20 fevereiro 2014

Cartas ao meu amor (Parte VI)

Bom dia, amor.
Hoje acordei pensando em ir trabalhar. Não que eu goste, mas eu preciso. Todos precisamos, então vamos. Mas eu não acordei pensando em ir trabalhar. Pelo contrário, estou com medo do trabalho.

Calma, está tudo indo bem, serviço legal, colegas legais. Calma!

Eu me lembrei da Célia (não a daqui, mas a do RH). Quando a Célia entrou eu falei pra ela que tinha um "problema mental". Ela esbugalhou os olhos para mim, assustada, pensando que eu fosse um deficiente trabalhando lá com ela. E sabe que cada deficiente deve ser tratado com mais carinho (e cuidado). E um deficiente com "problema mental" é pior ainda. Mas daí eu esclareci pra ela que o meu problema mental era o esquecimento. Afinal, isso é da mente, não é? Então é mental.

Eu já tinha problemas de esquecimento muito sérios nessa época.

Nessa semana eu fui "lembrado" de enviar um documento que era pra ter sido enviado em janeiro. Não deu problema nenhum, enviei atrasado, pesa no currículo, etc., mas não deu nada. O pior comigo é o esquecimento do que faço durante o dia e no dia seguinte o cliente chega todo feliz, falando meu nome, e eu nem aí pra quem é.

Eu trato todo mundo com educação e alegria. Sorrio, converso, conto histórias, escuto casos, e assim vou atendendo e agradando. Gosto muito do modo como trato os clientes e vejo que eles também gostam. Claro que não é unânime. Nem Jesus agradou todo mundo. Nem o Lula. E o retorno de meu atendimento é o cliente se lembrar de mim, de meu nome (tá no crachá) e ele volta todo sorrindo relembrando algumas coisas que conversamos. Daí que a pessoa se senta e não tenho a menor ideia de quem seja.

Ontem mesmo veio a professora da escola com quem conversei perguntando detalhes da função de professor (e outras coisas, afinal ela é colega de trabalho) e simplesmente eu me esqueci dela. Ela entrou, sorriu, me chamou pelo nome e perguntou como está a faculdade. Eu não me lembrei dela e fiquei triste com isso.

Será que vai piorar? Será que é o alemão que está chegando? Não, não é doença, eu sempre fui assim.]

Mas fiquei triste. E fico triste. Queria ser mais atencioso do que sou. Mas ninguém é perfeito.

Bom dia, amor, fica em paz. Agora vou trabalhar. Beijo. Te amo. Nunca se esqueça disso. Estou sempre te esperando e você nunca chega. Quando é que você vai acender a luz de nossa casa? Tá demorando!

JORGE LEITE DE SIQUEIRA


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