15 abril 2013

41ª crônica - frio



o despertador toca insistentemente. não sei há quanto tempo está tocando, mas sei que já é hora de enfrentar a rotina da vida.

meu deus! o cobertor está tão quente! que vontade de ficar aqui. quem me matriculou na academia? eu não quero ir para a academia! quero ficar aqui nesta cama quentinha. quero ficar debaixo desse cobertor fofinho.

começo a brigar com meu cérebro. ele diz que é de bom senso eu me levantar. eu digo que estou cansado e quero ficar deitado. ele diz que todo mundo já se levantou. eu digo que não sou todo mundo. ele diz que sou preguiçoso. eu digo que todo dia sou corajoso, só hoje que não. ele diz para eu criar vergonha na cara - parece meu pai quando gritava comigo. eu digo que ele venceu, que eu desisto. nocaute técnico.

dizem que se a gente levanta, se acostuma. então, vamos lá, vamos nos levantar.

que dia é hoje? segunda-feira. meu deus! segunda-feira! dia de branco. dia de batente. dia de trabalhar. o início da semana. o início de mais uma semana. incrível como o fim de semana passa rápido. os passeios voam. a bebedeira acaba rapidinho. os namoros nem se iniciam e já se acabam. mas, vamos lá, vamos para a academia.

abro a porta. a neblina lá fora me assusta. brrr. que frio! não quero, não vou. não vou, não quero. não quero, mas vou, senão vão me crucificar. vou. fui.

voltei uma hora depois. quente. academia é bom. relaxa. que bom. que maravilha.

tomei um banho quente, bem quente. quase não consigo sair do chuveiro. mas saio. faço café, bebo café. visto-me. fico bem agasalhado. subo na moto. vou. venho. fui.

estou bem melhor agora, depois da academia. o sono não está mais comigo.

início de semana. chego ao trabalho. estaciono. sou um dos primeiros. vou marcar o ponto e o que vejo? dois colegas. que saudades de vocês! cantando, cumprimento-os. eles não me entendem. estão com os olhos quase fechados. e bem mais agasalhados que eu. e sussurram algo que não entendo. sorrindo, pergunto qualquer coisa. um vira para o outro e diz: que final de semana bom ele teve, né? para chegar com tanto gás.


e foi então que caiu a ficha e voltei ao normal. ou melhor, ao meu normal. e meu normal é uma indefinição constante. quieto, ligo o computador e começo a trabalhar. quieto e competente. como tenho que ser: quieto, triste e competente.


será que amanhã fará frio?
  
escrito por jorge leite de siqueira, quieto e triste, e com muito frio.
 

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