31 outubro 2010

POESIA 1948 - HALLOWEEN

Escuridão
Uivos
Gritos tenebrosos
Risadas estridentes
Gargalhadas macabras...

Dimensão dos mortos
Dos vivos
Dos morto-vivos...

Vassouras voadoras
Capas negras
Sexta-feira
Lua cheia...

No caldeirão prepara-se uma poção...

O que tens na boca?
Leite?
Álcool?
Sêmen?

O que te dei?
A realidade
A utopia
O mais íntimo que há em mim...

Bruxa!
Sua fantasia cai agora!
Percebo que só quis me conquistar
E me abandonou
Neste cemitério
Cheio de mortos
E apenas eu estou vivo...

Ou vice-versa...


AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

28 outubro 2010

POESIA 1947 - O DESENHO DA VIDA

Lápis preto número dois
Papel ofício A quatro
Borracha branca...

Tudo pronto
Material a postos
Posso começar
Vou fazer um desenho...

O desenho da minha vida...

Nada de lápis de cor
Nada de tinta colorida
Nada de giz de cera
Afinal, esta vida que vou pintar está em tons de cinza...

Vamos lá
Risco um ponto
E o desenho começa...

Vou fazendo o contorno
Um rabisco...

E, aos poucos, o que parecia um desenho infantil
Vai ficando bonito
Um desenho quase profissional...

Às vezes uso a borracha
Apago casas, pessoas,
Mas, o desenho vive em construção...

Um dia tentei colocar cor
Mas não adianta
O desenho é cinza
Tem que ser cinza
Sempre será cinza...

É uma cor melancólica
Para um desenho melancólico
De uma vida melancólica...

Há controvérsias!
Dizem que o desenho ainda não terminou
E que ficará belo
Colorido
Cheio de vida...

Poderá até virar desenho animado...


Espero que sim!
Afinal, eu sou o desenhista
Tenho livre-arbítrio para isso
E faço o desenho
O desenho da vida
O desenho da minha vida...

AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

POESIA 1946 - O MUNDO VAI ACABAR

Foi avisado nas rádios,
Saiu ao vivo na tevê:
O mundo vai acabar...

Saiu até no Jornal Nacional...

E eu com isso?
Eu tenho que me apressar
Senão perco a hora
E descontam de meu salário...

Preciso correr
Para não perder a reunião do café
Onde as últimas notícias são contadas
Onde informações profissionais são transmitidas
Onde as fofocas masculinas são atualizadas...

Preciso correr
Para não perder as gargalhadas de uns
Ou as histórias de outros
Ver os rostos sérios e experientes de diversos...

E a paz?
Alguns são tão calmos
Que me fazem inveja...

Preciso correr
Pois o mundo vai acabar
Não sei se antes
Ou depois
Do aniversário da Ju...

É preciso correr
Pois uns vivem com frio
Outros vivem sorrindo
E os restaurantes sempre cheios de clientes...

É preciso correr, ser rápido
Afinal, o mundo vai acabar
Mais cedo ou mais tarde
Mas, o mundo vai acabar...

E a porta se abrirá
E alguém aparecerá
E fará a pergunta que todos esperam:
É aqui que faz o cartão do idoso?

O mundo precisa acabar logo...

AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

26 outubro 2010

POESIA 1945 - O MONSTRO

No espelho
Não me reconheço:
Rugas
Cabelos ralos
Dentes amarelos...

Horrível...

Pior
Quando me olho por dentro:
Sonhos podres
Esperanças abandonadas
Derrotas sobre derrotas...

Péssimo!
Desastroso!
Sinto-me mal...

Um monstro que eu próprio criei...

Não causo medo
A não ser a mim mesmo...

O que vejo ao espelho
- coitado -
Mesmo apavorante
É carne
Apenas carne...

Mas, o que vejo de olhos fechados,
É pavoroso...

É um monstro
Que seria melhor
Se estivesse morto...


AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

POESIA 1944 - QUAL A RAZÃO DE TUDO ISSO?

Por que subir?
Ou descer?
Por que não permanecer onde está?

Por que sempre ouvir os outros?
Por que não se ouvir?
Confiança...

O que é melhor:
Beijo ou dinheiro?
Carro ou viagem?
Emprego ou morte?
Real ou fantasia?

É bom, às vezes, ser irracional
E não perder tempo
Apenas pensando...

Apenas
Pensando...

Pensando...


AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

POESIA 1943 - MARGARIDA

E a margarida, coitada,
Pétala a pétala,
Se transforma em amor...

Bem me quer
Mal me quer
Bem me quer
Mal me quer...

Nada se cria
Tudo se transforma
Até o amor...

E a margarida
De pétala em pétala
Vira sonhos
No coração da menina...


AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

POESIA 1942 - A MINHA CRIAÇÃO

E Deus
Em uma tarde colorida
Onde o Sol - já criado - brilhava,
Com Suas mãos sujas de barro
Depois de fazer uma mulher
- quem será? -
Pensou em mim
E, confuso, perguntou ao anjo - o da guarda, o meu -:
- O que você acha:
Gordo ou magro?
Rico ou pobre?
Burro ou inteligente?
Gerente ou faxineiro?

O anjo, ainda mais confuso que Deus
- prestava atenção na mulher, a minha -
Gaguejou
E não respondeu.
Covardemente, fugiu da responsabilidade da minha criação...

Deus olhou para a mulher
- a que chamam alma gêmea -
E foi-me criando:
- O que falta nela, faço nele.
É isso!
O que ela não tiver, ele terá!
Assim será...

O anjo, preocupado, responde:
- Mas, ela é perfeita!
Coitado dele...

Deus deu de ombros!
Estava decidido...

E, assim, tenho os olhos verdes
- não tão verdes -
Ando por aí sem parar
- ela se prende -
Sou pura fantasia
- ela é prática -
E sou incompleto
- ela é perfeita...

E, para completar, ainda nos separou...

Um dia desses
O anjo falou com Deus:
- Viu o que o Senhor fez?
Ele não vive sem ela
Ela não vive sem ele
Mas nunca serão um par
Com tantas diferenças...

- Diferenças?
Eu chamo de semelhanças...

E Deus riu, gostosamente,
De mim
E de meu anjo da guarda
Confusos
Com sua criação
Com a vida
Com tudo...

- A vida continua - Deus diz...


AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

POESIA 1941 - MALDITA ROTINA

Que estranho
Ninguém nas ruas
Tudo deserto...

Será feriado?
Não, estou indo trabalhar,
É sexta-feira
Se eu não estiver enganado...

Pouquíssimos carros
Poucas pessoas
Nem pássaros eu ouço...

O que aconteceu?
Greve geral?
Fim de mundo?
O mundo parou?

Não!
O sol brilha
O vento sopra
A natureza continua bela...

O que está acontecendo?
Cadê todo mundo?

De repente, do nada tudo aparece:
As pessoas
Os carros
A bagunça
O barulho...

E sinto saudades dos momentos de paz que tinha...

Ainda não eram sete horas
E as pessoas, em casa, preparavam-se para ir trabalhar...

Maldita rotina...

AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

21 outubro 2010

POESIA 1940 - LUA SEM MEMÓRIA

Lua
Enorme no céu escuro
E que tanto preencheu minha fantasia
Musa de minhas poesias
E hoje
Sem memória
Nada mais é do que um círculo
Um queijo utópico
Quase nada
No escuro azul da noite
De lobisomens
Que adoram a lua
Minha musa
Sem memória...

AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

POESIA 1939 - ANDO POR ANDAR

Já tive o sol por destino
E andei, andei para alcançá-lo
Até perceber que jamais o tocaria...

Já persegui a lua
E andei, andei em sua busca
Até perceber que a lua é solitária como eu...

Já tive um amor
E andei, andei sonhando pelos cantos
Até perceber que os sonhos também acabam...

Hoje, nada mais quero.
Ando só por andar...


AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

20 outubro 2010

POESIA 1938 – PAI, COMO POSSO TE FAZER FELIZ?

Felicidade!
Tão cantada
Tão contada
E tão duvidosa...

Uns dizem que é o caminho
Outros dizem que são momentos
Alguns, mais pessimistas, a negam...

E eu?
O que é a felicidade para mim?
Como ser feliz?
Isso é tão pessoal...

Uma casa
Uma praia
Pouca gente...

Deserto?
Nem pensar!
Mas, pouca gente...

O rio para pescar
O mar para se bronzear
O sol para beber skol...

Ah! Dinheiro para comprar skol...

Muito dinheiro, não.
Pouco também não...

O necessário...

Não quero catar papelão pelas ruas
Não quero ser vigia de prédios semi abandonados
Não quero ser faxineiro na prefeitura...

Nem quero trabalhar quando estiver bem velhinho...

Quero que meus filhos me protejam.
Com olhos e piscadas
Com mãos e abraços
Com bocas e beijos
E com comida na mesa...

E não os quero em casa...

Filhos em casa é sinal de fracasso!
Quero-os com suas esposas
Quero-os com seus filhos

Quero-os em seus empregos
E espero suas visitas...

Visitas, apenas, não quero criar netos...

Quero brincar com meus netos
Quero contar histórias para eles
Mas, não quero trocar suas fraldas...

Não quero ser um velho enxerido...

Quero meu amor
Um amor livre
Que vá e que volte...

Um amor
Que quando for
Que vá sem vontade
Que queira ficar
E que volte rápido...

Um amor
Que quando vier
Que queira ficar
Que demore...

É barato me fazer feliz.
Muito barato.
Eu considero um preço justo...


AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

POESIA 1937 – QUE NOJO

Nossa!
Olha o andarilho!
Que nojo...

Seus longos cabelos brancos
Sua longa barba suja
Suas enormes unhas mal cuidadas
Suas rugas...

Que nojo...

Sua camisa rasgada
Seus sapatos velhos
Seu chapéu amassado
Sua calça furada...

Que nojo...

Sua mala arranhada
Suas coisas jogadas
Seu papelão pelo chão
Suas garrafas ajuntadas...

Que nojo...

Ele me dá pena!
Ele é ridículo!
É a escória!
O lixo!
O resto!
O resto do resto...

Que nojo...

Suas lágrimas! Que nojo.
Sua voz! Que nojo.
Suas olheiras! Que nojo.
Sua aparência! Que nojo...

Vou-me embora!
Não posso mais me olhar ao espelho.
Sou muito nojento...


AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

17 outubro 2010

POESIAS EM LIMEIRA

1924 - DECIFRANDO

A vida me propõe enigmas
Que não entendo
E nem desvendo...

Enigmas de vida
Enigmas de velhice
Que não entendo
Por pura ignorância...

Vivo por enigmas
Morrerei sem desvendá-los
Por envolverem dor
E amor
E solidão...

E a sucessão dos enigmas me confunde
E quero desistir
Dos enigmas
Da vida
Da morte...

Mas os enigmas me fazem respirar
E são a razão de tudo
De ser
E sumir...

Decifrarei-os...?



1925 - OLHOS DOCES

Olhos tão doces
Perseguem-me
Em sonhos
E corpos...

Olhos tão doces
Claros
Em diversos tons
Cinza, azuis, verdes...

Olhos tão doces
Que só são meus
Em sonhos...



1926 - AUSÊNCIA

Quem te consola?
Quem te dá carinho?
Quem te faz companhia?

Você aprendeu com a solidão?
E eu?
Como viver com sua ausência?
Como conviver com a distância?

Mostre-me seu Mestre, por favor...



1927 - O SILÊNCIO QUE ME PARALISA

Meus pés
Incansáveis
Levam-me
Para bem longe
Onde transponho rios
Atravesso vales
Subo montes...

Eles nunca param de andar...

Nunca!
Até que...

Ah!
O silêncio!
O silêncio me paralisa...



1928 - AGORA SÓ TE VEJO

Enchi de quadros as paredes.
Na sala, seu rosto;
Na cozinha, suas mãos;
No quarto, seu corpo...

Antes, tocava-te.
Agora, só te vejo...



1929 - VOCÊ SEMPRE FOI ASSIM, EU NÃO

Eu quero você
Insisto
Você apenas protela...

Vem!
Larga tudo e vem!
Eu te imploro...

Paciência!
Você me pede
E explica que o tempo passa
E que o futuro a tudo resolverá...

Eu não sei viver sozinho!
Você sabe!
Me ensina?




1930 - DESMAME

Amor, posso ir ao banheiro?
Amor, posso ir à esquina?
Amor, posso ir ao centro?
Amor, posso ir embora?

Eu tenho que partir.
Então, parta-me...



1931 - A ESCURIDÃO DE MINHA VISTA

Há tempos nada vejo.
Nem o que procuro, consigo enxergar...

Escuto tudo
O que quero
E um pouco mais...

Quem me dera fosse surdo
E não cego
Como sou...



1932 - PRISIONEIRO

Comecei a andar
Sempre em frente
Sempre...

Passam quilômetros
Passam carros
Passam casas...

E amigos, mulheres, tudo...

Procuro a perfeição que não existe?
Será que minha alma se enganou?

Sou prisioneiro de partidas...



1933 - OLHOS CINZAS CEGOS

A cada dia
A cada passo
A cada pessoa
Vejo a existência de Deus...

Vejo nos olhos do cego
Que me encaram
E não me veem...

Cinzas
Perfeitos
E nada veem...

Na incoerência divina
Vejo Deus
Nos olhos cinzas do cego...



1934 - LÁGRIMAS DE HOMEM

Sou poeta
E choro como poeta.
Sou sensível
E choro
Como um poeta...

Ouço meu pai:
- Homem não chora!

Ele se esqueceu de me ensinar na prática...



1935 - BIBLIOTECA

De mãos dadas com Manuel Bandeira
Com Cora Coralina ao lado
Levo-os ao meu mundo
Ao meu quarto
À minha vida...

Bandeira gostou
Deu-me conselhos
Inspirou-me.
Cora não quis me conhecer a fundo...

Deixei-os.
Fui para os braços de Vinícius de Moraes.
Invejo-o
Pelos amores
Pela vida
Pela boemia...

Ao mesmo tempo Érico Veríssimo me fala de Antares...

História contada procuro Graciliano Ramos
Que me fala de prisão.
Vinícius ainda está comigo
E me fala de amor
E me provoca com seus amores...

Vinte dias sem internet.
E tão cheios de vida...



1936 - AJUSTE DIVINO

Sereno
Brinco com palavras
Que te machucam.
Ouço-te pedir perdão
Como se tivesses pecado
Cometido um delito espiritual...

Eu sorrio
Pois sou assim.
E te perdoo...

Pelas minhas brincadeiras, eu te perdoo...

E percebo que me amas
E que também te amo
E que seremos um só
Em dois corpos...

Dependemos apenas de um ajuste divino...


AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

15 outubro 2010

POESIA 1923 - CORA, CORA...

Cobra coral Coralina
Cobra coral
Cora Cobral
Cora, Cora, Coralina, cora...

Fale do Futuro – eu peço.
Não falo – ela diz.
Só falo de quando eu era criança
E do beco
E de assemelhados...

Cora, Cora...

Assemelhados?
Então fala de suas aventuras – eu imploro.
O que é aventura? - ela pergunta.
O que é errar?
O que é pinga?
O que é álcool? - ela me escandaliza...

Cora, Cobra.
Coral, Coralina...

Soltei sua mão, cansei.
Peguei na de Vinícius.
Agora, sim, terei aventuras...

Autor: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

06 outubro 2010

CANSEI! VOU VOTAR NO SERRA!!!

Vou votar no Serra, do PSDB. Cansei...

Cansei de ir ao supermercado e encontrá-lo cheio. O alimento está barato demais.

O salário dos pobres aumentou, e qualquer um agora se mete a comprar, carne, queijo, presunto, hambúrguer e iogurte.

Cansei dos bares e restaurantes lotados nos fins de semana. Se sobra algum, a gentalha toda vai para a noite. Cansei dessa demagogia.

Cansei de ir em Shopping e ver a pobreza comprando e desfilando com seus celulares.

O governo reduziu os impostos para os computadores. A Internet virou coisa de qualquer um. Pode? Até o filho da manicure, pedreiro, catador de papel, agora navega...

Cansei dos estacionamentos sem vaga. Com essa coisa de juro baixo, todo mundo tem carro, até a minha empregada. "É uma vergonha!", como dizia o Boris Casoy. Com o Serra os congestionamentos vão acabar, porque como em S. Paulo, vai instalar postos de pedágio nas estradas brasileiras a cada 35 km e cobrar caro.

Quero aumento da gasolina na calada da noite, como na era FHC.

Cansei da moda banalizada. Agora, qualquer um pode botar uma confecção. Tem até crédito oferecido pelo governo. O que era exclusivo da Oscar Freire, agora, se vende até no camelô da 25 de Março e no Braz. Vergonha, vergonha, vergonha...

Cansei dessa coisa de biodiesel, de agricultura familiar. O caseiro do meu sítio agora virou "empreendedor" no Nordeste. Pode?

Cansei dessa coisa assistencialista de Bolsa Família. Esse dinheiro poderia ser utilizado para abater a dívida dos empresários de comunicação (Globo, SBT, Band, RedeTV, CNT, Folha SP, Estadão etc.). A coitada da "Veja" passando dificuldade e esse governo alimentando gabiru em Pernambuco. É o fim do mundo.

Cansei dessa história de PROUNI, que botou esses tipinhos, sem berço, na universidade. Até índio, agora, vira médico e advogado. É um desrespeito... Meus filhos, que foram bem criados, precisam conviver e competir com essa raça.

Cansei dessa história de Luz para Todos. Os capiaus, agora, vão assistir TV até tarde. E, lógico, vão acordar ao meio-dia. Quem vai cuidar da lavoura do Brasil? Diga aí, seu Lula...

Cansei dessa história de facilitar a construção e a compra da casa própria (73% da população, hoje, tem casa própria, segundo pesquisas recentes do IBGE). E os coitados que vivem de cobrar aluguéis? O que será deles?
Cansei dessa palhaçada da desvalorização do dólar. Agora, qualquer um tem MP3, celular e câmera digital. Qualquer umazinha, aqui do prédio, vai passar férias no Exterior. É o fim...

Eu ia anular, mas cansei. Basta! Vou votar no Serra. Quero ver essa gentalha no lugar que lhe é devido.

...

POESIAS

1919 – LEVANTE A CABEÇA!

Ando pela rua
Cabeça erguida
Curioso
Olhando tudo
O externo
O que me rodeia...

De repente
Sinto-me triste
Desço os olhos
Vejo o chão
E me vejo por dentro
Interno...

Mas, eu sei,
Você sabe
Todos sabem:
- Olhe para o horizonte
Que a depressão some...

Eu olho!
Ergo a cabeça
Vejo carros lá longe
Bem distante
Longe
Muito longe...

Tão distante...

E meus olhos descem
Vêem o asfalto
Vou longe
Muito longe
Para dentro de mim...

Tenho tudo,
E estou tão pobre;
Conheço tudo,
E sou tão ignorante;
Tenho tantos amigos,
E sou tão solitário...

O que passa comigo?
Não sei
Só sei que devo erguer a cabeça
Que a depressão irá embora...

Ergo!
A cabeça, os olhos,
Mas o pensamento não.
Solitário, ele vai longe,
Muito longe,
Distante...

Depressão vem do coração...



1920 – JOGANDO COMIGO

Em um tabuleiro enorme
Brincam comigo
Jogam com minha vida...

Dizem que é Deus
O nome de quem me criou
E agora se diverte
Fazendo-me de “joão-bobo”
Para suas gargalhadas...

Usa-me como “círculo”
No “jogo da velha”
Sem saber que ninguém vence nesse jogo...

Muda para “damas”
Mas não consegue jogar
Pois tem que pensar...

“Xadrez”?
Ele nem tenta...

“Quebra-cabeça”?
Esse é o que Ele mais gosta.
Embaralha-me sempre
E me deixa montar as peças.
Eu tento, juro que tento,
Mas, quando estou quase terminando
Ele vem, com suas enormes mãos
E mistura tudo de novo...

“Jogo dos sete erros”?
Sete é pouco!
Ele me deixa errar muito mais...

Agora, já no final de minha vida
No final da partida
Ele joga o “jogo de virar duas cartas iguais”.
A primeira carta é a minha
Meu rosto
Meu corpo
Meu tudo
Mas Ele não vira a outra carta
A que me fará companhia...

Até tenta!
Virou algumas
Mas nunca acerta
Ninguém se parece comigo...

Continuo sozinho
Carta única
Virada
Nas mãos de Deus...



1921 – NUVEM E VENTO

Raiz?
Eu não tenho raiz.
Nuvem tem raiz?
Vento tem raiz?
Eu sou nuvem e vento
E me levo
Por caminhos
A esmo
Ao acaso...

O fim?
Quem sabe?
Pode estar na próxima parada
Mas nunca chego ao fim
Pois, antes, eu fujo,
Mudo de caminho
Como o vento
Como a nuvem...

Os quais sou eu...


1922 – SOTAQUES DA VIDA

De tanto andar
Perdi a identidade
A cor
O sotaque...

Sou tudo
Todos
E um vazio.
Sou toda uma negação
E a certeza que repetiria tudo
Sem tirar nem pôr...

Nem o limo que não deixo criar...

Se a vida é a confusão dos sotaques
Sou cheio de vida...


AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

Dez mitos sobre dietas

Muitos mitos você com certeza já deve ter ouvido e talvez até possa acreditar, mas o fato é que não correspondem à realidade. Aqui vão ...