27 dezembro 2009

POESIAS



1528 - REGRAS DE NATAL

Não almoça todo dia?
Não ganha presente.
É pobre?
Não ganha presente.
Mora num orfanato?
Não ganha presente.
Os pais estão desempregados?
Não ganha presente...

E não adianta chorar.
São as regras...



1529 - DOCES

Quero doce!
Algodão, bala, boca,
Qualquer coisa que me acalme...

Quero doce!
Palavras, olhares, sorrisos, gestos,
Qualquer coisa que me traga de volta...

Estou longe!
Em outra dimensão
E assustado...

Precipícios, buracos, pedras,
Tenho medo...

E quero apenas doces!
Balas, sorrisos, palavras,
Qualquer coisa
Doce...

Tenho saudades de doces...



1530 - HÁ TEMPOS

Há tempos
Guardei a realidade na gaveta
E saí em busca dos sonhos...

Degrau a degrau
Subi uma escada
Nem tão íngreme
Nem tão impossível...

Degrau a degrau,
Devagarzinho,
Vi o sonho, ali, ao alcance das mãos,
Mas, ele me escapou...

Agora, a volta à realidade é inevitável...

Não será tão ruim, assim,
Mas, o pior,
É saber que os sonhos se foram
Definitivamente
Para o lugar encantado das fantasias...

O lugar onde os sonhos são apenas sonhos...

Autor - Jorge Leite de Siqueira
Todos os direitos reservados.

POESIAS

1528 - HÁ TEMPOS

Há tempos
Guardei a realidade na gaveta
E saí em busca dos sonhos...

Degrau a degrau
Subi uma escada
Nem tão íngreme
Nem tão impossível...

Degrau a degrau,
Devagarzinho,
Vi o sonho, ali, ao alcance das mãos,
Mas, ele me escapou...

Agora, a volta à realidade é inevitável...

Não será tão ruim, assim,
Mas, o pior,
É saber que os sonhos se foram
Definitivamente
Para o lugar encantado das fantasias...

O lugar onde os sonhos são apenas sonhos...

18 dezembro 2009

POESIAS

1515 – Daqui a pouco

Caminhada diária
Manter a forma e o peso
E colocar os pensamentos no lugar...

Quilômetro sete...

Os pensamentos se misturam
O remorso aparece
E me mostra pecados...

Quilômetro seis...

Quer saber?
Daqui a pouco vou ligar para minha mãe
E falar o quanto a amo
E das saudades que sinto...

Quilômetro cinco...

Quer saber?
Daqui a pouco vou ligar para meus filhos
E falar coisas legais
E mostrar o tamanho de meu carinho...

Quilômetro quatro...

Quer saber?
Daqui a pouco vou procurar a namorada
Marcar alguma coisa diferente
E fazê-la a mulher mais feliz do mundo...

Quilômetro três...

Banco do Brasil.
Vou ver meu saldo
Não demora nem cinco minutos...

Vou!
E volto.
Na saída vejo o corpo estendido no asfalto
Atropelado
Há poucos minutos...

Podia ser eu.
Passe ali, naquele mesmo lugar,
Há exatos cinco minutos...

Camisa verde
Calça jeans
E sangue no nariz...

Quais seus últimos pensamentos?
O que ele planejava?

Quer saber?
Pra que deixar para daqui a pouco
O que posso fazer agora?

- Eu te amo!

1516 – Meu amigo invisível

Quando acordo
Lá esta ele, ao meu lado,
E acorda comigo...

Eu durmo em um canto
Ele dorme no outro
No chão
Encostado na parede...

Quando estou feliz
Ele está feliz.
Quando estou chateado
Ele também está.
E se entristece junto comigo...

Quando saio pelas ruas
Pegando papelão e latinhas
Ele vai comigo
Ficamos conversando
E ele faz meu dia ficar mais leve...

As pessoas não o vêem
E acham que falo sozinho.
Ah, coitados, não vêem meu amigo...

A gente ri de algumas pessoas
Os mesmos que riem de mim.
Enquanto me chamam de louco
Por conversar com um sujeito invisível
Nós rimos dele
Que conversa com quem não quer...

Eu converso só com quem quero...

E quero conversar com meu amigo
São longos papos
Ótimas conversas.
Falamos de futebol
Falamos de amor
Falamos da vida...

Ele me dá tantos conselhos
Que, na verdade, não sigo.
Pede que eu seja mais educado
Pede que eu seja mais atencioso
Mas, eu não sigo todos seus conselhos...

Nossa! Quantas garrafas de pinga tomamos juntos...

Quando eu me irrito com meu amigo
Simplesmente tomo uma pinga
E deito
E durmo...

Às vezes ele fica me chamando, quando durmo.
Fica mexendo em meu corpo
Fica falando coisas pra mim
Por isso eu bebo
E não o escuto...

Daí ele desiste e durmo em paz...

Meu amigo invisível.
Que cara incrível!
Adoro esse cara
Sem nem sequer saber seu nome...

Adoro esse cara
Mas, não sou louco, não...

Eu sou apenas, digamos, diferente...

1517 – Um ponto de vista

Olhos
Que me vêem
Não me vêem...

Não como sou...

Vêem o amarelo de meus dentes,
E não enxergam o verde de meus olhos.
Vêem a falta de cabelos,
Mas não enxergam a maciez de minha pele.
Vêem minhas rugas,
E não enxergam o brilho de meu sorriso...

Vêem-me caído,
Arrastando-me
Bêbado ou abandonado...

Não enxergam a viagem que tive
O prazer que tive para me embebedar
A diversão que vivi...

Uns vêem meu fim.
Outros, meu próximo passo...

São apenas pontos de vista...

1518 – Derrotas após derrotas

Meu time foi goleado
A Sena não saiu pra mim
Não acertei nada no jogo do bicho...

E não consigo contornar as pedras...

1519 – Feliz em crise

Imprimi a frase
Papel vegetal
Tela, emulsão, sol,
Tinta e água...

Seca, uso a camiseta...

Escândalo?
Só porque sou feliz?
Eu sou
E mostro a camiseta:
“Muito melhor ser feliz sem motivos...”

Sim, sou feliz,
Só estou em crise...

Mas passa...

1520 – Psicografia

Renato Russo aparece em meu sonho
E me cobra o livro
Aquele que não fiz
Que conta sua história atual...

“Farei”, eu disse,
Ele não acreditou
E pediu pressa...

“Daqui a pouco você estará aqui
E não poderá mais fazer”
Disse ele...

“A não ser que queira psicografar...”

1521 – Um ao encontro do outro

Metades
Que se separam
E se encontram
Sem lógica
A não ser a magia da vida
Que me joga
E te joga
Um ao encontro do outro...

Metades
Que se separam
Para serem felizes...

Onde está a lógica?

1522 – Migalhas

Migalhas!
Cansei de sobras!
Não quero mais restos...

Quero tudo!
Ou não me dê nada...

1523 – Sou criança

Sou criança
No sentido mais desmiolado que houver.
Sem inocência
Com incompetência...

Sou criança...

Não sei de nada
E já aprendi tudo...

Estou perdido
Tenho medo do escuro
E nem sei acender a luz...

1524 – Abrigo

E agora?
Como ver poesia na vida?
Sou um fracassado
Um derrotado...

Não tive coragem de ser feliz...

Era tudo mentira?
Meus sonhos eram mentiras?
Sou covarde?

Quando encontrei a liberdade
Busquei abrigo nas asas da mãe...

1525 – Os sinais sumiram

Os sinais sumiram.
Do amor
Da paz
Da vida.
Sinais?
Só de vergonha...

1526 – O verdadeiro andarilho

Hoje vi um andarilho
Um de verdade
Não igual a mim...

Ele pediu dinheiro
Ganhou moedas
Mas foi amoroso com todos...

Estávamos em um ônibus...

Uns dizem que isso não é vida
Outros, adoram-na.
Eu?
Vejo só a poesia...

1527 – Não sou daqui

Não sou daqui
Não sou de nenhum lugar
Quando morrer, paro,
E serei dali
Onde estiver
Quando morrer...

Acho que gosto de São Paulo
Gosto de BH
Gosto de São Francisco...

Mas só gosto de meninas...

Autor - Jorge Leite de Siqueira
Direitos reservados ao autor.

01 dezembro 2009

POESIAS

Poesia 1503 – O início da nova viagem

Um dia, tive tudo.
O sol, a lua,
As estrelas, todas, foram minhas.
O mar era meu
A praia, tudo, até Netuno...

Eu era feliz quando tinha o mar...

Um dia, tive dinheiro.
Tinha carro, casas.
Eu tive amigos.
Sério! Pode acreditar!
Eu tive amigos...

Eu tive patrão,
Tive emprego.
Eu tinha rotina...

Sei que você não vai acreditar
Mas, eu tive sentimentos.
Tive tristeza, ódios,
Mas também tinha alegria, amor...

Sei que sou repetitivo
Sei que pareço piegas,
Mas, quem teve tudo pode ser ridículo...

Honra!
Humor!
Amor!

Não sei quando perdi tudo.
Acho que foi aos poucos
Homeopaticamente...

Começou quando recusei alguns convites
Quando evitei certas pessoas
Quando dispensei alguns trabalhos...

E hoje estou aqui
Sozinho, desempregado,
Abandonado...

Não estou mal, acredite.
Pareço pior do que estou...

Também, não estou bem...

Não quero tudo de volta
Quero um pouco
Apenas uma pequena parte...

Estou correndo atrás...

Um emprego qualquer me ajuda
Pode ser vigia, gari,
Qualquer um
Mas, gerente não quero mais...

Não quero mandar em ninguém...

Quero um lugar para morar.
Um quarto e sala
Afinal, estou sozinho...

Casa grande dá muito trabalho...

Quero uma bicicleta.
Carro, não, por favor.
Ah! Quero um amigo!
Apenas um...

Não quero um monte de conhecidos...

Quero um aperto de mão em meu aniversário
E não um monte de scraps...

Quero escrever!
Quero viver de escrever
Mesmo que nunca fique famoso...

Não quero o que tive!
De jeito nenhum.
Quero outras coisas
Quero viver outras emoções
Quero errar novamente
Quero acertar, também...

Não quero ser ninguém.
Como sou...

Não sou ninguém,
Mas, sinto-me um nada.
Não gosto de me sentir assim
Pois sei quem eu sou...

E sou muito forte...

Tenho poder espiritual
O que ninguém vê.
Só vêem fracasso
Derrota, tristeza...

Só vêem o que é socialmente perceptível...

Vou mudar!
Não serei rico
Mas, serei feliz.
Mesmo que não chame a atenção...

Não era feliz, quando tive tudo,
Mas, agora serei feliz, tendo a mim.
E quem vier comigo
Venha pelo que sou
E não pelo que tenho...

Prepare-se
A viagem está apenas começando... 



Poesia 1504 – No shopping com Deus

A moça é esnobe
O rapaz é deficiente
A mulher é gorda
O homem é musculoso
A menina come sem educação
O menino chora...

Brancos, negras,
Loiras, morenos,
Cabelos lisos, encaracolados,
Olhos verdes, negros,
Felizes, tristes...

Meu Deus!
Quanto mais eu olho
Mais vejo as diferenças...

Que forma é essa?
Quem moldou isso tudo?
Quantos lápis de cor...

Não quero mais ser ateu...



Poesia 1505 – Família no shopping

Cinco pessoas no shopping.
Pai, mãe, filhos,
Bob’s, Mc Donald’s,
Cinqüenta reais, sessenta,
Em quinze minutos...

Com cinema?
Mais sessenta reais...

Qual a solução?
Não ter filhos?
Não casar?
Não viver?

É cada um para si...



Poesia 1506 – Amazônia

Uma bomba atômica
E a Amazônia explode!
Um câncer
No pulmão do mundo...

Em português ruim
Eu tusso
Tu tosses
Nós morremos...

Em péssima matemática
Menos uma árvore
Mais animais em extinção...

Em uma real Biologia...

Sem ar
Sem oxigênio
Loucura capitalista
Contrariando a lógica...

Multiplicam-se os homens
Divide-se o futuro...

Derrubam árvores
Nascem meninos
Proporção?
Na mesma em que queima o pavio
Da bomba que exterminará a vida na Terra...

E pensar que nunca fumei...



Poesia 1507 – 2012

Acordo
Vinte e um de dezembro
Dois mil e doze...

Sexta-feira...

Vou virar o calendário
Mas não encontro o sábado...

São nove horas
Daqui a pouco tudo acabará.
Recebi a mensagem
O pessoal de Antares está a caminho...

Daqui a pouco estarei livre...

Livre dessa carne
Dessa gente
Desse mundo...

Até que enfim voltarei para Antares...



Poesia 1508 – Carência

Queria ser
Ao menos uma vez
Um por do sol...

Não quero muito
Quero uma vez
Só uma vez...

Mesmo que eu jamais volte
Mesmo que eu morra
Eu queria ser um por do sol...

Por do sol.
Igual aquele que você admirou
Que ficou paralisada
Que não piscou
Que ficou maravilhada
E até sonhou...

Igual aquele por do sol
Que, em cinco minutos,
Você se apaixonou...

Um por do sol
Único
Em sua vida...

Queria ser um por do sol!
Mesmo que por cinco minutos
Mas, que fosse único para você...

Queria ter seu amor por, pelo menos, cinco minutos...



Poesia 1509 – Uma chance

Uma chance
E te vi.
Passou rápido
Mas deixou o cheiro
E um brilho em meus olhos...

Uma chance
E te falei.
Um cumprimento
Coisas da vida
E um pedido de casamento...

Uma chance
E te beijei.
A proximidade
O coração acelerado
E a certeza que o amor existe...

Uma chance
E te dei minha vida.
Aos poucos
Dia a dia
Por um dia
E pela eternidade...

Precisei apenas de uma chance...



Poesia 1510 – Megiro

Recebo a ordem
Devo descer à Terra
Assumir um corpo
E corrigir defeitos...

Meus, não do corpo...

Olhos verdes,
Magro, inteligente,
Bonito...

Um corpo interessante...

Que vantagens nesse corpo?
Uma vida de decepções
Brigas
Do corpo e da alma
Que não se entendem
E dão cabeçadas
Materiais
Espirituais...

Eu quero ir embora
O corpo não aceita.
Quer tentar mais um pouco...

Quarenta e cinco anos
Na próxima semana.
Que mais pode acontecer?
O que era bom já aconteceu
O que era ruim, também...

Acabou! Aceite...

Só me resta, agora, rastejar.
De corpo, não de alma.
Igual cobras
Ou insetos
Até que aceite minha opinião
E resolva irmos embora...

Vamos!
Depois a gente volta
E tenta de novo...



Poesia 1511 – Quantas mentiras

Quantas mentiras!
Meus pais iniciaram
Meus professores prosseguiram
Adultos, adultos...

E eu, tolo, acreditando em todos...

Será feliz!
Seus sonhos se realizarão!

Serei?
Quando?
Devo andar na linha
Fugir das más companhias...

Quantas mentiras...

Hoje, as más companhias sorriem, felizes,
Viveram intensamente
Enquanto eu...

Eu?
Nada me resta...

Tudo me foi tomado...



Poesia 1512 – Identidade

Não tenho nome
Não tenho referências
Não tenho nada...

Minhas digitais foram raspadas
Minha arcada dentária foi arrancada
Meu DNA foi apagado...

Não tenho!
Não sou!
Não...

Hoje, sou pura negação!
Meu nome é não
É nenhum.
Sou sombra, sem luz,
Apagado, sou cinza, sem cor,
Silêncio,
Sou falta, sou menos,
Sem, não, nunca...

Quer me encontrar?
Procure por ninguém...



Poesia 1513 – Rimando

Mal
Natal
Legal...

Brasil!
Puta que pariu...

Carnaval?
Que tal?
No meu quintal?

Brasil!
Eu e meu tio...

Com til?

Não?
Ladrão?
Alucinação!

Brasil!
Arrepio
Calafrios...

Mal
Estou mal
E está chegando o Natal...

Ó
Vou ficar pior...



Poesia 1514 – Violão

O dedo passeia
Os dedos apertam
Cordas, casas, pestanas, acordes...

Dedilhados, batidas...

Claves
Notas e pausas
Maior, menor, sustenido, bemol...

Na televisão, fácil,
Mas, por que só sei tocar uma música?

Poesia – Espelho



Quem é você?
Como chegou aqui?
Que olhos feios!
Você chorou?
Seus olhos me assustam...

E esse cabelo despenteado
Essa barba por fazer
Acho que te conheço!
Não tenho certeza...

Você me assusta...

Seus dentes amarelos
Suas rugas
Sua pele queimada...

Como ousa vir à minha frente?
Quem te autorizou?
Saia já de minha frente...

Tenho medo de você!
Muito medo!
E saber que você é apenas um reflexo...

Passado, presente ou futuro?

Autor - Jorge Leite de Siqueira
Todos os direitos reservados

Dez mitos sobre dietas

Muitos mitos você com certeza já deve ter ouvido e talvez até possa acreditar, mas o fato é que não correspondem à realidade. Aqui vão ...