia
Assustado pela polícia...

Vem vindo o meu amor...

------------

1992 – Sonhei com meu amor

Sonhei!
Num jardim mágico
Pegando passarinhos mágicos
Falando palavras mágicas...

Mágica...

------------

1993 – Quais segredos são maiores?

Nunca te falei de meus segredos!
Tenho medo
Sei que fugirás...

Nunca escutei teus segredos!
Tenho medo
Fugirei...

Balanças!
Vivemos pesando
Tudo
Até as nossas palavras nunca ditas...

Troco meus segredos pelos teus!
Desde que nunca precise contá-los...

------------


1994 – No silêncio, no barulho

Tento me mostrar
No silêncio
Mas você só me vê
No barulho...

Minha paz está no silêncio
Mas para você só existo no barulho...

------------


1995 – Mais um na multidão

Tantas cabeças apressadas
Grudadas em corpos apressados
Guiadas por sistemas apressados
Vivendo uma vida apressada
Em uma sociedade apressada...

Que engraçado!
Tantas cabeças
Caminhando
E eu, aqui, parado, admirando-as
Abaixando e levantando
Conforme seus passos apressados
Dados por seus corpos apressados...

E, lá no meio, está quem me fará feliz...

Mas, são tantas cabeças,
Apressadas,
Grudados em corpos, apressados,
Gostosos corpos, apressados,
Que passam por mim, sossegado...

Quantos cheiros
E cores
E cabeças...

Tudo passa por mim tão apressado...

------------


1996 – Pedaços para tantas

Nunca tive a mim mesmo!
Sempre fui tantos
De tantas...

Nunca tive a mim mesmo!
Nem a ninguém...

Desapegado
Dei um pedaço de mim a uma morena
Outro pedaço a uma loira
Outros pedaços a diversas ruivas
Tantos pedaços a tantas negras...

Desapegado, me perdi.
Hoje não existo.
Sou pedaços, de tantas...


------------


1997 – O meu olhar vai dar uma festa na hora que ela chegar

Corro à esquina
Olho em direção ao horizonte
Não vejo o ônibus
Muito menos o avião
Nem seu vulto...

Volto à casa...

Minha intuição me deixa atento.
Minha intuição também falha.
Minha intuição me leva outra vez à esquina...

Estou te esperando...

Mas só vejo gatos e cachorros
Só vejo árvores e pássaros
Só vejo casas e pessoas que não quero ver
Só vejo a realidade...

E minha fantasia?
Onde fica a minha utopia?
Terei que ultrapassar dimensões novamente?

Volto à casa...

Sento.
Vou te esperar.
Deito.
Vou te esperar.
Durmo...

Ah! Vai ser uma festa quando você chegar...


------------


1998 – Ser feliz por amor

Eu tenho um vírus!
De que doença?
Eu não sei.
Só sei que tenho um vírus...

É um vírus estranho:
Às vezes me derruba,
Às vezes me anima,
Às vezes tira meu ânimo,
Às vezes me agita...

Esse vírus pode ser amor?
Pode!
Mas pode ser que não seja...

Eu tenho um vírus.
Eu quero ser feliz...

------------



1999 – Razão para te entender, emoção para te amar

Meus sentimentos não te entendem.
Por que tanto apego a coisas materiais?
Por que você não larga tudo e me acompanha?
Por que você não me acompanha
Neste mundo desapegado a tudo
Sem bens, sem dinheiro, sem nada...?

Por que sou tão exigente?
Largar tudo por minha causa?
Largar toda a sua vida, a sua carreira, a sua família?
Por minha causa?
E se eu te abandonar amanhã?
Já abandonei outras...

Egoísta!
Idiota!
Esse espelho não mente...

Tudo bem!
Espero a aposentadoria!
Que lindo será passearmos juntos
Com nossas bengalinhas
Evitando pequenos tropeços...

Que lindo será...

Não ria!
Não ria!
Eu posso estar chorando...


------------



2000 – O jovem fumante

Vejo um jovem fumando.
Vejo um jumento pastando.
Quem tem o cérebro maior?



AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

POESIAS

1984 – Busca inútil

Percorri todos os caminhos que me indicaram
Corri, andei,
Subi montes,
Desci montanhas,
Cruzei mares...

Voei como um pássaro...

O que consegui?
Dúvidas!
Incertezas!
Tempo perdido...

Parei!
Espero acontecer!
Acho que não tenho razão
Então, deixa o Tempo administrar minha vida...


-----0-----


1985 – Cenas de sangue

Ouvi o estrondo
Vi os restos espalhados
Senti no rosto o líquido vermelho...

Corpos retorcidos
Corpos presos
Corpos inertes...

Flashs!
Narrações emocionantes!
Closes...

Isso é televisão!
Isso é Brasil!
Isso dá Ibope!
E isso é tão repugnante...


-----0-----


1986 – Não me canso de te olhar

Em suas fotos
Bonita como sempre
Em poses desvairadas
Você me surpreende
Cada dia com um brilho nos olhos
Todos os dias com um encanto...

Não me canso de te olhar
Mesmo que seja só em fotos
Em lugares que estivemos
Em posições que relembro...

Passado...

Não me canso de te olhar
Mesmo que seja só passado
Desde que seu futuro seja ao meu lado...

Aí, sim, não me cansarei de te olhar,
E te tocar
E te pegar
E te beijar
E tudo o mais que a censura não me permite falar...


-----0-----

1987 – Praia e cerveja

Que sol!
Sem praia
Sem cerveja
E com muita roupa...

Que sol!
Que saudades das praias que conheci
Principalmente de todas...

Que sol!
Que saudades de uma Skol
Estupidamente gelada...

Que sol!
Que máquina quente...

-----0-----

1988 – Correntes de ouro

Marcha, soldado!
Sentido, soldado!
Atenção!
Descansar...

Siga!

Como ir?
Estou preso...

Preso com correntes de ouro
Mas, continuo preso...

Concursos!
Funcionário público!
Estabilidade!

Cresce, filho!
Cresce!
Vem ver que maravilha de mundo você vai viver!

Correntes de ouro...

-----0-----

1989 – Estrelas

Mesmo sóbrio
Mesmo com sol
Mesmo ao meio-dia
Vejo as estrelas...

Todas!
Inclusive as que não foram nomeadas...

Todas!
Inclusive as cadentes...

Todas!
Inclusive onde moro...

E você?
Espera sempre a noite?
Eu vejo estrelas de dia...

-----0-----

1990 – A vida é só uma ilusão

Rápido!
Dê cá um beijo!
Não posso demorar!
Escola! Trabalho! Rotinas!
Depressa...

Qual a minha idade?
Já tenho quase cinqüenta?
Não vi o tempo passar...

Quem é esse garoto?
Quem é essa garota?
Meus filhos?
Mas estão tão grandes
Nem os vi crescer...

Mas, tudo bem,
Quando eu me aposentar eu vou viver...

Só faltam quinze anos e meio...

AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

POESIA

1983 – A noite vem

Azul
Branco com nuvens
Amarelo, laranja, vermelho...

O vento bate
Bem suave
Em meu corpo...

Estremeço de prazer...

A noite me apavora
Mas a sua chegada me encanta...

JORGE LEITE DE SIQUEIRA

POESIA

1982 – A noite cai lá atrás das montanhas

O arco-íris
O entardecer
O sol por trás das montanhas
Seus raios nas nuvens...

Que beleza!
Que maravilha!
Deus existe
E está em meus olhos
No amarelo
No laranja
No vermelho...

Estou inebriado
Puro êxtase
Em plena segunda-feira
Olhando o sol se escondendo...

Deus existe e está no que vejo...

AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

POESIA 1981 – CONTANDO ESTRELAS

Andei por desertos
Andei por sertões
Andei, andei,
E as estrelas sempre me perseguiram
E imploraram para que eu as contasse...

Não quero!
A Lua é ciumenta!
E meu amor não me dá tempo para contá-las...

Corri por estradas
Corri por trilhas
E as estrelas sempre cobrando a minha falha...

Parei!
Vocês venceram!
Tão lindas são...

Uma, duas, três, quatro...

AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

POESIAS

1979 – Sonhar meus sonhos

Tentei
Juro que tentei
Todas as noites
Sonhar meus sonhos
Mas, não, não consegui,
Só sonhei os seus
Covarde como sou...

Tentei!
Juro!
Mas, menti muitas vezes
Quando disse que estava tudo bem...

Tudo é relativo...

Meus sonhos, escondidos em caixas fechadas,
Para os seus aparecerem
E, quem me dera, me fazerem feliz...

Mas, qual!
Seus sonhos não são tão fortes (e loucos) como os meus...




1980 – Solidão

Medo!
Tenho medo de estar sozinho!
Pavor da solidão!

Prazer!
Tenho prazer na solidão!
Amo estar sozinho...

Contradições
Que se repetem constantemente em meus dias
Sem explicação
A não ser a confusão que sou
E que não consigo mudar...

Não tenho confusão!
Sou confusão...

AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

POESIAS

1977 – INVERNO (CONTIGO?)

Cobertores
Cachecóis
Blusas e mais blusas
Frio...

Corpos bem juntos,
Juntos, juntos, juntos,
Muito juntos...

Frio!
E sorrisos nos rostos felizes dos enamorados...

Corpos juntos, bem juntos, juntíssimos...


1978 – Olhos tristes

Seus olhos estão tristes!
O que te aconteceu?
Serão apenas saudades?
Ou já é desespero?

Seus olhos estão tão tristes neste espelho...

AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

22 dezembro 2010

POESIA

2028 – Razão e emoção

Tentei te ensinar a sorrir,
Tentaste me ensinar a pensar;
Tentaste me ensinar a pedir,
Tentei te ensinar a chorar...

Aprendi que para não voar preciso criar raízes.
Não consegui te ensinar que amor só se aprende amando...

AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA



2025 – A vida é curiosa

A vida é curiosa:
Tanto tempo levei para te conhecer
Tanto tempo levei para te conquistar
E tão rápido você se foi...

Que curiosa é a vida...

AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

POESIA




2023 – Desça por minha garganta

Oh! Que enorme furacão!
Que fazes aqui fora?
Venha!
Desça por minha garganta...

Dentro de mim é o seu lugar...


AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

04 dezembro 2010

COISAS POÉTICAS...




1962 – ENTENDENDO A VIDA

Por que esse cansaço não acaba nunca?
Por que essa aflição nunca tem fim?
Por que me sinto mal mesmo não tendo de quê reclamar?
De que sou culpado?
O que eu fiz?
O que tenho que fazer?
Isso nunca terá fim?
Só na aposentadoria?
Eu não entendo nada...

Disseram-me que a idade me curaria,
Me consertaria,
Me ajudaria.
E o que vejo agora que estou velho?
Mais desespero,
Mais dúvidas,
Mais aflições...

Espero a paz prometida
A felicidade
O amor...

O que preciso fazer?
Não quero ir para a igreja.
Rezar?
Não!
Deus não é a solução para mim.
Nesse caso, não.
Nem o diabo...

Espero entender a vida
Entender as pessoas
Encontrar o caminho
Ver o lado bom das coisas...

Quero entender a vida.
Não quero entender a morte...





1963 – RECOMEÇO

Recomeço?
Uma parede
Uma porta.
Abrir ou não?
O que há do outro lado?
Como saber?
Abrindo...

Recomeço?
Uma estrada.
O futuro, à frente.
O passado, atrás.
E uma corda a te prender.
Seguir?
Voltar?
Ficar?

Recomeço?
Usar sempre as mesmas roupas?
Ir sempre aos mesmos lugares?
Fazer sempre as mesmas coisas?

Recomeço?
Está em mim
Em você
Em todos.
Adormecido, manda mensagens;
Entorpecido, espera ordens...

Recomeço?
Positivo ou negativo?
Bom ou mau?
Início ou fim?
Céu ou inferno?
Como saber?
Só recomeçando... 


----------


1964 – INSENSATEZ

Do fundo do poço
Te dou conselhos
De como ser feliz...

Do fundo do poço
Mergulhado na lama
Te dou conselhos
De como ser feliz...

Do fundo do poço
Mergulhado na lama
Perfeitamente imperfeito
Te dou conselhos
De como ser feliz...

Infeliz
Te dou conselhos...





1965 – Quem me dera

Ah, quem me dera fosse um poeta!
E pudesse falar de amor
De flor
De olhos perdidos
Que sempre acham alguém
Ou se acham em alguém...

Em mim?
Em você?

Ah, se eu pudesse falar de amor
E de dor
E de como sou louco...

Ah, queria ter sido Vinícius...

Aceito, poeta, que use meu corpo
Para continuar sua obra...

Mesmo morto...

Ou será que já o faz?
Eu te leio tanto...







1966 – Porradas de Deus

O despertador toca.
Martírio!
Dele, prisioneiro que é,
Meu,
E da minha rotina...

Pior pra ele:
Esmurro-lhe a cabeça
Obrigo a se calar...

Pior pra mim:
Espancam-me
Para que eu me levante e vá trabalhar...

Meus murros quebram o aparelho.
As porradas que levo são pior:
Causam hematomas em meu inconsciente...

E vivo tão inconsciente...


----------



1967 – Sabes voar?

Voar!
Por sobre o mar
Para amar
Me amar...

Meu amor sabe voar?

Voar!
Sobre oceanos
Cidades, montanhas,
Rios...

Até aqui...

Meu amor!
Sabes voar?
Gol ou Tam?


----------



1968 – Aroma de amora

Aromas.
Amoras...

Aromas:
Cafés
Perfumes
Falta de perfumes...

Aromas, amoras,
Framboesas...

Aromas que me enlouquecem
Sem eu ter cheirado...

Ou cheirei?
Amora?






1969 – Eu não vou te esquecer

Está bem!
Você ganhou!
Eu não vou te esquecer...

Mas, quem é você?



----------



1970 – Plantação de espinhos

Olha, que lindo,
Uma plantação de espinhos!
Mas, é tão perigoso
Alguém pode se ferir...

O quê?
Rosas?
Onde?
Só vejo espinhos...

Tudo é tão relativo...



----------



1971 – Teu olhar

Vejo teu olhar
Sinto teu olhar
E tenho apenas fotos...

E cortam-me
Como faca amolada...

Mas, seus lábios!
Ah, seus lábios!
Todos eles...

Seus lábios me enlouquecem...






1972 – Vai! Pega esse avião!

Deixa de ser mole!
Pega esse avião...

Não comprou passagem?
Nem viu os preços?
Que lerdeza...

Vai!
Pega esse avião!
Mesmo que te leve para mais distante...

Pega...



----------



1973 – SOL, LUA, MAR

O sol se vai
A lua vem
Mas o mar continua no mesmo lugar...

A lua vai
O sol volta
E o mar, cheio de si...

O sol vai
A lua vem...

Não consigo mais ver o mar...







1974 – Desejos

O que desejo?
Um amor?
Uma casa?
Carro na garagem?

Liberdade.
Paz.
Felicidade...

O que desejo?
Depende de mim?
Ou de você?

Sou tão infeliz sozinho...






1975 – Perguntas ou respostas

Você me pergunta
E me pede respostas...

Não vês que eu também procuro as respostas?

Aliás, não quero respostas,
Quero saber as perguntas
Para ver se são iguais às minhas...



----------



1976 – Rumores

Ouvi rumores!
Rumores
Bons humores
Maus humores
Boatos...

Ouvi rumores!
Vi rumores!
Senti os rumores...

E os rumores foram apenas rumores...



----------



AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA
Todos os direitos reservados...

BIP BIP

10 novembro 2010

POESIAS

1954 – PROFESSOR DE BEM-TE-VI

O bem-te-vi
Sem preocupações
Canta despreocupadamente feliz no fio dos postes...

Muito longe outro responde...

É o mesmo?
Fico impressionado com o tom.
É o eco?
A afinação me causa admiração...

Bem-te-vi, quem é seu professor?
Quem fez vocês com tantas semelhanças?
Em São Paulo, na Bahia, no Ceará, tão parecidos...

Bem-te-vi, quem é seu professor?
Será o mesmo que fez os Homens tão diferentes?
E tão iguais...

---

1955 – SUGA-ME O SANGUE

Suga meu sangue
Que escorre da boca
Que você mesma machucou
Com beijos furiosos de tanto tesão...

Suga-me
Como uma vampira.
Coma-me
Como uma vagabunda.
Vagabundeia-me
Como se eu fosse seu escravo...

Suga meu sangue
Limpa-me a boca
Quero ressuscitar...

Para morrer de novo por você...

---

1956 – PACTO

Dentro da estrela
Sujo de sangue
Tremendo de frio
Cercado de fogo...

O cheiro de enxofre me incomoda.
Angustia-me por não poder respirar.
E nem pensar...

Sete vezes sete
Sete vezes setenta
Sete vezes setenta e sete...

O fogo aumenta.
Desmaio.
Não resisto ao pacto...

Acordo tatuado nos pulsos e na testa.
Estou poderoso.
Mas ainda não sei levitar...

---

1957 – LARGUE-ME (NO PRECIPÍCIO)

Você precisa viver
Não deve me esperar
Não sou sua alma gêmea...

Estou perdido
Você não vê?
Se continuar comigo eu te levarei ao precipício...

Solte-me!
Viva sua felicidade longe de mim...

Ou caia comigo no precipício...

---

1958 – ROCK AND ROLL

Solos de guitarra
Dedilhados no baixo
Toques na bateria
Som alto...

Explosões e mais explosões
De alegria
De êxtase mental...

Rock!
Heavy Metal!
Essência...

Que sejam dois minutos para a meia-noite
Ou que os sinos do inferno soem
O que importa é que hoje à noite é puro rock and roll...

Um dia, eu dominei o vinil.
Hoje, meus filhos me mostram as novidades da alta tecnologia.
Mas o som é o mesmo...

Metallica!
Helloween!
Iron Maiden!
AC/DC!
O tempo não pára...

E as pedras continuam rolando...

---

1959 – SEM DOR

Não há mais dor!
Doze comprimidos após
Não há mais dor...

Nem movimentos...

Os olhos estão abertos
Mas, nada vêem.
A saliva escorre da boca
De um corpo caído...

Não há respiração!
Nem ninguém em casa...

Não há mais dor!
Tudo se foi.
Doze comprimidos depois...

Não há mais sofrimento...

---

1960 – INJUSTIÇA DIVINA

O sonho se foi.
Para que sonhar?
Impossibilidades
Simplicidades...

Para que sonhar?

Cidade pequena?
Mar?
Varanda?
E morrer de velhice...

Deus é injusto comigo!
Por que não me leva logo?
Por que me deixar pensar?
E querer?
E sonhar?

Devo esperar a aposentadoria
Devo envelhecer como todos
Devo rezar aos céus...

Que nunca acreditei existir...

Devo ser demagogo
E fingir que sou feliz
E sorrir
Para que os outros durmam
Enquanto eu, no escuro do quarto
Enxugo lágrimas
Que me caem sem parar...

Devo ser falso!

Sou feliz!
Sou muito feliz!
Conquistei meus sonhos!
Ah, que alegria!

Pronto, agora posso morrer...

Ou continuar sonhando
Com a cidade pequena
Com a praia
Com a varanda...

Deus foi injusto comigo...


AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

09 novembro 2010

METALLICA NO ROCK IN RIO 2011

Metallica é a primeira atração internacional do Rock in Rio 2011
Banda californiana toca na terceira noite do evento, dedicada ao metal.
Brasileiros do Sepultura e do Angra também estão escalados.



A organização do Rock in Rio 2011 anunciou nesta terça-feira (9) a banda californiana Metallica como primeira atração internacional do evento. O grupo, que lançou em 2008 o álbum "Death magnetic", foi o mais votado pelo público em pesquisa encomendada ao Ibope, que orientou a escolha dos artistas.

O Rock in Rio 2011 será realizado entre 23 de setembro e 2 de outubro de 2011. Os ingressos começam a ser vendidos no dia 19 de novembro através do site www.rockinrio.com.br ao preço de R$ 190.

A banda de James Hetfield (voz e guitarra), Lars Ulrich (bateria), Kirk Hammett (guitarra) e Robert Trujilo (baixo) toca na terceira noite do evento, toda dedicada ao metal – os brasileiros Sepultura e Angra também têm presença confirmada no Palco Sunset.

---

Formado em 1981, o Metallica é pioneiro do chamado “thrash metal”. Logo no primeiro álbum, “Kill ‘em all” (1983), emplacou hits como "Seek & destroy", até hoje uma das músicas mais aguardadas pelos fãs em suas apresentações. Com nove prêmios Grammy, a banda acumula outros sucessos como "Master of puppets" (1986), "Nothing else matters" e "Enter Sandman" (ambas de 1991).

O Metallica já esteve quatro vezes no Brasil: em 1989, em 1993, em 1999 e em janeiro deste ano, durante a turnê de "Death magnetic".
O vocalista e guitarrista James Hetfield durante apresentação da banda californiana MetallicaO vocalista e guitarrista James Hetfield durante apresentação da banda californiana Metallica, que se apresenta na terceira noite do Rock in Rio 2011 (Foto: Divulgação)

---

De volta ao Rio

O Rock in Rio 2011 terá mais de cem atrações. Marcelo D2, Dinho Ouro Preto, Evandro Mesquita, Rogério Flausino, Pitty, George Israel, Sandra de Sá e Tico Santa Cruz já haviam sido confirmados pela organização.

Em agosto, o empresário e publicitário Roberto Medina apresentou oficialmente, pela primeira vez, o projeto. Na ocasião, foram reveladas as datas do evento, o número de atrações e a expectativa de público - 720 mil espectadores.
saiba mais

O evento volta à cidade depois de 10 anos e vai marcar a inauguração do futuro Parque dos Atletas, na Barra da Tijuca, próximo à Cidade do Rock, local em que foram realizadas duas das três edições nacionais do festival (em 1985 e 2001). Serão 150 mil metros quadrados, que vão abrigar o Palco Mundo, a Tenda Eletrônica e o Palco Sunset, novidade que vai reunir artistas brasileiros em shows improvisados com direito a convidados.

Orçado em R$ 40 milhões, o Parque Olímpico Cidade do Rock, como foi batizado, foi todo custeado pela Prefeitura e deve levar cerca de 6 meses para ficar pronto.

O Rock in Rio foi realizado pela primeira vez em 1985. Originalmente organizado no Rio de Janeiro, o festival tornou-se uma atração internacional em 2004, quando foi levado para Lisboa, Portugal. Ao longo da sua história, o Rock in Rio teve nove edições: três no Rio de Janeiro (1985, 1991, 2001), quatro em Portugal e duas na Espanha.

DO G1

RENATO RUSSO



Será que ninguém vê o caos em que vivemos???

06 novembro 2010

POESIA 1953 - IR MORRER

Bom dia, amor,
Cuide da casa
Preciso ir morrer...

Tenho certeza de que hoje morrerei...

Não vou beijar nosso filho
Pois posso acordá-lo
E ele fica zangado...

Não vou dar carona ao vizinho
Pois ontem ele não me deu
E preciso me vingar...

Mas, é só por hoje,
Tenho certeza de que hoje morrerei...

Hoje vou bajular o meu chefe
Tratarei mal os meus colegas
E humilharei os meus subordinados...

Deixarei esperando os clientes.
Afinal, eles precisam de mim,
Eu não preciso deles.
Eu tenho estabilidade...

Mas hoje tudo acaba
Tenho certeza de que hoje morrerei...

A minha azia está pior.
Será excesso de rancor?
A pressão está alta.
Será excesso de revolta?
A enxaqueca não passa.
Será excesso de raiva?

Bem que eu podia ir à praça
Ou caminhar pelas ruas
Ou ir à biblioteca...

Eu podia conversar com o porteiro
Perguntar o nome da faxineira
Ou apenas sorrir para o ascensorista...

Nem vou ligar pra isso,
Tenho certeza de que hoje morrerei...

Hoje não vou ao bar que sempre vou
Não vou me embriagar como todos os dias
Nem tentar fugir da vida que levo...

Hoje não farei contas
Afinal já sei que o que ganho é menor do que o que eu gasto...

Tenho certeza de que hoje morrerei...

Vou para casa
Vou sorrir para a esposa esse sorriso cinza diário
Pois não a amo mais
E sei que ela também não me ama...

Dormirei ao seu lado
Não faremos amor como há vinte dias
E nem nos fará falta...

Poderia deixá-la
Acabar o casamento
Mas acho que é tarde...

Tenho certeza de que hoje morrerei...

Hoje terei insônia?
Terei pesadelos?
Todas as noites eu tenho...

Não importa. Nada mais importa...

Hoje eu não morri
Mas, tenho certeza de que amanhã eu morrerei...

E sempre parece que estou esquecendo alguma coisa...


AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

POESIA 1952 - MEDO, MUITO MEDO

Eu tenho medo.
De tudo
De todos...

Eu tenho medo do dia
Da luz
Do brilho.
Mais medo eu tenho da noite...

Eu tenho medo de andar.
Mais medo eu tenho de parar...

Eu tenho medo de arriscar
De tentar
De recomeçar.
Mais medo eu tenho da estagnação
Da ferrugem
Dos erros...

Eu tenho medo de trabalhar.
Mais medo eu tenho de ser vagabundo...

Eu tenho medo de viver
Mas, tenho pavor de morrer
E nunca mais estar aqui...

Eu tenho medo de ver.
Mais medo eu tenho da cegueira
E nunca mais ler
E nunca mais escrever...

Eu morro de medo de ir
E de voltar
E de parar na metade...

Eu sou um medo ambulante.
Sou!
Mas a coragem que me resta
Permite-me lutar contra meu medo
Todos os dias...

Às vezes eu venço.
Como agora...


AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

POESIA 1951 - DIGA-ME COM QUEM ANDAS...

Olá, quero comprar uma televisão!
Meu nome?
Eu me chamo Judas...

Carteira assinada?
Comprovante de residência?
Não, não tenho,
Mas tenho fiador: Jesus...

Sim, sou amigo de Jesus,
Faço parte da gangue, digo, do grupo,
O que chamam de apóstolos...

Sou amigo de Jesus, sim,
E de Tiago também
De João
E de todos os outros...

Ou eles são meus amigos, sei lá...

Mas, quanto custa a televisão?
Trinta?
Que roubo!
Vou procurar um preço menor...

Afinal, com os amigos que tenho garanto que consigo um bom desconto...


AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

POESIA 1950 - BARATAS

Janela aberta!
Décimo andar.
Lá embaixo vejo insetos
Que andam
Entram em carros
Esperam pelos ônibus...

Insetos como eu...

Eu? Não! Eu sou pior!
Sou uma barata
Que vive escondida
Que só sai escondida
Na escuridão...

Que foge para não ser vista...

Barata voa?
Vou pular pra ver...


AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

POESIA 1949 - PORTA FECHADA

A porta fechada me protege:
Das pessoas,
Do mundo.
E me isola:
De pessoas,
Do mundo.
E me transforma irracionalmente em um animal
Atrás de cadeados
Fechados, também,
Para te proteger de mim...

A porta fechada me faz temer.
Tenho medo de ser alguém...

AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

01 novembro 2010

POESIA 1961 – A HORA DE IR

Pois é, amor, já está chegando a hora de ir.
Como?
Andando, correndo, voando.
Não sei.
Você sabe?

Eu não quero ir.
Você sabe que não quero.
Mas tenho dúvidas se devo ficar...

E minhas dúvidas me empurram estrada a fora...

Você realmente gosta de mim?
Não será apego?
Afinal, passamos tantas coisas juntos...

Eu não quero ir.
Você não quer vir.
Será que a estagnação é a solução?
Eu não faço nada
Você não faz nada
E tudo se resolve...

Será essa a solução?

Sabe, hoje eu queria ser uma criança.
Não pensar nos problemas,
Não pensar em soluções.
Na verdade, não pensar em nada...

Mas, não sou!
Sou adulto!
E estou envolvido contigo...

Chegou a hora de decidirmos o que é melhor para nós...

E o que é melhor?
Não sei.
Não tenho a menor idéia.
Estou completamente perdido.
Acabar tudo?
Esperar?

O que fazer?

Tenho medo de estar sendo um avestruz
Escondido
E à mostra
Com tantas dúvidas
E tantas soluções
Que todos vêem
Menos você e eu...

Adeus também foi feito pra se dizer?

AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

31 outubro 2010

POESIA 1948 - HALLOWEEN

Escuridão
Uivos
Gritos tenebrosos
Risadas estridentes
Gargalhadas macabras...

Dimensão dos mortos
Dos vivos
Dos morto-vivos...

Vassouras voadoras
Capas negras
Sexta-feira
Lua cheia...

No caldeirão prepara-se uma poção...

O que tens na boca?
Leite?
Álcool?
Sêmen?

O que te dei?
A realidade
A utopia
O mais íntimo que há em mim...

Bruxa!
Sua fantasia cai agora!
Percebo que só quis me conquistar
E me abandonou
Neste cemitério
Cheio de mortos
E apenas eu estou vivo...

Ou vice-versa...


AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

28 outubro 2010

POESIA 1947 - O DESENHO DA VIDA

Lápis preto número dois
Papel ofício A quatro
Borracha branca...

Tudo pronto
Material a postos
Posso começar
Vou fazer um desenho...

O desenho da minha vida...

Nada de lápis de cor
Nada de tinta colorida
Nada de giz de cera
Afinal, esta vida que vou pintar está em tons de cinza...

Vamos lá
Risco um ponto
E o desenho começa...

Vou fazendo o contorno
Um rabisco...

E, aos poucos, o que parecia um desenho infantil
Vai ficando bonito
Um desenho quase profissional...

Às vezes uso a borracha
Apago casas, pessoas,
Mas, o desenho vive em construção...

Um dia tentei colocar cor
Mas não adianta
O desenho é cinza
Tem que ser cinza
Sempre será cinza...

É uma cor melancólica
Para um desenho melancólico
De uma vida melancólica...

Há controvérsias!
Dizem que o desenho ainda não terminou
E que ficará belo
Colorido
Cheio de vida...

Poderá até virar desenho animado...


Espero que sim!
Afinal, eu sou o desenhista
Tenho livre-arbítrio para isso
E faço o desenho
O desenho da vida
O desenho da minha vida...

AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

POESIA 1946 - O MUNDO VAI ACABAR

Foi avisado nas rádios,
Saiu ao vivo na tevê:
O mundo vai acabar...

Saiu até no Jornal Nacional...

E eu com isso?
Eu tenho que me apressar
Senão perco a hora
E descontam de meu salário...

Preciso correr
Para não perder a reunião do café
Onde as últimas notícias são contadas
Onde informações profissionais são transmitidas
Onde as fofocas masculinas são atualizadas...

Preciso correr
Para não perder as gargalhadas de uns
Ou as histórias de outros
Ver os rostos sérios e experientes de diversos...

E a paz?
Alguns são tão calmos
Que me fazem inveja...

Preciso correr
Pois o mundo vai acabar
Não sei se antes
Ou depois
Do aniversário da Ju...

É preciso correr
Pois uns vivem com frio
Outros vivem sorrindo
E os restaurantes sempre cheios de clientes...

É preciso correr, ser rápido
Afinal, o mundo vai acabar
Mais cedo ou mais tarde
Mas, o mundo vai acabar...

E a porta se abrirá
E alguém aparecerá
E fará a pergunta que todos esperam:
É aqui que faz o cartão do idoso?

O mundo precisa acabar logo...

AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

26 outubro 2010

POESIA 1945 - O MONSTRO

No espelho
Não me reconheço:
Rugas
Cabelos ralos
Dentes amarelos...

Horrível...

Pior
Quando me olho por dentro:
Sonhos podres
Esperanças abandonadas
Derrotas sobre derrotas...

Péssimo!
Desastroso!
Sinto-me mal...

Um monstro que eu próprio criei...

Não causo medo
A não ser a mim mesmo...

O que vejo ao espelho
- coitado -
Mesmo apavorante
É carne
Apenas carne...

Mas, o que vejo de olhos fechados,
É pavoroso...

É um monstro
Que seria melhor
Se estivesse morto...


AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

POESIA 1944 - QUAL A RAZÃO DE TUDO ISSO?

Por que subir?
Ou descer?
Por que não permanecer onde está?

Por que sempre ouvir os outros?
Por que não se ouvir?
Confiança...

O que é melhor:
Beijo ou dinheiro?
Carro ou viagem?
Emprego ou morte?
Real ou fantasia?

É bom, às vezes, ser irracional
E não perder tempo
Apenas pensando...

Apenas
Pensando...

Pensando...


AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

POESIA 1943 - MARGARIDA

E a margarida, coitada,
Pétala a pétala,
Se transforma em amor...

Bem me quer
Mal me quer
Bem me quer
Mal me quer...

Nada se cria
Tudo se transforma
Até o amor...

E a margarida
De pétala em pétala
Vira sonhos
No coração da menina...


AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

POESIA 1942 - A MINHA CRIAÇÃO

E Deus
Em uma tarde colorida
Onde o Sol - já criado - brilhava,
Com Suas mãos sujas de barro
Depois de fazer uma mulher
- quem será? -
Pensou em mim
E, confuso, perguntou ao anjo - o da guarda, o meu -:
- O que você acha:
Gordo ou magro?
Rico ou pobre?
Burro ou inteligente?
Gerente ou faxineiro?

O anjo, ainda mais confuso que Deus
- prestava atenção na mulher, a minha -
Gaguejou
E não respondeu.
Covardemente, fugiu da responsabilidade da minha criação...

Deus olhou para a mulher
- a que chamam alma gêmea -
E foi-me criando:
- O que falta nela, faço nele.
É isso!
O que ela não tiver, ele terá!
Assim será...

O anjo, preocupado, responde:
- Mas, ela é perfeita!
Coitado dele...

Deus deu de ombros!
Estava decidido...

E, assim, tenho os olhos verdes
- não tão verdes -
Ando por aí sem parar
- ela se prende -
Sou pura fantasia
- ela é prática -
E sou incompleto
- ela é perfeita...

E, para completar, ainda nos separou...

Um dia desses
O anjo falou com Deus:
- Viu o que o Senhor fez?
Ele não vive sem ela
Ela não vive sem ele
Mas nunca serão um par
Com tantas diferenças...

- Diferenças?
Eu chamo de semelhanças...

E Deus riu, gostosamente,
De mim
E de meu anjo da guarda
Confusos
Com sua criação
Com a vida
Com tudo...

- A vida continua - Deus diz...


AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

POESIA 1941 - MALDITA ROTINA

Que estranho
Ninguém nas ruas
Tudo deserto...

Será feriado?
Não, estou indo trabalhar,
É sexta-feira
Se eu não estiver enganado...

Pouquíssimos carros
Poucas pessoas
Nem pássaros eu ouço...

O que aconteceu?
Greve geral?
Fim de mundo?
O mundo parou?

Não!
O sol brilha
O vento sopra
A natureza continua bela...

O que está acontecendo?
Cadê todo mundo?

De repente, do nada tudo aparece:
As pessoas
Os carros
A bagunça
O barulho...

E sinto saudades dos momentos de paz que tinha...

Ainda não eram sete horas
E as pessoas, em casa, preparavam-se para ir trabalhar...

Maldita rotina...

AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

21 outubro 2010

POESIA 1940 - LUA SEM MEMÓRIA

Lua
Enorme no céu escuro
E que tanto preencheu minha fantasia
Musa de minhas poesias
E hoje
Sem memória
Nada mais é do que um círculo
Um queijo utópico
Quase nada
No escuro azul da noite
De lobisomens
Que adoram a lua
Minha musa
Sem memória...

AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

POESIA 1939 - ANDO POR ANDAR

Já tive o sol por destino
E andei, andei para alcançá-lo
Até perceber que jamais o tocaria...

Já persegui a lua
E andei, andei em sua busca
Até perceber que a lua é solitária como eu...

Já tive um amor
E andei, andei sonhando pelos cantos
Até perceber que os sonhos também acabam...

Hoje, nada mais quero.
Ando só por andar...


AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

20 outubro 2010

POESIA 1938 – PAI, COMO POSSO TE FAZER FELIZ?

Felicidade!
Tão cantada
Tão contada
E tão duvidosa...

Uns dizem que é o caminho
Outros dizem que são momentos
Alguns, mais pessimistas, a negam...

E eu?
O que é a felicidade para mim?
Como ser feliz?
Isso é tão pessoal...

Uma casa
Uma praia
Pouca gente...

Deserto?
Nem pensar!
Mas, pouca gente...

O rio para pescar
O mar para se bronzear
O sol para beber skol...

Ah! Dinheiro para comprar skol...

Muito dinheiro, não.
Pouco também não...

O necessário...

Não quero catar papelão pelas ruas
Não quero ser vigia de prédios semi abandonados
Não quero ser faxineiro na prefeitura...

Nem quero trabalhar quando estiver bem velhinho...

Quero que meus filhos me protejam.
Com olhos e piscadas
Com mãos e abraços
Com bocas e beijos
E com comida na mesa...

E não os quero em casa...

Filhos em casa é sinal de fracasso!
Quero-os com suas esposas
Quero-os com seus filhos

Quero-os em seus empregos
E espero suas visitas...

Visitas, apenas, não quero criar netos...

Quero brincar com meus netos
Quero contar histórias para eles
Mas, não quero trocar suas fraldas...

Não quero ser um velho enxerido...

Quero meu amor
Um amor livre
Que vá e que volte...

Um amor
Que quando for
Que vá sem vontade
Que queira ficar
E que volte rápido...

Um amor
Que quando vier
Que queira ficar
Que demore...

É barato me fazer feliz.
Muito barato.
Eu considero um preço justo...


AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

POESIA 1937 – QUE NOJO

Nossa!
Olha o andarilho!
Que nojo...

Seus longos cabelos brancos
Sua longa barba suja
Suas enormes unhas mal cuidadas
Suas rugas...

Que nojo...

Sua camisa rasgada
Seus sapatos velhos
Seu chapéu amassado
Sua calça furada...

Que nojo...

Sua mala arranhada
Suas coisas jogadas
Seu papelão pelo chão
Suas garrafas ajuntadas...

Que nojo...

Ele me dá pena!
Ele é ridículo!
É a escória!
O lixo!
O resto!
O resto do resto...

Que nojo...

Suas lágrimas! Que nojo.
Sua voz! Que nojo.
Suas olheiras! Que nojo.
Sua aparência! Que nojo...

Vou-me embora!
Não posso mais me olhar ao espelho.
Sou muito nojento...


AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

17 outubro 2010

POESIAS EM LIMEIRA

1924 - DECIFRANDO

A vida me propõe enigmas
Que não entendo
E nem desvendo...

Enigmas de vida
Enigmas de velhice
Que não entendo
Por pura ignorância...

Vivo por enigmas
Morrerei sem desvendá-los
Por envolverem dor
E amor
E solidão...

E a sucessão dos enigmas me confunde
E quero desistir
Dos enigmas
Da vida
Da morte...

Mas os enigmas me fazem respirar
E são a razão de tudo
De ser
E sumir...

Decifrarei-os...?



1925 - OLHOS DOCES

Olhos tão doces
Perseguem-me
Em sonhos
E corpos...

Olhos tão doces
Claros
Em diversos tons
Cinza, azuis, verdes...

Olhos tão doces
Que só são meus
Em sonhos...



1926 - AUSÊNCIA

Quem te consola?
Quem te dá carinho?
Quem te faz companhia?

Você aprendeu com a solidão?
E eu?
Como viver com sua ausência?
Como conviver com a distância?

Mostre-me seu Mestre, por favor...



1927 - O SILÊNCIO QUE ME PARALISA

Meus pés
Incansáveis
Levam-me
Para bem longe
Onde transponho rios
Atravesso vales
Subo montes...

Eles nunca param de andar...

Nunca!
Até que...

Ah!
O silêncio!
O silêncio me paralisa...



1928 - AGORA SÓ TE VEJO

Enchi de quadros as paredes.
Na sala, seu rosto;
Na cozinha, suas mãos;
No quarto, seu corpo...

Antes, tocava-te.
Agora, só te vejo...



1929 - VOCÊ SEMPRE FOI ASSIM, EU NÃO

Eu quero você
Insisto
Você apenas protela...

Vem!
Larga tudo e vem!
Eu te imploro...

Paciência!
Você me pede
E explica que o tempo passa
E que o futuro a tudo resolverá...

Eu não sei viver sozinho!
Você sabe!
Me ensina?




1930 - DESMAME

Amor, posso ir ao banheiro?
Amor, posso ir à esquina?
Amor, posso ir ao centro?
Amor, posso ir embora?

Eu tenho que partir.
Então, parta-me...



1931 - A ESCURIDÃO DE MINHA VISTA

Há tempos nada vejo.
Nem o que procuro, consigo enxergar...

Escuto tudo
O que quero
E um pouco mais...

Quem me dera fosse surdo
E não cego
Como sou...



1932 - PRISIONEIRO

Comecei a andar
Sempre em frente
Sempre...

Passam quilômetros
Passam carros
Passam casas...

E amigos, mulheres, tudo...

Procuro a perfeição que não existe?
Será que minha alma se enganou?

Sou prisioneiro de partidas...



1933 - OLHOS CINZAS CEGOS

A cada dia
A cada passo
A cada pessoa
Vejo a existência de Deus...

Vejo nos olhos do cego
Que me encaram
E não me veem...

Cinzas
Perfeitos
E nada veem...

Na incoerência divina
Vejo Deus
Nos olhos cinzas do cego...



1934 - LÁGRIMAS DE HOMEM

Sou poeta
E choro como poeta.
Sou sensível
E choro
Como um poeta...

Ouço meu pai:
- Homem não chora!

Ele se esqueceu de me ensinar na prática...



1935 - BIBLIOTECA

De mãos dadas com Manuel Bandeira
Com Cora Coralina ao lado
Levo-os ao meu mundo
Ao meu quarto
À minha vida...

Bandeira gostou
Deu-me conselhos
Inspirou-me.
Cora não quis me conhecer a fundo...

Deixei-os.
Fui para os braços de Vinícius de Moraes.
Invejo-o
Pelos amores
Pela vida
Pela boemia...

Ao mesmo tempo Érico Veríssimo me fala de Antares...

História contada procuro Graciliano Ramos
Que me fala de prisão.
Vinícius ainda está comigo
E me fala de amor
E me provoca com seus amores...

Vinte dias sem internet.
E tão cheios de vida...



1936 - AJUSTE DIVINO

Sereno
Brinco com palavras
Que te machucam.
Ouço-te pedir perdão
Como se tivesses pecado
Cometido um delito espiritual...

Eu sorrio
Pois sou assim.
E te perdoo...

Pelas minhas brincadeiras, eu te perdoo...

E percebo que me amas
E que também te amo
E que seremos um só
Em dois corpos...

Dependemos apenas de um ajuste divino...


AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

15 outubro 2010

POESIA 1923 - CORA, CORA...

Cobra coral Coralina
Cobra coral
Cora Cobral
Cora, Cora, Coralina, cora...

Fale do Futuro – eu peço.
Não falo – ela diz.
Só falo de quando eu era criança
E do beco
E de assemelhados...

Cora, Cora...

Assemelhados?
Então fala de suas aventuras – eu imploro.
O que é aventura? - ela pergunta.
O que é errar?
O que é pinga?
O que é álcool? - ela me escandaliza...

Cora, Cobra.
Coral, Coralina...

Soltei sua mão, cansei.
Peguei na de Vinícius.
Agora, sim, terei aventuras...

Autor: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

06 outubro 2010

CANSEI! VOU VOTAR NO SERRA!!!

Vou votar no Serra, do PSDB. Cansei...

Cansei de ir ao supermercado e encontrá-lo cheio. O alimento está barato demais.

O salário dos pobres aumentou, e qualquer um agora se mete a comprar, carne, queijo, presunto, hambúrguer e iogurte.

Cansei dos bares e restaurantes lotados nos fins de semana. Se sobra algum, a gentalha toda vai para a noite. Cansei dessa demagogia.

Cansei de ir em Shopping e ver a pobreza comprando e desfilando com seus celulares.

O governo reduziu os impostos para os computadores. A Internet virou coisa de qualquer um. Pode? Até o filho da manicure, pedreiro, catador de papel, agora navega...

Cansei dos estacionamentos sem vaga. Com essa coisa de juro baixo, todo mundo tem carro, até a minha empregada. "É uma vergonha!", como dizia o Boris Casoy. Com o Serra os congestionamentos vão acabar, porque como em S. Paulo, vai instalar postos de pedágio nas estradas brasileiras a cada 35 km e cobrar caro.

Quero aumento da gasolina na calada da noite, como na era FHC.

Cansei da moda banalizada. Agora, qualquer um pode botar uma confecção. Tem até crédito oferecido pelo governo. O que era exclusivo da Oscar Freire, agora, se vende até no camelô da 25 de Março e no Braz. Vergonha, vergonha, vergonha...

Cansei dessa coisa de biodiesel, de agricultura familiar. O caseiro do meu sítio agora virou "empreendedor" no Nordeste. Pode?

Cansei dessa coisa assistencialista de Bolsa Família. Esse dinheiro poderia ser utilizado para abater a dívida dos empresários de comunicação (Globo, SBT, Band, RedeTV, CNT, Folha SP, Estadão etc.). A coitada da "Veja" passando dificuldade e esse governo alimentando gabiru em Pernambuco. É o fim do mundo.

Cansei dessa história de PROUNI, que botou esses tipinhos, sem berço, na universidade. Até índio, agora, vira médico e advogado. É um desrespeito... Meus filhos, que foram bem criados, precisam conviver e competir com essa raça.

Cansei dessa história de Luz para Todos. Os capiaus, agora, vão assistir TV até tarde. E, lógico, vão acordar ao meio-dia. Quem vai cuidar da lavoura do Brasil? Diga aí, seu Lula...

Cansei dessa história de facilitar a construção e a compra da casa própria (73% da população, hoje, tem casa própria, segundo pesquisas recentes do IBGE). E os coitados que vivem de cobrar aluguéis? O que será deles?
Cansei dessa palhaçada da desvalorização do dólar. Agora, qualquer um tem MP3, celular e câmera digital. Qualquer umazinha, aqui do prédio, vai passar férias no Exterior. É o fim...

Eu ia anular, mas cansei. Basta! Vou votar no Serra. Quero ver essa gentalha no lugar que lhe é devido.

...

POESIAS

1919 – LEVANTE A CABEÇA!

Ando pela rua
Cabeça erguida
Curioso
Olhando tudo
O externo
O que me rodeia...

De repente
Sinto-me triste
Desço os olhos
Vejo o chão
E me vejo por dentro
Interno...

Mas, eu sei,
Você sabe
Todos sabem:
- Olhe para o horizonte
Que a depressão some...

Eu olho!
Ergo a cabeça
Vejo carros lá longe
Bem distante
Longe
Muito longe...

Tão distante...

E meus olhos descem
Vêem o asfalto
Vou longe
Muito longe
Para dentro de mim...

Tenho tudo,
E estou tão pobre;
Conheço tudo,
E sou tão ignorante;
Tenho tantos amigos,
E sou tão solitário...

O que passa comigo?
Não sei
Só sei que devo erguer a cabeça
Que a depressão irá embora...

Ergo!
A cabeça, os olhos,
Mas o pensamento não.
Solitário, ele vai longe,
Muito longe,
Distante...

Depressão vem do coração...



1920 – JOGANDO COMIGO

Em um tabuleiro enorme
Brincam comigo
Jogam com minha vida...

Dizem que é Deus
O nome de quem me criou
E agora se diverte
Fazendo-me de “joão-bobo”
Para suas gargalhadas...

Usa-me como “círculo”
No “jogo da velha”
Sem saber que ninguém vence nesse jogo...

Muda para “damas”
Mas não consegue jogar
Pois tem que pensar...

“Xadrez”?
Ele nem tenta...

“Quebra-cabeça”?
Esse é o que Ele mais gosta.
Embaralha-me sempre
E me deixa montar as peças.
Eu tento, juro que tento,
Mas, quando estou quase terminando
Ele vem, com suas enormes mãos
E mistura tudo de novo...

“Jogo dos sete erros”?
Sete é pouco!
Ele me deixa errar muito mais...

Agora, já no final de minha vida
No final da partida
Ele joga o “jogo de virar duas cartas iguais”.
A primeira carta é a minha
Meu rosto
Meu corpo
Meu tudo
Mas Ele não vira a outra carta
A que me fará companhia...

Até tenta!
Virou algumas
Mas nunca acerta
Ninguém se parece comigo...

Continuo sozinho
Carta única
Virada
Nas mãos de Deus...



1921 – NUVEM E VENTO

Raiz?
Eu não tenho raiz.
Nuvem tem raiz?
Vento tem raiz?
Eu sou nuvem e vento
E me levo
Por caminhos
A esmo
Ao acaso...

O fim?
Quem sabe?
Pode estar na próxima parada
Mas nunca chego ao fim
Pois, antes, eu fujo,
Mudo de caminho
Como o vento
Como a nuvem...

Os quais sou eu...


1922 – SOTAQUES DA VIDA

De tanto andar
Perdi a identidade
A cor
O sotaque...

Sou tudo
Todos
E um vazio.
Sou toda uma negação
E a certeza que repetiria tudo
Sem tirar nem pôr...

Nem o limo que não deixo criar...

Se a vida é a confusão dos sotaques
Sou cheio de vida...


AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

30 setembro 2010

POESIAS

1918 – QUARENTA MINUTOS


Cedo, bem cedo,
Faço a barba, tomo banho,
Bebo café
Seguro na mão de Manuel Bandeira
E vou trabalhar...

Caminhando, quarenta minutos...

É cedo
Céu azul
Sol nascendo
Eu vou
Procurando os bem-te-vis
Que me acompanham no trajeto...

Penso na vida.
Inspiro-me.
Ouço mais que o normal
- pássaros, vento -
Sinto mais que o normal
- vento, pássaros -
E vivo como um ser anormal...

Manuel Bandeira conversa comigo
Fala de sua vida
Do menino doente
Do rei de Pasárgada.
Eu o ouço
Com os olhos marejados
Pois ele fala como morre...

Ouvindo Manuel Bandeira
- com os olhos -
Entro em ruas movimentadas
Onde os carros imitam moscas
- voam, zumbem -
E incomodam os loucos como eu...

No meu percurso há árvores
Há pássaros e cores
Há animais e humanos
E há o cemitério “da saudade”
E o velório municipal...

Hoje está cheio
- carros, pessoas -
E imagino Manuel Bandeira ali
Cercado de flores.
Sei que não é ele
É só o meu pensamento
Que morre sempre que renasço...

Sigo em frente
Deixo as pessoas
- tristes -
E suas perdas...

Vou trabalhar
Tenho que trabalhar
E esqueço o velório
E o cemitério
Pois amanhã ainda estarão lá...

Só mudarão os hóspedes...

Espero que não seja eu!
Tenho que conversar com Cora Coralina
Com Vinícius de Moraes
Com Carlos Drummond de Andrade
Com Mário Quintana...

E com tanta gente mais...




1917 – SEJA RÁPIDO

Conheço as vinte e quatro horas do dia
Acredito nas quatro estações
Conheço o segredo dos trezentos e sessenta e cinco dias do ano
Vejo o nascer e pôr do sol
O dia e a noite se revezando
E o calendário girando...

A areia da ampulheta nunca pára de cair...

Os fios de cabelo
Outrora negros
Agora aparecem em maiores proporções
Grisam minha cabeça
Bem como a minha mente...

As horas continuam passando
Somem cada vez mais rápido
E meus planos, outrora enormes,
Diminuem cada vez mais...

Tenho pouco tempo de vida...

Ontem, menino,
Hoje, um senhor...

Quanto tempo viverei?
Dez anos?
Quinze?
Não mais que vinte...

O tempo acabou comigo.
Não fiz nada
Não tenho história...

E agora?
Como correr atrás do prejuízo?
Como salvar o leite derramado?
Não consigo mais...

As juntas me doem
As pernas nada mais aguentam
Os reflexos estão lentos...

As coisas mudaram...

E você?
Está igual a mim?
Qual a sua história?
Ainda dá para mudar?
Então, seja rápido...

Viaje!
Passeie!
Conheça os lugares com que sonha...

Curta sua família!
Daqui a pouco seus filhos crescem
Saem de casa
E te esquecem...

Curta-os enquanto estão perto...

Estude!
Daqui a pouco o cérebro também fica lento.
Aproveite agora
Leia muito
Cresça culturalmente...

O tempo passa.
Quantos anos você ainda viverá?
Seja rápido!
Sua vida
Aproveite de sua saúde
Do seu dinheiro
Dos seus pensamentos...

Realize seus sonhos!
Sonhos existem para ser realizados.
Realize os seus...

Mas, lembre-se: seja rápido...



1916 – VIDA MORNA

Tenho tudo
Sorte e azar
Revezando-se
E transformando os meus pensamentos...

Sol, às vezes chuva.
Tempestade, às vezes paz.
Sempre solidão...

O que faria Kurt Cobain em meu lugar?
E Raul Seixas?
E o Papa?

E você?
O que faria?

Minha vida é morna;
Meus sonhos, quentes;
Meus atos, frios...


1915 – COMO?

Como mudar
E consolidar
A verdade
O certo
E o amor
Em minhas veias?

Preciso mudar...




1914 – LIMEIRA (POR MEUS OLHOS)

Ei, amor,
Veja o bem-te-vi
Que canta no alto da árvore.
Veja que lindo parque
A pista para caminhar
A área para equitação...

Veja a pizzaria
Aquele barzinho aberto
O teatro
O museu
O shopping...

Veja os olhos daquela garota
O vendedor de crack
O simpático velhinho
O gay que me encara
A criança no supermercado...

Veja os aluguéis como são caros
As lojas famosas
As sacolas nas mãos
Os ônibus cheios...

Veja os restaurantes lotados
Alguns simples, outros requintados,
Os carros nas portas
Os mendigos pedindo restos...

Veja a calma!
Veja os sorrisos!
Veja-me livre!
Sem medo dos bandidos...

E cheio de planos...

Veja-me!
Meu futuro!
Feliz!
Ao seu lado...

Você vê?



1913 – FELIZ

Olhe o que olho
Veja por meus olhos
A imensidão
Que me invade
E já me transborda...

Olhe as árvores
Os vem-te-vis voltaram
O vento que sopra
O sol colorido...

Veja Deus!
Ele está aqui
Dentro de mim
E ao meu redor...

Sugue meu sorriso
Engula meu canto
Percorra meus passos...

Seja eu
Minha essência
Em outra dimensão
Onde me encontro
E sou rei
Mesmo sendo pequeno aprendiz...

Desvenda-me!
Sinta minha paz
Use minha paz
Aproveite da minha paz...

Ninguém sabe quanto tempo vai durar...


AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

11 setembro 2010

AUSÊNCIA

Devido a uma transição profissional devo me ausentar deste magnífico blog durante alguns dias. Desculpem minha ausência. Não é desprezo, acredite. Voltarei quando tudo se normalizar...

Ah! Estou em Limeira... SP...

27 agosto 2010

SHOW - FRANK SINATRA AO VIVO










MY WAY

And now the end is near
And so I face the final curtain
My friend, I'll say it clear
I'll state my case of which I'm certain

I've lived a life that's full
I traveled each and every highway
And more, much more than this
I did it my way

Regrets, I've had a few
But then again, too few to mention
I did what I had to do
And saw it through without exemption

I've planned each charted course
Each careful step along the byway
And more, much more than this
I did it my way

Yes there were times, I'm sure you knew
When I bit off more than I could chew
But through it all when there was doubt
I ate it up and spit it out

I faced it all and I stood tall
And did it my way

I've loved, I've laughed and cried
I've had my fill, my share of losing
And now as tears subside
I find it all so amusing

To think I did all that
And may I say, not in a shy way
Oh no, oh no, not me
I did it my way

For what is a man, what has he got?
If not himself, than he has naugth
To say the things he truly feels
And not the words of one who kneels

The record shows, I took the blows
And did it my way

TRADUÇÃO


MEU JEITO

E agora o fim está próximo
Então eu encaro o desafio final
Meu amigo, Eu vou falar claro
Eu irei expor meu caso do qual tenho certeza

Eu vivi uma vida que foi cheia
Eu viajei por cada e todas as rodovias
E mais, muito mais que isso
Eu fiz do meu jeito

Arrependimetos, eu tive alguns
Mas então, de novo, tão poucos para mencionar
Eu fiz, o que eu tinha que fazer
E eu vi tudo, sem exceção

Eu planejei cada caminho do mapa
Cada passo, cuidadosamente, no correr do atalho
Oh, mais, muito mais que isso
Eu fiz do meu jeito

Sim, teve horas, que eu tinha certeza
Quando eu mordi mais que eu podia mastigar
Mas, entretanto, quando havia dúvidas
Eu engolia e cuspia fora

Eu encarei tudo e continuei de pé
E fiz do meu jeito

Eu amei, eu ri e chorei
Tive minhas falhas, minha parte de derrotas
E agora como as lágrimas descem
Eu acho tudo tão divertido

Em pensar que eu fiz tudo
E talvez eu diga, não de uma maneira tímida
Oh não, não, não eu
Eu fiz do meu jeito

E pra que serve um homem, o que ele tem ?
Se não ele mesmo, então ele não tem nada
Para dizer as coisas que ele sente de verdade
E não as palavras de alguém que se ajoelha

Os registros mostram, eu recebi as pancadas
E fiz do meu jeito

24 agosto 2010

POESIA 1906 – COMA ESPIRITUAL

Sentado
Olho as pessoas na rua
Passam apressadas
Não me notam...

Nem sei se quero ser notado...

Bebo café
Como tapioca
E procuro ver sentido nisso...

Comer para viver...

Dessa certeza vêm as minhas dúvidas:
Viver para quê?
Viver numa rotina daninha
Onde as horas passam
À espera de um final
Que virá, com certeza,
Para todos nós
Amém...

E eu, aqui, sentado,
Bebendo café
Comendo tapioca
E esperando a morte...

Gostaria de aproveitar mais a vida
Fazer coisas que me dessem prazer:
Ir à praia
Andar por muitos lugares
Ser livre...

Sou livre, tudo bem,
Mas, livre dentro de uma sociedade doente.
Solto, mas cheio de algemas...

Tenho que ser rico!
Casar!
Deixar herança!

Mas, isso não me dá prazer...

O que fazer, então?
Beber café e esperar a morte?
Chutar o balde pra derramar o leite?
Jogar a tapioca no lixo?

Eu tenho dúvidas.
Eu tenho muitas dúvidas.
Não sei o que fazer
Não quero saber o que fazer
E não farei o que tenho de fazer para saber o que fazer...

Isso é ser ignorante...

Eu podia virar crente!
Ou criar uma instituição beneficente!
Mas, nem isso eu quero fazer...

Isso não me dá prazer...

Ir pro céu?
Já pensou que coisa ridícula?
Rezar todos os dias
Vestir-se bem bonitinho
Ter vizinhas beatas...

Não é isso que eu quero...

Ajudar ao próximo?
Não sei fazer isso
Não tenho compaixão
Sou egoísta...

Não faço o mal, mas também não faço o bem...

Amor?
O amor me cura!
Mas, o amor maltrata...

O amor é sofrimento...

Bebidas?
Diversão?
Drogas?
Paliativos...

Vou pôr mais café no copo
A tapioca acabou
E ainda continuo em coma...

Coma espiritual...

Sempre quis ser andarilho
Mas, me taxarão de louco
Não quero ser estorvo pros filhos...

Em meu coma
Penso numa longa estrada
Milhares de quilômetros
Montanhas, campos,
Serras...

Imagino-me sempre seguindo em frente...

Vento na cara
Encontro com o sobrenatural
Sol, chuva, sombra das árvores,
Cósmico...

Não penso nos males: assaltos, violência, doenças...

Mas, o café está esfriando,
Preciso continuar a viver
E fazer o corpo funcionar...

O coma espiritual continua
Não sei até quando
Nem por quê
Mas, acredito que um dia darei risadas disso tudo...

Espero que isso aconteça muito em breve...

Café frio é horrível!
E sem tapioca, ainda...

JORGE LEITE DE SIQUEIRA

Dez mitos sobre dietas

Muitos mitos você com certeza já deve ter ouvido e talvez até possa acreditar, mas o fato é que não correspondem à realidade. Aqui vão ...