01 julho 2013

53ª crônica - uma redação sobre as férias



quando pensei nessa crônica a intenção era brincar sobre as minhas férias. depois percebi a seriedade do assunto e quis tratar como uma coisa séria. depois desisti e abandonei a ideia. agora, resolvi misturar tudo numa coisa só. coisas de jorge.

o que pretendo fazer nas férias?

quero viajar por mais de sessenta cidades em menos de trinta dias. é uma faca de dois gumes: posso me encantar com as novas experiências ou posso não desfrutar o suficiente de cada cidade.

o pior dessas férias é não ter dinheiro, e, sem dinheiro não poderei desfrutar das coisas que cada cidade tem a oferecer: passeios, comida, hospedagem, etc. e eu passarei por cidades maravilhosas tais como campos do jordão, paraty, trindade, angra dos reis, são lourenço, são thomé das letras, etc.

sem dinheiro não poderei dormir em hotéis mais confortáveis (talvez durma em barraca, mesmo no frio), não poderei comer coisas típicas (e caras, claro) e não poderei comprar lembranças em cada cidade.

o que pode acontecer nessas férias?

eu posso encontrar a felicidade e não voltar mais: a felicidade pode ser uma cidade nova, uma mulher, um rio, o mar, um emprego, ou apenas a conscientização de que tudo acabou e devo acabar também.
sendo dramático, coisas ruins também podem acontecer: a morte, um assalto, um roubo, brigas, ou coisas mais perversas que não quero mencionar.

entre o caos e a ordem tudo pode acontecer.

o que eu quero é a liberdade. a liberdade de ir e vir na hora que eu escolher, de começar e terminar a viagem a qualquer momento, de me vestir ou despir como tiver vontade. acho que a liberdade estará comigo a cada metro percorrido, a cada quilômetro desbravado, a cada cidade visitada.

ontem eu fiz um churrasco em casa e reuni os filhos. comemos, bebemos, brincamos. se algo de ruim me acontecer será uma boa lembrança para eles. no trabalho, não serei lembrado: sou chato e preguiçoso para alguns e preguiçoso e chato para outros.

disseram que não atendo o telefone e falo demais.

não vou levar ninguém comigo. ninguém. vou sozinho, numa pequena moto, com roupas suficientes para alguns dias. se eu tiver que usar roupas sujas não vai atrapalhar nada mesmo. aliás, acho que vou radicalizar: não vou cortar os cabelos, não vou fazer a barba, não vou tomar banhos, não vou trocar de roupas, não vou escovar os dentes, não vou comer em demasia, não vou assistir à televisão, não vou namorar, não vou beber bebidas alcoólicas.

não. cerveja eu vou beber. quando eu estiver numa cidade bacana, bem, feliz, eu vou beber. liberar minha catarse[1].

brincadeiras à parte, quero falar que sinto saudades da praia, do mar, e sei que quando eu estiver em paraty essas saudades vão se transformar em prazer absoluto e pleno. e virão lembranças. e remorsos.

quantos dias de férias?

só trinta. as férias deveriam durar mais. algo em torno de noventa dias. os primeiros trinta dias eu descansaria. os segundos trinta dias eu viajaria sem parar. os terceiros trinta dias eu voltaria a descansar. mas, como não é assim, eu vou tirar apenas trinta dias de férias. e vou ficar na estrada aproximadamente vinte e cinco. pouco? espero que seja o suficiente.

e ainda faltam quatro dias e meio para começar...

escrito por jorge leite de siqueira a dois passos do paraíso...


[1] catarse: sob a ótica da psicologia, catarse é o experimentar da liberdade em relação a alguma situação opressora, tanto as psicológicas quanto as cotidianas, através de uma resolução que se apresente de forma eficaz o suficiente para que tal ocorra.

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