13 dezembro 2012

crônica: um hoje

ligo a moto, manobro, vou à calçada, saio da moto, fecho o portão, subo na moto, dou nova partida (morreu...), saio estrada adentro. adentro, sim, rumo ao centro da cidade. ainda é cedo, não tem tanto movimento, mas já tem movimento. é muito bom a época das férias escolares pois diminuem os carros nas ruas, com suas manobras irresponsáveis. (viu que não culpo os motoristas?) 
mas não era disso que eu queria falar. eu queria falar do que tenho na cabeça durante estes quase quinze minutos. é uma viagem. o passado vem, mexe com tudo, mostra todas as minhas derrotas, mostra como eu poderia ter me saído melhor, mostra como eu poderia ter sido um cara de sucesso. daí o presente me mostra que continuo errando como errei no passado.
eu não aprendi? eu não aprendi.
quase cinquenta anos de idade e ainda tenho considerações infanto-juvenis de como ser feliz. quando? quando eu morrer? daqui a pouco terei a idade com que meu pai morreu. posso viver mais. posso morrer. agora é quase certo que viverei menos do que já vivi. ou serei um niemeyer? uma dercy? também não sei se quero viver tanto, sendo arrastado pra lá e pra cá.
mas não era isso que eu queria falar. eu queria falar sobre a psicologia que ensino a todo o momento. para meus filhos, para amigos, para todo o mundo. e quando vou colocar em prática na minha vida?

nunca? nunca.
eu tenho muitas possibilidades de ser feliz. eu posso virar fazendeiro. a janete, minha irmã, falou que eu poderia ir morar em sua fazenda. criar galinha, plantar milho, tomar banho no rio. posso também ir morar em rio claro. estou esperando o sesi me chamar, já que passei no concurso em segundo lugar e sou o próximo da lista. posso ficar aqui, assessor administrativo, prefeitura municipal. posso ir para matinhos, praia, arrumar um emprego até passar num concurso. viver à beira-mar. posso virar hippie, pegar minha rescisão daqui, comprar material e ir por aí, cidade a cidade, andarilhando. hippieando.
eu tenho tantas possibilidades.
se meu filho me perguntasse o que eu indicaria para ele fazer, tendo essas possibilidades. o que eu responderia? eu responderia para ele ficar no que fosse mais seguro. e o que é mais seguro? virar hippie? não. viver à beira-mar? não. virar fazendeiro? não. as alternativas corretas seriam continuar sendo assessor aqui na prefeitura ou ir para o sesi de rio claro.
mas não era isso que eu queria falar. eu queria falar que sou incompetente. que não consigo viver bem tendo a maravilhosa vida que tenho. que não consigo sorrir tendo saúde, amor, família feliz, condições financeiras de sobrevivência. e um amanhã. eu tenho um amanhã. e, radicalizando, eu tenho um hoje! hoje! quantas pessoas não têm? eu tenho.
mas não era isso que eu queria falar. eu nem sei o que eu queria falar...
jorge leite de siqueira (13/dezembro/2012) daqui a pouco acabará o mundo (21/12/2012)

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