17 dezembro 2012

crônica: sorriso de sereia

eu não ia rápido, mas diminuí. ela era linda. mais que isso. deusa. anjo. sereia. inexplicável. enigma. sobrenatural.
ela parou no ponto de ônibus. eu parei para procurar algo inexistente na mochila. frente a frente. lado a lado.
ela recebeu uma mensagem. sorriu. que delícia de sorriso. que maravilha de boca. que formosura de dentes. que expressão de beleza.
ela não me viu. não me via. não me veria jamais. só tinha olhos para o celular. para as mensagens. e que olhos! claros. bastante claros. e brilhantes.
escreveu uma mensagem. rápida. sorrindo. uma brincadeira? uma piada?
eu não encontrava o que não procurava na mochila. eu não encontrava. e nem percebi que não procurava mais. que só a admirava.
mas ela não me via. não me viu. não me veria nem se eu estivesse “pintado a ouro”.
o celular vibrou. outra mensagem. outro sorriso. piscou os olhos. olhou para o céu. exatamente para o lado direito de onde estava. para lugar nenhum. e respondeu à mensagem. enigmática. feliz.
encontrei o que não procurava. um livro? óculos? caneta? fechei a mochila. liguei a moto. acelerei.

sempre que vibra meu celular, sempre que recebo uma mensagem, espero sorrir, feliz. sempre que mando uma mensagem, espero o sorriso, espero fazer alguém feliz.
um dia vou conseguir. um dia vou conquistar seu sorriso. um dia vou conquistar meu sorriso. um dia vou ganhar o sorriso de um anjo, de uma sereia. um dia.
sou teimoso.
 
escrito por jorge leite de siqueira
 

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