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26 agosto 2019

Tempo, tempo, tempo...


Você pode ser...



Você pode ser gorda, alguém vai gostar de você. Você pode ser magra, alguém vai gostar de você. Rica ou pobre. Bonita ou feia. Legal ou chata. Isso ou aquilo, alguém vai gostar de você. Sempre alguém vai e alguém não vai gostar de você.
Mas, acima de tudo e de todos, você precisa gostar de você.
Você precisa se amar.
E os outros? Foda-se!
Os outros? Deixe-os cuidarem-se uns aos outros.
Quanto a você:
Ame-se! Adore-se! Viva-se!
Bom dia...
Jorge de Siqueira


O passado e o futuro

Cuidado!
Olhando para o passado você pode até compreender sua vida, mas só olhando para o futuro é que você viverá intensamente...
Viva-se!





10 abril 2018

O deus de Baruch Spinoza


o deus de spinoza

para de ficar rezando e batendo no peito!
o que eu quero que você faça
é que saia pelo mundo
e desfrute de tua vida.

eu quero que goze,
que cante,
que se divirta
e que desfrute de tudo o que eu fiz para você.

para de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios
que você mesmo construiu
e que acredita ser a minha casa.

minha casa está nas montanhas,
nos bosques,
nos rios,
nos lagos,
nas praias.

aí é onde eu vivo e expresso meu amor por você.

para de me culpar da tua vida miserável:
eu nunca te disse que há algo mau em você
ou que era um pecador,
ou que tua sexualidade fosse algo mau.

o sexo é um presente que eu te dei
e com o qual pode expressar teu amor,
seu êxtase,
sua alegria.

assim, não me culpe por tudo o que te fizeram acreditar.

para de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada tem a ver comigo.
se não pode me ler num amanhecer,
numa paisagem,
no olhar de seus amigos,
nos olhos de seu filhinho
não me encontrará em nenhum livro!

confia em mim
e deixa de me pedir.
vai me dizer como fazer meu trabalho?

para de ter tanto medo de mim.

eu não te julgo,
nem te critico,
nem me irrito,
nem te incomodo,
nem te castigo.

eu sou puro amor.

para de me pedir perdão.
não há nada a perdoar.
se eu te fiz…

eu te enchi de paixões,
de limitações,
de prazeres,
de sentimentos,
de necessidades,
de incoerências,
de livre-arbítrio.

como posso te culpar se responde a algo que eu pus em você?
como posso te castigar por ser como é, se eu sou quem te fez?

crê que eu poderia criar um lugar para queimar a todos meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da eternidade?
que tipo de deus pode fazer isso?

esquece qualquer tipo de mandamento,
qualquer tipo de lei;
essas são artimanhas para te manipular,
para te controlar,
que só geram culpa em ti.

respeita teu próximo
e não faça o que não queira que façam para ti.

a única coisa que te peço
é que preste atenção a tua vida,
que seu estado de alerta seja seu guia.

esta vida não é uma prova,
nem um degrau,
nem um passo no caminho,
nem um ensaio,
nem um prelúdio para o paraíso.

esta vida é o único que há aqui e agora,
e o único que precisas.

eu te fiz absolutamente livre.

não há prêmios nem castigos.
não há pecados nem virtudes.
ninguém leva um placar.
ninguém leva um registro.
você é absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno.

não te poderia dizer
se há algo depois desta vida,
mas posso te dar um conselho:
viva como se não o houvesse.

como se esta fosse sua única oportunidade de aproveitar,
de amar,
de existir.

assim,
se não há nada,
terá aproveitado da oportunidade que te dei.
e se houver,
tem certeza que eu não vou te perguntar se foi comportado ou não.

eu vou te perguntar
se você gostou,
se se divertiu…

do que mais gostou?
o que aprendeu?

para de crer em mim.
crer é supor, adivinhar, imaginar.

eu não quero que acredite em mim.
quero que me sinta em você.

quero que me sinta em você
quando beija sua amada,
quando agasalha sua filhinha,
quando acaricia seu cachorro,
quando toma banho no mar.

para de louvar-me!

que tipo de deus ególatra você acredita que eu seja?
me aborrece que me louvem.
me cansa que agradeçam.

você se sente grato?
demonstra-o cuidando de ti,
de tua saúde,
de tuas relações,
do mundo.

sente-se protegido, surpreendido?…
expresse sua alegria!

esse é o jeito de me louvar.

para de complicar as coisas
e de repetir como papagaio
o que te ensinaram sobre mim.

a única certeza
é que você está aqui,
que está vivo,
e que este mundo está cheio de maravilhas.

para que precisa de mais milagres?
para que tanta explicações?

não me procure fora!
não me achará.

procura-me dentro.
aí é que estou,
batendo em você...

baruch spinoza.


30 janeiro 2018

Reinícios

Olá, como vai?
Tudo bem contigo?

Sim, estou de volta. Como você pode perceber, estou tentando uma volta. Espero que consiga ser mais efetivo e contar mais um pouco sobre mim e meus caminhos.

Depois de tudo eu só posso falar que estou morando em Alcobaça, Bahia. Alcobaça é uma pequena cidade de pescadores. Pequena, mas nem tanto. Maxaranguape é muito menor. Aqui tem mais "de tudo" se for comparar com Max: bancos, comércio, pousadas, etc.


Eu conheci Alcobaça quando tinha dezoito anos e morava aqui perto, em Medeiros Neto. Vim poucas vezes aqui quando era jovem e depois me casei e me mudei para tantos lugares que me esqueci desta cidade. Agora que decidi que preciso de "qualidade de morte" foi que resolvi rever a cidade. Em minhas férias de Julho de 2017 eu vim até aqui, de moto, e resolvi me mudar.

Calma, eu sei que está tudo tão confuso e ninguém está entendendo nada, nem eu, mas prometo que nos próximos dias irei esclarecendo tudo. A princípio apenas pense que estou bem, cada vez mais percebendo que fiz a coisa certa quando resolvi me mudar e abandonar a vida que eu tinha.

Prometo dar mais detalhes daqui uns dias. Por enquanto vamos apenas comemorar essa volta. Aqui quero contar mais do que tenho dentro de mim. Que tal a minha última poesia?

3069 – motivação já

só eu
não tenho motivação?

só eu?

cinquenta e três anos
e
não quero mais nada

nada, não.
quero ser andarilho
mas
é o mesmo que nada…


Pois é. Esta é a última poesia que fiz. Deu pra perceber que estou em crise? A adaptação aqui não está sendo nada fácil, mas quem disse que ser fácil é que é gostoso? 

Beijos e até a próxima.


23 maio 2017

Vírgulas...

Hoje, no trabalho, com os pensamentos em tantos lugares, fui viajando, viajando, pensando na perda de tempo que é viver. Bem, na verdade tudo começou completamente pelo inverso: resolvi começar a VIVER. Isso mesmo: viver decentemente, fazendo o que quero fazer, etc., etc., etc…

Blá, blá, blá…

Tudo bem, estou fazendo musculação, comecei a correr, vou ter mais saúde. Comecei a comer mais decentemente, estou tomando um complexo vitamínico para ajudar a suprir as carências, até comecei a dormir mais cedo.

Pra quê? Pra que serve eu ter saúde?

Poderei viajar mais, minhas costas vão doer menos quando eu pilotar a moto, terei mais disposição. Conseguirei ir, por exemplo, conhecer uma cidade distante, pela manhã, e voltar à noite. Conseguirei fazer mais coisas pois terei mais saúde.

Pra quê? Pra que conhecer novos lugares?

Vou tirar fotos, gravar filmes, conhecer pessoas. A igreja vai ficar magnífica na foto, vou conseguir mostrar pra todo mundo o meu “olhar fotográfico”. Vou conseguir captar a imagem do pássaro lá longe com minha câmera com superzoom. Vou conseguir saber a história da cidade, o nome do prefeito, as fofocas do padre e do dono da zona.

Pra quê? Pra que serve isso tudo? 

Vou poder postar no Instagram, no Facebook, nos aplicativos virtuais. Nos mesmos aplicativos onde tenho milhares de amigos que não sabem que existo. Terei “curtidas” de pessoas que nem ao menos olharam as fotos com atenção suficiente, nem perceberam que as mesmas estavam de “cabeça pra baixo”, completamente invertidas, erradas.

Pra quê? Pra que ter aplicativos tão inúteis? 

E eu também acabo sendo um amigo ridículo de tanta gente que não merece minha amizade. Eu não vejo nada de ninguém, não curto, não comento, não existo pra eles. E o melhor então é eu ir assistir a um filme, ler um livro, ouvir um jazz.

Pra quê? Pra quer assistir filmes? 

Vão dizer que minha cultura aumentará, meu vocabulário ficará extraordinário, conseguirei falar e escrever com mais qualidade, serei admirado porque farei poesias com mais conteúdo e sensibilidade, escreverei um livro e o colocarei na estante.

Pra quê? Pra que escrever poesias?

Minhas poesias são a minha história, mas quem quer saber a minha história? Meus livros são a minha imaginação, mas quem quer saber o que penso? E se quiserem saber, pra que serviria eu contar os meus desejos, minha vida, minha loucura? Os meus sentimentos morrerão comigo.

Pra que viver?

O final disso tudo é a morte. Uma morte que apagará minha história, que esconderá o rosto de alguém que ninguém sentirá falta, que rabiscará um nome que nunca deveria ter sido escrito, um ser que nunca deveria ter sido gerado, uma alma que nunca deveria ter sido “soprada”.

Falta o fundamento. Falta o motivo. Falta a razão. Falta o sentido.

Viver pra quê? Depois que assisto ao filme fico pensando de que me serviu se não vi graça na história, se não ri das piadas, se não senti medo do sangue. Para quem contarei a história? O que me acresceu a trama? O que admirar se não consigo ver sentido na história romântica que o diretor renomado quis contar?

O mesmo acontece quando leio livros, escuto músicas, converso com pessoas. Existem algumas pessoas que nunca deveriam ter existido, são ridículas. Acho que eles pensam o mesmo de mim. Eu sou ridículo.

Dirão que me falta Deus. Dirão que me falta Esposa. Dirão que é carência. Dirão que é a crise da idade. Dirão que é o trabalho. Dirão que é a falta da família. Dirão tantas asneiras que não saberei o que é verdade e o que é mentira, mesmo sabendo que não existem verdades nem mentiras. Dirão que não tenho motivos para reclamar.

Acho que é isso. Está tudo tão bem que não vejo mais graça em nada. Nem em viver.


Jorge de Siqueira

21 maio 2017

Conselhos de um velho pai

Nesta noite eu acordei, assustado. Acho que era reflexo de algum pesadelo, mas só me lembro de ter sido demitido do emprego e não saber o futuro. Eu me lembro isso, do sonho (ou pesadelo), que eu estava "perdido" porque não tinha "futuro" profissional.

Acordei pensando nos filhos. O mais velho, formado, tem futuro onde quer que esteja, já que fez doutorado em matemática. Não pelo "doutor", mas pela profissão. Onde quer que vá morar será um professor de matemática, no mínimo.

Os outros dois filhos ainda estão em definição do futuro, apesar da idade avançada, academicamente falando.

O sonho me trouxe a realidade de que não sou nada sem a formação acadêmica, e quanto mais velho, pior será. Se eu fosse demitido hoje, o que faria? Todos os empregos que consegui foram através de concursos, ou seja, sou inteligente o suficiente para passar em concursos, mas não me formei.

Mas, quanto mais o tempo passa, quanto mais velho eu fico, mais a minha memória me trai. Estou lento para muitas coisas, mas principalmente no sentido de "paciência" eu estou ridiculamente prejudicado, pois não me concentro em nada, me irrito com pequenos barulhos e o pior é que não consigo me lembrar do que estudo.

E vocês, filhos, ficarão assim também, é inevitável.

A mensagem é: corram atrás, procurem se formar em algo que dê segurança hoje e sempre, aqui e no interior, aí e nas montanhas. Depois vocês podem até arriscar em experiências diversas, realizar os sonhos, brincar de viver, mas enquanto há juventude é bom aproveitar da "saúde".

É simples: sejam como o irmão mais velho ou como seu pai.


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