1687 – ESTOU ATRASADO...
Estou atrasado
É tarde
Nunca serei feliz
Nunca realizarei meus desejos
Nunca amarei...
Corro por aí
Como um coelho branco
E um relógio nas mãos
Sempre tem uma Alice me seguindo
E sempre procuro a utopia...
Comigo levo a minha mente
Carregada de informações inúteis
Coisas que aprendi nas escolas...
- Estou atrasado! Estou sempre atrasado...
Meus passos de coelho estão cada vez mais lentos
Não ultrapasso mais ninguém
Facilmente sou alcançado
Por um bando de palavras
Saídas de bocas convencionais...
- Vai dar certo! Você vai conseguir! Continue tentando...
Eu desisto!
Vou abandonar Alice no meio do caminho
Voltarei à minha toca
E vou esperar a guerra acabar...
Afinal, vivo em conflitos
Tenho uma enorme batalha travando dentro de mim
E não vejo vencedores
Apenas derrotados...
É uma guerra santa
Mas não existe guerra santa...
Vou voltar a andar.
Agora vou correr
Levarei o relógio comigo
E Alice vai ao meu lado...
- Estou atrasado! Preciso de Alice...
1688 – DE UM A OITO
01
Eu sou louco?
Você é normal?
Eu sou louco...
Mas, prefiro minha loucura
Que sua normalidade...
02
E a vida, o que é?
Tragédia?
Comédia?
Ainda não tenho certeza...
03
Estava escuro
Tão escuro que eu nada via
Então fechei os olhos
E abri o coração...
Comecei a enxergar...
04
Comecei a entender tudo:
Os homens
As mulheres
A natureza
Os animais
Deus...
Mas, já é tarde.
Estou morto...
05
Sou viciado: quero ser diferente.
Quero o silêncio
Quero a paz
Quero o amor.
Todos querem barulho
A confusão
A desordem...
Estou quase tendo uma overdose...
06
Um dia
Tentei matar o tempo.
Ele foi mais rápido
E me matou...
Lentamente, dia a dia...
07
Estou dormente.
As mãos
Os pés
O coração...
Será amor?
Ou falta dele?
08
Não amo mais.
Aliás, nunca amei.
Isso não é amor...
Amor dói?
Amor faz sofrer?
Acho que não...
Então, não é amor...
1689 – LIBERTAÇÃO
Fechei a porta
Não deixo mais ninguém entrar
Meu corpo é meu
Com tudo que há nele:
Coração, cérebro, sangue...
Sou egoísta
Preciso viver assim
Sem contágios
Sem invasões
Sem misturas...
Preciso pensar em mim
Caminhar sozinho
Deixar as muletas
Libertar os escravos...
Aí poderei ser feliz...
AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA
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