24 março 2013

38ª crônica - embaixo



acordei cansado. era uma segunda-feira. o cansaço do final de semana se apresentou logo cedo. engraçado. cansaço de final de semana. algo está errado na vida.

mas não era disso que eu queria falar.

eu queria falar de uma frase que escutei ontem: o que vem de baixo não me afeta. todo mundo repetiria: então senta no formigueiro.

pensando em formigas, em frases de efeito, na vida, estava fazendo análise com meu chuveiro, água quente e comecei a pensar em quantas formigas morrem diariamente pisadas por pessoas que não sabem de suas existências.

não é de assustar? quantas formigas são esmagadas em sua ida ao trabalho? quantas são mortas em sua caminhada matinal? quantas são pisadas em sua ida ao restaurante?

somos assassinos. somos. que bom seria se voássemos. mas, poderíamos nos chocar com pássaros. tudo é tão assustador.

agora, pensando assim, comecei a pensar nas coisas que estão abaixo de nós. embaixo de nós.  tipo o ralo do banheiro que recebe toda a água que o chuveiro despeja. ele está olhando para mim, de baixo para cima. o que ele pensa?

será que está rindo da minha barriga?

imagino o tapete sendo pisado quando saio do chuveiro. imagino o vaso sanitário. imagino a cadeira, a moto, as ruas, as pedras, tudo. imagina se as coisas inanimadas fossem animadas.

deixa pra lá. é melhor não exagerar senão vão me levar ao sanatório. e é disso que acho que estou precisando. de um lugar onde os loucos seriam os meus amigos.

preciso de loucos ao meu redor. estou muito sozinho.


escrito por jorge leite de siqueira, sentado, claro, em uma cadeira plástica que não tem motivos nenhum para reclamar.

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