04 Abril 2010

POESIA 1696 – BORBOLETA

Parei.
Estava perto das flores.
Não sei o que fazia ali
E nem de onde vinha
Só me lembro que as flores chamaram minha atenção
E parei para vê-las...

Sentei-me numa pedra.
Era um jardim
De pouco mais de um metro
Muito colorido
E que exalava um perfume delicioso.
Tinha muitas borboletas.
Lembro-me de olhar especificamente uma
Que sugava o néctar de uma margarida.
Ela parecia olhar para mim...

Isso durou alguns segundos.
Dez, quinze, não mais que vinte.
Quando eu me dei por mim
Era eu, ali, sugando o néctar da flor...

Olhei para um homem
Sentado em uma pedra
Olhando para mim.
Não sei quem era
E voei, assustado,
Pois ele era enorme
E eu minúsculo...

Desde então sou borboleta
E vôo, flor após flor,
Beijando-as
E sugando seus néctares...

Às vezes sonho.
No meu sonho sou um homem
Que beija o néctar de mulheres
Mas vive mudando de jardim...

Sugo a essência delas
Deixo minha alma
E vou embora para outro jardim
Pois sou borboleta
Que às vezes sonha que é homem...

Minhas asas são maiores que eu
Fui feito assim
Não fui criado pedra...

Se eu tenho asas
Tenho de voar...

Obrigado por ter sido minha flor...

AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

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