22 junho 2013

52ª crônica - por mais que a gente cresça

ontem eu perdi a última esperança de ser feliz. não quero falar sobre isso, mas preciso falar. o que aconteceu? não quero falar sobre isso, mas preciso falar. mas não quero falar sobre isso.

então, não vou falar. 

apenas pense assim: sabe aquele sonho de padaria que você comeu a metade e de repente ele cai no chão. você olha para um lado, não vê ninguém; olha para o outro, ninguém também. na sua cabeça você já imagina pegando do chão e enfiando na boca, pra não desperdiçar aqueles últimos momentos saborosos. mas, lá no fundo da sua mente há mensagens pré-gravadas: joga fora, alguém pode estar vendo, não pode pôr coisas do chão na boca, isso é pecado. e outras mensagens. aí o que você faz? eu enfiaria na boca. foda-se! aliás, já liguei o foda-se há algum tempo. mas, e você? o que você faria? responda ali embaixo, nos comentários.

ah, por falar em responda nos comentários, eu gostaria de deixar aqui o desencanto com a leitura. nossa, eu escrevo pra caramba e ninguém lê. acho que o que eu escrevo é útil, legal, tem algum valor. mas ninguém lê. só me leem quando eu insisto muito. mas, nem muito. tenho que chantagear.

eu sou azarado com isso. a minha primeira esposa não lia nada. a segunda, menos ainda. não vou falar o nome delas, mas nem seria necessário temer "represálias" porque elas não vão ler aqui, mesmo. as namoradas que "aparentemente" gostam de ler, não leem também. os irmãos, nada. os amigos, pouquíssimos leem. e é a mesma história: só se eu insistir muito.

aí você me fala: e por que você ainda escreve? cale-se, cale-se, você me deixa louco!

escrever está para mim, como respirar está para nós. eu não vivo sem escrever, sem colocar para fora tudo o que penso, ou pelo menos um pouco do que penso. (vai comentar lá embaixo?)

mas é isso. a última esperança de ser feliz foi embora. como um copo de água que secou. como uma flor que murchou. como uma formiga sendo esmigalhada pelo meu pé (sem querer). nossa, que drama! é melhor parar por aqui.

antes, gostaria de te indicar visitar meu blog das férias de julho. (http://jorgenaestrada.blogspot.com.br) meus planos estão lá. tim tim por tim tim. inclusive com hora de sair e chegar. ridículo, eu sei, mas é só uma base para ver como vai ser. eu deixei uns dias para descansar em paraty e outro para fumar maconha em são thomé das letras. tá, eu to mentindo. não vou fumar em são thomé. mas vou comprar pra fumar em outro lugar, ok?

como sei que ninguém vai ler isso, fico tranquilo. não vou ser crucificado.

por falar em ser crucificado, vou iniciar duas campanhas nos próximos dias: a primeira é sobre a autorização de direitos autorais pelo giuliano manfredini. eu escrevi para ele pelo facebook e não recebi respostas. agora vou iniciar uma campanha pedindo para aqueles que gostam de ler e gostam de renato russo, que me ajudem a conseguir a autorização do giuliano para publicar o livro. acho que conseguirei. o que você acha? responda nos comentários. e segunda campanha pedindo patrocínio para que eu viva os últimos anos de minha vida de cidade em cidade, em minha moto. eu quero passar um dia em cada cidade brasileira. até o resto da vida. mas preciso de patrocínio pois preciso dormir e comer. não quero ficar rico, ganhar dinheiro e fama, quero apenas fazer algo que está intrínseco em mim, a vontade de andar, de mudar, de ver coisas diferentes, de fazer amizades, ver culturas, arte, tudo de todos os lugares. eu poderia tirar fotos, fazer entrevistas, avaliar hotéis ou restaurantes, mapear como o google. qualquer coisa para visitar uma cidade por dia até o resto de minha vida. o que você acha? então comenta aí embaixo.

ah, já viu minhas fotos? (http://aslentesnaomentem.blogspot.com.br). fui.

escrito por jorge leite de siqueira, brasileiro que não desiste nunca. já se preparando para estudar arquitetura no próximo ano (ou psicologia, ou engenharia, ou outra coisa que ainda não sei).





18 junho 2013

Poesia 2334 - Você me estragou



Tá.
E agora?
O que eu faço?
O chão tremeu definitivamente
E o sonho acabou?

Sonho?
Acabou?
Que sonho?
Só se acaba o que começa...

Você me estragou...

Antes eu tinha pelo menos esperança.
Sabe aquele bla bla bla?
E agora?
Não tenho mais nada...

Tenho a lembrança, tudo bem.
Mas, lembrar é pior.
Sabe a Esmalteria?
Sabe a Fisioterapia?
Sabe a Xuxa, cadela da vizinha?
Você se lembra...

Por isso digo que você me estragou...

Não concorda?
Vamos nos aprofundar então nos fatos...

Sabe o que são fotos?
Todas as que você tirou?
O que faço?
Apago do computador?
Deixo guardado em DVDs?

Tá, vamos nos esquecer das fotos.
Mas, e quando alguém diz Ouro Preto
Em que vou me lembrar?
Igrejas?
Aleijadinho?
Ladeiras?
Pão de queijo?
Que nada!
Vou me lembrar de você...

Por isso eu digo mais uma vez: você me estragou...

E não é só isso.
Tem Gramado
Tem vinho
Tem pizza na bruxa
Tem Canelas...

E tem rococó...

Quer falar de Holambra?
De Vinhedo?
De Santa Bárbara nem vou comentar...

Ah, deixa pra lá,
Vamos ler um livro...

Qual?
Mário Quintana?
Nunca mais serei o mesmo
Depois que você me apresentou Mário Quintana...

E Fernando Pessoa?
Vejo um livro
Leio um poema
(qualquer um, juro, qualquer autor)
E com quem quero compartilhar?
É, nem vou falar que é contigo...

Você me estragou...

Chocolate quente?
Quer?
Tem que ter pão de queijo?
Aham.
E caranguejo?

Você me estragou...

Mas nem estou com raiva.
Foi um estrago legal.
Eu não sei onde você me fez mal...

Não estou triste
É como se eu soubesse do fim inevitável...

É como se eu fosse vidente...

Os planos do futuro têm que mudar.
Acho que brinquei um pouco
Não levei tão a sério
Como deveria levar
Mas eu fiz planos
Malucos
Mas continuam sendo planos...

Tenho que rever os rascunhos...

Uma decisão:
Vou ficar só a partir de agora.
Estou com medo
De que aconteça tudo de novo...

É menor o risco...

Não combinamos.
Tenho certeza disso.
Eu sou muito céu
Você é muito terra.
Você é pólo positivo
Eu sou negativo.
Eu ando
Você vive correndo...

Ah, eu sou organizado e especial.
Isso não vou esquecer...

Mas a vida é assim
Ondas
Que vêm e vão...

Amanhã será outro dia...

Agora
Um som
Para alegrar o ambiente:
Oswaldo Montenegro?
Chico Buarque?

Você me estragou...

Vou assistir TV.
Ah, não, ta passando House...

Você me estragou...

É melhor eu dormir.
Nesse cobertor amarelo e azul?
Lembro-me de você e do gato
Em carinhos felinos...

Você me estragou...

Melhor dormir
E sonhar.
Sonhos?
Ah, não.
Você me estragou...

Eu sou puro trocinho morto de estragado...

Escrito por Jorge Leite de Siqueira

Músicas

 
 

13 junho 2013

E NA FACULDADE TUDO VAI INDO BEM...


51ª crônica - esquizofrenia


fui entrando naquele túnel escuro sem saber o que existia lá na frente. fui entrando e sentindo aquela sensação de desespero. uma aflição me eriçava os pelos do corpo. eu senti frio e esperava ser decapitado a qualquer momento. mesmo assim eu sabia que precisava seguir em frente. e seguia. olhos me espiavam. de onde vinham aqueles olhos. seriam pessoas? seres espaciais? mortos? espíritos? almas penadas? eu seguia assustado, com muito medo.



não. essa crônica não começou bem. vamos mudar o foco.



enquanto eu caia, via os pássaros se desviando de mim. era muito rápido. não me lembro porque pulei daquele prédio tão alto. não me lembro também porque pulei. eu sentia o vento estilhaçando minha pele. acima de mim eu via pedaços de vidro da janela que quebrei quando pulei. mas eu caia mais rápido. eu via o chão se aproximando rapidamente e não sabia se doeria quando eu me encontrasse com ele. sentia medo, mas era muito rápido. não dava para pensar em nada.



não. assim também não. vamos tentar de novo.



estou a quase cento e cinqüenta por hora. é uma descida intensa, cheia de curvas. é noite e chove. não consigo parar, estou sem freios. não acelero, mas o carro incrementa a velocidade. acho que vou descer ribanceira abaixo, mas consigo fazer a curva. a velocidade aumenta ainda mais. estou com muito medo do que vai acontecer. outra curva. e outra. e a velocidade sobe ainda mais. não estou vendo quase nada. chove forte. o pára-brisa quebrou. não enxergo nada. faço as curvas como por milagre. acho melhor errar e acabar logo com isso. mas não erro. faço as curvas rapidamente. devo estar a duzentos por hora. duzentos e vinte. vou bater. vou virar.



não. ainda não está bom. só mais uma tentativa.



estou correndo há horas. zumbis aparecem de repente e tentam me pegar. empurro-os. estou quase sem forças. corro há horas. um cachorro louco pula em cima de mim. começa a me morder. o sangue espirra pelo ar. consigo matar o cachorro. saio me arrastando. o ferimento que o cachorro fez dói bastante, mas não posso ficar parado. existem outros. zumbis e cachorros. não agüento mais fugir. vou me entregar. mas tenho medo. posso virar um zumbi também. prefiro me arrastar e seguir mais ainda.



não. também não gostei. desisto. vou parar por aqui...

escrito por jorge leite de siqueira. e só.



12 junho 2013

50ª crônica - quando eu tiver cinqüenta anos

hoje, vindo trabalhar, sentia-me angustiado pela data: dia dos namorados. o que devo fazer com minha namorada? dar presente? sexo? jantar romântico? carinho? tudo isso? nada disso?

eu nunca liguei para essas datas. sempre achei que era algo comercial, criado pelos marqueteiros da vida. mas nunca vi o outro lado: a mulher. era puro egoísmo. de repente, depois de “quebrar a cara” algumas vezes, percebi que um relacionamento tem dois lados, duas opiniões, duas vontades. duas ilusões, inclusive. 

e, enquanto eu não ligava para a data, minha namorada esperava o presente, ansiosa. e haja decepções, claro. 

depois de algum tempo ela também não ligava mais para a data. e levou um tempo para eu perceber que ela ligava, sim, para a data, mas respeitava a minha opinião. 

hoje em dia, sozinho, não estou mais preocupado com isso. estou com outras preocupações de “solteiro”. pior: de velho solteiro.estou com quase cinqüenta anos. falta só um ano e meio para eu completar os cinqüenta. 

e comecei a fazer os meus planos para quando eu passar dos cinqüenta anos.

primeiro, não ligarei mais para as opiniões dos outros. nenhuma. meu raciocínio é o seguinte: se até hoje eu não fui compreendido por ninguém, não será a partir de agora que eu serei compreendido. vou levar em conta as minhas vontades. se eu quiser me mudar de cidade, mudarei. por que levar em conta a estabilidade, a segurança, a boa vida em que vivo naquele momento? se eu quero me mudar é porque não estou bem como pareço estar. se os outros acham que não devo me mudar é porque pensam como eles e não pensam como eu

quais são os meus valores? e quais são os deles?

exemplo: o que são cem reais? cem reais pode ser muito ou pouco, dependendo do ponto de vista. cem reais é muito dinheiro para mim, que ganho mal. mas para o diretor da empresa em que trabalho? ele dá isso de gorjeta. vamos pensar assim: em que restaurante eu almoço? naquele que tem uma boa comida, mas principalmente que tem um baixo preço. e o diretor? naquele que tem uma ótima comida, independentemente do preço. cem reais? quase nada. cem reais? quanta grana!

mas não vou falar de todos os meus planos agora. nem todos os planos feitos. quero desenvolvê-los. um dos planos, inclusive, é não ser radical. se hoje eu penso de um jeito não quer dizer que sempre pensarei assim. não quero ter sempre a mesma opinião. quero ser mais flexível.

um dos planos que estou desenvolvendo é conhecer cem novas cidades por ano. 

vou ficar por aqui. estou cansado. meu plano de hoje é dormir cedo para recuperar as forças. daqui a pouco chegam as férias e tenho que viajar. já te falei de como pretendo curtir as férias? não? então na próxima crônica eu falo. 

escrito por jorge leite de siqueira, cansado e com o cérebro ativo. cheio de planos e sem namorada.


10 junho 2013

49ª crônica - o paradoxo do amor



não é novidade se falar de amor. tanto já foi dito e escrito, tantos filmes já foram feitos que é banal querer repetir o que já existe. não me proponho a criar algo novo. quero apenas filosofar um pouco.

para começar: o amor nos deixa idiota.

uma vez eu disse que me apaixono todos os dias, e algumas vezes pela mesma pessoa. ultimamente eu estou apaixonado, vivo assim, mas segundo o paradoxo do amor isso é idiotice. por quê? por que o amor não existe? por que o amor só existe se for recíproco? por quê?

o quer é amor? o amor é inexplicável.

o amor é medo. o amor é segredo. o amor é prazer. o amor é violência. o amor é suspense. o amor é tudo. você pode adjetivar o amor como quiser, fique à vontade. ridículo? sim, o amor é ridículo. idiota? sim, também é idiota. paciente? o amor é. esquisito? raiva? estranho? tolerante? sim, o amor é tudo isso.

e mais um pouco.

algumas pessoas acham que o amor é solidão. ou platonicidade – basta um apaixonado. outros – eu, inclusive – acham que o amor não existe sozinho: é companhia, parceria, convivência. por quê? porque eu sou assim, eu me criei assim, cresci e aprendi que é assim, e gosto de ser assim. hum. aí está a palavra mágica: gosto. eu sou eu. você é você. cada um tem uma especificidade. e assim, únicos, gostamos de coisas diferentes. ou iguais.

uns ficam com um sorriso besta na cara. outros querem brigar, ciumentos. alguns ficam felizes, esbanjadores. muitos ficam ouvindo passarinhos e vendo tudo cor-de-rosa. esse é o amor. um bichinho que invade, como um vírus, e nos muda completamente. esse é o amor, um ar diferente, que nos sufoca, e nos faz pular do mais alto dos edifícios. uma bebida de alto teor alcoólico, que nos embriaga. esse é o amor, que nos deixa tontos, ambiguamente falando.
esse é o amor. paradoxal. de verão e de inverno. deixa-nos no céu, leva-nos ao inferno. amor de tentação, de ambição, de perdição. amor de desgraça, de suicídios. amor. doce amor. louco amor.

amar é a maior mágica que existe. feliz daquele que já amou. feliz daquele que irá amar. mais feliz é aquele que está amando. seja feliz. ame. apenas ame.

feliz dia dos namorados.

escrito por jorge leite de siqueira, sem necessidade de mostrar a ninguém que está apaixonado ou que está amando...

03 junho 2013

48ª crônica - lâmina basal

você sabe o que é lâmina basal? a lâmina basal fica entre o tecido epitelial e o tecido conjuntivo. para facilitar, pense assim: existe a pele (tecido epitelial) e a carne (tecido conjuntivo). o que liga um ao outro é a lâmina basal.

legal, né? mas agora você vai me perguntar: o que isso tem a ver com a crônica? nada! eu respondo: nada. mas, vamos falar a respeito.

hoje é terça-feira, está frio, muito frio. choveu o dia todo. aliás, vem chovendo desde domingo. cinco horas da tarde saí do trabalho e vim pra casa. cheguei todo molhado, claro. e tremendo de frio. tirei a roupa, tomei um banho quente, comi uma deliciosa sopa de restos que encontrei na geladeira.

e a crônica? cadê a crônica? calma! eu peço calma! você já vai entender. deixe-me continuar.

depois da sopa, quase seis da tarde, a chuva não para de cair e eu preciso ir à faculdade, tenho prova a fazer. resolvi ir à pé. não é longe.

fui. quarenta e cinco minutos depois cheguei à faculdade. quarenta e cinco minutos de caminhada sob chuva. para chegar à faculdade andando é necessário atravessar uma mini floresta de eucaliptos. de dia, com sol, tudo bem, mas à noite, com chuva? perigoso. mas fui. no escuro fui pisando em poças d'água. horrível. a água vai subindo pelas meias, pela calça, invadindo tudo. frio. muito frio.

quase deu tudo certo. na chegada à faculdade não tive opção e quase mergulhei numa piscina na escadaria. e nada da chuva parar.

cheguei à tempo. prova de biologia. sete e quinze e eu estou sentado esperando o bem(mal)dito professor. ele chega, distribui a prova e dá uma hora e meia de prazo. vamos lá, primeira pergunta: o que é lâmina basal?

tudo bem, respira fundo, jorge, você estudou, sabe essa. não sei. esqueci. mas, convenhamos, estou com quase cinquenta anos, nunca precisei saber o que é lâmina basal. nunca. e agora, todo molhado, morrendo de frio nos pés, pensando nos quarenta e cinco minutos da volta, sob chuva. como eu gostaria de saber o que é lâmina basal.

meu deus! se para ser nutricionista preciso saber isso, estou ferrado. eu não sei. não sei para quê saber. meus deus! para quê?

rascunho umas respostas, entrego a prova e vou-me embora. antes de encarar a trilha perigosa e enlameada encaro a noite que parece quer me surrar.

volto para casa ensopado já pensando em me preparar para o exame de recuperação. só falta cair o que é lâmina basal de novo. lâmina basal. lâmina basal.

para quê eu preciso saber o que é lâmina basal?

escrito por jorge leite de siqueira, depois de acordar no meio da noite, assustado por um pesadelo onde a maldita lâmina basal era um monstro de sete cabeças. lâmina basal.


Dez mitos sobre dietas

Muitos mitos você com certeza já deve ter ouvido e talvez até possa acreditar, mas o fato é que não correspondem à realidade. Aqui vão ...