08 janeiro 2016

Filosofando sobre Quintana

Lendo o Caderno H do Mário Quintana, deparo-me com a seguinte afirmação:

SONHO
Um poema que, ao lê-lo, nem sentirias que ele já estivesse escrito, mas que fosse brotando, no mesmo instante, de teu próprio coração.

Quintana me fez pensar sobre os motivos que me bloquearam a escrever poemas. Não sei o que acontece comigo, mas não estou tão criativo como estava no passado. As mudanças em minha vida foram para melhores, me deram mais estabilidade, me deixaram mais feliz e acho que isso me fez mal poeticamente falando. Não que eu esteja reclamando - no sentido material - mas sinto falta das poesias que eu fazia.

Conclusão: não uso mais o coração. Não consigo viver "poeticamente" como vivia antigamente, sentindo os "tapas" que a vida me dava, "machucando-me" com os fatos e palavras que caiam em minha mente.

As coisas agora acontecem com menos explosão. Tanto que não chegam ao coração. Estou mais vazio. Sinto-me mais vazio. E só por sentir-me vazio seria um motivo para escrever. Mas estou bloqueado.

Quintana continua:

DA ALMA
A alma é essa coisa que nos pergunta se a alma existe.

Estou deixando também de combater as pessoas que me irritam, que falam baboseiras, que se expressam diferente do que eu penso. Religiosamente, por exemplo, não me importo mais sobre o que pensam a respeito de Deus e dos homens. Não me interessa mais saber se vão - ou se vou - para o Céu ou para outro lugar.

E para acabar comigo, Quintana reclamou de algo que, depois dele próprio, Quintana, virou um pesadelo para todos os poetas posteriores, como eu me considero:

CÁ ENTRE NÓS
Os clássicos escreviam tão bem porque não tinham os clássicos para atrapalhar.

Imagina agora que tudo já foi dito! O que me sobrou? Repito palavras, frases, confundindo aos leitores em procurar saber de onde "plagiei".

Eu não lia muito até um tempo atrás. Poesia, principalmente. Lia os poemas clássicos, os mais acessíveis. E de mim brotaram ótimas histórias poéticas, fiz excelentes poemas, elogiados pelos amigos. E não é que depois que passei a ler muito mais as obras completas fui descobrindo que algumas coisas que eu disse já foram ditas lá no passado!

E me senti como um plagiador espiritual. Para quem já conhecia as obras clássicas, os poemas clássicos, o que eu estava fazendo? Apenas mudando palavras de lugar e plagiando, plagiando, plagiando. Isso me tirou um pouco da motivação, não nego. Acho que me prejudicou nas futuras criações.

Agora, aqui em Rio Claro, minha vida está correndo em diferentes ritmos. Estou procurando mudar mais do que jamais mudei. Acho que a idade está ajudando. É o meu cinquentenário e acho que agora é a hora de colocar em prática o que planejei durante os últimos anos.

Para ficar perfeito e todos os meus planos darem certo, preciso ganhar 500 mil reais na loteria. Digo ganhar na loteria porque não vejo outra forma de ganhar tal soma. Vendendo livros? Não, jamais! Isso é coisa do passado.

E por falar em passado, quando se completa cinquenta anos de idade a gente começa a pensar que o mais forte é o passado. Mais isso é coisa para outro post. O passado e as pequenas dores no peito que estou tendo ultimamente.

Jorge Leite de Siqueira, em uma manhã insone.

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