28 outubro 2011

USP X PM

Ta bom! Vamos ver se entendi: o mundo está parando fazendo passeatas (e coisas do gênero) contra o Capitalismo, conta a riqueza desregrada, etc., e a USP quer que a PM saia para que a MACONHA seja liberada?

Eu acho que a maconha já é liberada, pessoal! Apenas tomem um pouco mais de cuidado! Cuidado quando comprar, cuidado quando vender, cuidado quando fumar!!!!

Mas, sejam coerentes! Vamos nos manifestar contra o que é importante!!!! Jovens, jovens, eu esperava um pouco mais de vocês!!!

Mas ainda dá tempo...

27 outubro 2011

TIRINHAS





Poesia 2256 – Criança novamente

Tentei ser criança novamente
Não consegui.
Vi ruas de poucos carros
Vi carroças e pessoas
Vi esgotos a céu aberto...

Não tinha vídeo-game.
Tinha esconde-esconde
Tinha pega-pega
Tinha o futebol no campinho...

Hoje?
Não tem criança
Não tem brincadeira
Não tem nem terra na rua...

Adulto! Eca...

JORGE LEITE DE SIQUEIRA

OBS. Sou o que sorri...

PAN 2011 - PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI (FOTOS)

PARABÉNS PELAS MEDALHAS, MAS, PRINCIPALMENTE, PELA PARTICIPAÇÃO.
O ESPORTE É IMPORTANTE PARA A EDUCAÇÃO DE UM PAÍS.
EVOLUÍMOS? SIM. MAS FALTA MUITO CHÃO PARA PERCORRER...





26 outubro 2011

Poesia 2255 – Saudades é para quem pode

Tenho saudades de praias!
Saudades de Fortaleza
De Maxaranguape
De Aquiraz
De Caucaia...

Tenho saudades de minha amada!
De seus beijos
De seus abraços
De deitar-me ao seu lado...

Tenho saudades...

As saudades não me entristecem mais.
Antes, me deprimiam.
Agora, entendo que só posso ter saudades do que amo,
Do que gosto
Do que vivi
Do que vi
Do que senti na pele
Do que me fez feliz
Do que faz feliz...

Saudades é para quem pode...

JORGE LEITE DE SIQUEIRA

Poesia 2254 – Hora do Anjo

São seis horas.
Hora dos Anjos.
Meu Anjo ainda não chegou
Mas tenho certeza que virá...

Tomo um banho gelado
Saio à varanda
Vejo os carros lá embaixo...

Vigésimo quinto andar...

Ligo o som
Toca música popular brasileira
Rádio...

Pego uma cerveja
Sento-me em minha poltrona preferida
Relaxo e espero...

Meu Anjo virá me buscar...

Minha veia da testa lateja desenfreada.
Nunca aconteceu isso.
Não estou com pressão alterada
Não estou com dores
Não sinto nada.
Só a veia da testa que lateja...

Deve ser meu Anjo que me avisa que está chegando.
Meu Anjo.
Anjo da Guarda.
Ou o Anjo da Morte...

JORGE LEITE DE SIQUEIRA

Poesia 2253 – Nome das coisas

Algumas coisas têm nomes estranhos.
Dedos.
Por que dedos?
Poderiam ser palitos, pauzinhos, estiletes,
Mas, por que dedos?
E caneta!
Por que caneta?
Por que não tinteiro?
Ou riscador?
Ou apenas risqueiro?

E as pessoas!
Cada nome estranho.
Meu nome é Jorge.
Por quê?
Por que não sou Valdir?
Por que não sou William?
Por que não sou Felipe?
Porque meu pai quis que eu fosse Jorge, eu sei.
Mas, por que Janete, Janaína e Janice?
Mas, por que João Luís e José Henrique?
Filhos de Maria ficariam melhor chamando-se Jesus...

E por que tantas línguas, tantos idiomas?
Por que caneta é pen?
Por que lápis é pencil?
Por que lápis não se chama canetil?
Por que caneta não se chama lap?

Deixa pra lá, nunca vou entender isso...

JORGE LEITE DE SIQUEIRA

25 outubro 2011

Poesia 2252 – Não me entenda

Não tenho rigores
Não faço exigências
Não sou exagerado...

Sou humilde, bem humilde,
Ou o que mais se assemelhar a isso...

Meu ufanismo é pura utopia.
Minha utopia é pura realidade.
Minha realidade é só ilusão...

E não sou exagerado...

Não me entendo, também,
Sou ignorante
Sem arrogância...

Não me entenda.
A última pessoa que assim o fez
Ama-me perdidamente...

Eternamente será assim.
É o carrego de mal
Ou de bom.
Que pena que é só isso...

JORGE LEITE DE SIQUEIRA

Poesia 2251 – Acreditando em mentiras

Um dia me classificaram como poeta.
O pior: eu acreditei!
E comecei a escrever
E expor o meu âmago...

Não percebi que era mentira!
E escrevi.
Sobre meus amores
Sobre minhas dores
Sobre minhas vitórias
Principalmente sobre minhas derrotas...

Riram de mim.
Parei de escrever.
Riram para mim
Voltei a escrever...

Falei de sorrisos e lágrimas
Confundi olhos e mentes
Conquistei corações...

Mas continuo o mesmo.
Percebo hoje que não mudei.
Só o que mudou é que não consigo mais parar de escrever.
Mentiras e verdades.
Antagonismos contraditórios.
Belezas absolutas...

Não descansei no sétimo dia...

JORGE LEITE DE SIQUEIRA

Poesia 2250 – Bandeira de Pasárgada

Bandeira!
Não é do Brasil,
Nem de Pernambuco.
Bandeira de Pasárgada...

Hasteada
Ao lado da minha
De Max
Maxaranguape...

Rasgaram-se!
Não temos dinheiro para comprar uma nova
Somos funcionários públicos
Somos poetas
Não vendemos livros...

Bandeiras.
Que hasteamos por teimosia.
Bandeiras poéticas...

Manuel e eu.
Eu e Manuel.
Bandeira...

JORGE LEITE DE SIQUEIRA

Poesia 2249 – Primeiro testamento

Deixo as casas que não tenho para os filhos,
Deixo os carros que não tive para as esposas,
Deixo o dinheiro que não juntarei para a família...

As fotos que tirei?
As bocas que beijei?
Os corpos que despi?
As lembranças que guardei?
Não deixo para ninguém
Levo para o céu comigo...

Os olhos que encarei?
As paisagens que olhei?
As emoções que vivi?
Não deixo para ninguém
Levo em meu coração...

Filhos?
Esposa?
Família?
Que cada um conquiste os seus sonhos.
Que eu sirva de exemplo...

JORGE LEITE DE SIQUEIRA

Poesia 2248 – Vinícius comendo alface

Vinícius pega a alface
Com os dedos, mesmo,
Nem um pouco limpos
Sujos de peixe frito...

Vinícius leva a alface à boca.
A alface não tem gosto
Só um pequeno sintoma de sal...

Vinícius faz careta...

Malditos médicos!
Malditas receitas médicas!

Vinícius bebe um gole de uísque!
Vinícius pega mais alface
E leva à boca.
Vinícius bebe outro gole de uísque!
- Agora sim...

Malditos médicos!
Bendito Vinícius...

JORGE LEITE DE SIQUEIRA

Poesia 2247 – O pensamento dele

O pensamento dele voava com facilidade.
Ia para o Nordeste
Fugia para o Sul
Ficava no Sudeste...

O pensamento dele é volátil...

Como nuvem, não tinha ponto fixo.
Desmanchava-se, também, facilmente.
Às vezes criava tempestades de tirar o sono,
Às vezes apenas tirava o sono...

O pensamento dele não seguia regras.
Era poeta sem estudos,
Era poliglota que falava uma língua,
Era crítico do que não conhecia...

O seu pensamento o enganava...

Ele pensava que era feliz; nunca foi.
Ele pensava que amava; nunca amou.
Ele pensava em fugir; nunca teve coragem.
Ele pensava em parar de pensar...

O seu pensamento pensava na morte...

JORGE LEITE DE SIQUEIRA

FRASES PARA SUA CAMISETA

1. Quando nóis qué bebê, nóis bebe. Quando nóis qué come, nóis come. Quando nóis qué trepa, nóis trepa. Quando nóis qué estudá... ...aí nóis DORME, porque ninguém é de ferro.

2. Fugi da SKOLa e caí na BOHEMIA. vê se não me emBRAHMA e traz uma ANTARTICA gelada. se MALT pergunto, por aKAISER você bebeu hoje?

3. CERVEJA como são as coisas. você não me CONHAQUE, não sabe de onde eu VINHO. por isso não me CAMPARI com qualquer RUM.

4. DINHEIRO NÃO TRAZ FELICIDADE. então me de o seu......e seja feliz.

5. Não existe mulher feia você é que bebeu pouco.

6. Na guerra das cervejas sou voluntário.

7. NÃO bebo, NÃO cheiro, NÃO trepo e NEM falo palavrão. PUTA QUE O PARIU! ESQUECI A BRANCA PURA NO BARZINHO DO MOTEL!

8. EXISTEM DOIS TIPOS DE MULHERES: as que me amam, e as que não me conhecem.

9. Ultimamente venho notando em seus olhos um desejo incrível de ir pra cama comigo. Confirme com um sorriso.

10. Se você está TRISTE, eu fico triste. Se você está ALEGRE, eu fico alegre. (por favor, fique RICO!)

11. Só tenho olhos pra um homem. (de cada vez, é claro)

12. Só tenho olhos para uma mulher... - ...de cada vez é claro

13. Atrás de um grande homem, sempre existe uma mulher... ...cansada, triste, chateada, estressada...

14. AGORA VOU VOTAR NAS PUTAS! Cansei de votar nos filhos delas.

15. Comecei uma DIETA: cortei a bebida e comidas pesadas. em QUATORZE DIAS perdi DUAS SEMANAS!

16. Todo mundo vê as PINGAS que eu tomo, mas não vê os TOMBOS que eu levo.

17. Nunca tive problemas com DROGAS. Só com a POLÍCIA.

18. As DROGAS provocam amnésia e outras coisas que não me lembro mais...

19. Drogas to fora. Fui comprar e volto já.

20. Philco se lê FILCO. Philips se lê Filips. Futa que o Faril. Trocaram o p pelo f e nem me avisaram!

21. Você já cheirou Coca? Tem o mesmo cheiro da Pepsi.

22. CHEIRO BRANCA... e também preta, loira, mulata, ruiva, amarela... cheiro até você!

23. NÃO BEBO ÁGUA! Peixes transam nela.

24. Sou a favor da ecologia... mas adoro afogar o ganso

25. Quando a galinha é boa o pinto cresce.

26. Oração do aposentado: quando a gente se aposenta: a barriga cresce o pinto desce o saco amolece as muié oferece... ...mas nois agradece e vorta pra fila do INPS.

27. AME A SUA PATRIA! Ela não tem culpa dos filhos que tem.

28. Gata, rezei 1/3, pra encontrar 1/2 de te levar pra ¼.

29. O meu (desenho de um pinto(inho)) é ecológico ele gosta da (desenho de uma perereca) brinca com (desenho de aranha) e só dorme com (desenho de uma galinha) VOCES GOSTARAM DO MEU PINTO?

30. SEXO!? Tô fora. Tô dentro. Tô fora. Tô dentro...

31. Menina casa comigo Que nois vai fazê amor. Colá boca com boca. Mijador com mijador.

32. Menina casa comigo que você não passa fome. De dia tu come pinto, de noite pinto TE COME.

33. SOU FEIM, FEIM... mas sou FACIM, FACIM...

34. SE FOR PRA MORRER DE BATIDA que seja de limão.

35. Você sabia que a parte mais interessante das pessoas está logo abaixo onde termina esta frase?

36. Se eu estiver bêbado, e se você for bonita, aproveite-se de mim

37. Saí de casa cedo... e ainda não comi ninguém.

38. Não deixem o mundo acabar... - Ainda não comi ninguém.

39. Seu namorado não faz DIREITO? Eu faço.

40. Seu namorado pode até fazer DIREITO mas conheço seu corpo como ninguém. FAÇO MEDICINA.

41. CULTURA ENRIQUECE. Pergunte aos donos da escola.

42. É melhor ser bêbado conhecido, do que alcoólatra anônimo.

43. JESUS AMA VOCÊ mas o resto de nós te acha um babaca!

44. VÁ AO TEATRO mas não me chame!

45. EU SOU "TÍMIDO mas tenho um pau enorme.

46. Você é a droga que me deixa LOUCO.

47. O caçador da perereca perdida

48. Seja ecológica solte a perereca.

49. Turma da perereca amarradinha.

50. Como não achei a sapa, resolvi ficar com a perereca!

51. Eu não sou sapo mas adoro uma perereca.

52. Chifre é igual dente de nenen, só doi, quando nasce!

53. Neste CARNAVAL não vou beber, não vou fumar, nem vou transar, só vou falar mentira.

54. Só dou carona pra quem me dá...

55. O SEXO não resolve todos os problemas, mas até hoje não inventaram NADA MELHOR.

56. Se correr o fusca pega, se ficar o fusca come!

57. Matam meu salário, continuo trabalhando. Destroem nosso país, continuo sonhando. Ignoram nossa música e eu sigo dançando.

58. Se você já deu a bundinha, de uma risadinha.

59. Não cobiçar a mulher do próximo - Quando o próximo estiver próximo.

60. Acho você um tremendo cara de pau, safado, egoísta, ciumento, inseguro... - E o pior é que eu gosto!

61. Você finge que não me vê... - ...mas sabe o que está escrito na minha camiseta!

62. Existem pessoas que só pensam em: DINHEIRO, SEXO, E BEBIDA... - Eu sou uma delas!

63. Sou bonito rico famoso e gostoso... - A propaganda é a alma do negócio!

64. Tem um corno me olhando - e continua me olhando.

65. Pra ser corno tem que ser homem! - Você é homem ou não é...?

66. Tem sempre um CORNO perto de mim.

67. Doei todos meus órgãos - o coração já está em seu nome.

68. Não abro mão da minha mulher... - ...e nem da sua.

69. Não sou o que você pensa - mas tenho o que você gosta.

70. Tirei um raio X e sabe qual foi o resultado?... - um coração apaixonado!!

21 outubro 2011

Poesia 2246 – Terminal de ônibus

To esperando o ônibus.
Sentei no Terminal,
Estou esperando o ônibus.
Não sei para onde quero ir
Sei onde estou
Não sei para onde vou...

Mas isto não quer dizer que eu esteja perdido...

Para onde vão todos estes que estão aqui comigo?
Estão perdidos também?

Tem brancos, negros.
Tem quase coloridos.
Ninguém sorri.
Será proibido sorrir nos pontos de ônibus?
Não vou sorrir também...

Fazem barulho.
Os carros principalmente.
Eu ouço Zé Geraldo no fone de ouvido...

Não tenho fome.
Tenho sede.
Quero beber.
Quero cerveja.
Quero beber muito.
Até apagar...

Apagar o consciente
A memória
Principalmente a memória.
O que sei?
Não quero saber o que sei...

Quero beber.
Mas não tenho dinheiro.
Tenho pouco dinheiro
Dezessete reais
É o que restou de meu salário...

Pelo menos não tenho dívidas
Paguei todas
Mas não sobrou salário...

Sobrou mês...

Dezessete reais.
Vou beber duas cervejas
E sobrar-me-á uns dez reais.
Dá pra chegar até o próximo salário?
Veremos...

Os ônibus têm fome.
Comem gentes.
Vomitam menos do que engolem...

As gentes se foram.
Virão outras.
É horário de pico
É hora do rush
É tempo do trabalhador ir para casa descansar...

Eu não queria falar: estou sozinho.
Juro que não queria falar,
Mas você insiste em ouvir.
Mas estou bem sozinho.
Hoje estou bem...

Na verdade nem estou sozinho
Tem gentes ao meu lado
Chegaram mais...

Eu disse que chegariam...

Alguns ônibus são mais gulosos.
O 106 comeu tanto que cai gente pela boca.
Seus olhos estão acesos.
Olhos de farol.
Farol que não é de praia...

As gentes se foram.
Os ônibus continuam gulosos.
124, 15, 3.
Os ônibus não têm nomes
Tem números...

Eu gostaria de ter número...

203.
Que tal?
Ou 404...

404 é legal.
96 também é.
43 é mais ou menos.
7 é muito pouco...

Eu poderia me chamar 371
Mas minha casa já é 371...

Por que o asfalto é preto?
Algumas pessoas também são.
Muitos olhos são pretos.
Todas as graúnas são negras...

Estou cansado.
De viver, principalmente.
Quero morrer.
Não de corpo.
De gente.
Ou sumir...

Se eu sumir ninguém vai notar...

Ninguém.
Nem filhos, nem pais.
Nem ninguém.
Ninguém.
Eu sou ninguém.
E eu não sentiria a minha falta.
Juro que não...

Mas eu não morro.
Nem sumo.
Então vou embora
Que fiquem os ônibus gulosos
As gentes tristes
Os carros barulhentos.
Eu vou para o bar
Vou beber duas cervejas
É o que posso...

Pela grana
Pela sede não
Pela sede eu beberia o bar...

Todo o bar...

JORGE LEITE DE SIQUEIRA

20 outubro 2011

TABACARIA - ÁLVARO DE CAMPOS (FERNANDO PESSOA)

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?

Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.

(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)

Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.

(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)

Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente

Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.

Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.

Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o deconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,

Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.

Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.

Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.

Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.

(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.

Álvaro de Campos, 15-1-1928

18 outubro 2011

LEVITE-SE E ANDE!

PIADA

Um casal está jantando num exclusivíssimo restaurante, quando entra uma loura estonteante e, se aproximando da mesa, dá um beijo no marido e lhe diz:

- Depois a gente se vê, ok?

E vai embora.
A esposa olha para o marido com olhos esbugalhados e diz:

- Você pode me explicar que diabo é essa?
- É a minha amante... - responde o marido calmamente.
- Ah, não! Essa é a gota que transbordou o copo! Quero o divórcio já! Vou contratar o melhor advogado e não vou parar até te destruir.
- Te entendo, querida. - diz o esposo com total tranqüilidade - mas leva em conta que se nos divorciarmos não haverá mais nada para você: nem viagens à Cortina D'Ampezzo, nem cruzeiros pelo Caribe, nem um BMW novo a cada ano na garagem, nem restaurantes exclusivos... e você vai ter que sair da mansão de 26 cômodos que tanto esfrega na cara das tuas amigas porque eu vou te comprar uma casa bonita, mas muito menor.
- Isso sem mencionar que se pensa contratar um advogado tão bom, os honorários vão te comer a metade do pouco que consiga tirar de mim... porque você bem sabe que eu não sou bobo e advogados "feras" é o que mais tenho nas minhas várias empresas.

- Mas, enfim, a decisão é sua...

Nesse momento, entra no restaurante um amigo do casal, acompanhado por uma morena deslumbrante.

- Quem é aquela atirada que está com o Sérgio? Pergunta a esposa.
- É a amante dele.

- Ah!!!...A nossa é bem mais bonita, né amoooor?

CLÁSSICOS

O rio

Uma gota de chuva
A mais, e o ventre grávido
Estremeceu, da terra.
Através de antigos
Sedimentos, rochas
Ignoradas, ouro
Carvão, ferro e mármore
Um fio cristalino
Distante milênios
Partiu fragilmente
Sequioso de espaço
Em busca de luz.

Um rio nasceu.

Vinícius de Moraes

CLÁSSICOS

A um passarinho

Para que vieste
Na minha janela
Meter o nariz?
Se foi por um verso
Não sou mais poeta
Ando tão feliz!
Se é para uma prosa
Não sou Anchieta
Nem venho de Assis.

Deixa-te de histórias
Some-te daqui!

Vinícius de Moraes

CLÁSSICOS

Dialética

É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz
Mas acontece que eu sou triste...

Vinícius de Moraes

16 outubro 2011

POESIAS DE UM DOMINGO CHUVOSO

2239 – Mesclando lembranças

Não tenho mais sentimentos.
É fato
Apurado
Realidade.
Não sei se gosto
Não sei se odeio
É uma mistura
Neutralidades que se anulam
E me atrapalham...

Sinto um vazio
Mesclado por lembranças
Boas
Más
Mas que apenas aumentam o vazio...

Se isso for possível...

Não amo mais.
Acho que não.
O que é amor?
Um vazio?
Viver de lembranças?
Então não quero amar...

Quero viver!
Preciso apagar minha mente
O que sei
Esquecer tudo
Até quem sou...

E recomeçar...

Tentar ser normal igual a todos.
Meus amigos são normais
Fingem ser felizes.
Falsos...

Devo ser falso?
E meus sonhos?
Somem
Ralo abaixo...

Perdi os sentimentos.
Sonhos?
Não me lembro mais...

Amor
Ódio
Sobrepõe-se
E me paralisam
Mas nunca me descartam...

Amanhã.
Quem sabe amanhã tudo fique bem...

2240 – Ecos de fantasmas

Meus fantasmas sumiram.
Mas, tudo some em mim: meus amigos, meus fantasmas, a vida...

Meus sonos não são normais
Têm telas azuis
Mantras católicos
E nada me adormece...

Álcool vira sangue
Sangue vira álcool
E não me apetece mais...

Não mais...

As dores que surgiram me irritam.
Repetem-se
Corpo adentro
Mente adentro
Alma à fora...

Almas fora: nove...

Dores!
Ecos espirituais
Vinham com os fantasmas
Agora vêm sozinhas...

2241 – FAÇO UM POEMA AO PÔR DO SOL

O sol se põe.
Sozinho
Tiro fotos do sol
Da lâmpada
Das sombras...

O sol se põe.
Todos os dias é assim...

Tiro fotos minhas.
Viajante solitário.
Acerto algumas
Erro todas
Sozinho é difícil...

O sol se põe.
Minha coragem de suicídio se esvai
Meu medo opõe...

Faço um poema ao pôr do sol...

2242 – E?

Sonhei com a ex.
Tava longe
Me chamava
Tão amável...

Eu fugi
Não era verdade, era sonho,
Um sonho ruim
Pesadelo
Mas já foi realidade...

Tento acordar
Consigo acordar
Assustado
Encantado com os espíritos
Que me manipulam
Aproveitando-se de minhas fraquezas...

Ainda sou esperto
E os domino
Mas, e quando for fraco
E minha consciência não mais voltar?
E quando minha vida for só de sonhos?
E se não conseguir mais voltar?

2243 – Meu amor, cachaça

Fatiei limão
Espremi laranja
Coloquei pinga
Botei açúcar
Taquei gelo...

Ficou muito doce...

Mais água
Mais pinga
Mais pinga ainda...

Ótimo. Ficou ótimo...

Meu cérebro adormece.
Esqueço-me dela
Lembro-me dela.
Fico louco
Fico calmo...

Pinga, mais pinga,
Preciso de anestesia,
Mais,
Cada vez mais...

Lembro dela!
Quem é ela?
Esqueci-me...

Lembro-me da cachaça, meu amor...

2244 – Recomeço do idiota

Tudo que eu queria
Era começar de novo.
Ou ser louco...

Sou apenas palavras.
Andarilho?
Burro, idiota,
Incapaz de se aventurar
De tentar
De querer...

Idiota é o que sou...

Começar de novo?
Não posso.
Posso largar tudo
e tentar.
Mas, vou?
Idiota...

2245 – Funcionário público

Estabilidade!
Mil e quinhentos reais por mês.
Capitalismo.
Assalariado...

Eu sou Alguém!
Não sou rico
Não tenho casa
Não tenho carro
Não tenho dinheiro na conta...

Mas tenho estabilidade...

Sou feliz?
Não tenho companhia.
Não tenho amigos.
Mas tenho estabilidade...

Balelas...

JORGE LEITE DE SIQUEIRA

FAÇO PARTE DOS 99%




Dez mitos sobre dietas

Muitos mitos você com certeza já deve ter ouvido e talvez até possa acreditar, mas o fato é que não correspondem à realidade. Aqui vão ...