Tenho problemas:
Psiquiátricos, psicológicos, sentimentais,
Tenho muitos problemas financeiros
Profissionais, também...
Tenho problemas com bebida
Com vícios, sociais, familiares,
Pessoais...
Eu tenho um monte de problemas
Mas, são meus!
O que você tem a ver com isso?
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Eu sou uma contradição?
De quê?
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Antes, tinha medo.
Não tenho mais.
Nem desculpas.
Sou vítima...
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Sou Pôncio Pilatos reencarnado?
Tenho os peitos grandes (gordo)?
Escolheria outra mãe se me formatasse?
Coisas de mãe...
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Vou continuar falando.
Um dia você me escuta.
Vou continuar ouvindo
Um dia eu te escuto dizer que me ama...
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Lábios.
Carnudos.
Que fome...
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Ontem, dormi menino.
Hoje, acordei homem.
E amanhã?
Morrerei?
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Gosto das coincidências
E as sigo
Mas, onde estão?
Não vejo mais coincidências.
Pra onde ir?
O que fazer?
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O que me falta?
Já plantei uma árvore
Já escrevi um livro
Ta tive filhos...
Sinto-me inútil...
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A Maria Tereza me rogou uma praga:
Disse que eu morreria à noite.
Só porque eu disse que Deus é sacana...
No contexto Ele é sacana
Em geral Ele é legal...
Estou perdoado?
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Medo.
Tenho medo de ficar velho.
Tenho medo de envelhecer sem ter vivido dignamente...
Quero vida!
Quero ter histórias para contar para os netos...
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Não tive sorte na vida.
Não consigo viver
Não consigo ser feliz
Sou azarado...
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Será a maldição de Pôncio Pilatos?
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Meu quarto é azul
Não é azul céu
Nem azul mar
É azul mofo...
Sinto-me no céu!
Em paz?
Não! Morto...
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Meu coração está confuso.
Não sei o que fazer
Não sei a quem amar
Não sei por que amar
Não sei nada...
Não tenho respostas
Ninguém me entende
Só vejo confusão em meu futuro...
Não é excesso.
É falta...
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Tantas cédulas passaram em minhas mãos
Nunca fui feliz.
Serei agora?
Quem me explica?
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Hoje estou cansado, chateado,
Não sei o que é
Acho que é a rotina, a prisão, o barulho.
Uma repetição sem solução...
E o corpo vai acabando
Gordo, cansado,
De corpo e mente...
Meu cérebro está parando...
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Quando deito, desejo sonhar.
Queria, no sonho, ver uma porta
A saída, para qualquer lugar,
E ir, ir, ir, sempre ir, sem parar...
Mas, nunca sonho,
Nunca vejo a saída,
E nunca vou...
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Antes, via o caminho, o mar, a pedra no meio do caminho.
Hoje?
Não vejo nada, apenas uma escuridão profunda...
Fecho os olhos, não quero ver.
Tomo calmante e durmo.
Tomo Skol e esqueço...
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Eu sorrio o dia todo.
Sou feliz
Todos acham...
Ah, quanta mentira!
Mas, é necessário,
Faz parte da minha socialização...
Estou certo?
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O amor!
O que é o amor?
Um filme?
Um vício?
Sexo?
O que é o amor?
A vida?
Outra pessoa?
Nós mesmos?
O que é o amor?
Como senti-lo?
No coração?
O amor é bom?
É prazer?
É sofrimento?
O que é o amor?
Ainda não sei.
Estou confuso...
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Estou em frente à porta
Toco a campainha
Ninguém me atende...
Nunca ninguém me atende (entende)...
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Tocam a campainha!
Não vou atender.
Desculpe-me, estou ocupado com outra...
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Certo estava Drummond:
João amava Maria
Que amava José
Que amava Joana...
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Jogo as palavras
Escrevo mecanicamente
Não crio, desabafo,
Quero irritar a quem gosta de mim
Incomodar a quem me ama...
Por que faço isso?
Você precisa me compreender totalmente para me amar...
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Por que não ataco meus inimigos?
Não tenho inimigos...
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Se eu fosse fazer uma música
Teria que ter rima
Mas isso é uma loucura
Não consigo ficar por cima
E vivo nessa tortura
Sem ter quem me ensina...
Não rimou...
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Sou triste?
Sim.
Mas não choro...
Então não sou triste?
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Ciclos!
A cada hora um novo ciclo se inicia em mim.
Alegria, depressão, tristeza, esperança...
Sorte sua me conhecer numa boa hora
Mas, um conselho: não conviva comigo...
Não sou psicótico.
Nem bipolar.
Sou hiperativo...
Imperativo, ativo, hiperativo...
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Lua de São Jorge
Dia de São Jorge
Show dos quatro Jorges
Show de Seu Jorge
E eu também sou Jorge...
Tio Jorge...
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A borboleta
De tão longe, na mala,
É estrangeira...
Não é borboleta, é butterfly...
Yellow, red e azul.
Seguiu os instintos
Foi conhecer outros mundos
E morreu...
Mas seguiu seu arco-íris...
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Abri meu peito
Cortei meu coração
Queria limpá-lo...
Saiu sangue
Senti dor
Mas você continuou lá...
O que isso significa?
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Sou um palhaço!
Social, mas sou...
Que ridículo...
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Você se atreve a comparar Vinícius com Quintana?
Arroz a feijão?
Rosas a margaridas?
Marte a Terra?
Gosto e nariz, cada um tem um...
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Perguntam-me: - Você gosta de rock?
Escuto o dia inteiro
Ouço bem alto
Canto junto...
Não gosto, não. Sou apenas maluco...
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As drogas estão acabando com nossos jovens.
Matam-se entre si
Viciam-se sem perceber
Gastam tudo o que têm (roubam o que não têm)...
É triste, muito triste ver isso,
Um futuro desperdiçado...
Ah, meu tempo, belo tempo,
Em que um baseado era apenas um baseado...
Hoje: gírias das prisões,
Música das cadeias,
Completamente cegos...
Ah, molecada, saiam dessa, manos...
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Eu poderia ter um avatar
Um substituto
Um robô...
Estou cansado de viver e não ter futuro...
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O que é paz?
Para mim é o silêncio...
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Já vivi bastante.
Posso morrer?
Estou só começando...
Estou na fase do estágio ainda...
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Nunca é tarde demais!
Ou é?
Maldita confusão mental
Que me cega
E me amarra os pulsos...
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Como dar certo contigo?
Olhar juntos para o horizonte?
Ter os mesmos planos?
Falar as mesmas coisas?
Pensar as mesmas coisas?
É difícil achar a outra metade...
Sei que sou metade de alguém
Mas, estou só bagaço,
Como alguém me reconhecerá?
AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA
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