28 Abril 2010

POESIA 1728 – TRECHOS DE UMA MENTE IN(Sã)NA

Tenho problemas:
Psiquiátricos, psicológicos, sentimentais,
Tenho muitos problemas financeiros
Profissionais, também...

Tenho problemas com bebida
Com vícios, sociais, familiares,
Pessoais...

Eu tenho um monte de problemas
Mas, são meus!
O que você tem a ver com isso?

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Eu sou uma contradição?
De quê?

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Antes, tinha medo.
Não tenho mais.
Nem desculpas.
Sou vítima...

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Sou Pôncio Pilatos reencarnado?
Tenho os peitos grandes (gordo)?
Escolheria outra mãe se me formatasse?
Coisas de mãe...

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Vou continuar falando.
Um dia você me escuta.
Vou continuar ouvindo
Um dia eu te escuto dizer que me ama...

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Lábios.
Carnudos.
Que fome...

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Ontem, dormi menino.
Hoje, acordei homem.
E amanhã?
Morrerei?

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Gosto das coincidências
E as sigo
Mas, onde estão?
Não vejo mais coincidências.
Pra onde ir?
O que fazer?

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O que me falta?
Já plantei uma árvore
Já escrevi um livro
Ta tive filhos...

Sinto-me inútil...

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A Maria Tereza me rogou uma praga:
Disse que eu morreria à noite.
Só porque eu disse que Deus é sacana...

No contexto Ele é sacana
Em geral Ele é legal...

Estou perdoado?

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Medo.
Tenho medo de ficar velho.
Tenho medo de envelhecer sem ter vivido dignamente...

Quero vida!
Quero ter histórias para contar para os netos...

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Não tive sorte na vida.
Não consigo viver
Não consigo ser feliz
Sou azarado...

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Será a maldição de Pôncio Pilatos?

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Meu quarto é azul
Não é azul céu
Nem azul mar
É azul mofo...

Sinto-me no céu!
Em paz?
Não! Morto...

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Meu coração está confuso.
Não sei o que fazer
Não sei a quem amar
Não sei por que amar
Não sei nada...

Não tenho respostas
Ninguém me entende
Só vejo confusão em meu futuro...

Não é excesso.
É falta...

--- x ---

Tantas cédulas passaram em minhas mãos
Nunca fui feliz.
Serei agora?
Quem me explica?

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Hoje estou cansado, chateado,
Não sei o que é
Acho que é a rotina, a prisão, o barulho.
Uma repetição sem solução...

E o corpo vai acabando
Gordo, cansado,
De corpo e mente...

Meu cérebro está parando...

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Quando deito, desejo sonhar.
Queria, no sonho, ver uma porta
A saída, para qualquer lugar,
E ir, ir, ir, sempre ir, sem parar...

Mas, nunca sonho,
Nunca vejo a saída,
E nunca vou...

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Antes, via o caminho, o mar, a pedra no meio do caminho.
Hoje?
Não vejo nada, apenas uma escuridão profunda...

Fecho os olhos, não quero ver.
Tomo calmante e durmo.
Tomo Skol e esqueço...

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Eu sorrio o dia todo.
Sou feliz
Todos acham...

Ah, quanta mentira!
Mas, é necessário,
Faz parte da minha socialização...

Estou certo?

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O amor!
O que é o amor?
Um filme?
Um vício?
Sexo?

O que é o amor?
A vida?
Outra pessoa?
Nós mesmos?

O que é o amor?
Como senti-lo?
No coração?

O amor é bom?
É prazer?
É sofrimento?

O que é o amor?
Ainda não sei.
Estou confuso...

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Estou em frente à porta
Toco a campainha
Ninguém me atende...

Nunca ninguém me atende (entende)...

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Tocam a campainha!
Não vou atender.
Desculpe-me, estou ocupado com outra...

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Certo estava Drummond:
João amava Maria
Que amava José
Que amava Joana...

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Jogo as palavras
Escrevo mecanicamente
Não crio, desabafo,
Quero irritar a quem gosta de mim
Incomodar a quem me ama...

Por que faço isso?
Você precisa me compreender totalmente para me amar...

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Por que não ataco meus inimigos?
Não tenho inimigos...

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Se eu fosse fazer uma música
Teria que ter rima
Mas isso é uma loucura
Não consigo ficar por cima
E vivo nessa tortura
Sem ter quem me ensina...

Não rimou...

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Sou triste?
Sim.
Mas não choro...

Então não sou triste?

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Ciclos!
A cada hora um novo ciclo se inicia em mim.
Alegria, depressão, tristeza, esperança...

Sorte sua me conhecer numa boa hora
Mas, um conselho: não conviva comigo...

Não sou psicótico.
Nem bipolar.
Sou hiperativo...

Imperativo, ativo, hiperativo...

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Lua de São Jorge
Dia de São Jorge
Show dos quatro Jorges
Show de Seu Jorge
E eu também sou Jorge...

Tio Jorge...

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A borboleta
De tão longe, na mala,
É estrangeira...

Não é borboleta, é butterfly...

Yellow, red e azul.
Seguiu os instintos
Foi conhecer outros mundos
E morreu...

Mas seguiu seu arco-íris...

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Abri meu peito
Cortei meu coração
Queria limpá-lo...

Saiu sangue
Senti dor
Mas você continuou lá...

O que isso significa?

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Sou um palhaço!
Social, mas sou...

Que ridículo...

--- x ---

Você se atreve a comparar Vinícius com Quintana?
Arroz a feijão?
Rosas a margaridas?
Marte a Terra?
Gosto e nariz, cada um tem um...

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Perguntam-me: - Você gosta de rock?
Escuto o dia inteiro
Ouço bem alto
Canto junto...

Não gosto, não. Sou apenas maluco...

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As drogas estão acabando com nossos jovens.
Matam-se entre si
Viciam-se sem perceber
Gastam tudo o que têm (roubam o que não têm)...

É triste, muito triste ver isso,
Um futuro desperdiçado...

Ah, meu tempo, belo tempo,
Em que um baseado era apenas um baseado...

Hoje: gírias das prisões,
Música das cadeias,
Completamente cegos...

Ah, molecada, saiam dessa, manos...

--- x ---

Eu poderia ter um avatar
Um substituto
Um robô...

Estou cansado de viver e não ter futuro...

--- x ---

O que é paz?
Para mim é o silêncio...

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Já vivi bastante.
Posso morrer?
Estou só começando...

Estou na fase do estágio ainda...

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Nunca é tarde demais!
Ou é?
Maldita confusão mental
Que me cega
E me amarra os pulsos...

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Como dar certo contigo?
Olhar juntos para o horizonte?
Ter os mesmos planos?
Falar as mesmas coisas?
Pensar as mesmas coisas?

É difícil achar a outra metade...

Sei que sou metade de alguém
Mas, estou só bagaço,
Como alguém me reconhecerá?

AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

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