13 junho 2013

51ª crônica - esquizofrenia


fui entrando naquele túnel escuro sem saber o que existia lá na frente. fui entrando e sentindo aquela sensação de desespero. uma aflição me eriçava os pelos do corpo. eu senti frio e esperava ser decapitado a qualquer momento. mesmo assim eu sabia que precisava seguir em frente. e seguia. olhos me espiavam. de onde vinham aqueles olhos. seriam pessoas? seres espaciais? mortos? espíritos? almas penadas? eu seguia assustado, com muito medo.



não. essa crônica não começou bem. vamos mudar o foco.



enquanto eu caia, via os pássaros se desviando de mim. era muito rápido. não me lembro porque pulei daquele prédio tão alto. não me lembro também porque pulei. eu sentia o vento estilhaçando minha pele. acima de mim eu via pedaços de vidro da janela que quebrei quando pulei. mas eu caia mais rápido. eu via o chão se aproximando rapidamente e não sabia se doeria quando eu me encontrasse com ele. sentia medo, mas era muito rápido. não dava para pensar em nada.



não. assim também não. vamos tentar de novo.



estou a quase cento e cinqüenta por hora. é uma descida intensa, cheia de curvas. é noite e chove. não consigo parar, estou sem freios. não acelero, mas o carro incrementa a velocidade. acho que vou descer ribanceira abaixo, mas consigo fazer a curva. a velocidade aumenta ainda mais. estou com muito medo do que vai acontecer. outra curva. e outra. e a velocidade sobe ainda mais. não estou vendo quase nada. chove forte. o pára-brisa quebrou. não enxergo nada. faço as curvas como por milagre. acho melhor errar e acabar logo com isso. mas não erro. faço as curvas rapidamente. devo estar a duzentos por hora. duzentos e vinte. vou bater. vou virar.



não. ainda não está bom. só mais uma tentativa.



estou correndo há horas. zumbis aparecem de repente e tentam me pegar. empurro-os. estou quase sem forças. corro há horas. um cachorro louco pula em cima de mim. começa a me morder. o sangue espirra pelo ar. consigo matar o cachorro. saio me arrastando. o ferimento que o cachorro fez dói bastante, mas não posso ficar parado. existem outros. zumbis e cachorros. não agüento mais fugir. vou me entregar. mas tenho medo. posso virar um zumbi também. prefiro me arrastar e seguir mais ainda.



não. também não gostei. desisto. vou parar por aqui...

escrito por jorge leite de siqueira. e só.



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