23 dezembro 2010

POESIAS

2027 – Um dia

Um dia me deste um dia.
Depois dois, três, dez.
Mas o primeiro dia foi o primeiro dia.
E tu me deste.
E eu que me esqueço de tudo
Esqueci também que um dia me deste um dia.
Um dia cheio de horas,
Um dia cheio de minutos,
Um dia cheio de amor.
Um dia.
Os outros dias?
Foram outros.
O primeiro foi o primeiro.
Nada se compara ao primeiro...

Um dia me deste um dia...

Para me vingar tomei-te a alma.
Brinquei com ela
Sorri com ela
Fiquei com ela.
Fiquei?
Achei que fiquei.
Um dia percebi que quem levou minha alma foi você...

Um dia me devolverás minha alma?
Trarás junto meu coração?
Um dia?


AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

POESIAS

2026 – As nossas fotos

E agora?
O que faço com as nossas fotos?
Com as suas?
Com as minhas?

E agora?
Tudo me faz lembrar de você...


AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

POESIAS

2019 – Atrevimento

Tornei-me atrevido
E te seduzi
Conquistei-a para meus braços
Para uso próprio
E te fiz mulher
E te fiz feliz
E fui feliz...

Amamo-nos
Um ao outro...

Nos esquecemos de nos amar
Cada um a si próprio
Pois quando viesse a solidão
Quando nos víssemos longes
Suportaríamos as dores...

Agüentaríamos em nós
Sabendo-nos o outro...

E os dias seriam portais do futuro
Mesmo que demorasse tanto
– como demora –
E aturaríamos tudo
Pois seríamos um
Em dois corpos...

Mas, meu atrevimento foi incompleto...


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2020 – Pensei em te ligar

Pensei em te ligar
Daí, pensei sobre o quê iríamos falar.
Não vi assunto...

Planos?
O que são planos?
Projetos?
Idéias?

Bem, descobri que olhamos para lados diferentes...


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2021 – Perguntas da alma

Perguntas-me:
Para onde vais?
De onde vens?
O que fizestes?
O que farás?

Perguntas-me a todo o instante...

Mas, descansas-te,
Não me preocupo com tuas perguntas.
As que me incomodam
As que me apavoram
São as que a alma me pergunta
Aquelas que sei que existem e não as ouço...

E muito pior é que não tenho as respostas...


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2022 – Brincar de viver

Corpo e alma
Completamente iguais
Perfeitamente idênticos
Esplendidamente análogos
A um enorme quebra-cabeças...

Desmontado, claro...

Quando tudo parece se encaixar
Tudo se desmancha
E volto ao início...

O contrário também acontece!
Incrível!
Tudo parece que vai cair no precipício
Que vai desabar
Que vai desmoronar
Mas, que nada,
Tudo se arruma...

Ah!
Que incrível é a vida!
E que gostoso é brincar de viver...


AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

POESIAS

2017 – Confesso: eu menti

Eu menti!
E nas minhas mentiras me perdi
E te levei comigo
Que acreditou em mim...

Eu não sou assim tão calmo
Eu não sou assim tão paciente
Eu não sou assim como pareço ser...

Não!
Eu menti!
Não sei como sou, mas não sou como digo que sou.
Não sou!
Se fosse assim tão especial
Não estaria sozinho...

Me perdi em minhas mentiras.
Achava-as verdades
Mas não são.
E tu te perdeste de mim...

Pois menti...



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2018 – As doenças

Tenho a aids do Cazuza,
Tenho a tuberculose do Bandeira,
Tenho a cirrose do Pessoa.
Só não tenho suas musas
Que, injustamente, não me visitam...

Tenho a aids do Renato
Tenho a melancolia de Vinícius
Sou drogado como todos
E não consigo fazer um verso sequer...

Injusto...

Meu destino?
Morrer como todos eles morreram.
E talvez, assim, tornar-me conhecido...



AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

POESIAS

2012 – O tempo parado

Olhando o amanhã
Além do amanhã
Além dos planos
Feitos
Desfeitos
Por motivos tão banais...

Olhando os planos
De amanhã
E depois de amanhã
Sinto-me idiota
Com planos idiotas
Num mundo idiota...

E o que são planos?
Pensamentos
Influências...

E o que é o amanhã?
Tempo
Que nunca existe em minha vida...

O mundo parou.
O tempo parou.
Eu parei...

Mas o tempo sabe o que fazer...


-----:)


2013 – Entre mim e você

Entre mim e você
Um vão
Uma fenda
Um precipício
Profundo...

Entre mim e você
Um muro
Uma muralha
Construída para separar...

Entre mim e você,
Nada mais.
Nada mais...

Entre mim e você?
Um mundo.
Sem nós...


-----:)


2014 – Herói

Herói!
Queres-me forte
Imbatível...

Herói!
Queres-me invencível...

Mas, quem sou eu?
Ossos e carne
Um punhado de pele e gordura
Presos por pensamentos filosóficos inúteis...

Herói?
Não sou!
Não sou forte
Não sou musculoso
Não tenho corpo de herói...

Não tenho nem cérebro de herói...

Por isso adoeço.
E vou morrer.
Por não ser herói...


-----:)


2015 – Aprendi a mudar

Aprendi a mudar:
O quarto
A sala
As coisas de lugar...

Aprendi a mudar:
As mulheres
Os empregos
Os bens materiais...

Aprendi a mudar.
Não é difícil, creia.
Não é tão difícil...

O que me angustia
É que sempre sou o mesmo
Igual
Onde estiver
Com quem estiver
Sempre sou o mesmo
Com os mesmos hábitos
Os mesmos trejeitos
Os mesmos pensamentos...

Isso me angustia...

Aprendi a mudar tudo
Só não consigo mudar a mim...



-----:)


2016 – Ouço o silêncio

Ouça!
Ouça o pássaro que não canta na árvore;
Ouça o disco que não toca na vitrola;
Ouça o vizinho que não briga com a esposa;
Ouça o silêncio...

Ouça!
Eu consigo ouvir!
O copo que não cai no chão e não se estilhaça;
O carro que não passa na rua;
O bar vazio, fechado, sem fregueses arruaceiros;
Ouça o silêncio...

Ouça a televisão desligada!
Que maravilha!
Ouça a falta de gente nessa casa!
Que maravilha!
Ouça a minha solidão...

Ouça!
Você consegue me ouvir?
Eu não disse nada...

Você não ouve nem o meu silêncio?


AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

POESIAS

2006 – Travado

Doze cervejas
Dúzias de pingas
Centenas de conhaques...

Dias sem dormir
Meses sem andar
Anos sem falar...

Parei, deparei, reparei, separei...


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2007 – Cores

Cores
Que vejo
E misturo
Nas peles
E olhos
Que olho
E me seduzem
E eu desejo
E me desejam...

Eu me dou
E me dôo
E as faço feliz
E sou feliz...

Cores
Que vibram
E vibram
E vibram...

Dentro
E fora
Da consciência
E minha inconsciência...

Cores
Que escolho
Nas peles negras
Nos olhos verdes
Nos cabelos castanhos...

Em tudo...


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2008 – Anônimo

Milhares
Corpos que nunca vi
Seres que nunca gostei
Almas que não quero conhecer...

Acredite!
Tenha reciprocidade!
Eu não valho nada.
Evite-me...


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2009 – Forte e calejado

Você me acha forte?
Que nada!
Sou fraco!
Mais fraco que um grilo apertado entre dedos...

Supero as dores?
Viro a mesa?
Recomeço?
Sim, disso sou capaz,
Nunca vou parar de tentar enquanto respirar...

Mas um dia vou parar de respirar...

Tenho lugares a explorar
Pessoas a conhecer
Mulheres a acompanhar.
É minha missão...

Mas, machuca-me, abre feridas...

São culturas a conhecer
Costumes a compreender
Manias a aceitar...

Delírios chegam e se vão como correnteza sem direção.
Roncos que preciso suportar.
Palavrões, brigas, carinho...

Sol! Sol! Sol!
Chuva, frio, tempestades!
E o corpo?
Diverte-se...

É a minha vida:
Um punhado de dias
Que se sucedem
Mas que nunca trazem o futuro...


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2010 – Nada mais tão a sério

Não vou mais
Nunca mais
Levar tudo tão a sério
A ponto de me ferir
De me machucar
De me fazer sofrer...

Nada merece minha dor...

Sério!
A vida é bem divertida...


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2011 – Círculo de idéias

Crio
Dentro de mim
Um círculo de idéias
Um circo de idéias
Um circo louco de idéias
Um circo louco...

Crio
Mas não administro
E tudo se embaralha
E se confunde
E me confunde
Quando se fundem
Em novas idéias
Em novos planos
Em novos círculos...

Ciclo!
Círculo!
Circo!
E sou o astro principal...


AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

POESIA




2024 – Sem sentido

Que estranho!
Agora
O que leio não faz mais sentido
As poesias não têm porquê
Nada tem nexo...

Que estranho!
Agora
Só as músicas tristes fazem sentido
Só as frases tristes têm razão
Só a tristeza tem nexo...

Agora!
Que você foi embora...


AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

POESIAS

2001 – Tudo passa

Na vida
Tudo passa muito rápido:
O tempo passa
A uva passa
Até a banana passa...

Tudo é passageiro...

Menos o cobrador
E o motorista...

Tudo é uma luta.
Há vencedores
Há perdedores
Às vezes há empates...

O mocinho quase sempre vence
Às vezes o bandido vence
O desodorante vence
O leite vence e estraga...

Até as duplicatas vencem...

Nada de desânimo!
Levante a cabeça
Estufe o peito
E siga em frente...

Quer dizer
Se estiver em frente a um precipício, volte,
Dê um passo atrás...

Nessas horas você percebe:
Até um tropeção te leva pra frente...

Lembre-se:
Até um relógio quebrado
Duas vezes ao dia
Também estará certo...

Suas chances de sucesso
São maiores do que a do relógio...

Pelo menos eu espero que sejam
Porque, se não forem
Há tantos precipícios
Tantas pontes altas
Tantos prédios...

Chame seu melhor amigo
Peça ajuda
Peça um empurrãozinho nas costas...

Afinal, para que servem os amigos?


-----X-----



2002 – Masoquistas

Você me chama!
Grita meu nome!
Sabe que estou longe
Que não irei
Que nem te escutarei...

Você me chama porque gosta de sofrer...

Eu imploro por sua presença!
Ofereço a alma
O céu e a terra
Toda a riqueza do mundo
E nada de você me obedecer...

Masoquistas!
Gritam-nos a consciência.
Masoquistas!
Por que gostam tanto de sofrer?
Masoquistas!
Tantas mulheres existem por aí
Tantos homens disponíveis
E vocês querendo sofrer...

Masoquistas...


-----X-----



2003 – Louco de alegre

Dentro do banco
Lotado
Filas enormes
Eu me lembro dela
De algo que ela me disse
E começo a sorrir...

Gargalho!
Choro de tanto sorrir...

Olham-me!
Acham que sou louco...

Sou!
Louco de feliz!
Uma mulher me fez assim...

-----X-----


2004 – Estrelas

Todos somos astros
Com brilho próprio
Com características pessoais...

Alguns ficam cadentes
Vivem caindo
Cometem falhas...

Outros brilham para dentro
Tentam chamar a atenção para si...

Alguns não se acham estrelas
Parecem não ter brilho
Vivem tentando roubar o brilho dos outros...

Ou tentando apagá-los...

Uns nunca brilham o suficiente
Têm luz fraca
Não irradiam
São facilmente ofuscados pelos outros...

Outros brilham como o Sol!
São o centro das atenções...

Alguns parecem cometas.
Vagam
Até se chocarem
E virarem pedaços, restos...

E você?
Que tipo de estrela você é?
Escolha com sabedoria...


-----X-----



2005 - Resquícios

Resquícios da raiva:
O punho fechado
Parado no ar
- como um beija-flor –
Não desfere o golpe
Não fere o pecado...

Resquícios do amor:
Não cria a vida,
Não gera a morte.
Causa a alegria,
Inventa a dor...

Resquícios da dor:
Um beijo aéreo
Reconciliação
Culmina em sexo
Dá vida
E mortes...

Resquícios da morte:
A dúvida
Da cruz
Pro céu
Ou inferno...

Resquícios da vida?
Deus, big bang, Adão e Eva...


AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

POESIAS

1991 – Vem vindo o meu amor

Ouço o caminhão!
Vem puxado por caranguejos
Empurrado por cearenses utópicos
Esperado por paulistas caóticos
Ouço o caminhão...

Ouço o carro de boi!
Vem puxado por galinhas de angola
Empurrado pelos Chicos Buarques
Esperado pelos Montes negros
Ouço o carro de boi!

Ouço o carrinho de rolimã!
Escoltado pela polícia
Empurrado pela polícia
Assustado pela polícia...

Vem vindo o meu amor...

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1992 – Sonhei com meu amor

Sonhei!
Num jardim mágico
Pegando passarinhos mágicos
Falando palavras mágicas...

Mágica...

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1993 – Quais segredos são maiores?

Nunca te falei de meus segredos!
Tenho medo
Sei que fugirás...

Nunca escutei teus segredos!
Tenho medo
Fugirei...

Balanças!
Vivemos pesando
Tudo
Até as nossas palavras nunca ditas...

Troco meus segredos pelos teus!
Desde que nunca precise contá-los...

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1994 – No silêncio, no barulho

Tento me mostrar
No silêncio
Mas você só me vê
No barulho...

Minha paz está no silêncio
Mas para você só existo no barulho...

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1995 – Mais um na multidão

Tantas cabeças apressadas
Grudadas em corpos apressados
Guiadas por sistemas apressados
Vivendo uma vida apressada
Em uma sociedade apressada...

Que engraçado!
Tantas cabeças
Caminhando
E eu, aqui, parado, admirando-as
Abaixando e levantando
Conforme seus passos apressados
Dados por seus corpos apressados...

E, lá no meio, está quem me fará feliz...

Mas, são tantas cabeças,
Apressadas,
Grudados em corpos, apressados,
Gostosos corpos, apressados,
Que passam por mim, sossegado...

Quantos cheiros
E cores
E cabeças...

Tudo passa por mim tão apressado...

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1996 – Pedaços para tantas

Nunca tive a mim mesmo!
Sempre fui tantos
De tantas...

Nunca tive a mim mesmo!
Nem a ninguém...

Desapegado
Dei um pedaço de mim a uma morena
Outro pedaço a uma loira
Outros pedaços a diversas ruivas
Tantos pedaços a tantas negras...

Desapegado, me perdi.
Hoje não existo.
Sou pedaços, de tantas...


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1997 – O meu olhar vai dar uma festa na hora que ela chegar

Corro à esquina
Olho em direção ao horizonte
Não vejo o ônibus
Muito menos o avião
Nem seu vulto...

Volto à casa...

Minha intuição me deixa atento.
Minha intuição também falha.
Minha intuição me leva outra vez à esquina...

Estou te esperando...

Mas só vejo gatos e cachorros
Só vejo árvores e pássaros
Só vejo casas e pessoas que não quero ver
Só vejo a realidade...

E minha fantasia?
Onde fica a minha utopia?
Terei que ultrapassar dimensões novamente?

Volto à casa...

Sento.
Vou te esperar.
Deito.
Vou te esperar.
Durmo...

Ah! Vai ser uma festa quando você chegar...


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1998 – Ser feliz por amor

Eu tenho um vírus!
De que doença?
Eu não sei.
Só sei que tenho um vírus...

É um vírus estranho:
Às vezes me derruba,
Às vezes me anima,
Às vezes tira meu ânimo,
Às vezes me agita...

Esse vírus pode ser amor?
Pode!
Mas pode ser que não seja...

Eu tenho um vírus.
Eu quero ser feliz...

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1999 – Razão para te entender, emoção para te amar

Meus sentimentos não te entendem.
Por que tanto apego a coisas materiais?
Por que você não larga tudo e me acompanha?
Por que você não me acompanha
Neste mundo desapegado a tudo
Sem bens, sem dinheiro, sem nada...?

Por que sou tão exigente?
Largar tudo por minha causa?
Largar toda a sua vida, a sua carreira, a sua família?
Por minha causa?
E se eu te abandonar amanhã?
Já abandonei outras...

Egoísta!
Idiota!
Esse espelho não mente...

Tudo bem!
Espero a aposentadoria!
Que lindo será passearmos juntos
Com nossas bengalinhas
Evitando pequenos tropeços...

Que lindo será...

Não ria!
Não ria!
Eu posso estar chorando...


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2000 – O jovem fumante

Vejo um jovem fumando.
Vejo um jumento pastando.
Quem tem o cérebro maior?



AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

POESIAS

1984 – Busca inútil

Percorri todos os caminhos que me indicaram
Corri, andei,
Subi montes,
Desci montanhas,
Cruzei mares...

Voei como um pássaro...

O que consegui?
Dúvidas!
Incertezas!
Tempo perdido...

Parei!
Espero acontecer!
Acho que não tenho razão
Então, deixa o Tempo administrar minha vida...


-----0-----


1985 – Cenas de sangue

Ouvi o estrondo
Vi os restos espalhados
Senti no rosto o líquido vermelho...

Corpos retorcidos
Corpos presos
Corpos inertes...

Flashs!
Narrações emocionantes!
Closes...

Isso é televisão!
Isso é Brasil!
Isso dá Ibope!
E isso é tão repugnante...


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1986 – Não me canso de te olhar

Em suas fotos
Bonita como sempre
Em poses desvairadas
Você me surpreende
Cada dia com um brilho nos olhos
Todos os dias com um encanto...

Não me canso de te olhar
Mesmo que seja só em fotos
Em lugares que estivemos
Em posições que relembro...

Passado...

Não me canso de te olhar
Mesmo que seja só passado
Desde que seu futuro seja ao meu lado...

Aí, sim, não me cansarei de te olhar,
E te tocar
E te pegar
E te beijar
E tudo o mais que a censura não me permite falar...


-----0-----

1987 – Praia e cerveja

Que sol!
Sem praia
Sem cerveja
E com muita roupa...

Que sol!
Que saudades das praias que conheci
Principalmente de todas...

Que sol!
Que saudades de uma Skol
Estupidamente gelada...

Que sol!
Que máquina quente...

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1988 – Correntes de ouro

Marcha, soldado!
Sentido, soldado!
Atenção!
Descansar...

Siga!

Como ir?
Estou preso...

Preso com correntes de ouro
Mas, continuo preso...

Concursos!
Funcionário público!
Estabilidade!

Cresce, filho!
Cresce!
Vem ver que maravilha de mundo você vai viver!

Correntes de ouro...

-----0-----

1989 – Estrelas

Mesmo sóbrio
Mesmo com sol
Mesmo ao meio-dia
Vejo as estrelas...

Todas!
Inclusive as que não foram nomeadas...

Todas!
Inclusive as cadentes...

Todas!
Inclusive onde moro...

E você?
Espera sempre a noite?
Eu vejo estrelas de dia...

-----0-----

1990 – A vida é só uma ilusão

Rápido!
Dê cá um beijo!
Não posso demorar!
Escola! Trabalho! Rotinas!
Depressa...

Qual a minha idade?
Já tenho quase cinqüenta?
Não vi o tempo passar...

Quem é esse garoto?
Quem é essa garota?
Meus filhos?
Mas estão tão grandes
Nem os vi crescer...

Mas, tudo bem,
Quando eu me aposentar eu vou viver...

Só faltam quinze anos e meio...

AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

POESIA

1983 – A noite vem

Azul
Branco com nuvens
Amarelo, laranja, vermelho...

O vento bate
Bem suave
Em meu corpo...

Estremeço de prazer...

A noite me apavora
Mas a sua chegada me encanta...

JORGE LEITE DE SIQUEIRA

POESIA

1982 – A noite cai lá atrás das montanhas

O arco-íris
O entardecer
O sol por trás das montanhas
Seus raios nas nuvens...

Que beleza!
Que maravilha!
Deus existe
E está em meus olhos
No amarelo
No laranja
No vermelho...

Estou inebriado
Puro êxtase
Em plena segunda-feira
Olhando o sol se escondendo...

Deus existe e está no que vejo...

AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

POESIA 1981 – CONTANDO ESTRELAS

Andei por desertos
Andei por sertões
Andei, andei,
E as estrelas sempre me perseguiram
E imploraram para que eu as contasse...

Não quero!
A Lua é ciumenta!
E meu amor não me dá tempo para contá-las...

Corri por estradas
Corri por trilhas
E as estrelas sempre cobrando a minha falha...

Parei!
Vocês venceram!
Tão lindas são...

Uma, duas, três, quatro...

AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

POESIAS

1979 – Sonhar meus sonhos

Tentei
Juro que tentei
Todas as noites
Sonhar meus sonhos
Mas, não, não consegui,
Só sonhei os seus
Covarde como sou...

Tentei!
Juro!
Mas, menti muitas vezes
Quando disse que estava tudo bem...

Tudo é relativo...

Meus sonhos, escondidos em caixas fechadas,
Para os seus aparecerem
E, quem me dera, me fazerem feliz...

Mas, qual!
Seus sonhos não são tão fortes (e loucos) como os meus...




1980 – Solidão

Medo!
Tenho medo de estar sozinho!
Pavor da solidão!

Prazer!
Tenho prazer na solidão!
Amo estar sozinho...

Contradições
Que se repetem constantemente em meus dias
Sem explicação
A não ser a confusão que sou
E que não consigo mudar...

Não tenho confusão!
Sou confusão...

AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

POESIAS

1977 – INVERNO (CONTIGO?)

Cobertores
Cachecóis
Blusas e mais blusas
Frio...

Corpos bem juntos,
Juntos, juntos, juntos,
Muito juntos...

Frio!
E sorrisos nos rostos felizes dos enamorados...

Corpos juntos, bem juntos, juntíssimos...


1978 – Olhos tristes

Seus olhos estão tristes!
O que te aconteceu?
Serão apenas saudades?
Ou já é desespero?

Seus olhos estão tão tristes neste espelho...

AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

22 dezembro 2010

POESIA

2028 – Razão e emoção

Tentei te ensinar a sorrir,
Tentaste me ensinar a pensar;
Tentaste me ensinar a pedir,
Tentei te ensinar a chorar...

Aprendi que para não voar preciso criar raízes.
Não consegui te ensinar que amor só se aprende amando...

AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA



2025 – A vida é curiosa

A vida é curiosa:
Tanto tempo levei para te conhecer
Tanto tempo levei para te conquistar
E tão rápido você se foi...

Que curiosa é a vida...

AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

POESIA




2023 – Desça por minha garganta

Oh! Que enorme furacão!
Que fazes aqui fora?
Venha!
Desça por minha garganta...

Dentro de mim é o seu lugar...


AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA

04 dezembro 2010

COISAS POÉTICAS...




1962 – ENTENDENDO A VIDA

Por que esse cansaço não acaba nunca?
Por que essa aflição nunca tem fim?
Por que me sinto mal mesmo não tendo de quê reclamar?
De que sou culpado?
O que eu fiz?
O que tenho que fazer?
Isso nunca terá fim?
Só na aposentadoria?
Eu não entendo nada...

Disseram-me que a idade me curaria,
Me consertaria,
Me ajudaria.
E o que vejo agora que estou velho?
Mais desespero,
Mais dúvidas,
Mais aflições...

Espero a paz prometida
A felicidade
O amor...

O que preciso fazer?
Não quero ir para a igreja.
Rezar?
Não!
Deus não é a solução para mim.
Nesse caso, não.
Nem o diabo...

Espero entender a vida
Entender as pessoas
Encontrar o caminho
Ver o lado bom das coisas...

Quero entender a vida.
Não quero entender a morte...





1963 – RECOMEÇO

Recomeço?
Uma parede
Uma porta.
Abrir ou não?
O que há do outro lado?
Como saber?
Abrindo...

Recomeço?
Uma estrada.
O futuro, à frente.
O passado, atrás.
E uma corda a te prender.
Seguir?
Voltar?
Ficar?

Recomeço?
Usar sempre as mesmas roupas?
Ir sempre aos mesmos lugares?
Fazer sempre as mesmas coisas?

Recomeço?
Está em mim
Em você
Em todos.
Adormecido, manda mensagens;
Entorpecido, espera ordens...

Recomeço?
Positivo ou negativo?
Bom ou mau?
Início ou fim?
Céu ou inferno?
Como saber?
Só recomeçando... 


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1964 – INSENSATEZ

Do fundo do poço
Te dou conselhos
De como ser feliz...

Do fundo do poço
Mergulhado na lama
Te dou conselhos
De como ser feliz...

Do fundo do poço
Mergulhado na lama
Perfeitamente imperfeito
Te dou conselhos
De como ser feliz...

Infeliz
Te dou conselhos...





1965 – Quem me dera

Ah, quem me dera fosse um poeta!
E pudesse falar de amor
De flor
De olhos perdidos
Que sempre acham alguém
Ou se acham em alguém...

Em mim?
Em você?

Ah, se eu pudesse falar de amor
E de dor
E de como sou louco...

Ah, queria ter sido Vinícius...

Aceito, poeta, que use meu corpo
Para continuar sua obra...

Mesmo morto...

Ou será que já o faz?
Eu te leio tanto...







1966 – Porradas de Deus

O despertador toca.
Martírio!
Dele, prisioneiro que é,
Meu,
E da minha rotina...

Pior pra ele:
Esmurro-lhe a cabeça
Obrigo a se calar...

Pior pra mim:
Espancam-me
Para que eu me levante e vá trabalhar...

Meus murros quebram o aparelho.
As porradas que levo são pior:
Causam hematomas em meu inconsciente...

E vivo tão inconsciente...


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1967 – Sabes voar?

Voar!
Por sobre o mar
Para amar
Me amar...

Meu amor sabe voar?

Voar!
Sobre oceanos
Cidades, montanhas,
Rios...

Até aqui...

Meu amor!
Sabes voar?
Gol ou Tam?


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1968 – Aroma de amora

Aromas.
Amoras...

Aromas:
Cafés
Perfumes
Falta de perfumes...

Aromas, amoras,
Framboesas...

Aromas que me enlouquecem
Sem eu ter cheirado...

Ou cheirei?
Amora?






1969 – Eu não vou te esquecer

Está bem!
Você ganhou!
Eu não vou te esquecer...

Mas, quem é você?



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1970 – Plantação de espinhos

Olha, que lindo,
Uma plantação de espinhos!
Mas, é tão perigoso
Alguém pode se ferir...

O quê?
Rosas?
Onde?
Só vejo espinhos...

Tudo é tão relativo...



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1971 – Teu olhar

Vejo teu olhar
Sinto teu olhar
E tenho apenas fotos...

E cortam-me
Como faca amolada...

Mas, seus lábios!
Ah, seus lábios!
Todos eles...

Seus lábios me enlouquecem...






1972 – Vai! Pega esse avião!

Deixa de ser mole!
Pega esse avião...

Não comprou passagem?
Nem viu os preços?
Que lerdeza...

Vai!
Pega esse avião!
Mesmo que te leve para mais distante...

Pega...



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1973 – SOL, LUA, MAR

O sol se vai
A lua vem
Mas o mar continua no mesmo lugar...

A lua vai
O sol volta
E o mar, cheio de si...

O sol vai
A lua vem...

Não consigo mais ver o mar...







1974 – Desejos

O que desejo?
Um amor?
Uma casa?
Carro na garagem?

Liberdade.
Paz.
Felicidade...

O que desejo?
Depende de mim?
Ou de você?

Sou tão infeliz sozinho...






1975 – Perguntas ou respostas

Você me pergunta
E me pede respostas...

Não vês que eu também procuro as respostas?

Aliás, não quero respostas,
Quero saber as perguntas
Para ver se são iguais às minhas...



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1976 – Rumores

Ouvi rumores!
Rumores
Bons humores
Maus humores
Boatos...

Ouvi rumores!
Vi rumores!
Senti os rumores...

E os rumores foram apenas rumores...



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AUTOR: JORGE LEITE DE SIQUEIRA
Todos os direitos reservados...

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