20 dezembro 2012

crônica: visões

acelerei. não estava atrasado, mas não queria chegar mais tarde. trânsito normal, semáforos normais, sol forte. normal. parei no semáforo. cinqüenta segundos. fechei os olhos.
a estrada que se abria era imensa. uma reta infinita. asfalto novo. bem pintada. árvores, montanhas, natureza do lado direito e do lado esquerdo. acelerei. não tinha trânsito. de repente comecei a subir. uma serra. curva para um lado, curva para o outro. carros desciam. passavam bem perto, mas nunca saíam de suas rotas.
eu sorria. era um prazer indescritível estar ali, sentindo o vento no corpo, o risco de uma queda, o precipício a dois metros me esperando caso o pneu estourasse. um prazer indescritível. como um suicídio às avessas.
as árvores me circundavam. como um túnel. escuro, mas claro. era manhã. raios de sol entrava por frestas permitidas pela folhagem densa. de repente um clarão. montanhas lá embaixo, no fim do desfiladeiro. um rio, sinuoso, separando-nos.
uma linha de trem mostrou-me que o homem já havia estado ali.
a floresta fechou-se novamente. para mim. para me prender. para me alegrar a alma. e alegrou. gargalhei como mozart. ou como tom hulce (amadeus). foram quarenta e cinco minutos de aventura, amor, paz, esperança, amor novamente, saudades, esperança de novo, e mais amor, e mais paz.
o semáforo abriu. buzinaram. foi tudo um sonho? um sonho de quarenta e cinco segundos? ou foi apenas meu espírito que visitou meus sonhos?
vou trabalhar. o mundo vai acabar. e eu só quero sonhar.
 
escrito por jorge leite de siqueira
 

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