02 julho 2013

54ª crônica - o homem sem esperanças



hoje, intensamente, lembrei-me daquela novela “a escrava isaura”. não precisamente da novela, acho que nem a assisti. lembrei-me daquela música, do tema: lerê, lerê. acho que você também se lembrou.
acontece que eu me dedico ao trabalho como um funcionário de empresa privada e sou tratado pelos meus chefes como um funcionário público. sou funcionário público.

meu chefe me chamou a atenção porque eu falo demais.

gostaria de ser elogiado pelas coisas que faço, mas ninguém me elogia. eu tirei nota nove em minha avaliação de desempenho funcional em “rendimento”. se eu tirei nove é porque estou quase perfeito. e por que sou chamado à atenção? porque meu chefe não gosta do que falo?

o que tenho de melhor em mim é o que converso. tenho que expor o que penso senão fico louco.

e se eu quiser não fazer nada e só conversar? eu sou responsável. sei o que devo fazer. e faço. e se eu estiver cansado, ou com dor de cabeça? ou apenas triste e não queira fazer nada naquele momento? não posso? devo fingir como meu antecessor fazia?

pois é. sou responsável. não quero prejudicar meu trabalho. meu chefe não entende isso.
ele tem trabalho atrasado? que chegue mais cedo e o faça. ele ganha muito mais que eu. precisa trabalhar mais também.

ah, e, com raiva, ele me mandou ajudá-lo. deixa ver se eu entendi: eu falo demais, ele não gosta, e por castigo devo fazer o seu trabalho? tenha dó! não entendi a lógica.

cansei-me. não quero falar disso. quero falar da moça do supermercado.

eu estava na fila esperando a minha vez de ser atendido quando a moça, a ajudante, foi pegar as cestas plásticas que ficam abaixo do caixa. sabe essas cestas que a gente usa para trazer os produtos do supermercado até o caixa e depois colocamos embaixo do caixa? essas mesmas. pois é, a ajudante foi pegar as que tinham. umas cinco ou seis. sem querer ela bateu com as cestas numa porção de chocolates que estavam expostos ali embaixo. um dos chocolates caiu no chão. a moça o pegou e o colocou no lugar certo. só que o chocolate caiu de novo. a moça hesitou, pensou, pegou as cestas e foi-se embora. deixou o chocolate no chão. simplesmente fingiu que não viu o chocolate.

por que ela não o arrumou?

deve ser deficiente mental. não mediu as conseqüências do que aquilo seria importante tanto para ela quanto para o supermercado. e se o chefe a visse? demissão?

mas nem sei por que estou falando disso.

escrito por jorge leite de siqueira, comendo chocolate (onde se lê o chefe, leia-se a chefe).


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