22 dezembro 2012

crônica: papai noel, velho batuta

liguei a moto. vou trabalhar. sexta-feira. quase final de ano e a correria aumenta. pagamentos a fazer. já falei que trabalho no departamento pessoal da prefeitura? não? então não vou falar.
que estranho. trânsito tranqüilo. umas luzes ainda piscando. ontem à noite eu ouvi uns fogos. quem é aquele velho barrigudo vestido de vermelho? já vi aquele cara uma vez. ou mais de uma vez. não me lembro de onde? ele toca um sino. sorri. diz: ho ho ho. que porra é essa? tem um saco nas costas. parece um camelo. ou dromedário, sei lá.
distribui balas para as crianças. parei a moto. não resisti. to ficando velho e barbudo. e minha barba é branca. quem sabe no próximo ano eu não consiga uma vaga na empresa em que ele trabalha.
ele sorri. quando fica sozinho se escora, triste. acho que esse emprego não o deixa feliz. 
ah! é natal! olha aquela árvore enfeitada, aquelas pessoas com presentes, essa alegria falsa. é natal! é por isso que aquele cara está vestido de vermelho. como é o nome, mesmo? pai? papai? ah, papai noel.
é aquele velhinho que só gosta dos ricos? que não gosta dos miseráveis. por quê? os ricos não precisam ganhar presentes, eles mesmos compram. os pobres, esses sim, precisam de atenção. senão de outras coisas mais, como respeito, por exemplo.
mas quem sou eu para dar alguma lição de respeito, de moral? eu nunca fiz o bem. muito menos na época de natal, quando todos ficam bonzinhos.
eu também ficarei bonzinho: feliz natal.

agora vou trabalhar senão não compro o meu presente.
 
escrito por jorge leite de siqueira
 

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