27 dezembro 2012

MEUS BLOGS

Estou com um novo blog. Faça uma visita e deixa um comentário:

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Valeu pela visita...

Minhas fotos? Estão nesse blog:

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E as poesias? Estão aqui, ó:

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Onde está o livro Faroeste Caboclo que escrevi? Acho que é aqui:

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E meus Contos?

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Acho que é só...

As 10 series mais legais da atualidade!

1• Spartacus

Spartacus é uma série sobre o gladiador mais famoso de Roma. Logo Após Spartacus ser separado de sua mulher, ele é forçado a entrar na arena horrível e sanguinária, onde uma morte cruel é o melhor entretenimento. Spartacus deve lutar pela sobrevivência, fazer amizade com seus inimigos e fazer política neste novo mundo de corrupção, violência, sexo e fama. Ele vai ser seduzido pelo poder e atormentado pela vingança. Mas sua paixão lhe dará a força para prevalecer sobre todos os obstáculos, neste conto moderno e desinibido sobre morte, honra e resistência. Essa é uma produção de alto nível em todos os aspectos: elenco, cenários e com doses de violência, sangue e sexo! Após o afastamento, e conseqüente morte, do ator Andy Whitifield muitos esperavam que a serie fosse cancelada, mas ela voltou com Liam McIntyre interpretando Spartacus no lugar de Andy e ele está fazendo um trabalho incrível juntamento com o restante do elenco.

 2• Supernatural
Há 20 anos, Sam e Dean Winchester perderam sua mãe em um trágico e misterioso acidente, no qual as forças obscuras estiveram envolvidas. Por esta razão, seu pai decidiu ensiná-los a lidar com a vida sobrenatural, ensinando-lhes técnicas de defesa contra as forças do mal; chegando até a ensinar a maneira ideal para matar os diferentes tipos de demônios. Agora, os irmãos Winchester percorrem os Estados Unidos em seu velho Chevy travando uma verdadeira batalha contra a obscuridade e a maldade. Objetos amaldiçoados, vampiros, bruxas e entidades maléficas — incluindo anjos, até mesmo o próprio lúcifer — são só alguns dos desafios que estes dois irmãos têm de superar. Na temporada atual, acho que caiu um pouco o nível, mas essa serie está onde merece, pois promete muita coisa ainda. 

3• The Walking Dead
O mundo que conhecíamos não existe mais. Uma epidemia de proporções apocalípticas varreu o mundo fazendo os mortos levantarem e se alimentarem dos vivos. Em questão de meses, a sociedade se desintegrou. Em um mundo dominado pelos mortos, somos forçados a finalmente começar a viver. Baseado na série de quadrinhos de Robert Kirkman, essa série centra-se no mundo após um apocalipse zumbi. Essa serie envolvente e traz uma historia muito bem desenvolvida, com cenários surpreendentes e muito sangue. A tendência dessa serie é melhorar ainda mais, pois na segunda temporada as relações interpessoais estão em destaque, criando assim um clima mais tenso, cheio de drama e suspense. 

4• How I Met Your Mother
A comédia enfoca a busca de Ted para encontrar o amor de sua vida. Tudo começa quando seu melhor amigo, Marshall, anuncia seu noivado com a namorada Lily, uma professora do jardim da infância. Neste instante, Ted se dá conta de que precisa fazer alguma coisa para não terminar sozinho. Para ajudá-lo em sua busca está o personagem mais divertido da serie: Barney, um amigo com muitos conselhos e estratégias para pegar a mulherada, que muitas vezes acaba levando-os a muitas situações hilárias. Quando Ted conhece Robin, ele acredita ser amor à primeira vista. Porém, ele não sabe que o destino lhe reservou algo a mais. A história é narrada no futuro, a partir das lembranças do protagonista. 

5• Dexter
Série sensacional. Dexter é um policial forense que mata (sem que ninguém saiba) acusados que a policia não consegue prender. Ou seja, ele é um serial killer do bem, contudo dissimulado e cínico. Dexter é um personagem complexo cujo código moral e ações talvez sejam chocantes para alguns e totalmente injustificáveis para outros. Na superfície, Dexter é um bom homem durante o dia, mas a noite é um serial killer eficiente. 

6• Game of Thrones
Uma produção de escalas cinematográficas, com um elenco de primeira e um material de roteiro nas mãos que não poderia dar errado. "Game of Thrones" trouxe um novo conceito de series. A super-produção da HBO deixou rendidos espectadores e críticos, através de cenários assombrosos, uma história fantástica e um trabalho de actores extraordinário. A série terminou a primeira temporada em alta, deixando assim todos nós na expectativa para a segunda. Game of Thrones é uma das series mais bem produzidas de todos os tempos! 

7• Fringe
Apesar dos baixos índices de audiência, é uma série com um dos melhores roteiros da atualidade. Misturando ficção científica e drama, é impossível ficar imune aos acontecimentos ou não se perguntar o que virá a seguir, essa serie mexe com sua imaginação de inúmeras formas. A grande sacada é surpreender, algo que Fringe faz muito bem. 

8• The Mentalist
"Um mentalista é um mestre manipulador de pensamentos e de comportamentos." O mentalista é Patrick Jane (Simon Baker em uma aclamada performance), uma celebridade paranormal cuja esposa e filho são cruelmente assassinados por um terrível serial killer conhecido como Red John. Devastado, Patrick admite que sua paranormalidade é falsa, renuncia sua vida pregressa e usa sua incrível capacidade de observação e de análise (talentos que fazem-no parecer portador de poderes psíquicos) para trazer criminosos perante a Justiça. Freqüentando cenas de crimes na Califórnia , Patrick agora ajuda uma equipe de elite de detetives a solucionarem seus casos mais complexos. Mas não importa quantos bandidos ele coloque atrás das grades, Patrick nunca esquece sua principal tarefa, encontrar Red John e vingar-se. 

9• Two And a Half Men (Novo)
O novo Two and a Half Men apesar de ter perdido muito seu brilho e qualidade no humor, continua sendo uma ótima serie. A comédia começa a apresentar sinais de uma positiva mudança à medida que Walden Schmidt, personagem de Ashton Kutcher, ganha destaque e maior aceitação popular e o roteiro passou a valorizar melhor o talento de Jon Cryer (Alan) que aos poucos faz a serie continuar a valer à pena. 

10• Californication
Hank Moody (David Duchovny, Arquivo X) é um escritor extraordinário que além de ser pai tem muitos vícios, particularmente no que diz respeito ao sexo. – A historia é fortemente recheada com doses de muito sexo, drogas e situações hilárias que enquadram os principais personagens da serie, e é essa combinação faz a serie ser extremamente divertida.

25 dezembro 2012

O Papai-Noel foi criado pela Coca-Cola? Saiba origens do Natal


O Papai-Noel é uma invenção da Coca-Cola? Foto: Getty Images
O Papai-Noel é uma invenção da Coca-Cola?

Papai-Noel, árvore, ceia e presentes. Chega a época do Natal e começamos a ver tudo isso em todo o lugar (e de vez em quando ouvimos falar de um tal de Cristo). Mas qual é a origem de todos esses símbolos? E da festa - quando e por que surgiu a comemoração do Natal? Segundo Pedro Paulo Funari, professor de história e arqueologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a origem da comemoração e seus símbolos são muito mais pagãos que cristãos.

Por que 25 de dezembro?

Conforme Funari, o Natal é derivado de uma festa muito anterior ao cristianismo e ao calendário do ciclo solar. De acordo com o pesquisador, os pagãos comemoravam na época do solstício de inverno (o dia mais curto do ano e que, no hemisfério norte, ocorre no final de dezembro) porque os dias iriam começar a ficar mais longos. "É uma celebração que tem a ver com o calendário agrícola, originalmente. E, como todo calendário agrícola, ele está preocupado com a fertilidade do solo e a manutenção do ciclo da natureza", diz o professor.

Em Roma, essa data era associada ao deus Sol Invictus, já que após o dia mais curto do ano o sol volta a aparecer mais. Quanto ao cristianismo, a comemoração do nascimento de Jesus Cristo só começou a ocorrer no século IV, quando o imperador Constantino deu fim à perseguição contra essa religião. Os religiosos então usam a comemoração pagã e a revestem com simbolismo cristão. Curiosamente, afirma o pesquisador, no final do mesmo século, como a Igreja ganha poder, ela passa a perseguir os pagãos que comemoravam a festa da forma original.

Troca de presentes

Segundo Funari, a troca de presentes é um ato comum a todos os povos, independente do capitalismo, por exemplo, ou de religião. Esse ato, desse ponto de vista, é muito mais ligado ao reforço de laços sociais entre as pessoas. No cristianismo, a troca foi associada simbolicamente aos reis magos, que teriam dado presentes de Jesus - em alguns países, como na Espanha, é comum dar presentes apenas no Dia de Reis.

Contudo, durante o século XX, a festa foi perdendo muitas de suas características religiosas (mas não todas) e hoje se apresenta de forma muito mais comercial. "Desvencilhou-se bastante da imagem original (religiosa) para que pessoas, países e povos não cristãos, como os japoneses, também sejam incentivados a ter troca de presentes nesse período", diz Funari, que lembra que muitas pessoas que não são religiosas e até ateus participam de festas de Natal.

"Na propaganda dos presentes em si, não aparece o Cristo, o Jesus. Aparece lá 'compre uma TV moderna', 'compre um aparelho celular'. Na propaganda desses produtos não aparece essa caracterização religiosa. (...) Sabendo-se que as pessoas têm como princípio o estreitamento de vínculos sociais em geral e dentro da família em especial, o capitalismo explorou isso, digamos assim, ao extremo."

Originalmente, afirma o pesquisador, a troca de presentes não estava ligada à tradição do Natal, pelo menos não à festa original. "A troca de presentes na escala moderna é uma invenção do capitalismo."

Ceia

A comida de Natal, por outro lado, era comum nas primeiras festas. Na ceia natalina era comum a carne assada porque esses pratos eram considerados mais sofisticados, mais caros, e serviam melhor para uma situação especial. O porco, assim como o peixe, era uma das carnes mais comuns.

O peru foi introduzido apenas no século XVI. A ave é originária das Américas e se popularizou rapidamente na elite da Europa quando foi levada ao continente. Por ser mais caro, o peru virou a carne das grandes ocasiões.

Papai-Noel

Funari afirma que o homem chamado Nicolau que viveu na Antiguidade e que virou santo não tem nada a ver com o Papai-Noel, apesar de muitas versões dizerem isso. A figura tem origem em tradições germânicas e nórdicas. O protestantismo, que buscava um simbolismo diferente da comemoração católica - que enfatizava a figura do presépio - utilizou o personagem.

Já a imagem que conhecemos do Papai-Noel tem uma origem muito mais comercial. A figura de um velhinho com roupa vermelha e branca foi criada e difundida pela publicidade da Coca-Cola no século XIX. "A gente pode dizer que o Papai-Noel como a figura que a gente conhece é uma invenção da Coca-Cola e dos meios de comunicação de massa", diz o pesquisador. O papel da mídia, afirma Funari, foi difundir essa imagem. O cinema e outros meios trouxeram a imagem criada pelos publicitários ao Brasil.

"Se você for olhar os jornais brasileiros do início do século XX, no período do Natal, você encontrará referências ao presépio(...) não se fala em Papai-Noel", diz o pesquisador, que lembra que nos dias atuais o presépio praticamente sumiu dos meios de comunicação.

O pinheiro

A origem do pinheiro é bem parecida: era uma figura germânica e nórdica que foi absorvida pelo protestantismo. Aqui, a decoração chegou com influência principalmente do cinema - apesar de não ter tido um patrocínio de peso, como teve Papai-Noel. Para o pesquisador, os símbolos atuais do Natal foram tão importados quanto o Halloween, do qual muita gente reclama.

Boas festas: saiba de onde surgiram as principais tradições natalinas

Entra ano e sai ano, mas algumas coisas não mudam. Uma delas é a lista de tradições que são seguidas à risca no período de festas de fim de ano. Construir uma árvore de natal, trocar presentes e outras ações fazem parte da rotina da maioria das pessoas que comemoram o Natal. O que nem todos sabem é onde surgiram essas tradições natalinas. 

Se você faz parte desse grupo, confira logo abaixo:
 

Árvore de Natal – Há algumas versões desencontradas de onde surgiram as árvores de Natal, mas a versão mais confiável é de que a primeira árvore de Natal surgiu em 1510 na cidade de Riga (hoje território da Letônia) e se espalhou pela Europa nos séculos seguintes. No Brasil, a tradição de usar pinheiros para celebrar o Natal se fortaleceu no início do século 20.
 
Troca de presentes – Há duas versões para o início da tradição de trocas de presentes no Natal. Uma, de vertente religiosa, diz que a entrega de presentes por parte dos reis magos influenciou na tradição. Porém, há uma versão pagã de que o hábito de trocar presentes no Natal venham do período de uma festa chamada Saturnália.
 
Missa do Galo – Para os católicos, um dos ritos mais tradicionais é a Missa do Galo. A celebração foi instituída no ano de 143 e era celebrada à meia-noite de Natal. A missa só terminava no horário em que “o galo cantava” e daí surgiu o nome. Atualmente, a missa não é celebrada a meia-noite em alguns lugares em cidades brasileiras. Vale lembrar que outras religiões cristãs celebram o Natal, mas não realizam a Missa do Galo.
 
Presépio – O presépio não nasceu com Jesus e sim com São Francisco de Assis. De acordo com relatos descritos por Tommaso da Celano (biógrafo de São Francisco de Assis), em 1222 o futuro santo realizou um teatro do nascimento de Cristo com base em relatos bíblicos. A tradição pegou, mas vale lembrar que apenas a Igreja Católica realiza esse tipo de simulação. Igrejas protestantes não fazem, via de regra, Presépio de Natal.
 
Papai Noel – A origem do bom velhinho está ligada a São Nicolau de Mira, que viveu na Turquia entre os séculos 3 e 4 e ficou famoso por sua generosidade com os mais pobres. Já a maneira como o Papai Noel é representado hoje - um velhinho simpático que veste roupa de inverno vermelha e botas pretas - data do século 19. 


23 dezembro 2012

crônica: gosto e cu

hoje foi diferente. feriadão. não fui trabalhar, claro. fui ao supermercado comprar umas coisas que faltavam: cerveja gelada, cerveja quente, cerveja morna. cerveja, afinal. e algumas coisas pra acompanhar: carnes, grãos e frios.
no caixa, a morena caixa, bem devagar, irrita-me: é lerda. eu, de folga da vida, não me irritei como me irritaria normalmente. afinal, ela está aprendendo. final de ano, sabe como é, funcionários temporários, todos inexperientes, todos querendo ficar um pouco mais. querendo o emprego definitivo.
minha vez: dotz? não. nota fiscal paulista? não. ela sorri. dei menos trabalho? acho que sim. ela puxa assunto e não passa as compras. eu me preocupo com o próximo cliente que já esperou bastante. agora sou eu que o atrapalho. não. não sou eu. é ela!
comprei pêssego. quinze pêssegos por menos de quatro reais. que maravilha! adoro pêssego. mas ela não lembra o código do pêssego e vai procurar. bem devagar. naquele caderno que parece um livro. sugestão: por que não colocam em uma relação só os produtos que têm no supermercado?
começa uma música. sertaneja. eu começo a cantarolar. ela me encara: que bom, né? depois de milhões de músicas aparece uma boa! e eu: aham! ainda bem, né?
ela pára com tudo e começa a me falar da música. que é boa. que é legal. que é tudo. e eu quase falando: não, não é boa, eu fui irônico! mas, quem sou eu para desiludir a moça? deixe-a acreditar que eu também “amei” a música.
paguei. saí. aliviado. mas a música foi comigo. subi na moto. arrumei as compras. ao lado, um rapaz esperava sua namorada que havia entrado no supermercado. cantarolei a música. ele: nossa, que música! depois de milhões, afinal, uma música boa! e eu? e eu?
eu comecei a procurar veneno de rato. comecei a ver preço de corda. comecei a pesquisar quem me vende uma arma. não. não suporto mais isso.
como dizia papai: gosto e cu, cada um tem um.
 
escrito por jorge leite de siqueira
 

22 dezembro 2012

crônica: papai noel, velho batuta

liguei a moto. vou trabalhar. sexta-feira. quase final de ano e a correria aumenta. pagamentos a fazer. já falei que trabalho no departamento pessoal da prefeitura? não? então não vou falar.
que estranho. trânsito tranqüilo. umas luzes ainda piscando. ontem à noite eu ouvi uns fogos. quem é aquele velho barrigudo vestido de vermelho? já vi aquele cara uma vez. ou mais de uma vez. não me lembro de onde? ele toca um sino. sorri. diz: ho ho ho. que porra é essa? tem um saco nas costas. parece um camelo. ou dromedário, sei lá.
distribui balas para as crianças. parei a moto. não resisti. to ficando velho e barbudo. e minha barba é branca. quem sabe no próximo ano eu não consiga uma vaga na empresa em que ele trabalha.
ele sorri. quando fica sozinho se escora, triste. acho que esse emprego não o deixa feliz. 
ah! é natal! olha aquela árvore enfeitada, aquelas pessoas com presentes, essa alegria falsa. é natal! é por isso que aquele cara está vestido de vermelho. como é o nome, mesmo? pai? papai? ah, papai noel.
é aquele velhinho que só gosta dos ricos? que não gosta dos miseráveis. por quê? os ricos não precisam ganhar presentes, eles mesmos compram. os pobres, esses sim, precisam de atenção. senão de outras coisas mais, como respeito, por exemplo.
mas quem sou eu para dar alguma lição de respeito, de moral? eu nunca fiz o bem. muito menos na época de natal, quando todos ficam bonzinhos.
eu também ficarei bonzinho: feliz natal.

agora vou trabalhar senão não compro o meu presente.
 
escrito por jorge leite de siqueira
 

21 dezembro 2012

crônica: colhendo laranjas

ainda não peguei a moto. alguns minutos ainda faltam para eu sair. e o que faço aqui? vim ter notícias do fim do mundo. e aí? e aí que não teve fim do mundo.

e daí? de novo.

daí que terei que ir trabalhar. terei que ligar a moto, cruzar as ruas chatas e cinzas, esperar os verdes cinzas dos semáforos, ignorar as setas cinzas inexistentes, fechar meus olhos verdes-cinzas para manobras estúpidas de motoristas cinzas.

férias escolares. as estradas estarão mais vazias. menos cinzas. as crianças nos bancos traseiros estão tão cinzas, coitadas. parecem dormir para a vida.

coitadas.

chega. vou dar adeus ao meu gato (amarelo-alaranjado) e subir na minha moto (cor-de-abóbora) para mais um dia de labuta. fechar a folha de pagamento. não aguento mais isso. não aguento mais isso. mais uma vez: não aguento mais isso. se não fossem tantas repetições...

ei, só agora eu percebi: minha camisa é orange (ou cor-de-abóbora, ou laranja, ou quase amarela...). que legal. algo não é cinza nesse mundo cinza.

20 dezembro 2012

crônica: visões

acelerei. não estava atrasado, mas não queria chegar mais tarde. trânsito normal, semáforos normais, sol forte. normal. parei no semáforo. cinqüenta segundos. fechei os olhos.
a estrada que se abria era imensa. uma reta infinita. asfalto novo. bem pintada. árvores, montanhas, natureza do lado direito e do lado esquerdo. acelerei. não tinha trânsito. de repente comecei a subir. uma serra. curva para um lado, curva para o outro. carros desciam. passavam bem perto, mas nunca saíam de suas rotas.
eu sorria. era um prazer indescritível estar ali, sentindo o vento no corpo, o risco de uma queda, o precipício a dois metros me esperando caso o pneu estourasse. um prazer indescritível. como um suicídio às avessas.
as árvores me circundavam. como um túnel. escuro, mas claro. era manhã. raios de sol entrava por frestas permitidas pela folhagem densa. de repente um clarão. montanhas lá embaixo, no fim do desfiladeiro. um rio, sinuoso, separando-nos.
uma linha de trem mostrou-me que o homem já havia estado ali.
a floresta fechou-se novamente. para mim. para me prender. para me alegrar a alma. e alegrou. gargalhei como mozart. ou como tom hulce (amadeus). foram quarenta e cinco minutos de aventura, amor, paz, esperança, amor novamente, saudades, esperança de novo, e mais amor, e mais paz.
o semáforo abriu. buzinaram. foi tudo um sonho? um sonho de quarenta e cinco segundos? ou foi apenas meu espírito que visitou meus sonhos?
vou trabalhar. o mundo vai acabar. e eu só quero sonhar.
 
escrito por jorge leite de siqueira
 

17 dezembro 2012

crônica: sorriso de sereia

eu não ia rápido, mas diminuí. ela era linda. mais que isso. deusa. anjo. sereia. inexplicável. enigma. sobrenatural.
ela parou no ponto de ônibus. eu parei para procurar algo inexistente na mochila. frente a frente. lado a lado.
ela recebeu uma mensagem. sorriu. que delícia de sorriso. que maravilha de boca. que formosura de dentes. que expressão de beleza.
ela não me viu. não me via. não me veria jamais. só tinha olhos para o celular. para as mensagens. e que olhos! claros. bastante claros. e brilhantes.
escreveu uma mensagem. rápida. sorrindo. uma brincadeira? uma piada?
eu não encontrava o que não procurava na mochila. eu não encontrava. e nem percebi que não procurava mais. que só a admirava.
mas ela não me via. não me viu. não me veria nem se eu estivesse “pintado a ouro”.
o celular vibrou. outra mensagem. outro sorriso. piscou os olhos. olhou para o céu. exatamente para o lado direito de onde estava. para lugar nenhum. e respondeu à mensagem. enigmática. feliz.
encontrei o que não procurava. um livro? óculos? caneta? fechei a mochila. liguei a moto. acelerei.

sempre que vibra meu celular, sempre que recebo uma mensagem, espero sorrir, feliz. sempre que mando uma mensagem, espero o sorriso, espero fazer alguém feliz.
um dia vou conseguir. um dia vou conquistar seu sorriso. um dia vou conquistar meu sorriso. um dia vou ganhar o sorriso de um anjo, de uma sereia. um dia.
sou teimoso.
 
escrito por jorge leite de siqueira
 

16 dezembro 2012

crônica: gargalhada no semáforo

parei no semáforo. almocei bem. restaurante barato. comida gostosa. pena que tenho que voltar ao trabalho. 
é a vida.
ao meu lado, um carro cinza. uma mulher me encara. ela é a motorista. uma lata vermelha em sua mão. cerveja. ao seu lado, um rapaz. um menino, talvez. doze anos? provavelmente. no banco traseiro outro menino. mais novo. dez? talvez menos.
eles sorriam. ela deu um gole. olhou para mim. olhei para ela. eu usava óculos escuros, mas ela sabia que eu a encarava. balancei a cabeça, negativamente. 
ela sorriu.
abriu o semáforo, ela acelerou antes de mim. soltou uma gargalhada. eu parei no posto para abastecer. demorei menos que cinco minutos.
no semáforo seguinte, confusão. uma batida. um acidente entre carros cinzas. nas ferragens eu pude ver a mulher sorridente. o air-bag salvou-lhe a vida. apenas um corte em seu rosto. sangrava bastante. as pernas estavam presas. esperavam a ambulância. o samu. os bombeiros. 
alguém.
ela não sorria mais. nem segurava a lata vermelha. mas, tenho certeza, em sua boca ainda daria para sentir o cheiro da cerveja. na dos meninos, não. havia sangue. não usavam cinto. nem tinham air-bag.
agora nem vida eles têm mais. 
acelerei. não podia chegar atrasado. é a vida. ou a morte?
 
escrito por jorge leite de siqueira
 
 

15 dezembro 2012

Ali...


crônica: quando você foi mais feliz?

acelerei a moto, mas tinha tempo. saí mais cedo. pensei em ir devagar para não me estressar com o trânsito. poderia esperar os semáforos abrirem. poderia ver as árvores floridas na primavera. poderia até ir por um caminho mais longo.
optei pelo caminho mais longo.
trânsito menor, menos sinais, mais silêncio. fui mais devagar, mas fui. aos poucos ia cumprindo o objetivo: chegar ao trabalho.
um grito. olhei. uma amiga! que legal! fazia tempo que não a via. parei. desliguei a moto. abracei-a. dei-lhe um beijo no rosto. dois. três. ainda bem que tinha saído mais cedo. poderia ganhar dez minutos de conversa. dez minutos de saudades mortas.
mas as notícias não eram boas. problemas amorosos. nossa! será que seremos felizes apenas se alguém nos amar? dependemos tanto dos outros? até no amor?
- quando você foi mais feliz?
sem querer eu fiz essa pergunta. pra quê? lágrimas caíram de seus olhos. ela não me respondeu. apenas me abraçou. bastante. uns dois minutos. vinte já haviam passado. subi na moto. ainda deu tempo de ver um sorriso. ainda deu tempo de ouvir “obrigado”. ainda deu tempo de ver seus passos mais decididos.
quando você foi mais feliz?
quando eu fui mais feliz? eu não me lembro. ou se me lembro eu recuso a lembrança. não volta mais. acho que a resposta está dilacerada em migalhas. migalhas envelhecidas. um sorriso aqui, uma palavra ali, um olhar acolá.
quando eu fui mais feliz?
ainda mais lento sentia as palavras entrando em meu cérebro como adagas. doíam. e não conseguia responder a uma pergunta que eu mesmo fiz.
cheguei ao trabalho triste. corrigindo: cheguei triste ao trabalho. trabalho triste, também. mas deixa pra lá. cheguei. como um autômato. sentei-me. trabalhei. conversei. fiz minha parte social da vida. e voltei para casa.
alguns dias depois eu tive boas notícias de minha amiga. ela estava na austrália. ela me mandou um e-mail contando suas aventuras. e terminou a mensagem de uma forma bastante curiosa:
- eu fui mais feliz quando conheci a liberdade!
que maravilha! ela conseguiu a resposta! e eu? e você? quando fomos mais felizes?
escrito por jorge leite de siqueira, numa sexta-feira à noite
 

13 dezembro 2012

A 8 dias do "fim do mundo": vivemos o mundo da espetacularização

A passagem de cometas na Idade Média exemplifica o obscurantismo da época. Foto: ESO/Divulgação A passagem de cometas na Idade Média exemplifica o obscurantismo da época Foto: ESO/Divulgação


Matheus Pessel
Precisamos de mais educação e informação científica - só assim ideias como a do fim do mundo não ganharão força. Essa é a opinião de Ulisses Capozzoli, doutor em história da ciência pela Universidade de São Paulo (USP) e editor-chefe da revista Scientific American Brasil. Para aqueles que acreditam no ocaso da humanidade no próximo dia 21, Capozzoli já "prevê" o futuro: "No dia 22, as pessoas deveriam morrer de vergonha de acreditar em uma coisa tão tola como o fim do mundo."

Para o jornalista, os motivos para teorias apocalípticas ainda terem tanta força nos dias de hoje - afinal, 12% dos americanos acreditam neste "fim do mundo" - são muito complexos. Uma das causas são as crises atuais - como a econômica e a climática. Combinado a isso, temos as rápidas mudanças tecnológicas que ocorrem todos os dias.

 "Eu acho que a gente está vivendo essa época de mudanças muito rápidas do ponto de vista tecnológico. Qualquer uma dessas geringonças que você vê compra aí de smartphone, dura um mês, dois meses. Tem outra versão, tem isso, tem aquilo. Não dá tempo de as pessoas aceitarem. (...) Se a gente der uma olhadinha, analisar, a gente vai ver que existe uma crise mais ou menos generalizada. As coisas que eram de uma maneira funcionavam de uma determinada maneira, não funcionam mais. Isso produz uma crise de identidade nas pessoas. Nesse caso, (ocorre) o retorno de, digamos, desses conceitos mágicos."

Para o editor-chefe da Scientific American Brasil, o apego a teorias apocalípticas é uma forma de "colocar ordem nas coisas". "Essa complexidade do mundo, e essa mudança, essa transformação, que a gente passa nessa época, traz às pessoas certa angústia emocional". A teoria apocalíptica, para muitas pessoas, apareceria como uma solução mágica, quase bíblica, para os problemas do mundo. Para elas, depois do "fim", viria uma "época de ouro".

"Isso acontece em escala pessoal e em escala social. Países inteiros tiveram experiências dramáticas. Se você pegar o nazismo na Alemanha, você vai ver como é que a loucura se expressou. Em termos de cultura de massa, essa cultura de massa em que a gente vive neste momento, essas soluções fáceis 'resolvem' o problema. E elas se propagam, as pessoas querem acreditar que seja assim."

Contribui para isso a falta de conhecimento, de esclarecimento científico. E Capozzoli não poupa em críticas as universidades (que não conseguiriam da formação científica para as pessoas), nem a mídia. "O noticiário que sai nos jornais, sai com muitos problemas. Outro dia, por exemplo, a moça do tempo disse que a maior proximidade da Terra em relação ao Sol, por causa da órbita elíptica, é o que causa a estação do ano. É uma coisa que a gente aprendeu na escola..."

O jornalista diz que estamos saturados de ciência de tecnologia, mas essas coisas não fazem sentido para muita gente. Ele cita uma teoria espalhada pela internet de que o planeta Marte estaria se aproximando da Terra e chegaria a um ponto de ficar do tamanho da Lua Cheia. "Isso é uma evidência muito clara de que as pessoas não têm a mínima, mas não têm a mínima ideia de como as coisas funcionam. Qual força que vai deslocar Marte da órbita dele para chegar próximo da Terra? Se você tivesse uma coisa dessas, você tumultua o Sistema Solar inteiro. Não tem pé, não tem cabeça, não tem a mínima possibilidade."

"A gente vive um mundo da espetacularização, da superficialidade total das coisas. Você abre o jornal e está escrito lá que a fulaninha está com o namorado na praia. Gente sem nenhuma importância. Ou a coisa dos 'famosos'. Cara, ninguém está interessado nos famosos. Você quer uma informação que tem certa relevância social. Que te explique um pouco porque a terra treme. Porque o céu é azul. Isso te insere na natureza. Isso diz respeito à sua vida, onde você está, o que você está fazendo. Se você fizer uma enquete na rua, você vai descobrir que as pessoas não têm a mínima ideia. As pessoas não sabem que o Sol é uma estrela! É um analfabetismo científico. Uma crueldade enorme. É uma impotência da ciência em se aproximar das pessoas."
 
Retorno à Idade Média
 

Para Capozzoli, um fenômeno como o de 2012 traz como perigo o retorno a um pensamento místico por parte da população, algo que ocorria muito na Idade Média, antes de Isaac Newton explicar o movimento dos corpos celestes.

"Antes disso, toda vez que aparecia um cometa no céu, os padres badalavam os sinos da igreja e anunciavam o fim do mundo. Eles fizeram isso inúmeras vezes. O que acontecia: as pessoas, especialmente as pessoas mais ricas, iam lá e faziam doações. E os padres aceitavam, apesar de o mundo estar perto de acabar. É um terrorismo barato. (...) O que está acontecendo agora é um retorno desse pensamento mágico."
 
A era da internet
 

A internet é uma ferramenta com muito potencial. Mas a maior parte do que encontramos na rede em nada contribui para a formação do pensamento crítico das pessoas. O editor-chefe chama boa parte do conteúdo da web de "tolices, as mais imbecis", coisas que se escreve nas paredes de banheiro público. "Mas não quer dizer que a internet seja só lixo. O problema não é a internet em si, mas o uso que a gente faz dela. Você encontra conteúdos interessantes."

"A busca de informação mais relevante depende do nível daquele que está precisando. Como todo mundo tem acesso, você vê, nessas coisas do dia a dia, nos comentários: primeiro os caras não sabem escrever. E as opiniões são quase sempre rasas, as mais simplórias."
 
Esoterismo e realidade
 

Para o jornalista, o esclarecimento científico acaba com o esoterismo e outras ideias míticas. Capozzoli afirma que a natureza é espetacular o suficiente para que não precisemos de coisas mágicas. "Não preciso de um esoterismo. A realidade é maior que qualquer esoterismo que eu possa criar."

"No fundo, a ciência que está aí e que explica coisas fascinantes não está ao alcance mínimo das pessoas, e elas são mantidas em uma ignorância. Ou as pessoas, para ter algum amparo, algum sentido na vida, elas correm para a igreja, ou elas ficam desamparadas. A gente nem pode censurar, ninguém pode criticar alguém por ter uma religião. É um direito natural dela. Agora, quando é exploração (...) você tem uma grande carência, as pessoas acreditam em qualquer tolice, qualquer coisa que seja fácil de imaginar."
 
Depois dos maias
 

Para quem ainda acredita no fim do mundo supostamente previsto pelos maias, Ulisses Capozzoli dá um recado: "No dia 22, todas as pessoas que acreditaram nessa tolice deveriam fazer uma reflexão com elas mesmas: 'como eu pude acreditar numa ideia tão besta?' E em todas as manhãs que vierem, que elas olhem a beleza do céu. Olhem o Sol nascendo. Que compreendam minimante o funcionamento e a manifestação da natureza para que elas não fiquem presas ao obscurantismo da Idade Média."

crônica: um hoje

ligo a moto, manobro, vou à calçada, saio da moto, fecho o portão, subo na moto, dou nova partida (morreu...), saio estrada adentro. adentro, sim, rumo ao centro da cidade. ainda é cedo, não tem tanto movimento, mas já tem movimento. é muito bom a época das férias escolares pois diminuem os carros nas ruas, com suas manobras irresponsáveis. (viu que não culpo os motoristas?) 
mas não era disso que eu queria falar. eu queria falar do que tenho na cabeça durante estes quase quinze minutos. é uma viagem. o passado vem, mexe com tudo, mostra todas as minhas derrotas, mostra como eu poderia ter me saído melhor, mostra como eu poderia ter sido um cara de sucesso. daí o presente me mostra que continuo errando como errei no passado.
eu não aprendi? eu não aprendi.
quase cinquenta anos de idade e ainda tenho considerações infanto-juvenis de como ser feliz. quando? quando eu morrer? daqui a pouco terei a idade com que meu pai morreu. posso viver mais. posso morrer. agora é quase certo que viverei menos do que já vivi. ou serei um niemeyer? uma dercy? também não sei se quero viver tanto, sendo arrastado pra lá e pra cá.
mas não era isso que eu queria falar. eu queria falar sobre a psicologia que ensino a todo o momento. para meus filhos, para amigos, para todo o mundo. e quando vou colocar em prática na minha vida?

nunca? nunca.
eu tenho muitas possibilidades de ser feliz. eu posso virar fazendeiro. a janete, minha irmã, falou que eu poderia ir morar em sua fazenda. criar galinha, plantar milho, tomar banho no rio. posso também ir morar em rio claro. estou esperando o sesi me chamar, já que passei no concurso em segundo lugar e sou o próximo da lista. posso ficar aqui, assessor administrativo, prefeitura municipal. posso ir para matinhos, praia, arrumar um emprego até passar num concurso. viver à beira-mar. posso virar hippie, pegar minha rescisão daqui, comprar material e ir por aí, cidade a cidade, andarilhando. hippieando.
eu tenho tantas possibilidades.
se meu filho me perguntasse o que eu indicaria para ele fazer, tendo essas possibilidades. o que eu responderia? eu responderia para ele ficar no que fosse mais seguro. e o que é mais seguro? virar hippie? não. viver à beira-mar? não. virar fazendeiro? não. as alternativas corretas seriam continuar sendo assessor aqui na prefeitura ou ir para o sesi de rio claro.
mas não era isso que eu queria falar. eu queria falar que sou incompetente. que não consigo viver bem tendo a maravilhosa vida que tenho. que não consigo sorrir tendo saúde, amor, família feliz, condições financeiras de sobrevivência. e um amanhã. eu tenho um amanhã. e, radicalizando, eu tenho um hoje! hoje! quantas pessoas não têm? eu tenho.
mas não era isso que eu queria falar. eu nem sei o que eu queria falar...
jorge leite de siqueira (13/dezembro/2012) daqui a pouco acabará o mundo (21/12/2012)

12 dezembro 2012

16 sites para baixar livros gratuitamente

Para ampliar a sua experiência de leitura, eis uma lista com 15 sites nacionais e internacionais em que é possível baixar  livros e ler online de maneira legal, sem complicações e, o melhor, de graça.

Ler para aprender, ler para expandir a mente, ler para estimular a memória.  Não importa o porquê você dedica tempo para essa atividade, o que vale é aproveitar todos os seus benefícios, seja no papel ou nos modernos leitores digitais.

Confira as opções de leitura gratuita.

1. Universia – Reúne mais de 1000 arquivos, incluindo biografias de cineastas, textos científicos sobre comunicação e clássicos da literatura universal.

2. Open Library – Projeto que pretende catalogar todos os livros publicados no mundo, já tem 1 milhão de títulos disponíveis para download. Podem ser encontrados livros em cerca idiomas.

3. Brasiliana – O site da Universidade de São Paulo (USP) disponibiliza cerca de 3000 mil livros para download de forma legal. Há livros raros e documentos históricos, manuscritos e imagens.

4. Blog Midia8 – Página reúne mais de 200 links de livros sobre comunicação em português, inglês e espanhol para ler online e fazer download.

5. Casa de José de Alencar – A Biblioteca Virtual do site do pai do romance brasileiro disponibiliza para download gratuito 14 de suas obras, incluindo romances e peças de teatro.

6. Read Print – Essa espécie de livraria virtual oferece mais de 8 mil títulos em inglês para estudantes, professores e entusiastas de clássicos.

7. Biblioteca Digital de Obras Raras – O site idealizado pela Universidade de São Paulo (USP) é direcionado a pesquisadores. Oferece mais de 30 obras completas em diferentes idiomas.

8. Portal Domínio Público - Biblioteca virtual criada para divulgar clássicos da literatura mundial, oferece download gratuito de mais de 350 obras. É possível baixar 21 livros de Fernando Pessoa.

9. Saraiva – A rede de livrarias disponibilizou recentemente 148 livros para download em PDF gratuito. O leitor precisa apenas fazer um cadastro e baixar o aplicativo de leitura para ter acesso ás obras.

10. Biblioteca Nacional de Portugal – Entre os destaques do portal está um site dedicado do escritor José Saramago. Nele, estão disponíveis manuscritos do autor.

11. Machado de Assis – Criado pelo MEC, o site do escritor oferece sua obra completa – em pdf ou html – para leitura online. Estão lá crônicas, romances, contos, poesias, peças de teatro, críticas e traduções.

12. Biblioteca Mundial Digital – Oferece milhares documentos históricos de diferentes partes do mundo. Multilingue, o material está disponível para leitura online.

13. Dear Reader – Esse é um clube virtual que envia por e-mail trechos de livros. Após o cadastro, o usuário passa a receber  diariamente um trecho, cerca de dois a três capítulos de livros.

14. eBooks Brasil – Oferece livros eletrônicos gratuitamente em diversos formatos.

15. Projeto Gutenberg – Tem mais de 100 mil livros digitais que podem ser baixados e lidos em diferentes plataformas eletrônicas.

16.  Unesp Aberta - Criado pela reitoria da Universidade Estadual Paulista “Júlio Mesquita”, o site disponibiliza material pedagógico gratuitamente. Desenvolvidos para os cursos da universidade, o material está aberto s para consulta em diversos formatos.

crônica: tolerância zero

querido diário

hoje, pela manhã, vindo trabalhar em minha motocicleta estradeira de apenas 150 cilindradas peguei o enorme trânsito de limeira, onde moro. bem, limeira não é uma cidade grande mas tem mais de trezentos mil habitantes. já tem até segundo turno (mais de 200 mil eleitores). sendo assim, não é um trânsito enorme, com enormes engarrafamentos, como as capitais (ou as tantas cidades maiores), mas é um trânsito irritante.

eu sempre fico irritado quando venho trabalhar.

sou tolerante com muitas coisas, com muitas pessoas, com inteligentes burros e até com os burros inteligentes. sabe essa gente que acha que sabe? pois é, acham que entendem de tudo mas fazem tudo pela metade.

e lá estou eu entrando no centro da cidade. semáforos fechados, abertos, e amarelados. corre mais! dá tempo! freia! não dá mais...

espero o tempo regulamentar até que o sinal fique verde e acelero. daí vem um louco do lado de lá, buzinando, passando no vermelho. (quem tem moto sabe que a moto é mais rápida na saída do que um carro). então, quase eu sou atropelado em cima da minha moto por um idiota dirigindo um carro cinza que achava que o sinal amarelo é "corra mais rápido que dá tempo!.

tudo bem, eu sei que você vai falar que em todo lugar é assim, do norte ao sul, em todos os lugares! e é mesmo! concordo.

mas, vamos lá. continuo seguindo, estou mais rápido do que o carro da frente mas não posso ultrapassá-lo pois o motorista paga dois ipvas. como eu sei disso? eu acredito que ele paga dois ipvas pois anda no meio da pista, usando as duas faixas, não me permitindo ultrapassá-lo. e quando me permite é pela direita.

é proibido ultrapassar pela direita! será que ele sabe?

e de repente o carro faz uma manobra e entra à direita. por que não ligou a seta? deve estar quebrada, como aquele outro ali que também não deu seta. na verdade acho que os carros novos (grandes e cinzas) não vêm mais com setas instaladas. ninguém usa! deve ser problema de fábrica.

e minha tolerância vai diminuindo. chego a me envermelhar e gritar com alguns otários: dá a seta, porra!

e sempre tem um que pára o trânsito para estacionar. e demora. não é tão bom na baliza? então vai estacionar onde houver mais vagas, espaços maiores. etc.

parei para a senhora atravessar a rua, na faixa, mas quase a senhora morre porque o carro que vinha atrás não quis nem saber e me ultrapassou na contramão, quase passando por cima da velhinha. coitada. e seria morta por minha culpa? tudo bem, nunca mais paro para dar a preferência ao pedestre.

cuidado! quase sou acertado pelo motorista do honda que entrou no estacionamento pela saída.

e a tolerância? já era! agora só quero chegar e nunca mais andar de carro, de moto, de ônibus. só a pé. quer dizer, nem a pé, nesta cidade, neste centro de cidade. quero morar ao lado de meu trabalho, sair sem cruzar uma rua, trabalhar escondido numa sala fechada, voltar para casa num pulo. e nunca mais andar no asfalto.

minha tolerância está acabando.

de quem é a culpa? dos carros modernos e automáticos? dos fabricantes que instalam motores potentes em carros que devem andar devagar? nas autoridades de trânsito que não educam? nos motoristas que não estudam as leis? no papa? deus?

quem é o culpado?

todos reclamam. como estou fazendo. e todos cometem gafes. eu também. por exemplo, um dia, irritado, andei na contra-mão. quase sou acertado por um carro. culpa minha? culpa do carro à minha frente?

já pensei em protestar. fazer placas, pichar muros, dar entrevistas, cobrar das autoridades mais rigor. já pensei em me mudar. já pensei em tanta coisa. mas nunca fiz nada.

nada? nada não. sempre que posso falo sobre o assunto, dou conselhos, falos exemplos. sempre que posso chamo a atenção para as idiotices que fazemos no trânsito. sempre que posso. mas é tudo muito pouco.

um dia isso vai acabar. um dia vamos todos ser tolerantes. um dia. por enquanto, vou treinando minha tolerância sempre que vou ao trabalho. sempre que ando por aí. sempre.

treino. mas estou quase sendo vencido...

jorge leite de siqueira (12/12/2012)

11 dezembro 2012

Chinês cria 'cápsula' para sobreviver a eventos de 'fim de mundo'


Liu Qiyan diz ter se inspirado no filme '2012' e no tsunami de 2004. Sua 'Arca de Noé' boia na água e promete resistir em emergências.




O fazendeiro chinês Liu Qiyan criou um tipo de "cápsula de sobrevivência", apelidada de "Arca de Noé", para sobreviver a terremotos e tsunamis.
Liu desenvolveu o invento no quintal de sua casa, em Qiantun, na província de Hebei, inspirado, segundo ele, por filmes como '2012' e pelo tsunami que devastou regiões da Ásia em 2004.

Sua criação consiste em uma casca de fibra de vidro que envolve um esqueleto de aço. Ele espera vender a ideia para governo e organizações internacionais, para usar em caso de emergência.

O fazendeiro chinês Liu Qiyan e sua 'Arca de Noé' (Foto: Ed Jones/AFP) 
O fazendeiro chinês Liu Qiyan e sua 'Arca de Noé'

Liu Qiyan dentro de sua criação (Foto: Ed Jones/AFP) 
Liu Qiyan dentro de sua criação
 
Cápsulas de sobrevivência em construção (Foto: Ed Jones/AFP) 
Cápsulas de sobrevivência em construção

Ele já construiu sete cápsulas que, segundo ele, são capazes de boiar na água. Algumas delas têm um sistema de propulsão próprio.

Dentro, elas têm tanques de oxigênio e assentos com cinto de segurança para até 14 pessoas. Elas são projetadas para manter estabilidade dentro da água.

10 dezembro 2012

Dona Neves - Minha mãe


MAURO SALLES





O poeta

Deixa quieto o poeta
em seu canto de cismas
Poupa explicações jamais possíveis
no momento de angústia incompreendida
Dá-lhe o silêncio necessário
à solidão procurada
Fecha a porta do quarto que o separa
do mundo

Assim
vale a pena fingir que é mesmo grande
o parco sofrimento
e que são de infinitos desenganos
as pedras do caminho

Respeita no poeta
o momento isolado
e as dores que ele abriga

Talves feitas de amor, como nos sonhos
talvez feitas de sangue, nos seus versos

Autor: Mauro Salles



===================

Presente-ausente

De presenças nada sei

Não me pertence o mistério
dos que vão no meu caminho
de todos que me acompanham
e vivem na minha vida
tristezas de lado a lado

Sou poeta dos que foram
dos que sumiram no tempo
ou dos que estão por chegar

Entendo, pressinto e vejo
seres que não se formaram
ausências que vou chorar

Autor: Mauro Salles

A 11 dias do "fim do mundo": a internet ensina como sobreviver

10 de dezembro de 2012

Guias de sobrevivência dão dicas de como superar até um apocalipse zumbi. Foto: Getty Images 

Guias de sobrevivência dão dicas de como superar até um apocalipse zumbi
As teorias apocalípticas relacionadas ao calendário maia atormentam muita gente. Céticos podem duvidar, mas tem quem esteja construindo casas fortificadas, encomendando bunkers, estocando comida e se mudando para lugares altos

Como não há indicação do quê promoverá o "fim do mundo", os mais assustados tendem a se precaver de catástrofes diversas. Aproveitando esse nicho, guias de sobrevivência na internet estão ganhando popularidade ao tratar de perigos como armas nucleares, ataques cibernéticos, terremotos devastadores e tsunamis gigantescos.

Nessa onda, sobrou até para os zumbis, tema da maioria dos manuais de sobrevivência encontrados na web. O criador do guia "10 coisas essenciais para sobreviver ao Apocalipse Zumbi: Um Guia Prático", John Hornor Jacobs, admite que um apocalipse zumbi não é nem remotamente possível. "Há um milhão de maneiras para que a raça humana seja extinta - poluição, guerra nuclear, guerra bioquímica, pragas em níveis de pandemia -, mas não zumbis. Zumbis, no entanto, seriam a maneira mais divertida para o mundo acabar", alega.

Além de prever o fim mais divertido - uma horda de mortos-vivos promovendo o caos no planeta -, os guias são válidos para outros tipos de catástrofe, segundo os autores. "Se você está preparado para o apocalipse zumbi, você está preparado para enfrentar qualquer desastre", afirma Kristan Nickels, do Conselho de Administração e Mídia do Esquadrão Zumbi (Zombie Squad).

Comida, comida, comida
 

Os guias de sobrevivência fornecem desde as dicas mais comuns, de obter e estocar água e comida, até as mais inusitadas, como não ir ao supermercado e usar um cinto para segurar as calças depois de perder peso. Para Nelson Aguilar, autor de três guias de sobrevivência - contra armas nucleares, ataque cibernético e, claro, zumbis-, a busca pela sobrevivência começa com a obtenção ou estoque de alimento, pois ele ficaria escasso rapidamente. O próximo passo seria encontrar abrigo e armas. "Não há vantagem em ter água e comida se você está congelando no meio selvagem. As armas seriam úteis para dissuadir qualquer perigo (animais ou pessoas)", esclarece.

Assim, Aguilar sugere que você vasculhe a sua garagem e busque por ferramentas e suprimentos. Ele garante que, em poucos minutos, você deve encontrar facão, machado, taco de beisebol, motosserras e martelos. "Como todos sabem, o caminho número um para incapacitar um zumbi é destruindo sua cabeça, portanto qualquer tipo de objeto contundente que possa causar grandes traumas na cabeça seria fantástico", explica. Caso você não encontre nada na sua casa, ele recomenda que você vá nas casas vizinhas, que devem estar desocupadas (ou ocupadas por zumbis). "Depois de matar seus vizinhos (zumbis), você vai querer procurar o essencial. Não perca tempo tentando roubar dinheiro ou objetos de valor. Este não é mais o mundo onde você costumava viver - dinheiro não importa mais", aponta.

Em um cenário onde o dinheiro, a civilidade e o bom senso tradicional perdem valor, as pessoas tenderiam a perseguir impulsos antes condenáveis, como o de invadir loja ou supermercado e dar vazão à pilhagem. Mas não se levarem os guias de Aguilar a sério: "Eu não sei quantas vezes eu tenho que dizer isso, mas não vá ao Walmart. Você entende que, se você for ao Walmart para saquear, você vai dar de cara com cada idiota que achou que roubar o Walmart era uma boa ideia? Em vez de encontrar as ferramentas que você precisa, você vai encontrar-se lutando contra pessoas que estão desesperadas por suprimentos. É como fazer compras no Black Friday, só que dez vezes pior", exemplifica.

Assim como Aguilar, Jacobs também tem uma regra parecida em seu guia de sobrevivência: "Faça o que você fizer, não vá a um grande ponto de venda na esperança de viver a sua fantasia de consumo Dawn of the Dead. É onde as pessoas estúpidas vão, e as pessoas estúpidas geralmente tornam-se zumbis", completa.

Quem faz
 

Uma pequena investigação revela o que leva alguém a criar guias de sobrevivência. "Oi. Eu sou Traci. Este site começou como uma maneira de manter e organizar minha própria pesquisa sobre habilidades de sobrevivência a desastres", escreve a americana Traci Knoppe na descrição de seu Guia de Sobrevivência ao Apocalipse, o qual também possui versão impressa. "Se você ligar a TV, ler o jornal ou ouvir as notícias no rádio, parece que há sempre algum desastre acontecendo no mundo todo dia. Para mim, parece que eles estão acontecendo mais seguidamente. Não entro em pânico nem sou extremista, mas tenho uma família a considerar, e um pouco de preparação é inteligente". Uma das dicas mais recorrentes de Traci é a manutenção de uma mochila preparada para o pior, que contenha: tabletes purificadores de água, isqueiros, fósforos, roupas, pratos, faca, lanterna, pilhas recarregáveis (todos os tamanhos), mapa, casaco, vitaminas, aspirinas, antibióticos, sabonete, entre outros.

Liquidando a sobrevivência
 

Em outro extremo, alguns guias de sobrevivência não utilizam o humor de zumbis nem parecem iniciativas pessoais como a de Traci. "Sua famíla não está protegida contra um ataque terrorista, furacão, tornado ou uma inundação", anuncia, em fonte vermelha, o site "Survive Anything" ("Sobreviva a tudo", em português). "Eles sobreviverão? Se o governo cair amanhã, você poderá protegê-los e alimentá-los? Eles morrerão porque você não está preparado?".

Assim, como se realmente não houvesse amanhã, a página conduz o leitor através de dezenas de fatos impressionantes sobre tragédias e indica que comprar um bunker não se trata da melhor garantia para se proteger em uma catástrofe. Todas as informações - supostamente as melhores dicas para se salvar em situações caóticas - são reveladas apenas parcialmente, a fim de levar o leitor a comprar o guia, há algum tempo em promoção por US$ 49. Estão entre os tópicos: "Quanta comida guardar em casa, como trancar perfeitamente sua residência em caso de ataque terrorista e o que modificar no quarto de seus filhos para evitar danos ainda maiores em caso de furacões".

Prepare-se: fogo não adianta
 

De graça, resta a precaução. Para Dana Martins, autora de um manual de sobrevivência contra zumbis no blog Conversa Cult, do qual é fundadora, o mais importante é planejar um plano de ação. "Já cansei de ver gente falando que mataria zumbi tacando fogo", ironiza. E foi pensando nisso que ela criou o guia - para dar dicas úteis em vez de "você precisa saber correr", como ela mesmo relata em seu texto.

Uma dificuldade encontrada por Dana, no Brasil, é a falta de acesso a kits de emergência, que são comuns nos EUA e em outros países. Por isso, ela dá uma dica: "Anote o endereço das lojas mais próximas na sua rota de fuga, porque é claro que você já tem uma rota de fuga, né? O nome disso é preparação, principal base para sobreviver em qualquer tipo de apocalipse", enfatiza.

Autossuficiência
 

Quem também compartilha dessa regra é o pessoal do Esquadrão Zumbi, que se dedica a orientar na preparação para desastres. "A chave para sobreviver a qualquer desastre é educar-se e ter um plano", reforça Nickels. O grupo originou-se de uma discussão após um filme, sobre como eles sobreviveriam melhor do que os personagens da história. Desde então, o esquadrão amealhou mais de 5 mil membros de carteirinha e 50 mil membros online espalhados pelo mundo. "O tema sobrevivência zumbi fornece um contexto divertido para aprender habilidades básicas de sobrevivência, sem os estigmas ligados a quem é chamado de 'survivalist' (termo utilizado para descrever pessoas que dedicam sua vida a planejar a sobrevivência na hora do apocalipse)", informa.

As dicas do Esquadrão Zumbi têm, como objetivo, tornar as pessoas autossuficientes em caso de desastre. "Quanto menos pessoas tivermos lá fora, correndo ao redor, tentando reunir suprimentos no último minuto e aumentando o caos, melhor para todos nós. Queremos que as pessoas aprendam a cuidar de sua própria comunidade e delas mesmas, em vez de esperar que alguém venha salvá-las", aponta. Algumas dicas de sobrevivência parecem piada à primeira vista, como a utilização de um cinto personalizado, à venda na página. Mas, sob o prisma caótico do fim dos tempos, talvez tenha sentido: "(Em um apocalipse zumbi) Você vai perder algum peso. 

Provavelmente muito. E você vai ter um tempo difícil correndo de zumbis com as calças caindo em torno de seus tornozelos", alegam.

Depois do fim
 

Caso alguém sobreviva aos zumbis, ao tsunami ou à colisão do asteroide, há sites que vão além do apocalipse. Doom Survival Guide ("Guia de sobrevivência em meio à destruição") se descreve como um manual de sobrevivência em um mundo pós-apocalíptico. A página se apresenta imediatamente como fonte de informações para quem aceita que o planeta acabará, mas não tenta adivinhar como isso vai acontecer. "Se você está aqui, é porque provavelmente tem suas próprias ideias", diz. Entre as possibilidades ventiladas, encontram-se mudança climática, guerra mundial, asteroides, colapso econômico e tsunami galáctico ("seja lá o que for isso"). Para se precaver, o leitor pode fazer o download do guia e imprimi-lo. A leitura abrange o uso medicinal de plantas, dicas para a criação de coelhos, o melhor tratamento para lesões nos joelhos, técnicas de fuga em caso de perseguição e maneiras de construir um abrigo. Ficou em dúvida de como planejar um jardim pós-apocalíptico? Entre no chat que o site disponibiliza.

O fim
 

Mesmo entre os autores dos guias de sobrevivência, não há consenso sobre as causas do fim do mundo. "Pessoalmente, eu não acredito que o mundo vai acabar em 21 de dezembro de 2012", avisa Aguilar. "Nós tivemos esses mesmos sustos antes. As pessoas adoram criar uma história a partir do nada e criar medo na comunidade". Da mesma forma, Jacobs também não crê nas teorias relacionadas ao calendário maia. No entanto, se tivesse que dar um palpite, ele acredita que uma pandemia global de algum tipo de supergripe, como H1N1 ou alguma mutação do vírus, seria a mais provável.

Independentemente do cenário, Nickels diz que o Esquadrão Zumbi está preparado. "O apocalipse zumbi é o pior cenário quando se olha para outros possíveis desastres. Queremos que o público esteja pronto para qualquer coisa, de um desastre natural, como um furacão ou terremoto, a um apocalipse zumbi", finaliza. E, no caso do horror global desencadeado pelos mortos-vivos, vale sempre lembrar de uma das regras propostas por Aguilar: "Mirar na cabeça, sempre ter cuidado, dormir com um olho aberto e não confiar em ninguém".

Da Lata


Se você esteve em outro planeta durante o ano de 1987, provavelmente ainda não escutou a história das latas. 

Em novembro deste ano, um navio chamado "Solana Star" com um carregamento de 15.000 latas de maconha (pesando 1,25 Kg cada) procedente da Indonésia, passava alegremente pelo litoral do Brasil em direção aos Estados Unidos. Seus tripulantes ficaram então sabendo - não se sabe bem como - que policiais brasileiros e agentes do DEA (Drug Enforcement Agency) americano, estavam prontos para interceptar o carregamento.

Temerosos de serem presos, os tripulantes jogaram toda a carga no mar a umas 100 milhas da costa e penetraram sorrateiramente no porto do Rio de Janeiro durante a noite, onde abandonaram o navio. O único que sobrou foi o cozinheiro, que foi prontamente detido pelas autoridades. 

Durante várias semanas, latas do material foram lançadas contra as praias brasileiras no litoral entre Espírito Santo a Santa Catarina. 

Mais ou menos nesta época por coincidência, fomos fazer um passeio de veleiro do Saco da Ribeira em Ubatuba até a ilha das Couves, a umas 25 milhas de distância do Saco. Era um destes passeios de fim de semana. A ilha das Couves é lindíssima e fica nas proximidades da praia de Picinguaba, um dos mais belos pontos do litoral paulista. É uma ilha desabitada. Tem uma pequena e calma praia, bem abrigada do mar de leste. É também um local propício para o mergulho. O único inconveniente são os borrachudos, que gostam de atacar de manhãzinha e ao entardecer. 
 
No barco cinco pessoas. No meio do percurso, sol escaldante, estávamos quatro dando um "bodinho" dentro da cabine barco e somente o timoneiro estava fora. De repente, ele entrou no barco voando de peixinho, gritando como um desesperado: "uma lata..eu ví uma lata...". 

Parecia alguém que saindo do deserto, encontrara uma limonada. 

Fomos todos ver também. Mas o mar picado dificultava a localização do pequeno objeto. Não mais a vimos. Alguns acharam que se tratava de uma miragem. Mais alguns minutos e outra lata apareceu. Aproximamos o barco na vela e eu me estiquei para retirá-la da água. Na primeira tentativa nada feito. Cambamos o barco e rumamos para a lata novamente. Desta vez eu peguei.

Há algumas semanas boiando no mar, a lata estava cheia de moluscos grudados. Era como uma destas latas grandes de Nescau, mas sem rótulo. Chegamos então à Ilha das Couves e jogamos ferro na prainha, em um local com uns 6 metros de profundidade. 

O final de tarde foi belíssimo. 

Da ilha das couves se vê o por do sol nas escarpas da serra do mar, a 40 milhas de distância. Durante a noite ventou um sudoeste fortinho, que tornou o sono meio balançado.

De manhã acordamos, tomamos um belo café, levantamos o ferro e fomos dar uma voltinha, com ajuda do motorzinho. O vento sudoeste que ventara durante toda a noite tinha jogado tudo que flutuava na baia de Ubatuba contra a Ilha: galhos de árvores, cascas de coco, garrafas plásticas e... mais duas latas. Recolhemo-las prontamente e colocamos no estoque. Não sabíamos exatamente como proceder com as latas. E se um barco da marinha nos interceptasse? Com 4 kg de maconha a bordo provavelmente seríamos presos como traficantes. É claro que se isso acontecesse, diriámos que estávamos levando o incidioso material para entrega às autoridades. Mas felizmente ninguém apareceu.
 
Ao chegar de volta em Ubatuba, levamos as latas para a casa de um dos tripulantes. Abrimos para ver o que tinha dentro. O conteúdo era altamente prensado. No meio do material, alguns pedacinhos de jornal escritos em letras estranhas indicavam a procedência oriental da carga. A título experimental, "deschavamos" o conteúdo de uma das latas e "enrolamos" em uma folha de jornal. O resultado foi um "baseado" de 50 cm de comprimento por 15 de diâmetro que provavelmente deveria constar no livro Guiness dos recordes.

Como diz o Barão Vermelho, "apertamos, mas não acendemos agora". A fumaça de tal objeto provavelmente traria o corpo de bombeiros. As latas, é claro, foram prontamente encaminhadas às autoridades competentes... 

Ficamos mais tarde sabendo de muitas histórias engraçadas relacionadas a essas latas:

  • Um surfista achou uma. Ao perceber que os guardas viram e estavam na praia esperando, ele permaneceu na água noite a dentro, até os guardas irem embora.
  • Neste mesmo fim de semana, um antes do nosso passeio, a polícia de Ubatuba recolheu mais de 300 latas somente na Praia Grande.
  • Correu um boato que um certo diretor de uma emissora de TV teria acumulado 600 em sua casa em Angra e que teria comprado vários freezers para estocar o material.
  • O dono de uma lancha grande recolheu 25 latas. Descarregou no Saco da Ribeira e chamou os policiais para levá-las. Os marinheiros no pier ficaram olhando as latas com água na boca enquanto elas eram carregadas na viatura.
Até hoje a expressão "da lata" é sinônimo de algo bom, numa referência à boa qualidade do material contido naquelas Latas.

Uma destas coisas engraçadas que não acontecem todos os dias. Jô Soares escreveu em uma crônica na Veja que 87 não seria lembrado por nenhum acontecimento político, econômico ou esportivo: seria lembrado como o ano das Latas.

Texto retirado de: http://www.tecepe.com.br/bike/latas.htm

Dez mitos sobre dietas

Muitos mitos você com certeza já deve ter ouvido e talvez até possa acreditar, mas o fato é que não correspondem à realidade. Aqui vão ...