Jatos saíam de mim
O gosto era vinho
O cheiro era lodo
A cor era estranha...
O chão me imitava
E me sujava
Na mesma proporção que eu o emporcalhava...
As pessoas passavam longe.
Como se eu os infectasse
Com aquela expressão biológica de tristeza...
Apoiava a parede com uma das mãos
Enquanto a outra me apertava o estômago.
A calçada era pouco movimentada naquele horário...
O litro, ali ao lado,
Abandonado temporariamente
Estava meio cheio
De um vinho seco de quatro reais...
Passei a manga da camisa na boca
Limpei os possíveis vestígios da alegria
E me pus a caminhar
Cambaleante
Em direção à casa...
O vinho estava seguro...
AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA
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