23 dezembro 2012

crônica: gosto e cu

hoje foi diferente. feriadão. não fui trabalhar, claro. fui ao supermercado comprar umas coisas que faltavam: cerveja gelada, cerveja quente, cerveja morna. cerveja, afinal. e algumas coisas pra acompanhar: carnes, grãos e frios.
no caixa, a morena caixa, bem devagar, irrita-me: é lerda. eu, de folga da vida, não me irritei como me irritaria normalmente. afinal, ela está aprendendo. final de ano, sabe como é, funcionários temporários, todos inexperientes, todos querendo ficar um pouco mais. querendo o emprego definitivo.
minha vez: dotz? não. nota fiscal paulista? não. ela sorri. dei menos trabalho? acho que sim. ela puxa assunto e não passa as compras. eu me preocupo com o próximo cliente que já esperou bastante. agora sou eu que o atrapalho. não. não sou eu. é ela!
comprei pêssego. quinze pêssegos por menos de quatro reais. que maravilha! adoro pêssego. mas ela não lembra o código do pêssego e vai procurar. bem devagar. naquele caderno que parece um livro. sugestão: por que não colocam em uma relação só os produtos que têm no supermercado?
começa uma música. sertaneja. eu começo a cantarolar. ela me encara: que bom, né? depois de milhões de músicas aparece uma boa! e eu: aham! ainda bem, né?
ela pára com tudo e começa a me falar da música. que é boa. que é legal. que é tudo. e eu quase falando: não, não é boa, eu fui irônico! mas, quem sou eu para desiludir a moça? deixe-a acreditar que eu também “amei” a música.
paguei. saí. aliviado. mas a música foi comigo. subi na moto. arrumei as compras. ao lado, um rapaz esperava sua namorada que havia entrado no supermercado. cantarolei a música. ele: nossa, que música! depois de milhões, afinal, uma música boa! e eu? e eu?
eu comecei a procurar veneno de rato. comecei a ver preço de corda. comecei a pesquisar quem me vende uma arma. não. não suporto mais isso.
como dizia papai: gosto e cu, cada um tem um.
 
escrito por jorge leite de siqueira
 

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