03 julho 2013

55ª crônica - em segurança



são duas horas da manhã. acordei com o barulho da sirene do carro da polícia em perseguição a algum carro irregular. bandidos? ladrões? acho que sim. parecia um filme. um barulho assustador, baixo, lá no horizonte do som. eu tenho medo da polícia. acho que não quero morrer de bala perdida. o barulho aumentou. passou, na rua, um carro, velozmente. a sirene aumenta e passa o carro da polícia em perseguição.

vão sumindo no horizonte dos sons.

mas não somem. o barulho aumenta. vem pela outra rua, freia bruscamente na esquina. alguém dentro do carro grita: por ali, por ali! e canta o pneu. dez segundos depois o barulho aumenta e o carro volta. rápido, voa pela rua de baixo. e some. a polícia vai atrás. sirenes. três estampidos. tiros? não sei. tenho medo de bala perdida.

silêncio. morreram? foram presos? não sei. é madrugada.

agora não escuto mais nada. estou na cama, sem sono, sem medo, sem ação. meu sono foi raptado. não sei se pela polícia ou pelos bandidos.

fico pensando que, se fosse um filme pelo menos teria um final. e não teria só um carro de polícia. e não seriam apenas três tiros.

mas não era filme.

agora, em paz, escuto outra sirene. dessa vez é a moto do vigilante da rua. ele vem devagar, tocando sua sirene aliviadora. ok, posso dormir, não tem perigo na rua. parece ser o que ele diz. mas, o que ele vigia? se eu fosse um ladrão era só me esconder atrás do poste e esperar ele passar. quando ele fosse embora eu agiria. sossegado. afinal ele só volta daqui à uma hora.

essa é a minha segurança.

escrito por jorge leite de siqueira, ainda com medo de bala perdida.



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