09 janeiro 2016

crônica: graças a deus pelas cores

querido diário,

vindo ao trabalho hoje, com minha moto laranja cento e cinquenta cilindradas, olhando o azul do céu de um lado e o cinza escuro de outro, corro para não pegar chuva. se estivesse voltando do trabalho eu iria bem devagar, para pegar chuva, de propósito. é muito bom quando não se tem compromisso.

mas não era isso que eu queria dizer. eu estava falando do cinza dos carros. você já viu quantos carros cinzas? que ridículo! quer dizer, ridículo em meu ponto de vista.

graças a deus pelas cores.

de repente passa um fiat amarelo. que maravilha! destaca-se entre todos. que coragem desse motorista, fugir do normal, afrontar a todos com a perspectiva de perder no futuro. perder? sim, o cinza dos carros é porque desvaloriza menos. acredita? desvalorizando menos você tem algo feio, comum, igual a todos, que não foge dos padrões, que obedece dogmas, que obedece mídia, que obedece conceitos criados pelos mesmos que criaram o carro cinza.

graças a deus pelas cores.

de repente, uma árvore rosa. quer dizer, florida de flores cor-de-rosa. ao lado, outra árvore, amarela. o céu cinza parece querer chamar a atenção, pingando algumas gotas que naquele momento parecem cinza para mim. um cinza que cai do céu mas não considero abençoado por deus. já pensou em gotas coloridas? não! nem pensar! iria afrontar alguma lei. iriam proibir na mídia. iriam exigir de são pedro que chovesse cinza. então, que chova cinza.

graças a deus pelas cores.

curioso. a mulher que atravessa a rua com um cachorrinho (não é a mesma de ontem) está com calça jeans (cinza escuro) e camiseta cinza claro. o cachorro é branco acinzentado de sujeira. a rua é cinza super escuro.

a vida está ficando cinza? ou serei eu? não. eu não. eu ainda vejo colorido.

graças a deus pelas cores.


jorge leite de siqueira - (06/12/2012 - quinta-feira)

Nenhum comentário:

Dez mitos sobre dietas

Muitos mitos você com certeza já deve ter ouvido e talvez até possa acreditar, mas o fato é que não correspondem à realidade. Aqui vão ...