19 fevereiro 2014

Cartas ao meu amor (Parte V)

Boa noite, amor, tudo bem?
Eu estou bem. Fizemos uma reforma aqui no quarto e agora eu tenho ar puro todos os dias, horas, minutos, segundos e até nos milésimos. Acredite se quiser mas nesta noite fez até um friozinho gostoso. Foi de madrugadinha. Gostoso. Saudades do frio.

Ontem aconteceu uma coisa divertida lá no trabalho e eu fico pensando no fato e resolvi te contar para poder me esquecer e tirar do inconsciente (ou subconsciente). E até eu liguei o fato a uma pergunta que o professor fez no ano passado no curso de Nutrição. O Cherbéu falou que só existia um tipo de pessoa que poderia ser considerado "livre" de fato. Quem sabe? Eu sei: o louco! Os colegas me olharam espantados, como se eu tivesse dito algo absurdo. Mas todos já sabem disso. Fiz diversas poesias sobre isso e todos os poetas, os músicos, os menores e os maiores escritores já comentaram a respeito.

Pois é, o louco é livre e pode fazer tudo. Tudo! Tudo o que desejamos e não temos coragem. Tudo? Tudo. Tudinho.

E lá estava ela, a Raquel (nome fictício), sendo atendida por mim. Estava pagando a mensalidade do clube pois iria viajar no carnaval e não queria atrasar. Louca? Não parece, né? E na televisão estava passando o filme "vivendo a vida adoidado" (ou algo parecido). Ela falou que adorava aquele filme e cantou (tirilou baby, tirilou baby tuíste down. tuíste down). Eu fiquei conversando com ela enquanto fazia os procedimentos de recebimento do pagamento naquele momento (não sou um jumento, por favor). E na hora em que dei os recibos para a Raquel o filme mostrou a cena em que o rapaz participa de um desfile cantando a música acima.

Nossa, que legal! A Raquel deu uma gargalhada enorme, sem medo nenhum, sem vergonha nenhuma. Tinham umas dez pessoas em nosso espaço de lazer que olharam para ela mas não sorriram. Eu olhei-os e vi um enorme desprazer, uma vergonha, um asco, sei lá, uma coisa que a sociedade criou para considerar que não se podia gargalhar alto naquele recinto. Não vi nada escrito em lugar nenhum, mas deve existir algo no regulamento interno. Sei lá.

Só sei que a Raquel deu outra gargalhada, levantou-se e ficou olhando a cena na televisão, sorrindo, feliz como se ouvisse aquilo pela primeira vez. Eu ri com ela. Queria até estar em seu lugar.

Ah, nós, loucos somos tão felizes.

Ah, amor, desculpa, perdi o foco. Nem me lembro mais sobre o que eu queria falar. Fica para amanhã. Depois falo mais sobre a minha nova casinha. É o mesmo quartinho mas agora é diferente. Vamos ver se fica bom.

Amanhã vou te falar sobre o plano de me fantasiar para a festa da Aline: camiseta de super-homem com a minha cueca vermelha sobre a calça. Será que vão me achar feio? Não posso ir só de cueca, né? Senão ia.

Beijo. Boa noite. Fica em paz. Saudades de você.

JORGE LEITE DE SIQUEIRA

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