14 Abril 2010

ALGUMAS POESIAS

1711 – A PORTA

Semi-aberta, vejo-a, a porta.
Se eu encostar um dedo, ela se abre;
Se eu soprar, ela se abre;
Se eu apenas respirar, ela se escancara...

Mas, eu, medroso, vejo-a, a dez metros de distância,
E não faço nada...

Sei que, se eu abrir a porta, terei que fazer escolhas.
Sei que existem caminhos após a porta aberta
Direita, esquerda, reto,
Curvas, retas, asfaltos e caminhos de pedregulhos...

Eu olho a porta, semi-aberta, e não faço nada, apenas olho...

Pessoas passam e me dão conselhos:
- Vá para cima!
- Vá para baixo!
- Fique parado!
E fico confuso...

Como escolher?
Preciso pensar por mim.
Ainda não...

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1712 – UM DIA

Um dia
Em meus planos
Eu fui alguém...

Um dia
Em meus sonhos
Eu fui feliz...

Um dia
Em meus passos
Eu apenas fui...

Esqueci de voltar...

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1713 – BIOGRAFIA NEGATIVA

Quem eu já fiz sofrer?
Mulher?
Filhos?
Mãe?
Irmãos?
Amigos?

Quem contará minha história?
Quem fará minha biografia negativa?

As perguntas continuam vindo à minha mente
E estão cada vez mais pulsantes
Dentro de mim...

Só as respostas não aparecem...

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1714 – REALIDADE

Acho que, na realidade,
Tudo não passa de um sonho.
E, nesse pesadelo,
Nada é real.
Os sonhos são reais?

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1715 – MÃO DIREITA

Na mão direita
O emprego básico
Com um salário mínimo...

Noites para descansar
Finais de semana para pescar
Feriados para ir à praia
Férias para viajar...

Custo de vida baixo
Aluguel de cem reais
Alimentação natural...

O que há de errado nisso?
Por que não posso viver assim?
Por que não fazer o que quero?
Por que escutar os outros?

Na mão esquerda
O dinheiro
Para gastar segundo o capitalismo
E esperar a morte...

Amém...

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1716 – SEGUINDO SEMPRE

Na corda bamba
Busco o equilíbrio
Quase caio
Mas sigo sempre...

Apóio em paredes invisíveis
Seguro em mãos sobrenaturais
Crio formas mentais de seguir
E sigo sempre...

Nunca chego!
Onde planejei, nunca chego.
Agora, nem sei se quero mais...

E sigo.
Sempre, em frente.
E sozinho...

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1717 – COM MALÍCIA

Ela passa na rua
Olha em meus olhos
E me encara até eu corar...

O vestido curto me alucina
E me atiça um fogo que jamais apaga
Que me faz perder o raciocínio
Pois o sangue foi embora...

Com malícia ela pára
Finge amarrar o tênis
De costas para mim
E expõe os decotes
Sem decoro
Mas com todo o respeito...

Olha para trás,
Confere se estou com atenção.
Meus clientes reclamam que não atendo bem...

Sem razão, tenho certeza...

Dou toda a atenção à ela
Que vale por todos...

E como vale...

AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

2 comentários:

VEREDAS, por Marluce disse...

Gosto de antes de postar fazer um "tur" pelo blog!
Gostei muito dos teus postados!


A porta é a saída (a entrada), feita de escolhas... decisões para a vida inteira... Mas a porta entreaberta nos deixa inseguro,são dois queres que se agarram em nós...

E esse abrir a porta muita vezes, na maioria delas:


Como escolhes?
Preciso pensar por mim,
Ainda não...

Jorge Siqueira

VEREDAS, por Marluce disse...
Este comentário foi removido pelo autor.