02 Abril 2010

POESIAS DA SEMANA SANTA

1687 – ESTOU ATRASADO...

Estou atrasado
É tarde
Nunca serei feliz
Nunca realizarei meus desejos
Nunca amarei...

Corro por aí
Como um coelho branco
E um relógio nas mãos
Sempre tem uma Alice me seguindo
E sempre procuro a utopia...

Comigo levo a minha mente
Carregada de informações inúteis
Coisas que aprendi nas escolas...

- Estou atrasado! Estou sempre atrasado...

Meus passos de coelho estão cada vez mais lentos
Não ultrapasso mais ninguém
Facilmente sou alcançado
Por um bando de palavras
Saídas de bocas convencionais...

- Vai dar certo! Você vai conseguir! Continue tentando...

Eu desisto!
Vou abandonar Alice no meio do caminho
Voltarei à minha toca
E vou esperar a guerra acabar...

Afinal, vivo em conflitos
Tenho uma enorme batalha travando dentro de mim
E não vejo vencedores
Apenas derrotados...

É uma guerra santa
Mas não existe guerra santa...

Vou voltar a andar.
Agora vou correr
Levarei o relógio comigo
E Alice vai ao meu lado...

- Estou atrasado! Preciso de Alice...


1688 – DE UM A OITO

01
Eu sou louco?
Você é normal?
Eu sou louco...

Mas, prefiro minha loucura
Que sua normalidade...

02
E a vida, o que é?
Tragédia?
Comédia?

Ainda não tenho certeza...

03
Estava escuro
Tão escuro que eu nada via
Então fechei os olhos
E abri o coração...

Comecei a enxergar...

04
Comecei a entender tudo:
Os homens
As mulheres
A natureza
Os animais
Deus...

Mas, já é tarde.
Estou morto...

05
Sou viciado: quero ser diferente.
Quero o silêncio
Quero a paz
Quero o amor.
Todos querem barulho
A confusão
A desordem...

Estou quase tendo uma overdose...

06
Um dia
Tentei matar o tempo.
Ele foi mais rápido
E me matou...

Lentamente, dia a dia...

07
Estou dormente.
As mãos
Os pés
O coração...

Será amor?
Ou falta dele?

08
Não amo mais.
Aliás, nunca amei.
Isso não é amor...

Amor dói?
Amor faz sofrer?
Acho que não...

Então, não é amor...


1689 – LIBERTAÇÃO

Fechei a porta
Não deixo mais ninguém entrar
Meu corpo é meu
Com tudo que há nele:
Coração, cérebro, sangue...

Sou egoísta
Preciso viver assim
Sem contágios
Sem invasões
Sem misturas...

Preciso pensar em mim
Caminhar sozinho
Deixar as muletas
Libertar os escravos...

Aí poderei ser feliz...


AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

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