1711 – A PORTA
Semi-aberta, vejo-a, a porta.
Se eu encostar um dedo, ela se abre;
Se eu soprar, ela se abre;
Se eu apenas respirar, ela se escancara...
Mas, eu, medroso, vejo-a, a dez metros de distância,
E não faço nada...
Sei que, se eu abrir a porta, terei que fazer escolhas.
Sei que existem caminhos após a porta aberta
Direita, esquerda, reto,
Curvas, retas, asfaltos e caminhos de pedregulhos...
Eu olho a porta, semi-aberta, e não faço nada, apenas olho...
Pessoas passam e me dão conselhos:
- Vá para cima!
- Vá para baixo!
- Fique parado!
E fico confuso...
Como escolher?
Preciso pensar por mim.
Ainda não...
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1712 – UM DIA
Um dia
Em meus planos
Eu fui alguém...
Um dia
Em meus sonhos
Eu fui feliz...
Um dia
Em meus passos
Eu apenas fui...
Esqueci de voltar...
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1713 – BIOGRAFIA NEGATIVA
Quem eu já fiz sofrer?
Mulher?
Filhos?
Mãe?
Irmãos?
Amigos?
Quem contará minha história?
Quem fará minha biografia negativa?
As perguntas continuam vindo à minha mente
E estão cada vez mais pulsantes
Dentro de mim...
Só as respostas não aparecem...
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1714 – REALIDADE
Acho que, na realidade,
Tudo não passa de um sonho.
E, nesse pesadelo,
Nada é real.
Os sonhos são reais?
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1715 – MÃO DIREITA
Na mão direita
O emprego básico
Com um salário mínimo...
Noites para descansar
Finais de semana para pescar
Feriados para ir à praia
Férias para viajar...
Custo de vida baixo
Aluguel de cem reais
Alimentação natural...
O que há de errado nisso?
Por que não posso viver assim?
Por que não fazer o que quero?
Por que escutar os outros?
Na mão esquerda
O dinheiro
Para gastar segundo o capitalismo
E esperar a morte...
Amém...
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1716 – SEGUINDO SEMPRE
Na corda bamba
Busco o equilíbrio
Quase caio
Mas sigo sempre...
Apóio em paredes invisíveis
Seguro em mãos sobrenaturais
Crio formas mentais de seguir
E sigo sempre...
Nunca chego!
Onde planejei, nunca chego.
Agora, nem sei se quero mais...
E sigo.
Sempre, em frente.
E sozinho...
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1717 – COM MALÍCIA
Ela passa na rua
Olha em meus olhos
E me encara até eu corar...
O vestido curto me alucina
E me atiça um fogo que jamais apaga
Que me faz perder o raciocínio
Pois o sangue foi embora...
Com malícia ela pára
Finge amarrar o tênis
De costas para mim
E expõe os decotes
Sem decoro
Mas com todo o respeito...
Olha para trás,
Confere se estou com atenção.
Meus clientes reclamam que não atendo bem...
Sem razão, tenho certeza...
Dou toda a atenção à ela
Que vale por todos...
E como vale...
AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA
2 comentários:
Gosto de antes de postar fazer um "tur" pelo blog!
Gostei muito dos teus postados!
A porta é a saída (a entrada), feita de escolhas... decisões para a vida inteira... Mas a porta entreaberta nos deixa inseguro,são dois queres que se agarram em nós...
E esse abrir a porta muita vezes, na maioria delas:
Como escolhes?
Preciso pensar por mim,
Ainda não...
Jorge Siqueira
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