30 setembro 2010

POESIAS

1918 – QUARENTA MINUTOS


Cedo, bem cedo,
Faço a barba, tomo banho,
Bebo café
Seguro na mão de Manuel Bandeira
E vou trabalhar...

Caminhando, quarenta minutos...

É cedo
Céu azul
Sol nascendo
Eu vou
Procurando os bem-te-vis
Que me acompanham no trajeto...

Penso na vida.
Inspiro-me.
Ouço mais que o normal
- pássaros, vento -
Sinto mais que o normal
- vento, pássaros -
E vivo como um ser anormal...

Manuel Bandeira conversa comigo
Fala de sua vida
Do menino doente
Do rei de Pasárgada.
Eu o ouço
Com os olhos marejados
Pois ele fala como morre...

Ouvindo Manuel Bandeira
- com os olhos -
Entro em ruas movimentadas
Onde os carros imitam moscas
- voam, zumbem -
E incomodam os loucos como eu...

No meu percurso há árvores
Há pássaros e cores
Há animais e humanos
E há o cemitério “da saudade”
E o velório municipal...

Hoje está cheio
- carros, pessoas -
E imagino Manuel Bandeira ali
Cercado de flores.
Sei que não é ele
É só o meu pensamento
Que morre sempre que renasço...

Sigo em frente
Deixo as pessoas
- tristes -
E suas perdas...

Vou trabalhar
Tenho que trabalhar
E esqueço o velório
E o cemitério
Pois amanhã ainda estarão lá...

Só mudarão os hóspedes...

Espero que não seja eu!
Tenho que conversar com Cora Coralina
Com Vinícius de Moraes
Com Carlos Drummond de Andrade
Com Mário Quintana...

E com tanta gente mais...




1917 – SEJA RÁPIDO

Conheço as vinte e quatro horas do dia
Acredito nas quatro estações
Conheço o segredo dos trezentos e sessenta e cinco dias do ano
Vejo o nascer e pôr do sol
O dia e a noite se revezando
E o calendário girando...

A areia da ampulheta nunca pára de cair...

Os fios de cabelo
Outrora negros
Agora aparecem em maiores proporções
Grisam minha cabeça
Bem como a minha mente...

As horas continuam passando
Somem cada vez mais rápido
E meus planos, outrora enormes,
Diminuem cada vez mais...

Tenho pouco tempo de vida...

Ontem, menino,
Hoje, um senhor...

Quanto tempo viverei?
Dez anos?
Quinze?
Não mais que vinte...

O tempo acabou comigo.
Não fiz nada
Não tenho história...

E agora?
Como correr atrás do prejuízo?
Como salvar o leite derramado?
Não consigo mais...

As juntas me doem
As pernas nada mais aguentam
Os reflexos estão lentos...

As coisas mudaram...

E você?
Está igual a mim?
Qual a sua história?
Ainda dá para mudar?
Então, seja rápido...

Viaje!
Passeie!
Conheça os lugares com que sonha...

Curta sua família!
Daqui a pouco seus filhos crescem
Saem de casa
E te esquecem...

Curta-os enquanto estão perto...

Estude!
Daqui a pouco o cérebro também fica lento.
Aproveite agora
Leia muito
Cresça culturalmente...

O tempo passa.
Quantos anos você ainda viverá?
Seja rápido!
Sua vida
Aproveite de sua saúde
Do seu dinheiro
Dos seus pensamentos...

Realize seus sonhos!
Sonhos existem para ser realizados.
Realize os seus...

Mas, lembre-se: seja rápido...



1916 – VIDA MORNA

Tenho tudo
Sorte e azar
Revezando-se
E transformando os meus pensamentos...

Sol, às vezes chuva.
Tempestade, às vezes paz.
Sempre solidão...

O que faria Kurt Cobain em meu lugar?
E Raul Seixas?
E o Papa?

E você?
O que faria?

Minha vida é morna;
Meus sonhos, quentes;
Meus atos, frios...


1915 – COMO?

Como mudar
E consolidar
A verdade
O certo
E o amor
Em minhas veias?

Preciso mudar...




1914 – LIMEIRA (POR MEUS OLHOS)

Ei, amor,
Veja o bem-te-vi
Que canta no alto da árvore.
Veja que lindo parque
A pista para caminhar
A área para equitação...

Veja a pizzaria
Aquele barzinho aberto
O teatro
O museu
O shopping...

Veja os olhos daquela garota
O vendedor de crack
O simpático velhinho
O gay que me encara
A criança no supermercado...

Veja os aluguéis como são caros
As lojas famosas
As sacolas nas mãos
Os ônibus cheios...

Veja os restaurantes lotados
Alguns simples, outros requintados,
Os carros nas portas
Os mendigos pedindo restos...

Veja a calma!
Veja os sorrisos!
Veja-me livre!
Sem medo dos bandidos...

E cheio de planos...

Veja-me!
Meu futuro!
Feliz!
Ao seu lado...

Você vê?



1913 – FELIZ

Olhe o que olho
Veja por meus olhos
A imensidão
Que me invade
E já me transborda...

Olhe as árvores
Os vem-te-vis voltaram
O vento que sopra
O sol colorido...

Veja Deus!
Ele está aqui
Dentro de mim
E ao meu redor...

Sugue meu sorriso
Engula meu canto
Percorra meus passos...

Seja eu
Minha essência
Em outra dimensão
Onde me encontro
E sou rei
Mesmo sendo pequeno aprendiz...

Desvenda-me!
Sinta minha paz
Use minha paz
Aproveite da minha paz...

Ninguém sabe quanto tempo vai durar...


AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

11 setembro 2010

AUSÊNCIA

Devido a uma transição profissional devo me ausentar deste magnífico blog durante alguns dias. Desculpem minha ausência. Não é desprezo, acredite. Voltarei quando tudo se normalizar...

Ah! Estou em Limeira... SP...

Dez mitos sobre dietas

Muitos mitos você com certeza já deve ter ouvido e talvez até possa acreditar, mas o fato é que não correspondem à realidade. Aqui vão ...