31 dezembro 2008

FELIZ 2009

Que o Novo Ano que se aproxima possa nos trazer entendimento, sabedoria e coragem para tornar real todos os nossos sonhos!

Eu te desejo:
Paz
União
Alegrias
Esperanças
Amor
Sucesso
Realizações
Luz
Respeito
Harmonia
Saúde
Fraternidade
Felicidade
Solidariedade
Confraternização
Humildade
Amizade
Sabedoria
Perdão
Igualdade
LiberdadeRespeito
Sinceridade
Estima
Fraternidade
Equilíbrio
Dignidade
Benevolência

Bondade
Paciência
Gratidão
Força
Tenacidade
Prosperidade
Reconhecimento

FELIZ 2009!!

FELIZ 2009 A TODO O MUNDO!!!














FELIZ 2009




FELIZ 2009

TERÇA INSANA



O GATO

28 dezembro 2008

SETE SEGREDOS

Sete vezes bebi veneno
Em nenhuma morri.
Mas, viciei...

Destilo
De palavras proferidas
De passos combalidos
De sorrisos mentirosos...

Bebo o néctar assassino em cálices de cristal...

Estou em perigo.
Faço rimas
Uso prismas
Que refletem o brilho de seus olhos verdes
Que me mata
Sem ao menos me tocar...

Venenos,
Segredos...

Sete segredos!
Bem guardados
Em caixas lacradas...

Os meus?
Venenosos segredos?
Eu já piquei em seu cérebro
E você nem sentiu...

Nem meu veneno te machuca...

Imune ao meu amor.
Imune ao meu veneno...

Só me resta um
Último e derradeiro veneno...

Será que você é imune ao calor de meu corpo?

Autor: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

COMO REALIZAR SONHOS...

Tenha coragem (e dinheiro) e embarque...


Veja tudo por cima (psicologicamente falando)...


Comemore sua chegada (mesmo que seja na escuridão)...


Trace suas metas (e corra atrás de realizá-las)...


E viva, apenas isso: Viva a vida!!!

25 dezembro 2008

PÁGINAS DE DIÁRIO - 03 - JANEIRO

O que o faz sentir-se tranquilo está certo. Comece certo e sentir-se-á tranquilo. Continue tranquilo e estará certo.

Destruído o homem pode ser. Derrotado, nunca.

Nem todo o uso de álcool leva ao abuso, porém todo abuso encontra o uso moderado na sua origem.

O homem irado sempre pensa que pode fazer mais do que lhe é possível.

Ser útil... É ser a pessoa certa no exato momento que se precise.

Abrir mão da realidade não é nada. Heróico é abri mão de um sonho.

A boa educação é moeda de ouro. Em toda parte tem valor.

Ainda que haja noite no coração, vale a pena sorrir para que haja estrelas na escuridão.

A pior velhice é a do espírito.

A gratidão é a memória do coração.

Querer vencer significa já ter percorrido a metade do caminho da vitória.

Para amar é necessário conhecer.

O silêncio é um amigo que nunca trai.

Faça o que é possível para um máximo de pessoas e deixe Deus encarregar-se do resto.

A maior vítima das maiores políticas foi Jesus crucificado.

É melhor merecer honrarias e não recebê-las do que recebê-las sem merecer.

A idade de ouro do ser humano não está atrás, mas diante de nós.

O futuro de um homem está escrito em seu passado.

Levar a vida recolhido não consiste em levar a vida triste.

A absolvição do culpado é a condenação do juiz.

Povo que nas juras do governo se fia, sonha de noite e chora de dia.

O maior erro é a pressa antes do tempo e a lentidão ante a oportunidade.

Maravilhas nunca faltam ao mundo; o que falta é a capacidade de senti-las.

Volta os olhos para ti mesmo e guarda-te de julgar as ações alheias.

Bondade é amar as pessoas mais do que elas merecem.

Lembre-se de saber sempre o que quer.

Coragem não é a ausência do medo mas sim a capacidade de enfrentá-lo.

FELIZ NATAL


13 dezembro 2008

FAROESTE CABOCLO - O LIVRO - CAPÍTULO 17

CAPÍTULO 17 - A PROPOSTA DO SENHOR DE ALTA CLASSE

João bebia cada vez mais. Voltou a fumar. Começou a faltar no emprego, principalmente na segunda-feira, quando estava com uma ressaca incrível, e muitas vezes virava a noite na bebedeira, com novos amigos que havia feito.

Estava ficando complicada a vida com João, mas Maria Lúcia tinha a esperança de que aquilo acabasse a qualquer momento e João voltaria a ser aquela pessoa maravilhosa que ele sempre foi.

Até o dia em que João recebeu uma visita.

Eram oito horas da noite, em um dia que João resolveu não beber e estava em casa. Maria Lúcia estava ao seu lado, no sofá, assistindo o jornal, quando alguém bate na porta. Maria Lúcia foi atender.

- Boa noite. É aqui que mora o João de Santo Cristo?

Maria Lúcia se admirou. Conhecia o nome completo do seu marido. João se levantou e foi até a porta.

- Sou eu.

- Boa noite, tudo bem?

Era um senhor bem vestido, aparentando mais de cinqüenta anos.

- Boa noite - disse João.

- Eu vim de Brasília. Conversei com seu amigo Pablo e ele me deu seu endereço. Não sei se você se lembra, mas eu te ajudei quando você começou a construir o seu prédio.

- Qual o seu nome?

- Dr. Everaldo. Sou militar.

João se lembrou do Doutor Everaldo e de como era influente. Lembrou de como ele o ajudara a iniciar todo o seu comércio. Sabia que era melhor escutá-lo.

- Entra, doutor, desculpa, mas eu não lhe reconheci.

- Que nada, João, já faz tanto tempo... Como você está?

- Tudo bem, doutor, mudei um pouco a minha vida, mas estou bem.

- João, tenho uma proposta a lhe fazer, mas precisamos conversar a sós. - disse isso, olhando para Maria Lúcia que estava sentada no sofá.

- Vamos para a cozinha.

Sentaram-se à mesa.

- Desculpa, doutor, eu não tenho o luxo que tinha quando morava em Brasília - desculpou-se João.

- Que é isso, João. Você sabe que eu não ligo para luxo.

- Mas, o que trouxe o senhor até aqui?

- João, estou precisando de um favor seu. Não quero que pense que estou cobrando nada do passado, mas preciso de uma pessoa de confiança para fazer uma coisa muito arriscada, e depois de pensar muito, cheguei à conclusão de que essa pessoa é você.

- Antes que o senhor fale mais alguma coisa, quero que saiba que estou mudado. Estou vivendo uma vida diferente da que vivia em Brasília.

- Eu sei, João, mas escute a minha proposta e pense a respeito.

- Fale, Doutor.

- Eu e mais cinco amigos, todos do alto escalão do governo, influentes em muita coisa, inclusive no mercado que vocês trabalham em Brasília...

- Trabalhava, doutor... - cortou João.

- Trabalhava! Então, todos os meus amigos são influentes, como eu, João. Precisamos providenciar uma série de atos que farão melhorar o nosso comércio, e estou precisando de você e de seus amigos.

- O que temos que fazer?

- Estamos tendo uma série de inconvenientes com alguns concorrentes nossos na área da educação, e precisamos criar uma situação em que as pessoas comecem a ter medo de freqüentar alguns tipos de estabelecimentos e virem nossos clientes.

- Doutor, o senhor está enrolando...

- João, precisamos criar um problema em uma série de colégios, e em alguns shoppings.

- Como assim, criar problemas?

- João, precisamos sabotar estas empresas.

- Sabotar como?

- Algo muito sério. Bombas.

- Onde eu entro nisso tudo?

- Temos o dinheiro que você quiser. O preço você vai mandar. Quero que você e sua turma coloquem estas bombas de maneira que crie tumulto na cidade, fazendo com que os estabelecimentos dos meus concorrentes sejam desmoralizados.

- Deixa ver se eu entendi? Eu e minha turma vamos colocar bombas em escolas de crianças e adolescentes e em shoppings, onde existem centenas de pessoas passeando e trabalhando, sem um motivo sério, ou seja, um motivo banal, onde o senhor e sua turma ganhariam mais dinheiro?

- É mais ou menos isso...

- E quer que mate alguém?

- João, tem que ter vítimas, senão, como ficariam desmoralizados?.

João ficou esquentado. Não acreditava na proposta daquele homem.

- O que o senhor está achando que eu sou?

- Um bandido que eu financei quando precisava de apoio financeiro e político.

- Eu já parei com tudo o que você está insinuando e não participo mais dessas coisas?

- João, você é um bandido. Nada mais do que isso. É um traficante, um assassino. João, nós já computamos quarenta e duas mortes a você e a seu bando. Talvez seja até mais. Se fosse feita a sua prisão você pegaria uma pena acima de cem anos.

João se enervou.

- O senhor está na minha casa. Queira se retirar.

Nisso, Maria Lúcia entrou na cozinha, preocupada com os gritos.

- Saia imediatamente da minha casa - disse João. - O senhor não devia brincar comigo assim. O que eu fui já não sou mais. Eu não quero saber do meu passado.

Doutor Everaldo levantou-se e ia seguindo em direção à porta, assustado com a reação de João, preocupado, não imaginando que o rapaz ficaria tão zangado. Mas, doutor Everaldo nunca havia recebido um não como resposta. Quando abriu a porta, dois seguranças seus, que estavam no carro vieram para o seu lado.

- Tudo bem, doutor? - disse um deles.

- Tudo bem - disse Doutor Everaldo.

E virando-se para João.

- João, eu vou te dizer uma coisa. Neste momento você acabou com a sua vida. Eu vou fazer tudo o que eu puder para te prejudicar. Tudo o que fiz a seu favor eu agora vou fazer contra. Você perdeu a sua vida. Eu tenho sua vida na minha mão.

João pulou para agarrar o homem, mas foi afastado pelos seguranças.

Doutor Everaldo foi para o carro com os seguranças e saíram.

João voltou para casa, percebendo que alguns vizinhos saíram na porta para ver o que estava acontecendo.

Já na sala, conversou com Maria Lúcia.

- Maria Lúcia, eu posso te falar?

- Fala, João. O que aconteceu?

- Maria Lúcia, eu tentei fugir do passado, mas não teve jeito. E olha que eu tentei o meu caminho, mas tudo agora é coisa do passado. Esse homem conseguiu me atrapalhar a vida. Quando eu achei que viveria bem, ele veio me oferecer dinheiro para fazer um atentado em Brasília. Ele acha que eu ainda sou bandido e me cobrou ajuda para ele. Nem quis saber que estou mudado.

- Calma, João. Não ligue para o que ele disse, vamos esquecer tudo isso e vamos viver a nossa vida.

Mas João estava muito nervoso. Preparou-se para sair.

- João, não me diga que você pretende sair? - disse Maria Lúcia.

- Vou dar um pulinho ali no bar da esquina e já volto. Só vou espairecer o juízo.

E saiu.

João só voltou quando o dia estava raiando. Maria Lúcia passou a noite toda acordada, apreensiva com o que poderia acontecer. João bebeu e fumou maconha.

Como chegou, dormiu e não foi trabalhar. Isso aconteceu durante toda a semana. Entrou em conflito com o seu passado e nem percebeu que estava se entregando à bebida e às drogas. No dia que usou cocaína resolveu ligar para o Pablo.

- Pablo, por quê você mandou esse general aqui?

- João, não foi possível disfarçar. Falei para ele que você era outra pessoa, tinha mudado, deixado os vícios, mas ele não quis saber. Falou que você precisava pagar o que ganhou no passado. E me pressionou tanto que ia acabar com tudo o que temos aqui, que não restou alternativa. O que aconteceu?

- Não vou nem lhe falar. O cara quer acabar destruindo toda Brasília. Queria pôr bomba até em banheiro de posto de gasolina... O cara estava loucão... Me jurou de morte...

- João, você discutiu com ele?

- Se discuti? Mandei aquele cuzão para puta que o pariu!

- João, você bebeu? Você usou drogas?

- Usei, Pablo, usei... Por quê? Vai me regular, também?

- João, quer voltar? Eu mando alguém te buscar...

- Fica na sua. Quando eu quiser voltar eu sei o caminho...

E nem deu tempo para Pablo responder, desligou o telefone.

João estava no bar, rodeado de amigos quando soube que o seu patrão, da carpintaria, havia mandado um recado para ele, que ele não precisava ir mais trabalhar. Soube até que seu patrão já havia contratado outro para o seu lugar.

O motivo para beber aumentou ainda mais.

Em casa, começaram os conflitos. Quando chegava, Maria Lúcia ficava perto de João, mas percebia que ele não queria mais conversa. Não conseguiam dialogar. Não eram mais carinhosos um com o outro.

Maria Lúcia falou primeiro:

- João, cadê seus planos? Você agora enche a cara e cai pelas esquinas... O que você pretende para o seu futuro?

- Aqui? Nada... Estou pensando em ir embora...

- João, não vá. Você vai abandonar nossos planos? Como vamos ter nosso filho?

- Nós nunca vamos ter esse filho, você sabe disso. O que eu tenho é só um emprego e um salário miserável. E agora, nem isso eu tenho mais...

- Você foi despedido?

- É o que falaram. Eu nem fui lá, naquele cara miserável... Patrão mesquinho...

João estava revoltado e Maria Lúcia sabia que precisa ir com jeito.

- João, não abandone a sua mudança. Você pode voltar a ser como era, quando veio para cá.

- Resolvi que vou embora, amanhã cedo.

Maria Lúcia chorou bastante naquela noite. Seu sonho estava acabando-se muito rapidamente. Sentia um amor incontrolável por João, mas sabia que ele precisava ir embora para aprender alguma coisa. Aprendeu que nada forçado dava certo.

No dia seguinte, João já havia arrumado as malas e estava na rodoviária. O ônibus chegou.

- Vai, se você precisa ir. Não quero mais brigar. Vou ficar aqui.

- Obrigado, Maria Lúcia, mas acho que é o que devo fazer.

- Sei que existe alguma coisa incomodando você. Mas, onde você estiver, sempre, saiba que eu lhe amo. Sempre vou lhe esperar. Prometo.

- Guardo um retrato seu... E a saudade mais bonita... - disse João. - Eu vou voltar. Espere e você verá.

Maria Lúcia começou a chorar.

- Pare, Maria Lúcia. Eu juro que não queria deixar você tão triste.

- Vai, João... Seu olhar não conta mais história...

- Eu juro que não foi por mal... Eu não queria machucar você...

- Sempre as mesmas desculpas...

João entrou no ônibus.

Maria Lúcia viu o ônibus indo embora.

"João, eu sei porque você fugiu... Mas não consigo entender porquê..."

12 dezembro 2008

GRANDES INVENÇÕES










REPETIR O AMOR

Eu te amo!
Você já sabe disso?
Eu sei, eu sei,
Eu vivo repetindo...

Todo mundo já sabe...

Mas é gostoso falar,
E é maravilhoso te amar...

Eu nunca amei assim, como eu amo você.
Já te falei isso?
Nossa!
Nem isso é novidade...

Sabe!
Um dia eu pensei que amava uma mulher.
Mas, não!
Eu não amava...

O que eu sentia era diferente...

O que eu sinto hoje, é diferente.
É mais forte, me domina,
Esquenta e me confunde...

Acho que o que eu sinto é amor.
Se não for
Deve ser maior que amor...

Eu me sinto bem.
Ótimo...

Acho que deveria ter amado antes
Da forma que te amo agora...

E eu quero mais...

Eu quero amar mais e mais.
Mas só quero amar você...

AUTOR: Jorge Leite de Siqueira

10 dezembro 2008

CERVEJA E BATATINHAS

PIADAS DO MAL

Sem preconceitos, falou?
Quem gostar, lê. Quem não gostar, vá para outro site...

1) Por que as surdas-mudas se masturbam apenas com uma mão?
- Porque com a outra elas gemem.

2) Como se chama um homem inteligente em Portugal?
- Turista.

3) O que tem quatro patas e um braço?
- Um pit-bull feliz.

4) Qual é a definição de 'fazer amor'?
- Uma coisa que as mulheres fazem enquanto os homens estão trepando.

5) Qual a punição por bigamia?
- Duas sogras

6) Porque o peido tem cheiro?
- Para que os surdos também possam apreciá-lo.

7) Qual é a semelhança entre os furacões e as mulheres?
- Ambos chegam quentes e úmidos, e quando vão embora, levam seu carro e sua
casa.

8) O que é que um Padre e uma árvore de Natal têm em comum?
- As bolas, que só servem para enfeitar.

9) Porque o 'Globo Esporte' não passa na Etiópia?
- Porque começa depois do almoço.

10) Qual é a diferença entre a Puta e o Sábio?
- Pelo sábio, passam muitas coisas pela cabeça, e pela puta, passam muitas
cabeças pela coisa.

11) Como é que um homem ajuda na limpeza da casa?
- Levantando os pés para a mulher passar o aspirador de pó.

12) Quando é que o homem abre a porta do carro para uma mulher?
- Quando o carro é novo, ou a mulher é nova.

13) O que foi que uma nádega disse para a outra?
- Que merda é essa que está acontecendo entre nós.

14) O que a merda disse para o peido???
- Vai na frente, que você tem buzina.

15) Qual a semelhança entre as mulheres e as geladeiras?
- É que nas duas, você coloca a carne para dentro e deixa os ovos na porta

16) Qual é a semelhança entre o 69 e um apartamento na Av.Paulista?
- Ambos são maravilhosos, mas a vista é um cu.

17) O que dá um cruzamento de um cearense com um argentino?
- Um porteiro que acha que é dono do prédio.

18) O que é o que é? Muda de cor, anda para trás e come criancinhas?
- Michael Jackson

FAROESTE CABOCLO - O LIVRO - CAPÍTULO 16

CAPÍTULO 16 - O AMOR DE JOÃO DE SANTO CRISTO

O amor que João sentia por Maria Lúcia superava a necessidade de bens e dinheiro. Maria Lúcia era independente e morava sozinha já há alguns anos. Havia se mudado para a cidade a fim de estudar e resolveu não voltar mais para casa. Já estava com vinte e três anos. Passou a morar com Suzi há um ano, com quem dividia todas as despesas, até que resolveu morar com João.

João e Maria Lúcia ganhavam o suficiente para o aluguel, as despesas da casa, e tinham uma vida normal, como qualquer família. A dificuldade em comprar móveis, em guardar dinheiro, em pagar as contas, era imensa, já que combinaram em não usarem nada do passado de João, que consideravam que foi ganho de forma errada, já que vieram das drogas.

Se amavam e achavam que só isso bastaria. O amor é inexplicável.

O dia-a-dia dos dois era só romance, amor e cheio de carinho. Certo dia Maria Lúcia foi deitar-se:

- João, deita aqui, perto de mim.

Ele não resistiu. Estava preparando suas roupas para o dia seguinte, mas não queria desperdiçar qualquer momento dos braços de Maria Lúcia.

- Você é a mulher dos meus sonhos.

- E você é mais do que os meus sonhos.

Beijaram-se com todo o carinho possível.

- João, eu lhe amo. Não imaginava ser possível me apaixonar dessa forma.

João ficou feliz com as palavras de Maria Lúcia.

- Eu também lhe amo demais. Nunca senti isso por ninguém. E não sabia que era tão bom.

E a abraçou.

- Maria Lúcia, quero te amar sempre mais e mais. Nunca deixe diminuir esse amor. Hoje eu quero fazer tudo por você! E sempre vai ser assim, você pode apostar.

- Sou tua deusa, meu amor.

Tiveram uma noite maravilhosa, onde amor e sexo formam uma coisa só, como se só existissem os dois em todo o mundo e ao mesmo tempo como se o mundo fosse acabar dali a uns poucos instantes.

E João percebia todo o amor que sentia por Maria Lúcia. Todos os minutos eram pouco para fazer todo o carinho que aquela mulher merecia.

Maria Lúcia retribuía o carinho de João, feliz por ter encontrado a sua outra metade.

Algumas vezes, Maria Lúcia costumava esperar João no portão de sua casa. João saía às seis da tarde e como morava perto, em vinte minutos estava em casa.

- Meu amor, o que foi? Aconteceu alguma coisa?

- Não, só estou te esperando.

- Mas, não é preciso. Os vizinhos podem comentar.

- Se fiquei esperando o meu amor chegar, o que eles tem a ver com isso?

- Você tem razão, eu amo você.

Abraçaram-se e entraram.

Certo dia, João voltou com um presente para Maria Lúcia.

- Adivinha o que eu trouxe para você? - disse João, mostrando uma pequena caixa.

Maria Lúcia pegou a caixa. Não era pesada, mas havia alguma coisa viva dentro. Maria Lúcia já esperava o melhor.

- Não acredito! Você é louco... Você comprou... - dizia, abrindo a caixa. - Que lindo.

Era uma cachorro lindo, de raça Basset, marrom com manchas brancas.

- Adorei!

Beijou João, tirando aquele filhotinho da caixa.

- Que nome vamos dar a ele? - perguntou João.

- Não sei... Que tal Lulu?

- Lulu já tem um monte. Nem Lili, que é nem de cadela, e ele é muito macho.

Riam a valer com o cachorrinho. No final das contas deram o nome de Nick em homenagem a um cachorrinho que a família de Maria Lúcia teve quando ela era pequena.

O Nick corria por toda a casa, fazendo a felicidade dos dois.

- João, você é maravilhoso - disse Maria Lúcia.

- Eu te amo, Maria Lúcia - falou João.

E beijaram-se, trocando carinhos.

- Eu te amo - disse Maria Lúcia. - Eu te amo. - Eu te amo. - Eu te amo. - Eu te amo. - Eu te amo.

- Calma! para que tanto?

- O tempo passa rápido e eu não quero perder tempo!

- Sossega! Temos todo o tempo do mundo.

- Mas eu lhe amo tanto e não sei até quando ficaremos juntos. E se eu morrer? E se você for embora?

- Você não vai morrer nunca. Eu te amo muito e nunca vou deixar você morrer. Eu morro em seu lugar. E só assim eu vou embora. E quando eu for embora, não chore por mim.

- João, eu te prometo. Se você morrer antes de mim, eu me mato para lhe acompanhar para sempre por toda a eternidade.

Abraçavam-se, beijavam-se e sentiam o amor diretamente na alma. Sabiam que aquilo seria eterno.

Naquela noite, João não conseguia dormir. Ficou acordado pensando em como estava feliz.

Olhava para Maria Lúcia, dormindo ao seu lado, seu rosto lindo. Lembrava dos momentos de violência, drogas, sexo e coisas ruins que passou em toda sua vida. Foi difícil chegar até ali. Fugir dos vícios, a princípio não foi fácil, mas, o amor que sentia por Maria Lúcia conseguiu ser maior do que a necessidade de usar drogas e bebidas.

Não bebia mais. Nem fumar, ele fumava.

O dinheiro não estava fazendo falta, e nem o luxo que tinha no passado o fazia duvidar de que seria feliz. Aquela mulher era a razão de sua felicidade.

Começou a chover. João adorava a chuva. Maria Lúcia se impressionava como João gostava dos pingos de chuva caindo nas poças d'água, na terra, em seu corpo.

João, que por toda sua infância não via tanta chuva por morar em um lugar castigado pela seca, não conseguia esconder o prazer que tinha com a chuva.

João foi até a janela, ficou olhando a rua, com suas luzes, e a chuva batendo na janela.

Olhou para Maria Lúcia, dormindo. Sorriu. Ela se mexeu. Olhou para ele, meio sonolenta.

- Meu amor, não dormiu ainda?

- Gosto de ver você dormindo. Que nem criança, com a boca aberta. Você é linda. Você e a chuva que cai lá fora.

Maria Lúcia espreguiçou-se, levantou-se e abraçou João. Encostaram os dois na janela e ficaram olhando a chuva.

- Gosto dos pingos da chuva - disse João.

- Eu sei, meu amor, eu sei... Você me disse isso quinhentas vezes. E eu adoro a chuva porque você também adora. E eu gosto dos relâmpagos e dos trovões, também...

Beijou João.

- Estou com sono. Vamos dormir! - Maria Lúcia carregou João.

Com seis meses de convívio, João já pensava no futuro de sua família.

- Maria Lúcia, eu quero um filho seu!

- Você acha que a gente deve, João? Não será muito cedo. Vamos aproveitar mais um pouco...

- Um filho seria um troféu para nós. - disse João.

E a partir daquele dia começaram a preparar a chegada de um filho.

A partir desse dia Maria Lúcia deixou de evitar a fecundação. Estava nas mãos de Deus. Estava no seu relacionamento. Tudo sairia normalmente.

João era o mais empolgado. Quando tinha um momento de paz ficava pensando em como seria o filho, como o chamaria, aonde iria com ele, e todas as idéias que um pai poderia fazer com o filho.

- Meu filho vai ter nome de santo - dizia João, para Maria Lúcia.

- Sei, João, sei... - brincava Maria Lúcia.

- Acho que vou chamar de Abel. Ou então Daniel!

- João, Abel e Daniel são nomes bíblicos mas não são nomes de santo.

- Então vou chamar de Igor.

- Muito menos. Igor também não é nome de santo. E nem é nome bíblico.

- Ah, sei lá... Quero o nome mais bonito.

Maria Lúcia ficava feliz com a alegria de João.

Mas, o tempo ia passando e nada de Maria Lúcia engravidar.

- João, será que temos algum problema? Já parei de evitar o filho há uns cinco meses. Não é bom a gente fazer um exame?

- Ah, deixa disso, Maria Lúcia. Você vai engravidar a qualquer momento. Vamos treinar?

- Ah, João, deixa de ser bobo...

E se abraçavam, se beijavam e acabavam treinando.

Mas, nada. Maria Lúcia achava que o problema estava com ela.

- João, acho que nunca vou engravidar.

Ele já não estava tão empolgado como antes. Sabia que alguma coisa estava errada, mas, onde estaria a falha? Será que Maria Lúcia não poderia engravidar? Mas João não aceitava que fosse ele quem tivesse algum problema de saúde. Não queria fazer o teste.

Maria Lúcia se desculpava.

- Por favor, amor, acredite. Não há palavras para explicar o que sinto...

- Deixa disso, Maria Lúcia, estar contigo é o bastante.

João abraçou Maria Lúcia e viu como ela sofria em querer lhe dar aquele filho e percebia que precisava fazer alguma coisa.

- Maria Lúcia, não fica assim. Vamos fazer uma festa? Uma pequena reunião de amigos?

Maria Lúcia olhou para João. Sabia que ele estava tentando consolá-la e ficou feliz em saber que ele ainda gostava dela.

- O que podemos fazer, João?

- Já sei, vamos chamar nossos amigos, a gente faz uma feijoada.

E assim foi feito. Naquele sábado apareceram todos os amigos de João e Maria Lúcia para uma feijoada que eles cozinharam. João ajudou a Maria Lúcia enquanto ela cozinhava.

- Vem cá, meu bem. É bom te ver alegre. Está tudo bem, acredite - disse João.

João serviu algumas cervejas para os amigos, e com tanta insistência ele colocou um copo para ele também. Depois de tanto tempo João estava bebendo novamente.

Maria Lúcia via João bebendo, mas não se incomodou. Ela sabia dos problemas que ele teve no passado, mas não achava que João mudaria tomando alguns copos de cerveja, afinal, os seus amigos também estavam bebendo.

Mas, depois de um ano e três meses de casado, João se embebedou pela primeira vez. Não fez nenhum escândalo, mas a partir deste dia, começou a beber novamente.

Quase um mês depois, Maria Lúcia sentia que João estava sofrendo porque ela não podia ter o filho que ele tanto desejava. Conversavam a respeito, mas João sempre dava as desculpas normais e não aceitava fazer exames.

Maria Lúcia fez exames e descobriu que ela não tinha problemas. João, ao contrário, não aceitava fazer os exames e se afundava mais na bebida. Começou a chegar mais tarde em casa.

Um dia chegou em casa com um cheiro diferente. Maria Lúcia sentiu que João havia fumado maconha.

- João, você não está pensando em ter os problemas que tinha no passado, está?

- Deixa disso, Maria Lúcia, estou numa boa.

- João, você fumou maconha...

- Fumei, sim, mas maconha não vicia. Fica tranqüila. Não se preocupe comigo. Se preocupe com você.

- O que você quer dizer, João?

- Nada, nada...

- Você está insinuando alguma coisa sobre o nosso filho, não é?

João se calou.

- Pois fique sabendo que fiz os exames e não tenho problemas...

- Você fez os exames, escondida?

- Fiz, João, e não tenho nada. Por quê você não faz os exames, para fazermos um tratamento e termos o nosso filho?

João saiu de perto de Maria Lúcia. Achava que não devia fazer o exame. Ele não tinha nada. Era mentira dela. Ele sabia que ela estava mentindo.

E cada vez mais se aprofundou na maconha e nas bebidas. Agora o dinheiro não dava, mesmo, para pagar todas as contas e despesas da casa.

Foi nessa época que resolveu ligar para o Pablo.

- Alô, Pablo?

- João, não acredito, cara, você tá vivo?

- É, cara, quem está vivo sempre aparece? Como vão as coisas?

- Mais ou menos, João, e com você?

- Aqui também está mais ou menos. Pintou a saudade e resolvi te ligar. Como está o movimento?

- João, nada bem. Sabe aquele pessoal do Rio de Janeiro que tinha mandado aqueles dois caras, que você deixou só um voltar?

- Lembro, Pablo, um voltou vivo, você diz?

- Cala, João, sei lá os grampos dos telefones...

- Que quer dizer? Não está amparado pelo pessoal de cima?

- Perdemos um bocado do nosso poder. Uma parte do pessoal que nos apoiava deixou a gente, João. Estão com os caras do Rio. Eles já tomaram metade do nosso movimento. Está ficando difícil.

- É mesmo, Pablo, e o que você fez?

- João, você sabe que eu não sou igual a você. Estou fazendo o possível, mas não está dando para controlar todo mundo.

- E o nosso pessoal, está unido contigo?

- Que nada, João, tem um pessoal que continua do nosso lado. Outra turma virou para o lado dos caras. Quando é que você vem por estas bandas, João? Estamos precisando de você. Por quê você não volta?

- Não quero saber mais dessa vida, Pablo, agora quero outros lances.

- João, você nasceu para isso, não pode fugir do seu instinto.

- Mas vou tentar, Pablo, eu vou tentar... Um abraço. Dê um abraço em todo o pessoal. Quando der eu dou um pulo aí, falou?

- Está jóia, João. Um abraço.

João desligou e ficou pensando em como Pablo havia permitido o pessoal do Rio tomar conta da metade do movimento.

A partir daquele dia João não agüentava mais de vontade de ir embora.

08 dezembro 2008

VAMOS DAR AS MÃOS, VAMOS LÁÁÁÁÁ...

FAROESTE CABOCLO - O LIVRO - CAPÍTULO 15

CAPÍTULO 15 - A VERDADEIRA PAIXÃO

Em Porto Seguro deu tudo certo. Com as dicas de Eduardo tudo foi melhor. Em primeiro lugar ele mandou os rapazes ficarem no Arraial d'Ajuda, onde o índice de drogas e mulheres era muito maior do que Porto Seguro. Eduardo disse: "A juventude fica no Arraial. Os velhos em Porto Seguro." E realmente era verdade.

- Natinho - disse João, de papo para o ar, na praia. - Eu sou um pássaro. Me trancam na gaiola. Aqui, não! Aqui estou livre. Que delícia!

- Não te falei que você ia gostar?

- Estava precisando disso. Nada como umas férias. Você viu como aqui tem mulher bonita?

- E não estamos nem na temporada.

- Rapaz, quanta bunda!!!

E João ficava admirando o que ele mais gostava: mulheres. No final da primeira semana, João e Natinho já conheciam todos os macetes do Arraial d'Ajuda. Sabia que na Broduei, a rua dos bares, era fácil encontrar um baseado. Depois, a caça às garotas acontecia entre a Broduei e o Shopping, um pequeno comércio do local, onde havia uma série de bares. João rodava entre os bares até encontrar a garota que ele queria. Era um garanhão. Chegava a namorar até três garotas em uma noite.

Natinho ficava mais tranqüilo, apenas acompanhando João nos baseados e na bebida. Na hora da caça, cada um por si, mas Natinho era tímido e ficava na dele.

- Vamos lá, Natinho, tanta mulher e você aí, devagar para caramba... - dizia João, brincando com Natinho.

- Deixa para lá, João, na hora certa a minha princesa vai aparecer - se desculpava Natinho.

À tarde, João gostava de ir para a Barraca do Parracho. Era a barraca de praia mais movimentada do Arraial. Lá, escolhia sua mesa e descia bebida, tanto para ele quanto para os amigos nativos. Em poucos dias João já tinha uma amizade muito grande.

Mas, naquele domingo, tudo mudou. João estava há pouco mais de meia hora na praia. Já passava das três horas quando apareceu aquela morena. Cabelos longos, corpo escultural, olhos verdes. Era uma mulher linda, que se destacava muito das outras, parecendo ter um brilho diferente de tanta beleza.

Ela chegou, escolheu uma mesa afastada a três mesas de João, colocou sua bolsa na mesa, tirou os óculos escuros, balançou a cabeça, arrumando os cabelos. De costas para João, levantou a sua camiseta, lentamente, tirando-a. Ainda de costas, abaixou lentamente sua saia, revelando um pouco mais de sua beleza.

João parecia hipnotizado por aquela mulher. Bronzeada, parecia uma deusa. Viu quando ela estendeu uma toalha sobre a cadeira de sol e se deitou, de bruços. João não percebia malícia naquela mulher, era uma coisa natural.

João tremeu na base. Nunca houve uma mulher que João não conseguisse conquistar, mas essa mulher era especial. Precisava preparar alguma coisa a mais, porque ela merecia.

Pensou em como se aproximar. Após alguns minutos que ela estava em sua cadeira viu quando outro rapaz se aproximou, puxando conversa. A mulher tinha o sorriso mais lindo que ele já vira. Mas, estava acompanhada.

João percebeu que não teria chance, até que o rapaz levantou-se e saiu. A mulher continuava natural, com seu rosto demonstrando muita calma, sem aborrecimentos. Era sinal que conhecia o rapaz que havia se aproximado.

João se levantou e sentou-se na cadeira ao lado dela.

- Oi - falou João.

- Oi - ela respondeu.

João engoliu seco. Que voz maravilhosa.

- Venho todos os dias aqui e nunca te vi. Quando você chegou?

- Cheguei hoje - ela respondeu.

"Ela parece não querer conversa", pensou João, "mas porque está sorrindo?"

- Você é de onde?

Ela ficou séria por um instante.

- Qual o seu nome? - ela perguntou.

- João. João de Santo Cristo.

- Eu sou Maria Lúcia. Você é de que estado?

- Eu sou de Brasília... E você... - João parecia um boneco nas mãos de Maria Lúcia.

- Que coincidência. Eu sou de Goiás...

Maria Lúcia voltou a sorrir. E João voltou a dominar.

- Você está tão... bronzeada... Você chegou hoje?

- É que estava há dez dias em Morro de São Paulo. Conhece?

- Não... Ainda não... - respondeu João, perdendo o domínio, novamente.

- Você está de férias?

- Mais ou menos. Tenho um comércio próprio e resolvi passear por uns dias - João resolveu esnobar um pouco. - Sabe como é, né, devemos gastar um pouco, de vez em quando, e não só ganhar... Né?

Maria Lúcia voltou a ficar séria. Não respondeu a João. João percebeu que aquele tipo de demonstração de poder não a conquistaria.

De repente, o rapaz que cantava na barraca começa a tocar uma música famosa, que fala das areias de Itapoã. João percebeu que Maria Lúcia prestou mais atenção à música.

- Que música linda, não? - perguntou João.

- Linda... Dá vontade de voar...

Falou assim e parecia indefesa. João neste momento queria tê-la nos braços, apertá-la e protegê-la. João olhou para Maria Lúcia e não soube reagir.

- Você é tão diferente - João falou.

- Diferente? Como?

- Eu não sei... Eu me sinto tão bem ao seu lado... Parece que te conheço a tanto tempo, mas ao mesmo tempo não sei nem ao menos reagir ao seu encanto.

Maria Lúcia sorriu. Um sorriso sedutor, que faria qualquer homem se entregar completamente.

- Olha, João, eu digo o mesmo. Parece que te conheço de algum lugar. O que você faz em Brasília. Não me diga que é Deputado? - brincou.

- Tenho uma empresa. E uma série de imóveis. Na verdade, sou sócio de um amigo, inclusive ele está no controle dos negócios, agora, enquanto estou aqui, de papo para o ar.

Maria Lúcia ficou novamente séria. João notou que não a conquistara, como achava, a poucos instantes.

- Mas é por pouco tempo... - emendou João. - Preciso voltar para fazer a minha parte.

Notou que Maria Lúcia ficou impaciente. Estava começando o axé.

- João, vamos dançar? Você curte axé?

- Nunca gostei... Quem sabe hoje eu não aprenda o que é gostar, de verdade...

E foram. No palco montado na barraca começaram um série de apresentações de dançarinos de axé e de outros ritmos do verão. João ficou ao lado de Maria Lúcia balançando-se ao ritmo da música, tentando acompanhar a coreografia que os dançarinos faziam. Maria Lúcia dançava bem. João, apesar de seu corpo, sua cor, e toda sua desenvoltura, ficava devendo. Quem sabe com um pouco mais de treino?

Após o axé, Maria Lúcia e João voltaram para a mesa, agora, juntos. Natinho ficou na outra mesa, sozinho como sempre.

- Você tem namorado? - João perguntou.

Maria Lúcia não falou nada. Fingiu que não escutara.

- João, eu vou subindo.

- Já? Fique mais um pouco...

- Não... Está na hora... Já vai escurecer...

- A gente se vê?

- Quem sabe!

- Daqui a pouco?

- Quem sabe?

- Aonde?

Maria Lúcia simplesmente se vestia enquanto João se desesperava.

- Tchau... Gostei de você, mas... Tchau, João...

E saiu.

João não conseguiu nem segui-la, de tão espantado que estava. Voltou para sua mesa, onde estava Natinho.

- Natinho... Eu não sei o que me aconteceu...

- Está passando mal, João? - Natinho perguntou, levantando-se.

- Não, não é isso... Eu não sei o que é...

Natinho entendeu o que era. João havia sido dominado por uma mulher. Nunca vira aquilo.

- João, quem era ela?

- Uma deusa... Um anjo... Sei lá, Natinho. Acho que meu coração não me pertence mais...

- Como está romântico...

João estava mais do que romântico. Estava apaixonado por uma mulher que ele não sabia se iria ver de novo. Como encontrá-la?

Subiram para a vila. Foram à pousada. Natinho acendeu um baseado, mas João não quis. Apenas se preparou para uma noite de amor com uma linda mulher. Um banho, um perfume, boas roupas e dinheiro no bolso. O resto, Deus lhe deu. A perfeição de um homem bonito.

Saíram, já era quase onze horas da noite. Foram aos diversos bares do lugar. Em nenhum deles encontraram Maria Lúcia. João estava impaciente. Não via nenhuma outra mulher, não queria beber, não conseguia ficar em um lugar apenas.

Andava e andava... Procurava... e nada.

Resolveram comer uma pizza na Pizzaria Caminho da Praia, a melhor pizzaria do Arraial. Foram atendidos pela dona, a Marlene, que indicou alguns bares legais que ela mesma freqüentava. Ao final, eles escolheram parar um pouco num lugar que eles já conheciam.

- João, vamos ficar aqui, neste bar. O Beco das Cores é legal. Olha lá o Rafael e sua mãe, Neca. O Árabe é o um dos melhores lugares do Arraial. Estão tocando rock. Olha que som legal! Vamos tomar alguma coisa?

João foi com Natinho ao Árabe. Rafael veio atendê-los.

- E aí, Natinho? João? Como vão?

- Tudo bom, Rafael? E os bebês?

- Estão ótimos. O que vai ser hoje? - disse Rafael, filho da dona do bar, pai de gêmeos aos quinze anos.

- Traz o de sempre.

Rafael trouxe, mas João não bebeu.

- João, o que você tem?

- Não sei, cara, não sei...

A noite demorou para passar para João. Não encontrou Maria Lúcia, e nem ao menos sabia como encontrá-la. Já passava das duas.

- Natinho, vamos ao lual?

- Mas, João, você não gosta disso!

- Mas hoje eu quero ir...

- Vamos... Rafael!!!

Pagou a conta e foram.

Na própria Barraca do Parracho acontecia o Lual. Não encontraram Maria Lúcia, também, entre as centenas de mulheres que ali se encontravam. E, para surpresa de Natinho, João não quis sair com nenhuma delas.

- João, você está doente?

- Só se for!

João dormiu mal. Queria encontrar Maria Lúcia. Sabia que precisava dominar aquela mulher e ela seria dele para sempre. Precisava encontrá-la.

No outro dia, foi mais cedo para a praia. Ficou na mesma mesa, na mesma barraca. Perto das três horas ela chegou. Maria Lúcia, com sua beleza aproximou-se de João, falou um oi, simples, como se não estivesse nem reconhecendo-o. João ficou louco. Queria voar em cima daquela mulher, mas se segurou.

- Natinho, eu não sei, mas estou inseguro com essa mulher.

- Ahá! Alguém mexeu contigo! Cuidado, não vá se apaixonar...

- Apaixonado? Eu? O João garanhão? Sai para lá...

Mas, João sabia que o negócio era diferente. Não era mais o mesmo.

Na primeira oportunidade, se aproximou.

- Oi, Maria Lúcia. Tudo bem?

- Oi, João, tudo ótimo. E com você?

João ficou feliz pois ela havia lembrado seu nome.

- Tudo bem. Lhe procurei ontem e não achei. Que lugar você ficou?

- Ah... Ontem eu fiquei na pousada... Não tava a fim de sair.

João parecia um menino. Observava a sua angústia em achar Maria Lúcia e ela nem aí, nem ligando para ele.

- Pois é... - falou João. - Eu dei umas voltas, desci até para o Lual... Estava legal... Bastante gente. Você vem ao lual?

- Não gosto de Lual, João. Eu não gosto desta azaração... Gosto de um lugar mais calmo, mais tranqüilidade, entende?

"Entendo, entendo..." João quase gritou.

- Mais calmo? É... Aqui é difícil... - apenas respondeu.

Conversaram bastante. Neste dia não dançaram axé. Maria Lúcia não bebia nada alcoólico e João resolveu também não beber. Maria Lúcia não fumava e João resolveu não fumar. Afinal, João seria até um escravo para aquela mulher, se ela pedisse.

Na hora de ir embora, aconteceu a mesma coisa.

- Vamos nos ver, hoje?

- João, hoje não vai dar... Acho que vou descansar...

- Posso ir em sua pousada, conversar um pouco mais?

- Hoje, não, João. Outro dia, quem sabe!

E foi.

João ficou triste. Não conquistou Maria Lúcia. Era a primeira mulher que não cedia aos seus encantos.

Voltou para sua mesa.

- Natinho, alguma coisa está errada.

- O que foi, João?

- Eu não consigo conquistar esta mulher. O que estou fazendo errado.

Natinho sabia o que estava errado, mas receava falar com João.

- João, na verdade, você conheceu uma pessoa diferente...

- Como assim... Diferente, como?

- Essa mulher não é como as outras, que se apaixonam pelo que você tem, pelo que você representa. Ela pode se apaixonar pelo que você é.

- Pelo que eu sou? E o que eu sou?

- Você é uma pessoa boa, uma pessoa que ajuda, trabalhador, honesto, calmo e que gosta de coisas boas.

- Natinho, você sabe que eu não sou assim! Então, ela não gosta de mim!

- João, você pratica muito boas ações. Só não percebe. Ajuda instituições de caridade, não ajuda?

- Só três. Mas é para lavar dinheiro...

- Não quero saber. O que você ajuda é contado. Você ajuda a pagar a clínica de Clarisse, lembra?

- Ah, mas e as coisas ruins, as pessoas que matei, as pessoas que bati...?

- João, você não pode só pensar nisso. Aprenda a ver as coisas com o coração. Quem sabe não chegou a sua chance de aprender mais um pouco. Aprender a amar. Aprender a usar o coração.

João ficou pensando naquelas palavras. Não saiu à noite. Dormiu mais cedo e no dia seguinte, pela manhã, resolveu caminhar na praia. Andava calmamente, sentindo o vento em seu rosto, o sol em seu corpo e a água, ainda gelada, em seus pés.

Alguém o alcançou. Era Maria Lúcia.

- Oi, João, logo cedo na praia?

- Oi, Maria Lúcia - disse João, abrindo um lindo sorriso. - Que alegria te encontrar.

- Eu também digo isso, João.

Caminharam um pouco, sentindo o vento, sentido a areia, sentindo a água do mar...

- João, você vê que esta cidade dorme até tarde? Aqui é tão diferente...

- É, Maria Lúcia. Aqui é muito diferente...

João parou, pegando no braço de Maria Lúcia. Ela parou, de frente para João. Estavam sozinhos e aconteceu o primeiro beijo.

- João... - disse Maria Lúcia, abraçando-o.

- Maria Lúcia. acho que estou apaixonado por você! - disse João, como nunca havia dito em sua vida.

Maria Lúcia ficou séria. Já tinha vinte e dois anos e era experiente. Sabia que não podia acreditar em tudo, muito menos em uma coisa criada em tão pouco tempo.

- João, eu também gostei de você, desde quando o vi.

João pensou em como era uma mulher. Apesar de ter gostado de João ela não tinha demonstrado isso. João achava que agora tudo seria fácil.

Mas, não seria. Maria Lúcia o chamou:

- Vamos voltar, meu ônibus está saindo daqui a pouco.

- Seu ônibus? Você já vai embora?

- Daqui a pouco, João... Daqui a pouco.

- Não pode ser... Fique um pouco mais...

- Não posso, João. Tenho que trabalhar depois de amanhã. Estou de férias e não posso ficar mais.

João não sabia o que falar. Voltou com Maria Lúcia, foi até sua pousada.

- João, até aqui está bom. Não é bom você entrar...

- Por quê não?

- Não é isso que queremos. Você sabe disso!

João não sentia mais vontade de transar com Maria Lúcia como fazia com todas as outras. Queria Maria Lúcia em seus braços, com beijos, carinhos, e queria a retribuição. Queria senti-la em seus braços.

Abraçou demoradamente Maria Lúcia. Ela o havia conquistado.

- Como posso te encontrar em Goiás?

- Vou te dar meu telefone. Quando você quiser, me liga.

E escreveu o número em um papel. João também escreveu o seu número.

Despediram-se.

João voltou à sua pousada com uma cara de que havia morrido uma pessoa que ele gostava demais, mas ao mesmo tempo tinha o brilho nos olhos quando olhava aqueles números. Aquele telefone poderia significar a sua verdadeira felicidade.

Dois dias depois João já estava chamando Natinho para voltarem. Não conseguiu mais beber, nem curtir, nem usar nenhum tipo de drogas. Não namorou mais e só pensava em Maria Lúcia.

Voltaram no dia seguinte. No mesmo dia em que chegou em Brasília ligou para Maria Lúcia. Ela não estava em casa, estava trabalhando. Ficou de ligar à noite.

À noite ligou.

- Oi, Maria Lúcia, sou eu, o João.

- João...?

- É... lá da Bahia... Lembra?

- Lembro. Mas você já voltou?

- Já, e quero te encontrar. Me dá seu endereço?

- Calma, João. Você vem para cá?

- Agora mesmo, se você quiser...

Maria Lúcia ficou feliz, mas o telefone escondia o seu sorriso. Ela também havia se apaixonado por João.

- Anota João. Mas, não precisa tanta pressa. Fica um pouco longe.

E passou o endereço.

- Não é tão longe, assim! Amanhã, mesmo, estou aí...

Conversaram ainda mais de meia hora, sempre João puxando um assunto diferente, como se não quisesse desligar. Por fim, desligou.

Nem se preocupou com o Morro, nem conversou com Pablo sobre o que tinha acontecido, nem se preocupou com os problemas que podiam estar ocorrendo nos pontos de tráfico. Arrumou-se e no dia seguinte partiu. Foi em seu carro, ele mesmo dirigindo.

Quando chegou, foi logo ao endereço que Maria Lúcia havia passado. Era um domingo e Maria Lúcia estava esperando.

- Entre, João.

João entrou e conheceu a colega de casa de Maria Lúcia. Moravam juntas, onde dividiam os afazeres e as despesas da casa.

- Então você é o João? Ouvi tanto falar seu nome aqui que quase enlouqueço. Meu nome é Suzi.

- Prazer Suzi. Estavam falando bem ou mal?

- Bem... Muito bem... - brincou Suzi.

Maria Lúcia abraçou João e o levou até a sala. Conversaram bastante, até que Maria Lúcia achou que seria bom para João encontrar um hotel para passar os dias que ficaria por ali.

João esperava ser convidado para ficar em sua casa, mas, tudo bem.

Perto de onde Maria Lúcia morava, havia um hotel, pequeno, mas muito bom.

Os dois, juntos, fizeram a reserva do quarto, subiram, abriram a porta, entraram e Maria Lúcia arrumou as coisas de João.

João a abraçou e pela primeira vez, tentou ir além do abraço. Com as mãos, acariciou suas costas, descendo um pouco mais...

- João, calma, ainda não... - disse Maria Lúcia.

João estava entregue. Obedeceu cegamente. Beijou-a, fez carinho em seus cabelos, sentia os braços daquela mulher.

- João, estou indo. Amanhã a gente se vê, ok? Trabalho meio período, apareça às três da tarde que já estarei em casa.

- Está cedo, fique mais um pouco!

- Hoje, não. Quem sabe outro dia.

Beijou João e saiu.

João deitou na cama, ainda vestido e sentiu-se diferente, como se houvesse sido atingido por um raio de paz, de uma coisa que não se lembrava de jamais ter sentido em sua vida.

No dia seguinte se encontrou com Maria Lúcia. Ela estava linda, como também estaria nos dias seguintes. Apenas no oitavo dia em que João estava em Goiás, Maria Lúcia se entregou a ele.

Tudo aconteceu no quarto do hotel de João, naturalmente, de todas as formas, menos da forma que João imaginaria acontecer. Nunca havia passado momentos tão bons com uma garota. Sempre pensava em sexo, mas, desta vez, o sexo estava ligado ao amor.

Maria Lúcia o conquistou completamente.

Um mês depois já tinham alugado uma casa e passaram a morar juntos.

- João, não sei se é melhor você abandonar tudo e ficar aqui. Será que você vai se acostumar? - disse Maria Lúcia, uma semana antes de alugarem a casa.

João havia falado de sua vida para Maria Lúcia. Falara de seu comércio, falara de seu passado e prometera-lhe um futuro. Resolveu abandonar o crime, resolveu abandonar as drogas, parou de beber e até abriu mão do negócio em favor de Pablo.

Voltou a Brasília apenas para falar pessoalmente com Pablo o que estava planejando.

- É isso mesmo, Pablo. Resolvi mudar o rumo da minha vida.

- João, você não vai agüentar essa vida.

- Vou, Pablo, agora eu sei que posso! Encontrei uma razão para mudar toda minha vida. Quero um futuro. Acho que o meu futuro, da forma que estamos indo, não é bom para mim.

- João, você quem sabe. Quando quiser voltar, a sua parte estará garantida.

- Não quero, Pablo. Tudo o que existe é seu. Vou recomeçar. Quero até sofrer, se for o caso, mas não quero levar nada do que existe neste passado sujo.

E voltou para Goiás.

Uma semana depois já estava trabalhando em uma carpintaria perto da casa que alugaram. Maria Lúcia trabalhava também, como balconista, ganhava pouco, mas ajudava em casa. O salário de João era muito pequeno, mas o seu coração estava feliz, e isso bastava.

ESCREVER É UMA ARTE




IMAGENS





SANTOS LIVRE DO REBAIXAMENTO

BRASILEIRÃO 2008

CLASSIFICAÇÃO FINAL

CAMPEÃO
1 São Paulo 75 38 21 12 5 66 36 30

LIBERTADORES
2 Grêmio 72 38 21 9 8 59 35 24
3 Cruzeiro 67 38 21 4 13 59 44 15
4 Palmeiras 65 38 19 8 11 55 45 10

COPA SUL AMERICANA
5 Flamengo 64 38 18 10 10 67 48 19
6 Internacional 54 38 15 9 14 48 47 1
7 Botafogo 53 38 15 8 15 51 44 7
8 Goiás 53 38 14 11 13 57 47 10
9 Coritiba 53 38 14 11 13 55 48 7
10 Vitória 52 38 15 7 16 48 44 4
(LIBERTADORES) 11 Sport 52 38 14 10 14 48 45 3
12 Atlético-MG 48 38 12 12 14 50 61 -11
13 Atlético-PR 45 38 12 9 17 45 54 -9
14 Fluminense 45 38 11 12 15 49 48 1

NADA
15 Santos 45 38 11 12 15 44 53 -9
16 Náutico 44 38 11 11 16 44 54 -10

REBAIXADOS
17 Figueirense 44 38 11 11 16 49 73 -24
18 Vasco 40 38 11 7 20 56 72 -16
19 Portuguesa 38 38 9 11 18 48 70 -22
20 Ipatinga 35 38 9 8 21 37 67 -30

07 dezembro 2008

OS QUATRO LIVROS

Livros que já escrevi, que parei de escrever na metade, que estou escrevendo um pouco a cada dia...

Eduardo e Mônica - Oito capítulos escritos. Só termino se um dia eu publicar o Faroeste Caboclo. Promessa, fazer o quê?

O Poeta Andarilho - Em versos conto a história de um velhinho de 62 anos que sai do interior de São Paulo até o litoral do Nordeste brasileiro. Uma cidade pequena que vc precisa ler no livro qual é.

Faroeste Caboclo - O Livro - É a história da música do Renato Russo. Conto em detalhes pessoais o que imaginei que aconteceu.

Poesias - Já escrevi mais de mil poesias. Algumas estão no site. Outras, em minha casa. Quer comprar?




Dez mitos sobre dietas

Muitos mitos você com certeza já deve ter ouvido e talvez até possa acreditar, mas o fato é que não correspondem à realidade. Aqui vão ...