05 julho 2013

58ª crônica - e se?



se há um rio eu quero pescar. quando quero pescar não quero pegar peixes. eu só quero pescar. e se não quero pegar peixes eu não quero pescar? incoerente, eu sei, mas se há um rio eu quero pescar. mas não quero pegar peixes.

se há uma estrada eu quero ir. mas voltar é consequência da ida. toda estrada é ir e voltar. mas eu não quero voltar, eu só quero ir. eu sou apenas ida. não sou volta. mas se não volto não sou estrada. toda estrada é ida e volta. eu só sou ida. eu não sou estrada? mas se há uma estrada eu quero ir. mas não quero voltar.

se eu fecho os olhos eu vejo filmes. são flashes de minha vida. olhos, rostos, cabelos, lugares. tudo é uma mistura e transformação. como um filme. eu vejo filmes. muitos filmes. se eu fecho os olhos eu fico confuso. eu não vejo de olhos fechados. só vejo filmes. de olhos fechados. e não vejo. é confuso? eu abro os olhos e vejo tudo cinza. e vejo péssimos atores. e sou péssimo ator. prefiro fechar os olhos. e ver filmes. se eu fecho os olhos eu vejo filmes.

pausa: seria bom se pudéssemos andar de olhos fechados.

se há frango assado eu como frango assado. se não há frango assado eu como outra coisa. eu como churrasco se não tiver frango assado. mas se tiver frango assado eu como frango assado. mas quase nunca há frango assado. então só como churrasco? quase nunca como churrasco, também. se há frango assado eu como frango assado.

pausa: frangos assados não são galinhas assadas. mas são iguais.

se há papel eu escrevo. se há tinta na caneta eu também escrevo. eu escrevo de lápis, também. eu escrevo com o cérebro, também. mas meu cérebro é bipolar. eu escrevo bom e ruim. se há cérebro eu escrevo. eu tenho cérebro. se há papel eu escrevo. não tenho papel. se há tinta na caneta eu escrevo.

pausa: incoerente é ser bipolar.

se há uma cabeça sobre a televisão é um capacete. se há um corpo na cadeira é uma blusa. se há pés no chão são apenas sapatos. se há um corpo estirado na cama é apenas um cobertor.

se há trabalho eu vou. se há férias eu vou. se há férias não há trabalho e eu vou mais ainda. se há saudades do trabalho não sou eu. se há saudades não há razão. se há razão há férias e não há trabalho.

pausa final: insanidade ou esquizofrenia?

se há níveis de loucura eu já atingi o mais alto. se não há eu sou apenas um maluco. mas já me chamaram de louco, também. uma vez, apenas uma, falaram que eu era doido. se há níveis de loucura eu sou um louco maluco muito doido.

escrito por jorge leite de siqueira, de caneta invisível em uma papel cinza, de olhos fechados.


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