05 Abril 2010

POESIA 1702 – VÔMITO

Jatos saíam de mim
O gosto era vinho
O cheiro era lodo
A cor era estranha...

O chão me imitava
E me sujava
Na mesma proporção que eu o emporcalhava...

As pessoas passavam longe.
Como se eu os infectasse
Com aquela expressão biológica de tristeza...

Apoiava a parede com uma das mãos
Enquanto a outra me apertava o estômago.
A calçada era pouco movimentada naquele horário...

O litro, ali ao lado,
Abandonado temporariamente
Estava meio cheio
De um vinho seco de quatro reais...

Passei a manga da camisa na boca
Limpei os possíveis vestígios da alegria
E me pus a caminhar
Cambaleante
Em direção à casa...

O vinho estava seguro...

AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

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