11 março 2013

33ª crônica - velhinhos



hoje, conforme proposto no último final de semana (ontem), acordei cedo para fazer caminhada. a dor, na verdade, começou ontem ao colocar o despertador para cinco e quarenta e cinco. só por colocar cinco (horas) houve uma mistura de empolgação e preguiça dentro de mim.

mas, vamos lá, vamos ver em que vai dar isso.

o despertador tocou. pulei, assustado. passei a noite toda acordando diversas vezes. ansiedade. mas, já era cinco e quarenta e cinco. meu deus, está tudo escuro. e está um friozinho gostoso. que preguiça! mas, o que irão dizer as pessoas que confiam em mim? não! não vou decepcioná-las.

liguei a moto. fiz o quilômetro que me separava da pista de atletismo em poucos minutos. um quilômetro apenas. de moto. podia ir andando. e já estaria contando. mas, e a subida que tem logo na saída de casa? eu iria desistir antes mesmo de ir. resolvi ir de moto. estacionei. tinha umas vinte ou trinta pessoas. tirei o capacete, coloquei o fone de ouvido (rádio mpb), alonguei (mentira!) e comecei a andar.

rapidamente entrei no clima. fui aumentando o ritmo e comecei a ultrapassar as pessoas. um velhinho, dois velhinhos, três velhinhos. espera! só tem velhinho aqui? olhei ao redor. sim! só tinha velhinhos. e eu? o que faço no meio desses velhinhos? não sou velho. sou quase velho. mas não sou velho.

passei por um que tinha um livrinho numa mão e um terço na outra. nas costas da camisa estava escrito paróquia alguma coisa. o cara estava rezando. e andando. esse vai pro céu direto. é muita coragem. olha o corpo daquela velhinha. opa! isso não! não aceito isso. que coisa feia, jorge!

vamos em frente. passei a senhorinha que comia lanche. passei o casal de idosos que andava muito devagar. passei o velhinho que escutava rádio de pilha (sim, daqueles grandes) ligado por fone de ouvido. ele levava o rádio na mão e estava com fone de ouvido. e aposto que ele escutava alguma missa!

mas, vamos em frente.

segui, fiz três voltas, tentei me concentrar nos meus passos, olhando para meus pés. tentei me esquecer dos velhinhos que me acompanhavam. tentei pensar nos benefícios que a caminhada me faria. não deu! desisti! três voltas, apenas. meia hora de caminhada e desisti. subi na moto e fui embora para casa. cheio de promessas. amanhã vou pra academia. amanhã vou à estrada do horto. amanhã vou à pista da anhanguera.

amanhã vou a qualquer lugar, mas não venho aqui para o meio dos velhinhos. juro por deus!


escrito por jorge leite de siqueira, cansado, mas feliz.

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